Nota: The Walking Dead não me pertence, porque se me pertencesse, adivinha quem seriam os protagonistas absolutos?kkkk Love!
"Deus sabe que eu estou afundando;
Me pergunto o que você faz;
e onde você fica;
Essas perguntas;
Como um turbilhão;
me levam para longe;
Eu sou só um humano;
Eu sou só um humano"
Song:Thriving Ivory - Flowers for a ghost.
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"Entrelinhas"
Parte 8
"Caramba, dá uma olhada nisso aqui." Um tanto quanto perplexo, Tyreese apontou para as placas de energia solar. Centenas dela, uma pilha.
"Dá pra iluminar um estádio, aquecer a água de toda a prisão. A gente tirou a sorte grande. Com o sol que faz aqui na Georgia, energia não vai faltar. Eu vou arrumar um aparelho de som, uns CDs, uma TV e DVDs pra Carol...Ela merece um pouco de luxo depois dessa idéia."
"Pois é." Daryl passou o crossbow para as costas, liberando suas mãos,
"Carol tinha razão afinal de contas." Daryl disse mais para si mesmo do que para Tyreese. Imediatamente começou a separar as placas, e os outros materiais para levar para a caminhonete. Placas, fios, transformadores, receptores,baterias. Placas de energia solar portátil. Tudo muito útil.
Como previsto, não tinha ninguém dentro do deposito. O galpão estava selado, nenhum walker, nenhum sobrevivente por perto. Com o tamanho dos muros em volta, até que era um bom lugar para refugio, caso fosse necessário deixar a prisão. Daryl se certificaria de selar esse lugar, e mantê-lo assim quando fossem embora.
Tyresse escutou o que Daryl disse e o encarou.
"Claro que ela tinha razão. Cara, por que você trata a Carol desse jeito?" Tyreese observou Daryl trabalhando silenciosamente, e se movimentou para ajudar.
Daryl separou os rolos de fio que seriam usados nas instalações elétricas, já desejando que Ty cala-se a boca antes que ele perdesse a paciência.
"Que jeito?" Irritado, Daryl encarou Tyresse. ...Que jeito? Diz seu filho da mãe! QUE JEITO?...
"Sabe, você tá sempre gritando com ela. Sempre olhando com cara feia. Nunca demonstra carinho. Nunca dá credito para ela. Carol é uma mulher extraordinária... O que ela tá fazendo naquela prisão nessas últimas semanas... É incrível. E agora ela vai devolver energia elétrica pra gente... Uma mulher dessas não merece ser tratada assim. Ela não merece outro Ed..." Tyreese balançou a cabeça, e continuou separando as placas. Os braços de Tyreese tinham força suficiente para carregar três, quatro placas ao mesmo tempo.
"Não é da sua conta como eu trato a Carol." Daryl não gostou do tom usado por Tyreese, apesar de saber que era tudo verdade.
Depois de raciocinar um segundo, Daryl chutou o rolo de fios, perdendo a paciência. " VOCÊ TÁ ME COMPARANDO COM O MALDITO ED PELETIER FILHO DE UMA PUTA?"
"Não. Só estou dizendo que Carol merece o melhor..." Tyreese não se sentiu intimidado pelos gritos de Daryl. Não era seu estilo,mas se preciso fosse, seria igualmente agressivo. "Acha que eu tenho medo de você Dixon?"
Daryl rosnou, preparando o soco, mas se controlou, porém não aguentaria mais muito tempo. "Filho da puta, você tá fazendo de propósito? Desde cedo, provocando, querendo entrar nas calças da Carol." Ele levantou a mão, apontando o dedo indicador na cara de Tyreese.
"Ok. Daryl. Chega dessa conversa, a gente tem muita coisa pra fazer aqui. Eu não quero voltar pra prisão a noite. Não esqueça que tem uma mulher e uma criança lá fora" Tyreese deu um passo pra trás.
"Claro. Faz sentido agora..." Daryl tinha puro ódio no olhar. "Então foi você! Você fez a Carol ficar três semanas sem falar comigo. VOCÊ ESTÁ MANIPULANDO A CAROL CONTRA MIM."
"Não, não foi. Tá vendo? Você está fazendo de novo. A Carol não é manipulável. E se ela não esteve contente com você nas últimas semanas, mas eu não tenho nada haver com isso. Não sei o que você aprontou." Tyreese jogou as duas mãos para ar. Ele não sabia direito quais seriam as consequências dessa conversa, ou melhor briga, mas era verdade, nas últimas três semanas se aproximou mesmo de Carol, e não queria perder isso, seja lá o que "isso" fosse.
Tyreese olhou direto no olho de Daryl.
"De verdade rapaz? Quero é te agradecer, porque enquanto você faz a Carol infeliz, eu me aproximo dela."
"O que você disse?" Daryl estava novamente cara a cara com Tyreese. Sua face vermelha, as narinas se abriam e fechavam, a cada respiro forte.
"Só estou dizendo, se eu tiver uma chance... Se a Carol me der uma chance, não pense que vou hesitar... " Tyreese não se encolheu. Ele estufou o peito, correspondendo o olhar feroz de Daryl na mesma proporção.
"Você está se metendo onde não deve, onde não foi chamado. Eu te mato antes que você coloque as mãos nela!" Daryl enfiou o dedo indicador no peito de Tyreese, rosnando. "Você não sabe nada sobre mim, ou a Carol."
Tyresse soltou uma pequena gargalhada. "Pode ser, mas eu sei de uma coisa. Você está perdendo . Então, me faça um favor, continue com seu comportamento estúpido."
Perdendo de vez a paciência,Daryl puxou Tyreese pela gola da camisa, encarando o homem frente a frente, rosnando entre os dentes. "FALA LOGO. O que está acontecendo entre você e a Carol? VOCÊS ESTÃO TRANSANDO?" Mais direto que isso, Daryl nunca seria.
Tyreese podia ser bem ardiloso quando queria. Ele percebeu que Daryl estava perdendo as estribeiras, não pensou que a conversa ia chegar tão longe, mas agora não dava pra voltar atrás.
"Amizade. Por enquanto... Você teve e a Carol durante todo esse tempo e nunca fez nada... E pelo visto não vai fazer. Você é só um moleque assustado e arredio dentro do corpo de um marmanjo, chutando pra longe tudo aquilo que não entende." Tyresse usou as duas mãos e finalmente empurrou Daryl para longe. "Eu sou um homem. Tive esposa e filhos..."
Daryl abaixou um pouco a cabeça, sem desviar o olhar. O ângulo do rosto fazia com que a feição de Daryl ficasse feroz, mortal.
Sem se intimidar pela cara feia, Tyreese continuou.
"E vou fazer o que for preciso." Ele apontou o dedo na cara de Daryl, que soltou um grunido baixo, como um tigre em pleno ato de caça.
Tyreese respirou fundo, tentando se acalmar um pouco. Com uma voz mais tranquila, ele tentou melhorar o clima. Quando começou essa conversa, não imaginou que ficaria tão pesada.
"Escuta, eu não tenho nada contra você Daryl... Eu realmente não tenho... Eu entendo que existe uma ligação entre vocês dois, mas isso não é garantia de que Carol seja sua. Entenda isso. Se eu tiver que lutar por ela...Eu luto, mas não vai ser nem aqui. Nem agora, porque se lembra, a gente tem essa tarefa pra terminar, e voltar pra prisão antes que aconteça algo pior. E garantir a segurança de uma mulher e uma criança que estão lá fora esperando. Ok?"
Daryl apertou os olhos, seu sangue borbulhava, literalmente nas veias.
O ex jogador de futebol americano não esperou a resposta de Daryl, ele virou as costas, deixando Daryl atordoado e bufando. "NÃO VAI ACONTECER. TÁ ME ESCUTANDO. DESGRAÇADO. Não vai...Se você tocar nela, eu corto sua garganta".
Tyreese ignorou, simplesmente começou a levar as placas de energia solar para a caminhonete. Eles tinham muito trabalho pela frente.
"Grande filho de uma puta..." Daryl precisou se segurar para não ir atrás do homem ,e socar a cara de Tyreese até que os olhos dele saltassem do crânio. Daryl estava tremendo de raiva. Mas e se fosse verdade? E se Daryl estivesse perdendo Carol de vez para Tyreese?
"NÃO, não" Daryl chacoalhou a cabeça, recompondo a calma. "Nem ficar ZEN eu consigo mais. Inferno!" Ele bateu com as duas mãos na própria cabeça.
~.~.~.~.
Tinha alguma coisa errada entre Tyreese e Daryl, Carol pode sentir. A energia que ambos emanavam era uma coisa um tanto quanto assustadora.
Os dois estavam naquele zigue-zag, descarregando as placas de energia na caminhonete. Carol contou mais de trinta. Todos deviam estar contentes pelo achado, resolveria um grande problema na prisão. Traria de volta um pouco da vida civilizada. Mas a tensão no ar era sufocante, chegava a embrulhar o estômago. Carol percebia os olhares de ódio que Daryl lançava na direção de Tyreese, e na direção dela sem entender absolutamente nada. ...Eu não fiz nada pra ele... Ela suspirou "Pelo visto é o estilo Dixon de demonstrar felicidade..."
"O que?" Sarah perguntou. A menina tinha se calado depois do comentário sobre Carol ser sua "mamãe". Carol agradeceu por isso.
Sarah a tinha deixado desconsertada. A menina estava se portando de forma estranha, mesmo assim, ... provavelmente estresse pós traumático ... Carol tentou confortá-la, oferecendo um abraço carinhoso. E um beijo na testa. Sarah sorriu, com lagrimas nos olhos.
Carol não ia dizer em voz alta, mas ela já não tinha desejo de ser mãe de ninguém. Ela não queria substituir Sophia, nem mesmo Judith, Carol passava Jude para Beth sempre que possível. Após a morte de Sophia, Carol tinha conseguido um certo equilíbrio para sobreviver nesse mundo, e ela estava se saindo bem.
Sophia estava em paz, Carol tinha certeza disso, ela sentia isso. Sophia não tinha mais fome, não tentava mais voltar para casa, não chorava sozinha antes de dormir, não tinha mais medo dos monstros. Um pouco do conforto de Carol vinha disso. Saber que onde quer que Sophia estivesse, ela estava em paz, segura.
Outra criança sob sua responsabilidade? Correndo o risco de falhar? De fraquejar? Se apegar? Ver a menina se transformar em uma walker. Ou de ser abusada, nesse mundo de homens cruéis. Nesse mundo feio e sem leis? Ou então o risco dela mesma morrer, e deixar essa criança sozinha nesse mundo? Era muito, era pedir demais.
Carol estava tentando se preservar em relação ao seus sentimento com Daryl. Preservar seu coração. Era difícil, mas estava conseguindo. Não tinha certeza de como seria à volta a prisão. Se ele estava com Beth ou não? Ela não queria se apegar novamente, não era saudável. ...E agora essa menina?...
Como se entregar assim e sair ilesa?
"HEY CAROL, SÓ MAIS CINCO PLACAS E A GENTE JÁ VAI." Detrás da caminhonete veio o grito de Tyreese.
"Isso, grita mais alto, os walkers lá em Atlanta não escutaram!" O humor de Daryl estava realmente azedo. "Quando a gente abrir a porra do portão vai ter uma horda." Ele jogou uma sacola com materiais elétricos na carroceria da caminhonete, sem se importar onde caia.
Tyreese ignorou, ajeitando uma lata de tinta, ele pintaria o quarto de Carol. Tinha intenção de transformar a prisão em algo bem aconchegante. Em seguida voltou para o deposito para pegar mais algumas coisas.
"Certo!" Da cabine da caminhonete veio a resposta de Carol. Ela e Sarah ficaram o tempo todo lá. Enquanto Tyreese e Daryl trabalhavam. Todo o local parecia bem seguro. Mas era melhor não arriscar, já tinha se machucado bastante por um dia. Agora precisava se cuidar um pouquinho.
"Sarah, preciso de um tempo. Ok? Preciso trocar essa roupa, me sinto nojenta." Carol saiu da caminhonete, caminhou até o bagageiro abrindo uma das malas que tinha pegado de sua casa.
"Ok, eu fico de vigília." Sarah também saiu da caminhonete, e subiu em cima do capo. De pé, a menina começou a olhar para todas as direções. "Tudo limpo. Pode se trocar."
Carol tirou a calça, escolhendo outra bem confortável. Ed nunca permitiu que Carol tivesse roupas caras e sofisticadas, o luxo que ela tinha era o conforto, pelo menos isso. "AH, meu pijama!" Ela sorriu, sentia falta de seu pijaminha de malha fina. Finalmente ele estava de volta na sua vida. Ela tinha recuperado algumas das suas roupas mais confortáveis.
De cima da caminhonete, Sarah deu uma risada. Novamente parecendo uma criança normal de doze anos de idade "Você vai voltar para a prisão de pijama?"
"Bem que eu queria." Carol respondeu, escolhendo uma calça mais pesada, rapidamente ela vestiu. "O que eu não daria por um banho...Uma banheira, com água quentinha, e muita espuma...Acho que minha alma vai sair do corpo se eu conseguir um banho de banheira." Carol riu, mas fez uma careta sentindo dor no queixo machucado. "Oww".
"Com as placas, a água vai ficar quente de novo né?" Sarah literalmente subiu em cima da caminhonete agora, observando cada movimento de Carol.
"Sim. Água quente..." Toda dolorida, Carol começou a tirar a blusa. "OH MEU DEUS." Na hora que a gola raspou no queixo, ela teve vontade de fazer xixi nas calças, muita dor. Carol estava só de sutiã , que de branco tinha transmutado para uma cor medonha, mistura de sangue, suor e barro. Horrível. "Eu vou passar uma toalha úmida no corpo. Me avisa se vier alguém, ok?"
"Claro." Sarah disse, atenta aos movimentos de Carol.
Usando a garrafa de água, ela umedeceu bem a toalha e começou a passar pelo rosto, braços, pelo peito, pela barriga, refrescando-se, tirando a sujeira e o sangue.
"Quer que eu passe nas suas costas?" Carol pulou quando escutou a voz grossa e masculina atrás dela.
"WOW. HEI SARAHHH. UM AVISO AQUI Né!" Carol olhou para o homem parado do seu lado, imediatamente trouxe a tolha sobre o peito, escondendo o sutiã molhado, que revelava mais do que ela queria.
"Droga." Sarah não queria desapontar Carol, mas ela estava distraída observando o corpo de Carol. Imaginando quando seus próprios seios começariam a aparecer de verdade. "Desculpa, ele veio rápido demais."
"Bobeira! Eu te juro que não vi, e não estou vendo nada demais. E pra ser bem sincero, a sujeira maior está nas suas costas Carol. Tá bem nojento isso aqui." Ele se posicionou atrás de Carol, puxando a garrafa de água e a toalha molhada das mãos dela. Instintivamente, Carol protegeu os seios com as mãos, o sutiã molhado super transparente. Seus mamilos estavam pontudos por causa da água gelada.
...Constrangedor...Ela pensou.
"Não precisa, eu posso me virar sozinha." Carol engoliu seco, sentindo o pano molhado na sua espinha.
"Shhh. Quieta. Confia em mim. Não é nada demais, eu só quero te ajudar." Ele disse, e prosseguiu com a limpeza. Mas algo o deixou horrorizado.
"Oh meu Deus. Maldito Ed" Ele suspirou baixinho. Conforme o sangue saía, a pele, as sardas , as cicatrizes nas costas de Carol apareciam. Algumas grandes, outras pequenas. Muitas marcas, de todos os tamanhos.
Pontapés, cigarros, cinto, estilete...Cada uma delas tinha uma historia pra contar. E cada historia mais dolorida que a outra.
"Ok. Para agora." Carol se encolheu. Ela não queria que suas cicatrizes ficassem expostas. Muito sentimento, muita dor, muita decepção.
"Eu já estou acabando." Ele passou a toalha nos ombros dela, e Carol tremeu. Pelo frio da toalha úmida, e pelas mãos percorrendo sua espinha, e suas feridas. Carol sabia que ele não estava fazendo nada demais, mesmo assim não podia evitar.
"PARE!"
Carol gritou, ela fechou os olhos e balançou a cabeça. Ela estava tremendo, não estava pronta pra esse tipo de contato. Não era culpa dele, ele tentava ajudar. Ela realmente não estava pronta pra isso.
"TIRA AS SUAS MALDITAS MÃOS DELA AGORA MESMO. OU EU JURO POR DEUS, ARRANCO DOS SEUS BRAÇOS." Daryl tinha o crossbow apontado para a cabeça de Tyreese, seu olhar era mortal,o ódio na garganta. Carol quase nua, protegendo os seios com as mãos, enquanto Tyreese estava atrás dela. Todos os dedos daquelas mãos tocando suas costas, enquanto Carol pedia para parar. ENQUANTO ELA PEDIA PRA PARAR!
"A CAROL DISSE PARE" Daryl gritou inconformado. Tyreese na sua mira.
De cima da caminhonete, Sarah não conseguia respirar, ela colocou as duas mãos na frente da boca, observando cada detalhe da cena na sua frente. Carol, Tyreese, Daryl! A tensão entre eles era tamanha, que dava pra sentir de longe. Era como uma contagem regressiva de uma bomba.
Tyreese deu um passo para o lado, saindo de trás de Carol, com as mãos para o alto. "Não é o que você está pensando..."
Do canto de seu olho, Daryl viu Carol tremendo.
E Daryl não viu mais nada na sua frente. Tudo ficou preto. Ele apertou o gatilho do crossbow, sem nem pensar no que estava fazendo. A flecha saiu sem que ele pudesse pegar de volta.
Tyreese caiu no chão, assim como a toalha molhada, suja de sangue.
Finalmente eles tinham chegado longe demais.
"NÃOOOOOOOOOO. O QUE VOCÊ FEZ?" O grito de Carol ecoou pelo depósito.
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YES!
Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos!
MUITO OBRIGADAAAA
Isadora, você me deixou sem palavras, de verdade, muito muito obrigada. Foi um incentivo e tanto! *o* OMG, vc me matou aqui kkkkkkkkkkk
Andressa, espero que goste! Sarah é um mistério até pra mim! Eu realmente queria saber o nome daquela menina loira do trailer, e qual vai ser a trama dela com a Carol. TÔ MORRENDO DE CURIOSIDADE. LOL!
E Carol/ Daryl/ Tyreese...
Relacionamento conturbado *o* AMOOOO! muhahahaha
