Nada me pertence. Tudo emprestado, sem intenção de lucrar.
"Dê uma olhada para o céu antes de você morrer, é a última vez que você vai fazer..." Metallica. For whom the bell tolls!
~.~.~.~.~.~.~
Entrelinhas
Parte 13
'...Uma cova...duas covas...seis covas..."
"Seis pessoas..."
O dia que tinha começado com comemorações havia se transformado em uma grande tragédia.
Quando o ataque acabou veio silencio. Um terrível silêncio. Logo em seguida choro. Choro coletivo, mulheres, crianças, homens adultos. Todos arrasados com o que tinha acabado de acontecer.
Carol não aguentou, correu para fora do Bloco D. Colocou as duas mãos na frente do rosto, sufocando o choro, parando no meio do pátio. Com as pernas bambas, logo se viu ajoelhando, se desmanchando de tristeza. O corpo balançando com os soluços.
"Oh meu Deus, oh meu Deus!" Ela repetia entre soluços.
Foi o encontro mais próximo com dentes de walkers que já teve, nem na fazenda, nem no dia da morte de T Dog... Centímetros entre continuar sendo um ser humano ou se tornar uma criatura. A flecha certeira de Daryl garantiu sua vida por mais um tempo.
E Carol começava a se perguntar. Valia a pena?
Vale a pena, quando tudo é dor e sofrimento? Vinte e quatro horas de sufoco e cinco minutos de alivio e alegria? Quanto uma pessoa pode aguentar? Até onde uma pessoa pode ir?
...Ao menos Sophia não precisa mais sentir isso...Esse medo, essa falta de esperança...
"Oh meu Deus.." Carol fechou os olhos e tudo veio a tona, como um flash por trás de suas pálpebras.
Foi tão rápido. Sangue, sangue e pedaços humanos. E gritos de dor, choro, soluços. Rápido, e ao mesmo tempo como se tivesse acontecido em câmera lenta.
Ela lembrou de uma noite em especial, em que Sarah acordou gritando após um pesadelo. "Monstros, monstros..." A menina dizia.
Carol respondeu. "Os monstros estão lá fora"... Mas a verdade?... Os monstros estão aqui, eles estão em todos os lugares, qualquer um pode se transformar...Todos nós somos monstros.
Sangue, sangue por todos os lados. Sangue nos lenços usados como porta das celas. Carol fechou os olhos e se viu novamente entrando no bloco D, chateada depois da cena que Daryl e Beth propiciaram, ...agora pareceu tão fútil, aquele sentimento agora parecia tão sem sentido, tão fora de propósito...
A realidade do que estava aconteceu pulou literalmente em seu rosto. Senhor Mashburn, ou que restava dele tentou arrancar um pedaço de seu ombro. ...pele cinza, esverdeada, uma ferida enorme no pescoço, mandíbulas saltadas... olhos sem vida...olhos medonhos... Imediatamente Carol colocou a mão no seu ombro, procurando um machucado que não estava lá, graças a Daryl.
Carol pulou quando percebeu que senhor Mashburn havia se transformado. Ela lutou se defendeu, mesmo sem arma, conseguiu afastá-lo, mas senhor Mashburn não era o único. Atrás de uma das cortinas, estava senhora Mashburn, esperando pela sua refeição. Provavelmente morreram de causas naturais, ela já havia se transformado, e transformado o marido, ou vice-versa, ninguém saberia... O casal não tinha se sentido bem no dia anterior, Carol lembrou, eles estavam vomitando, com diarréia, mas ela estava tão ocupada com as placas de energia... não deu atenção suficiente. Bob ou Hershel ficaram de olhar os idosos.
Mais idosos, mais pessoas mordidas, arranhadas, morrendo, se transformando.
Ninguém percebeu a ausência deles hoje cedo?
Ninguém notou.
Todos estavam atrás da energia elétrica. Ninguém deu falta do casal de idosos? Dos outros idosos faltando?
Carol chorava e soluçava, sentindo-se culpada.
Ela se lembrou do senhor e senhora Mashburn, ensopados de sangue, pulando em cima das outras pessoas, dos outros idosos...Assim que os outros anciões de Woodbury entraram no Bloco D, foram recebidos pelo casal de zumbis. Uma mordida, causou outra mordida, que levou a outra mordida...
As pessoas idosas não tiveram a menor chance, elas não tinha mobilidade suficiente pra se defender,mal tiveram tempo de gritar.
E as crianças, o desespero das crianças. Daryl apareceu rapidamente, assim como Rick, mas o caos estava não tinham as facas para se defender, ninguém poderia imaginar... Bastou uma distração...
E pessoas foram mordidas, pessoas foram transformadas, outras estavam em pleno processo. Funerais...
"Por quê? Por quê?" Carol abafava o choro na própria mão. Estava difícil.
Desde o acampamento, desde a fazenda não acontecia isso. Tantas pessoas morrendo ao mesmo tempo. Carol escutou tiros. Três, quatro, cinco tiros, ela perdeu a conta. A voz de Rick ecoava alto pela prisão, a voz de Daryl, gritando seu nome em desespero, mas Carol já não compreendia o que era dito. Era um borrão. Ela estava perdida.
Carol não se conformava. De manhã estava conversando com aquelas tudo tão bem, todos fazendo planos, planejando uma vida melhor. Pelo menos o que restava da vida deles.
...Talvez não exista mais nada mesmo...
Outros sobreviventes começaram a emergir do bloco D... Carol tirou as mãos do rosto e viu Tyreese carregando Sasha no colo, e se dirigindo rapidamente para o Bloco C.
...Oh meu Deus, Sasha foi mordida?...
Rick, Michonne, Carl, Maggie, Glenn, Hershel...todos com armas nas mãos, todos de cabeça baixa. "Vamos recolher rápido todos os corpos. A gente precisa tentar manter o controle aqui." Rick disse baixinho para Michonne.
Sarah apareceu logo em seguida, a menina correu na direção de Carol, e se jogou sobre ela, chorando copiosamente. "Sarah..." Ainda ajoelhada, Carol procurou por sinais de mordidas e arranhões na menina. Aparentemente ela estava bem. "Criança...!" Carol chorou dolorosamente, enfiando seu rosto no cabelo da criança, molhando os fios com suas lagrimas.
"Carol..." Daryl Dixon estava pálido. Ainda com o garotinho de Woodbury ainda no seu colo. O menino gordinho, com cabelos encaracolados. Absurdamente assustado, agarrado na jaqueta do caçador com força.
"Você está bem?" Ele disse, um tanto quanto esbaforido.
"Pelo amor de Deus Carol...Diz que você tá bem!" Daryl se assustou ao ver Carol ajoelhada no meio do pátio. Curvada, como se tivesse com dor, com as mãos no rosto. Daryl viu o momento que Sarah se jogou de braços abertos em cima de Carol, e a mulher de cabelos prateados, chorando copiosamente com a menina em seus braços.
Essa reação não era típica de Carol. Carol não costumava chorar assim, pelo menos não na frente de todo mundo. Carol tinha um jeito de lidar com luto sem criar muito alarde. Ela não desabava assim a toa.
"Não vai surtar agora! Carol, todo mundo precisa de você." A voz dele não era típica de um Dixon, era quase um lamurio. "Tá tudo desmoronando!"
"Eu..." Carol virou o rosto para olhar para Daryl. Ela percebeu, que assim como Sarah, Daryl também procurava por um tipo de consolo.
Daryl era humano, afinal de contas. Não ia chorar e se descabelar, mas ia procurar uma palavra vinda da pessoa que lhe era mais cara. No caso, Carol Peletier.
"Hey moleque. Vai com o Glenn e a Maggie pra dentro. Tá tudo bem agora. Ok? Sarah você também. Todos para o bloco C." Daryl colocou o garotinho no chão. Relutante o menino não quis ir, mas Daryl gritou "MAGGIE" E ela veio buscar a criança.
Sarah foi um pouco mais difícil, ela não queria se soltar de Carol, mas Maggie conseguiu, oferecendo a mão para ela. "Vamos todos pra dentro, ok? A Carol já vem também...não é?" Maggie usou seu timbre mais suave.
"Eu já vou, me dê um minuto." Carol disse para Sarah, ela tentou esboçar um sorriso, sem um pingo de sucesso. "Um minuto, por favor!"
"Foi horrível. Eu escutei você gritando e..." Daryl ficou de cócoras ao lado de Carol, ainda ajoelhada, ele procurou por mordidas e arranhões. "Sai em disparada! Foi por pouco não é?"
Foi por um triz, ela escapou de ser mordida por questão de centímetros. Daryl nunca sentiu tanto pavor antes. A sensação de que deveria protegê-la foi maior que tudo, ele se moveu tão rápido que seus músculos até doíam pelo esforço.
Daryl soltou uma flecha bem no meio da testa do senhor Mashburn, fazendo com que o morto vivo fosse jogado para longe de Carol.
"Vamos para dentro. A gente vai selar o Bloco D. Já não sobrou mais tanta gente assim pra dividir as celas..." Ainda do lado dela, Daryl esperou uma resposta. Não obteve.
"Carol...? Eu, Rick, Michonne, precisamos inspecionar a prisão..." Ela permaneceu calada, olhando na direção das árvores.
...Como no trailer, no dia que encontramos Sophia no celeiro...
"Hei! Carol.Não é seguro aqui fora!" Ele disse, colocando a mão no ombro dela.
"Não é seguro lá dentro...Por que a gente ainda continua com isso? É como se suicidar em câmera lenta, sabe? Cada dia morre um pouquinho..." Carol sussurrou.
Daryl finalmente se decidiu. Ele passou um braço embaixo do joelho dela e o outro nas costas, e puxou Carol pra cima.
"O que?... O que você tá fazendo?" Surpresa com a atitude dele, Carol finalmente reagiu.
"Te levando pra dentro.. Mulheres e crianças vão ficar lá dentro enquanto a gente checa a prisão. Ok? E o calor tá derretendo seu cérebro! Desde quando Carol Peletier fala assim?" Daryl ajeitou o crossbow nas costas e puxou Carol para mais perto, carregando a mulher no colo até o bloco C.
"Eu não sei de mais nada Daryl." Ela sentiu um vazio enorme.
Daryl parou, com Carol em seus braços. Ele disse com voz bem séria, procurando os olhos, agora vermelhos de tanto chorar.
"Carol, se você perder a esperança, ai sim todo mundo aqui dessa prisão tá ferrado! Entende o que você significa pra gente, pra mim? Eu não duraria um minuto, sem a sua força..." Daryl acabou dizendo mais que do pretendia, mas já não importava, era a verdade.
"Daryl...Eu..." Ela suspirou, e se calou. Obviamente, Carol não queria dar uma de coitadinha, nem queria ser um fardo para eles. Para ele em especial, mas naquele momento se deixou levar. Ela precisava de um pouco de carinho depois do dia horrível que tiveram. Encostou a cabeça no ombro dele, se deixando levar.
Os dois ficaram em silencio durante a curta caminhada.
Durou pouco, Daryl colocou Carol no chão. Ela se recompôs, e logo estava em pé, firme. Chacoalhou a tristeza e já se colocou a postos para ajudar. No interior do Bloco C, a loucura continuava. Choro, gritos, crianças desesperadas. Pessoas revoltadas, com Rick, com a falta de segurança da prisão, até mesmo com a energia elétrica. Ninguém reclamava disso de manhã...
Karen, Beth, Hershel e o médico Bob estavam no meio da cafeteria, examinando todas as pessoas, procurando sinais de mordidas e arranhões.
"Gente..." Tyreese saiu de dentro de uma das celas, com olhar desesperado. "Não acho que a Sasha foi mordida, mas tem alguma coisa muito errada com ela. Sasha disse que logo cedo teve diarreia. Agora tá vomitando sem parar, e disse que começaram câimbras nas pernas...e os olhos, os olhos estão turvos..."
Um silêncio durante alguns segundos.
"Oh, merda!" Bob disse olhando para Hershel. "OH. Literalmente..."
"OHHH" Hershel respondeu, imediatamente reconhecendo o que se tratava.
O veterinário sussurrou para Bob. "Cólera?" Com medo de causar mais pânico, os dois se afastaram dos outros. Bob consentiu com a cabeça. Se fosse isso mesmo, todos os moradores da prisão poderiam já estar condenados.
Os olhos de Hershel passaram por todas as pessoas reunidas ali. Cólera era muito séria, tratável, porém... no mundo que vivemos?... Ele não tinha certeza. Essa doença já causou pandemias, matou milhões de pessoas em todos os países. Destruiu cidades porque a contaminação era muito rápida e fácil.
"A água está contaminada?! É claro, muitos corpos em decomposição zanzando por aí. Era uma questão de tempo até que os walkers contaminassem nossa comida, nossa água..." Bob disse baixinho.
"Vamos precisar de muito soro, e antibióticos...e isolamento! Como?Como a gente vai saber quem está mesmo infectado? Antes que os sintomas fiquem sérios?" Hershel disse, olhando para Beth, Maggie, sua família de sangue. Maggie, Rick, Judith, Carl, Daryl, Carol, sua família de coração.
"Só esperando os sintomas aparecerem...O estoque de soro e antibiótico não dá nem pra metade dessas pessoas." Bob disse. Infelizmente era verdade, só esperando pra saber quem tava mesmo com cólera ou não. O problema é que com essa doença, a espera poderia significar a morte.
"OH INFERNO!" Hershel era um homem de fé, ele nunca dizia palavras profanas, mas ao olhar para Judith no colo de Beth, não teve como. "Tantas crianças..."
Todos que estavam na cafeteria olharam surpresos para Hershel.
Quando Hershel começa a xingar é porque a coisa que já era difícil,tinha ficado insuportavelmente complicada.
~.~.~.~.~
Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos! !
^.^
Leticia, Manuela, Andressa, suas lindas, são as azeitonas da minha empadinha kkkkkkkkkk LOL. Obrigada mesmo!
Coitado do Walter Mashburn (The Mentalist, milionario que tem uma queda pela Lisbon! SIM, EU ACREDITO EM JISBON) ok, anyway, outro fandom kkkkkkk, gosto tanto desse nome que uso pra tudo, MASHBURN!
Quero só ver onde esse trailer da 4 temporada de TWD vai levar minha mente.
