Nada me pertence, nem The Walking Dead , nem as músicas, nada. Insegurança define esse capitulo. Tanto minha, quanto deles. Não estou muito contente com esse, mas vamos seguir em frente. Tanto Daryl quanto Carol são criaturas complexas, cheios de traumas.
Inspiração: Daniel na Cova dos Leões- Legião Urbana.
"A insegurança não me ataca quando erro;
E o teu momento passa a ser o meu instante;
E o teu medo de ter medo de ter medo;
Não faz da minha força confusão;
Teu corpo é meu espelho e em ti navego;
E eu sei que a tua correnteza não tem direção."
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Entrelinhas
Parte 10
...Se eu tiver que lutar por você. Eu vou. Nem vou pensar. Atirar em Tyresse foi prova suficiente... "Você é minha, minha."
Ao invés de pronunciar qualquer coisa, Daryl colocou a mão na nuca de Carol e movimentou seu rosto para perto do rosto dela. Tocando seus lábios nos dela, tomando cuidado para não machucar o queixo dela, ele fez. Finalmente Daryl Dixon sentiu como era um beijo de Carol Peletier. Ele fechou os olhos e sentiu a maciez da boca dela. Mergulhou no beijo, apertou Carol nos seus braços, e ela tremeu.
Carol correspondeu, abrindo a boca, deixando que sua língua dançasse ao redor da língua dele. Permitindo que Daryl a invadisse, a consumisse.
O corpo de Daryl nunca sentiu nada igual! Nunca respondeu assim. O coração bateu tão forte, que ele podia sentir a pulsação batendo em sua têmpora.
Um simples beijo, e ela era sua. Até o fim!
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Daryl sapecou mais alguns beijos nos lábios de Carol, até perceber que ela estava perto de adormecer em seus braços.
"Hmm" Esgotada e derretida naquele abraço, Carol já nem correspondia mais os beijos. Somente soltava alguns sons do fundo da garganta, e sorria, demonstrando contentamento.
O caçador sorriu ao ver os olhos dela cerrados, quase um minuto após o beijo ter terminado. Curvou o canto do lábio e balançou a cabeça. Murmurando no cabelo dela.
"Adorável".
Adorável não era uma palavra frequente no vocabulário dos Dixons, porém a mulher em seus braços era sim, simplesmente adorável. Ele teve que dar o braço a torcer e dizer em voz alta.
"Quem é você, o que você fez com Daryl Dixon?" Carol murmurou. Ela forçou as pálpebras abertas, e mostrou um pouco de seus olhos azuis.
A resposta? Mais um beijo carinhoso na testa de Carol Peletier.
Daryl não estava desatento aos desejos masculinos que se manifestavam em seu corpo. Uma mulher em seus braços, enlaçada como uma raiz de orquídea em um tronco de árvore, e seus hormônios estavam chutando e gritando pedindo mais.
Ele desejou poder sentir o verdadeiro calor do corpo dela, a maciez dos seios, as curvas do quadril. Mas obviamente não naquela noite. Nem Carol, nem Daryl tinham condições físicas ou psicológicas para dar um salto tão alto no relacionamento de uma hora pra outra.
Na verdade, nem lugar pra isso no deposito ou no escritório oferecia. Ao lado de uma criança e de um homem enfermo? Carol merecia mais que isso.
Relutante, Daryl decidiu que aqueles beijos eram o bastante, por enquanto...
"Você precisa dormir." A voz um pouco descontente. Foi-se a disposição dos vinte anos de idade. "Chega agora, ok?" Daryl contemplou, mesmo com a plenitude da juventude, eles não levariam os amassos adiante naquele lugar.
Os corpos moídos de cansaço, fome e sono.
"Fique aqui" Daryl disse, perdendo o calor do corpo dela ao se afastar.
"É verdade, mal consigo abrir os olhos" Carol encostou seu o corpo contra a parede procurando suporte, enquanto isso Daryl rapidamente ajeitava um canto do escritório para que ela repousasse. Ele esticou um cobertor no chão, para que ela se deitasse, para que ela se aquecesse.
"Obrigada". Carol obedeceu, respondendo baixinho, sem a menor resistência. Sem perguntar o que tudo aquilo significava pra ele. Para eles.
"Dorme agora." A voz dele rouca e cansada, mas um tanto quanto orgulhosa por ter finalmente avançado com Carol.
"Descanse... Você também." Carol estava entorpecida de sono.
Daryl não conseguia desfazer o sorriso que escapava no canto da boca enquanto pensava nos beijos. A maciez dos lábios dela, o gosto do pedaço de maçã que ela tinha acabado de mastigar antes dos beijos começarem.
Carol olhou mais uma vez para Daryl antes de dormir, o caçador tinha um sorriso misterioso nos lábios. Poderia ser culpa do silencio, onde se escutava até a respiração do outro, ou da luz da vela, que dançava nas paredes conforme a brisa soprava, mas definitivamente existia uma aura em volta deles. Uma energia etérea, como um sonho.
Talvez não passasse de um sonho.
A mente de Carol deveria estar em um suposto redemoinho de pensamentos. O que aconteceria daqui pra frente? E a Beth? Qual significado aqueles beijos? Eles estavam juntos? Por que agora? Foi uma coisa de momento? Como o relacionamento mudaria a partir daquele momento? Foi sincero?Foi por piedade? O que um homem como ele queria com ela? Ele sentia-se culpado por Sophia, por ter enchido Carol de esperança quando na verdade, Sophia tinha partido desde o começo?
Nada, nenhum pensamento.
Efeito do cansaço, ou dos beijos entorpecentes, mas o fato era que Carol não tinha sequer um pensamento cruel. Estava tranquila, ordenada, anestesiada. Agora ela só queria se entregar aos braços de Morfeu.
Antes, colocou a digital no lábio, sentindo ainda um resquício do beijo.
Como alguém como Daryl Dixon podia ser capaz de ser tão gentil, carinhoso, macio? Ed nunca a beijou assim, mesmo nos anos de namoro, seus beijos sempre vorazes, agressivos, ríspidos.
Daryl era como um garoto dando seu primeiro beijo na namoradinha de escola, Ávido a aprender, a agradar, acompanhando cada movimento dela, a mocinha em questão, com o coração acelerado e as palmas úmidas de suor.
Calmo, tranquilo?... Palavras que nunca definiriam o caçador.
Carol sorriu mais uma vez, e finalmente ficou a deriva, no mundo dos sonhos.
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Daryl permaneceu acordado, como um guardião, embora suas pálpebras insistissem em fechar. As digitais de seus dedos imitaram Carol, tocando seus próprios lábios, sentindo ainda um leve resquício do beijo.
Aconteceu de forma tão imprevista! Foi um sonho? Daryl nunca tinha esse tipo de sonho. Dixon não conhecia essa suavidade. Dixon não conhecia esse tipo de carinho.
Teve uma pequena sensação de pânico ao pensar no que viria a seguir. Daryl nunca foi perito no assunto.
O que faria com Carol?
Talvez esse mundo louco tivesse finalmente mexendo com sua cabeça.
Se fosse verdade? O que faria com Carol Peletier? E se estragasse tudo? Três semanas sem falar com ela foi um inferno. Perderia Carol para sempre?
Ele pensou então nas cicatrizes nas costas dela. Como Ed foi capaz? Mulher nenhuma merece ser tratada dessa forma, mas tratar assim Carol Peletier era um crime! Machucar a pessoa que você jurou amar? Proteger até a morte?
Deslealdade, coisa que Daryl não suportava.
"Tsc"... Como se eu não tivesse visto isso antes...
Daryl lembrou então de sua própria mãe, fugindo do seu pai alcoolizado. Amedrontada, tentando em vão proteger com as duas mãos, o rosto, já roxo e inchado, sangrando. Escondendo-se e encolhendo-se em um canto da cozinha. Amargurada, cheia de medo e arrependimento por saber que seus filhos assistiam aquela cena grotesca. E que em breve seriam vitimas como ela... Mãe fugiu desse inferno, bebendo, incendiando a casa, pegando fogo junto. Não sobrou nada...Nada..
Daryl visualizou tudo isso acontecendo com Carol. Era como visualizar um acidente de carro. Um bêbado tentando dirigir um caminhão desgovernado, indo na direção de um pequeno fusquinha na auto via... Capotando o pequeno carro, passando por cima, sem dó, sem piedade, sem se importar com o que tinha lá dentro.
Quanto Carol teve que aguentar durante todos esses anos? A dor física, emocional, o desespero de querer proteger Sophia? Sabendo que mais cedo ou mais ela mesma seria vitima.
E Sophia assustada em um canto, assim como ele próprio, ao ver a mãe ser maltratada sem poder fazer nada. Até que ele mesmo virasse o alvo das cintadas, dos cigarros, dos murros e pontapés.
Esse tipo de coisa destrói uma pessoa. Ele olhou novamente para Carol adormecida. Quanto essa mulher tinha superado? Qual forte essa pessoa conseguiria ser? Impressionante. Era o mínimo que podia se dizer sobre Carol Peletier!
Ela era tão danificada quanto ele?
Uma certeza ao menos Daryl teve.
Daryl iria devagar, muito devagar daqui pra frente! Sim, Carol correspondeu seus beijos, mas ela não disse nada sobre sentimentos. Como Daryl tocaria nesse assunto? Sentimentos? Ele nunca conversou com uma mulher sobre isso antes. Bem, ele nunca teve tanta intimidade com uma mulher antes para chegar perto de sentimentos.
"Maldição."
Carol caçoaria dele quando descobrisse sua falta de experiência? Provavelmente não, mas não era um tópico que deixava Daryl Dixon orgulhoso.
Ela teria dó? Ela ficaria com ele por piedade? E suas cicatrizes, eram horríveis, porque Carol ia querer alguém que a lembrasse tanto de suas próprias dores? Daryl era produto de uma família quebrada.
Comprometimento? Palavra estrangeira no dicionário Dixon.
A insegurança atacou de verdade ao lembrar-se da quase inexistente vida sexual.
Suas transas foram poucas. A maioria consequência de bebedeiras, ou por ter experimentado alguma porcaria que Merle insistia em oferecer. Nos fundos de um bar qualquer, dentro de um carro. Sexo sem muito beijo, sem conversa, sem acordar junto, sem telefonema no dia seguinte, sem consequências, sem lidar com TPM,com dia dos namorados, com jantar a luz de vela... Ele nunca transou com uma mulher sem camisinha, pavor de pegar alguma coisa, assim como Merle, que vivia a base de antibióticos.
Nunca sentiu como era pele contra pele.
Ele sentiu a pulsação aumentando. Soou um pouco frio de nervoso. Com Carol, provavelmente ejacularia antes mesmo de tirar as calças.
"Patético." Daryl murmurou pra si. Sim, Carol seria sua primeira, de verdade.
Daryl tremeria nas bases ao desapontá-la. Mas antes disso precisava ganhar Carol. Um jantar? Como nos filmes românticos que passavam na seção da tarde? Triste, mas sua noção de romance era essa.
Nunca nem jantou com uma mulher antes. Bem, com Carol sim, se jantar em cima de um ônibus, no meio do apocalipse, comendo um pedaço de coruja caçada conta como jantar romântico. Apesar de Carol ter declarado que aquele momento poderia ser bem romântico.
"Tsc" Ele puxou a pele ao redor da própria unha, até conseguir arrancar sangue ao relembrar a sugestão dela naquela noite, em cima daquele ônibus.
Afina, o que Daryl faria com uma mulher como Carol? Talvez Tyreese tivesse razão afinal, já foi casado, já teve filho...O que Daryl sabia sobre mulheres?
Bem, ele decidiu não fazer mais nada, pelo menos até que voltasse à prisão e tivesse uma conversa com Rick. Rick poderia ajudar, não poderia? Apesar do fracasso de seu casamento com Lori, e o fiasco do triângulo amoroso desastroso com Shane. Rick era sua opção de conselheiro.
"Que ótima opção." Daryl murmurou sarcasticamente.
Sem querer analisar mais nada naquela hora, Daryl puxou uma cadeira, e ficou na janela, observando o galpão escuro. A chama da vela se apagou de vez, e agora o escritório também estava escuro. Ele não se deu ao trabalho de acender outra vela, ou usar a lanterna. Precisavam economizar o fosse possível.
Com sorte , moveriam Tyreese pela manhã, e voltariam para a prisão.
Mas e se não fosse possível? E se tivessem que esperar a recuperação dele durante alguns dias? O deposito era sim um pequeno refugio, com seus muros altos, com seu grande portão de ferro. Mas e o acontecia lá fora? Eles tinham pouca comida e água, Daryl não conhecia aquela região, não sabia se tinha caça ou não por ali.
"Droga." Daryl encostou a testa na janela, e sussurrou. Seu hálito quente embaçou o vidro. Ele passou o dedo no vidro.
"ARRG." Com dor, Tyreese começou a se contorcer em cima da mesa. "AHHH."
Rapidamente Daryl estava ao seu lado, Tyreese estava sentindo muita dor, mas não deixou de xingar Daryl. "Seu desgraçado, filho da mãe..."
"Hei cara! Fica quieto, você vai começar a sangrar de novo." Daryl tentou segurar Tyreese, mas ele era bem forte. "A Carol teve o maior trabalho te costurando! Você vai estourar os pontos."
"Eu vou te matar, eu juro..." Tyreese rosnou para Daryl que o segurava pelos braços. "Me solta, seu caipira maldito!" Ty puxou o braço com força, e colocou a mão sobre o machucado. Uma mancha de sangue estava ensopando a faixa.
"Ai, já ta sangrando de novo." Daryl obedeceu, Tyreese tinha motivo pra raiva naquele momento, Daryl não discutiria quanto a isso. "Ok, mas não se mexe, fica quieto."
"Cadê a Carol?" Tyreese moveu a cabeça de um lado para outro, tentando se localizar. Ele não podia levantar o corpo, não conseguia enxergar Carol ou Sarah. "Eu quero a Carol".
Daryl olhou feio.
"Dormindo! Fala baixo." Daryl apertou os olhos, enrugou a testa. Sem chance ele ia começar a disputar Carol com Tyreese no meio da madrugada. "Não vai acordar ela. O que você quer? Tá com dor?Febre? O que?"
"O que você acha? Um retardado me acertou uma flecha, passou meu corpo de um lado a outro." Tyreese disse entre os dentes.
"E daí? Uma flecha também já me passou de um lado ao outro, e ainda tomei um tiro na cabeça, mas eu não fiquei gemendo igual uma moça. Alias me salvei sozinho, diga-se de passagem." Daryl apontou para Tyresse, e depois se abaixou, para procurar algum comprimido de analgésico dentro da caixa de primeiros socorros. Ele ofereceu para Tyreese com a garrafa de água.
"Claro, um bicho do mato feito você...Isso não vai ficar assim." Ty aceitou o comprimido e água, mas rosnou para Daryl. "Você tentou me matar."
Daryl estava perdendo a paciência, ele jogou os braços para alto, tentando falar baixo pra não acordar Sarah e Carol. "O que você sabe? Eu não tentei te matar. Se eu quisesse te matar você não estaria aqui discutindo. E a culpa é sua, Carol estava gritando 'pare' "
"Grrr." Tyreese desistiu de discutir, derrotado, deixou o corpo cair novamente sobre a mesa.
"E cala logo essa matraca e volta a dormir. Amanhã cedo a gente volta pra prisão, então é bom que esse seu traseiro esteja recuperado pra viagem. Ou eu te deixo aqui e levo Carol e Sarah pra casa, sem você." Daryl virou as costas para Tyreese, ignorando o ex jogador, novamente se posicionando na frente da janela.
"Eu juro que deixo aqui...Você que se vire sozinho."
"Imbecil. Isso não vai ficar assim, não...Carol vai te enxergar Dixon, ela vai."
Os dois se calaram, porém um continuou amaldiçoando o outro mentalmente. Mas a briga não tinha terminado por aí. Tyreese tinha se convencido que aquela flechada teria troco, que dali por diante pegaria pesado. Não mais entregaria Carol Peletier em uma bandeja de prata para Daryl Dixon.
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Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos!
Me desculpem se eu fugi muito do caráter original, eu ando confundindo Daryl com outro personagem, de um outro fanfic meu, de um outro fandom hahaha
Muito obrigada pelas reviews! Carolina, Manuela, Andressa, Letícia, vocês são divas! As melhores! Caryl on!
