Inspiração musical- Placebo- Battle for the sun.

Disclaimer- TWD não me pertence

Entrelinhas

Parte 17

Carol parou bem rente a cerca, estreitou os olhos azuis acinzentados. O estomago embrulhando com o fedor vindo da horda de walkers. "Meu Deus, que cheiro horrível!"

"Tá muito abafado! Deve estar uns cinqüenta graus celsius." Carol escutou Rick passando por ela rapidamente em direção a prisão, carregando um dos porquinhos no colo. "O céu vai desabar."

"Droga, as placas de energia!" Infelizmente Carol percebeu que não haveria tempo para desmontar e guardar todas elas. Tyreese as desparafusavam desesperadamente dos suportes, enquanto Karen enrolava os fios para preservá-los.

Um raio gigantesco cortou o céu no meio, em seguida um trovão literalmente fez a terra tremer. "Jesus!" Carol começou a recolher rapidamente as facas que ficavam penduradas nas grades.

"Calma, calma!" Michonne puxava o cavalo para dentro da garagem, mas assustado, o animal pulava e relinchava. Mesmo com toda sua força física, Michonne quase foi jogada para longe depois de um pinote do animal.

Os mortos vivos se amontoaram ainda mais nas cercas da prisão. O ruído da tempestade que se aproximava fazia com que eles se agitassem, e murmurassem cada vez mais alto. O metal das cercas mal agüentava o peso. Maggie e Glenn, junto com outros moradores tentavam em vão matar o maximo possível, porém uma pilha de mortos estava se formando, e em pouco tempo serviriam de escada para que os outros walkers escalassem as cercas.

...Que fim cruel, terminar como um corpo putrefado. Sem descanso. Murmurando eternamente, até o cérebro ser destruído...

. Carol se pegou varias vezes pensando sobre isso. Se os zumbis tinham algum resquício de consciência ou não.

...Imagina a alguma consciência nessa situação! Presa dentro de um corpo podre, com uma fome animal. Sem poder reagir?Sem tem controle. Como uma possessão demoníaca...

Consciência ou não, eles se agitavam com a natureza furiosa que se aproximava naquele fim de tarde.

...Sentem algo? Provavelmente não, só a fome miserável por carne viva...

Os olhos estavam ardendo, a poeira que subiu com o vento piorou ainda mais. "Argh , que horrível."

As pessoas agora correndo eram só borrões.

"Oh meu Deus, não dá pra ficar aqui fora!" Era a voz de Beth. Carol piscou os olhos lacrimejantes, e viu a menina correndo para dentro do Bloco C. As mãos na frente da boca, abafando a ânsia de vomito. Carl fez o mesmo, seguidos pelas crianças de Woodbury.

Carol olhou novamente para a cerca, extremamente preocupada. "Não vai aguentar!" Ela murmurou pra si mesma. Por um segundo, ficou desconectada do mundo, pensando em um plano, tentando achar uma solução.

...Depois de tanta luta. De tanto trabalho. Tanto sangue derramado pra manter isso aqui... Nossa vida aqui vai chegar ao fim?...

Finalmente, o cheio insuportável de morte a trouxe de volta a realidade. E o tempo abafado transformou o simples ato de respirar em uma tarefa excruciante. O estômago de Carol não suportou mais, ela parou de colocar as facas na caixa e se ajoelhou na terra, colocando pra fora seu almoço. Era humana afinal de contas.

"Meu Deus." Ela respirou fundo varias vezes, tentando controlar o corpo que convulsionava de ânsia.

"Carol! Você tá bem?" Maggie percebeu Carol vomitando e se alarmou. "Oh meu Deus, você está doente? CAROL!" A moça saiu de perto de Glenn, e correu para o lado de Carol , oferecendo uma garrafa de água fervida.

"Não, é o cheiro." Carol suspirou baixinho, tentando controlar o próprio corpo.

"Carol está doente?" Rick se desesperou, ao percebeu Carol ajoelhada, e Maggie ao seu lado oferecendo água. "O que foi?"

"CAROL?" Daryl que estava organizando os carros, largou tudo e correu para onde Carol, Maggie e Rick estavam."CAROL!"

"Que vergonha, todo mundo correndo pra ajudar antes da tempestade, e eu aqui virando do avesso. É só cheiro, tá muito forte" Carol se levantou, as pernas ainda um pouco enfraquecidas. Daryl estava ao lado dela, com uma mão nas costas dela, olhando diretamente para o rosto dela, tentando encontrar traços de que ela pudesse esconder a tal doença.

"Carol está doente?" Em um piscar de olhos, metade prisão estava ao redor de Carol, as crianças assustadíssimas ao seu redor. "Carol!"

Ela sorriu, porém bem constrangida. "GENTE! Eu tô bem, eu juro! Foi só o cheiro! Já não basta a vergonha de vomitar na frente de todo mundo..." Ela olhou para as crianças, o olhar de pavor no rosto delas e sorriu.

"Hei, vocês! Pra dentro já, vamos! Vamos!" Carol gargalhou, ao ver a cara de nojo das meninas, que rapidamente voltaram pra dentro do bloco C dizendo "EWW"

"Parece que mais alguém vai ter que se acostumar com o amor por aqui" Daryl disse no ouvido dela, enquanto as pessoas se dispersavam. "Você tá bem mesmo?"

"Sim tá tudo bem, desculpa Pookie." Carol piscou pra Daryl.

Daryl fez de tudo pra esconder o sorriso no canto dos lábios. "Entra! A gente dá conta de tudo aqui!"

"Não. Vamos terminar logo com isso antes que o céu desabe, ok?"Carol abriu a garrafa de água e jogou um pouco sobre o rosto. "Eu estou bem, eu juro!"

Daryl olhou pra ela com cara de desconfiado.

"Daryl, eu sei... se o mundo ainda tivesse funcionando, um alerta de tornado esta sendo emitido nesse exato momento". Ela olhou novamente para o céu. Denso, negro, furioso.

Morando na Geórgia a vida toda, Carol sabia que uma nuvem daquelas não traria boas noticias. O dia virou noite, literalmente.

"Hm. Furacão, eu acho!" O caçador concordou. "Um puta de um furacão." No modo Dixon, sempre com suas colocações educadas.

"O noticiaria de amanhã seria 'Tornado causa morte e destruição na Georgia, EUA´" Carol balançou a cabeça, lembrando do que acontecia nessas situações quando mundo ainda funcionava. Ela quase pode escutar uma sirene de alerta, tocando em um algum lugar do tempo.

"Eu passei por tantos furações... Sempre com aquele pavor, falta de luz, pessoas desaparecidas, casas destruídas, pessoas mortas...mas nessa realidade em que vivemos não tenho a menor previsão do que vai acontecer. Talvez os walkers diminuíam, talvez aumente de vez. Os sobreviventes não vão aguentar essa tormenta sem bombeiros, sem cuidados médicos. Eu não sei..."

"A coisa vai ficar preta por aqui! É melhor você entrar!" Daryl chegou mais perto dela, preocupado.

"Hum, não!" Ela balançou a cabeça, teimosa. ...Ainda não, eu ainda posso ajudar aqui!...

Carol colocou a mão sobre o coração "Sophia tinha pavor. Uma hora dessas ela estaria agarrada em mim. Os braços em volta do meu pescoço, como um bebê macaquinho." Ela sorriu, mas balançou a cabeça rapidamente. "Ela não precisa ter mais medo..." Era uma verdade amarga.

"Sinto muito." Ele abaixou o olhar para a terra.

"Eu preciso ir" Daryl disse, depois de alguns segundos de silencio desconfortável.

"Hei. Já pensou em usar o ônibus de Woodbury pra segurar a cerca, e alguns carros. Formar um isolamento. Digo, estacioná-los rente a cerca? Pelo menos nos lugares onde está dando sinal de que vai arrebentar?" Carol encolheu os ombros, tentando encontrar uma saída. Rick, Glenn e Daryl não aguentariam a cerca por muito tempo.

"Hm. Mulher..." Ele sorriu, poderia ser uma alternativa.

Daryl correu rapidamente para terminar de estacionar os carros. Maggie, Rick, Gleen, Tyreese e Karen agora estavam frenéticos em suas tarefas. Carol não podia ficar parada ali pensando no passado. Hershel e Bob estavam cuidando dos suprimentos médicos. Beth estava com Judith e as outras crianças.

Já estava envergonhada para duas reencarnações por ter vomitado na frente de todo mundo. Ela correu para o refeitório, improvisado no meio do pátio, para reunir alimentos e utensílios de cozinhas nas caixas. Aqueles mantimentos valiam ouro, poderia custar a existência de todos ali na prisão.

Com a ajuda de outros moradores de Woodbury, Carol levou as caixas para o bloco C. "Por favor. Coloquem em um lugar seco! Cuidado com pra não contaminar a água!" Ela estava completamente recuperada do mal estar.

Um raio assustador seguido de um estrondo fez com que as crianças e mulheres gritassem.

Finalmente, pingos grossos despencaram do céu, a água deixou estampas redondas no chão. A terra rapidamente foi se transformando em uma lama escorregadia.

Carol sentiu a roupa encharcando enquanto corria pra dentro e pra fora do bloco C, guardando as coisas. O vento estava tão forte que ela mal conseguia abrir os olhos. Em questão de segundos, seu cabelo pingava.

Vento e granizo. As árvores em volta da prisão balançavam, os galhos começaram a quebrar. O chão tremeu novamente, um raio caiu ali perto, outras estrias luminosas cortavam o céu. Outro raio, e outro raio.

"Rick, vem pra cá!" Carol gritou extremamente preocupada, ele estava bem no meio do campo aberto, no meio de uma tempestade de raios. Era loucura, ele era um para raio humano em pleno campo aberto.

O que Carol temia aconteceu, o raio caiu bem em cima do barracão onde ficava o cavalo de Michonne. Sorte que o animal já não estava mais lá. Imediatamente o frágil compensado da madeira incendiou.

"RICK"

Daryl seguiu a sugestão de Carol e estacionou o ônibus rente a cerca, no lugar mais desprotegido, alinhou outros carros para formar um cordão de isolamento. O problema agora é que ele estava preso ali, a chuva de raios tinha transformado o ar em pura descarga elétrica.

Ele pediu para que Glenn e Maggie entrassem para ficar de olho nas tumbas, tudo indicava que iriam inundar. Uma manhã tão bonita, ensolarada, tinha se transformado em uma tarde, começo de noite macabro. Problemas em todos os setores da prisão.

Daryl não era um gênio, mas sabia que enquanto estivesse dentro do carro, protegido pela borracha dos pneus, estaria seguro. Infelizmente ele estava preso dentro do carro, já que raio caiu ali bem perto da cerca. Daryl sabia que todo o metal agora estava perigosamente carregado de energia.

Ele estava protegido. Diferente de Rick, que ainda estava no meio do pátio, com o último porquinho no colo.

"OH MERDA" Daryl percebeu Rick desacordado no meio do pátio, enquanto que o barracão de madeira ali perto incendiava. "RICK! RICK!"

O som fez com os curiosos corressem para a porta do Bloco C, mas eles não ousavam sair, mesmo porque estavam enfrentando problemas lá dentro, as tumbas estavam inundando.

Carol também estava em um lugar bem perigoso, na cozinha feita de madeira no meio do pátio. Se caísse um raio ali, também incediaria.

Ela estava dividida entre correr pra dentro do prisão ou resgatar Rick no terreno. Carol visualizou um desesperado Daryl dentro do carro, perigosamente encostado nas cercas de metal, balançando de um lado para outro, como um animal enjaulado. "Por favor, não saia do carro."

Carol percebeu Rick levantando a cabeça, completamente desorientado. O pobre porquinho agora corria sem rumo, desesperado pelo pátio.

Ela soltou o ar dos pulmões. Ar que nem tinha percebido que segurava.

... Ele está vivo...

"PAI!" Carl colocou a cabeça pra fora da porta Bloco C. "PAI!"

"NÃO! Não saia!" Carol gritou para o menino. "Michonne, não deixe ninguém sair!" Michonne colocou a mão no peito do garoto, impedindo-o de sair.

Michonne e Carol se olharam.

E Carol percebeu sentimento no olhar da outra mulher. ...Michonne está apaixonada por Rick...

No meio da grama, Rick desmaiou novamente. Ela estava mais perto dele. Ela precisava ajudar.

E Carol correu.

Ela mal conseguia abrir os olhos. A chuva estava tão forte que doía quando batia na pele. Do canto do olho, ela percebeu o desespero de Daryl dentro do carro, quando percebeu que ela tinha saído da cozinha no pátio, e agora corria na direção de Rick, desacordado no meio da grama.

Reunindo toda força e coragem, ela se ajoelhou do lado de Rick, tentando acordá-lo. A terra estava tão molhada que agora era lama pura, ela escorreu, e sentiu a mão afundando na terra. "Rick, acorda! Rick!" Sem sucesso. Ela se abaixou, tentando auscultar o coração dele e sentir o pulso. ...Ok, ele está vivo. O raio não o atingiu diretamente, graças a Deus, foi mais um rebote...

"A gente precisa sair daqui." Carol passou as mãos debaixo dos braços dele, enlaçado-os na frente do peito do ex policial, e começou a puxá-lo. Ele era mais pesado do que parecia, mas a lama ajudava a escorrer o corpo pela terra. Escombros agora voavam pelo ar. Galhos de árvores e pequenas pedras atingiam o rosto de Carol, cortando a pele.

No meio do caminho, ela escorreu, e Rick caiu praticamente em cima dela. Seus braços estavam perdendo a força, e ainda tinha alguns metros até chegar a porta do bloco C. Carol fechou os olhos, recuperando a força e o fôlego.

"Você é louca! Quer me matar do coração! Jesus!" Daryl estava atrás dela, fazendo sinal para que ela cedesse seu lugar na tarefa de carregar o inconsciente Rick para dentro.

"Você é louco! Por que saiu do carro? A cerca tá toda eletrificada. Você poderia ter torrado!" Carol nem conseguia enxergar Daryl, a chuva tinha ficado mais forte ainda!

"Acha mesmo que eu ia deixar você sozinha nisso? Pega as pernas dele." Daryl suspendei o torso de Rick, e Carol as pernas. Rapidamente os dois alcançaram a porta do Bloco C.

"Rick faria o mesmo por mim!" Carol não tinha duvidas

"Eu sei." Daryl também.

"PAI! RICK!" Carl, Michonne e outros estavam aflitos. Rapidamente ajudaram a levar Rick para Hershel e Bob.

Completamente encharcados, Daryl colocou Carol para dentro. Antes de fechar a porta, ele olhou para o céu. Daryl não era um homem que se assustava fácil, mas dessas vez ele ficou absurdamente pálido de pavor.

"Daryl?" Carol percebeu a expressão no rosto dele, e colocou uma mão em seu ombro.

"Não olha agora Carol, mas tem um tornado gigante quase tocando o solo bem perto das arvores! Sem bombeiro, sem médico, cruz vermelha...Talvez esse seja o verdadeiro dia do juízo final, porque aquilo ali deve ser um tornado F5."

"Oh Meu Deus!" Carol concordou plenamente. Com uma calma confundida com choque , ela disse em voz baixa, apontando para o pátio "Daryl...O...o...o vento acabou de virar o ônibus que você estacionou do lado da cerca! A cerca estourou!"

"OHHH MERDAAA! TODO MUNDO PRA DENTRO!HORDA! TORNADO! " Daryl não sabia o que era pior

...Só espero que essa prisão seja mesmo de segurança máxima, pra agüentar um puta tornado, e uma horda de walkers...

"DARYL! Toda a tumba está inundada e a água está subindo." Glenn e Maggie, ambos encharcados entraram no bloco C sem fôlego.

Carol olhou para Daryl, ele entrelaçou seus dedos com os dela, apertando levemente. "A gente não vai se separar! Entendeu?"

Ela apenas balançou a cabeça, sabendo que o sonho de viver uma vida boa na prisão estava perto do fim.

~8~8~8~

Obrigada por ler. Reviews são sempre bem vindos.

Andressa, Leticia, Manu. Meninas, o que vocês estão esperando para essa temporada? Quem morre? Cadê o governador? O que é esse vírus novo? Me digam!

Eu particularmente tava louca pra saber o nome da garotinha loira (a minha Sarah ¬¬ E nada de falarem! Mas parece que ela vai dar trabalho!) E estou LOUCA pelas cenas de ação entre Rick e Carol! Yes!

Bem, quanto ao fanfic...Preciso dizer que fui inspirada por fatos reais. Ok, não chegou a ser tornado, mas eu estava na casa da minha avó em Buenos Aires (metade da minha família mora lá), no último Natal, e estava 50 GRAUS CELSIUS! Quem tava na Argentina dezembro passado sabe do que eu tô falando! Argh.

Eu nunca senti tanto calor na minha vida, tava tão forte e abafado, que o cheiro de lixo e bueiro quase me matou. Insuportável kkkkkkkkk A chuva que veio depois deu medo, inundou tudo! Imagina nos EUAs, com tornado e furacão, deve ser assustador!

BYE, POOKIES