Soulmates never die não me pertence.
"O mar evaporou
Apesar de não ter sido uma surpresa
Essas nuvens que estamos vendo são explosões no céu
Parece que foi escrito
Porém nós não podemos ler as entrelinhas
Silêncio
Tudo bem
Enxugue suas lágrimas
Alma gêmea enxugue suas lágrimas
Por que almas gêmeas nunca morrem"
Disclaimer- TWD NÃO ME PERTENCE
Entrelinhas
Parte 19
Os primeiros dias após a perda da prisão foram terríveis, o grupo estava assustado e perdido. Na marra, Sasha se recuperou da terrível doença da prisão, ela já tinha voltado a ser uma aliada importante, ao mesmo tempo, o grupo quase perdeu Carol.
Os ferimentos causadas pela viga de madeira,eram mais grave do se imaginava. Carol estava tentado ser forte, mas um enorme corte, inchado e roxo tomou conta da sua coxa direita. Ela mal conseguia se mexer sem sentir as dores terríveis, quanto mais correr, ou se esconder.
Sem médico, antibióticos, comida ou água, a infecção tomou conta de Carol, que já nem respondia mais aos estímulos, entorpecida pelos delírios, a cabeça dela rolava de um lado para o outro na cama improvisada.
Ao encontrar um kit de costura em uma das casas invadidas, Daryl improvisou desesperadamente alguns pontos para fechar o corte na perna de Carol, mas sem anestesia, a cena foi extremamente chocante. Maggie teve que tapar a boca de Carol, para abafar os gritos que acordaram os walkeres das redondezas, enquanto Tyreese e Glenn seguravam seus braços.
"Eu tenho que fazer isso!" E Daryl tomou uma decisão, sufocar Carol para que ela perdesse a consciência e desmaiasse. Foi difícil, ele teve medo de machucá-la ou pior, matá-la, mas conseguiu depois de dois minutos de falta de respiração, Daryl sentiu-se culpado, mas tudo que eles tinham eram quatro comprimidos de Tylenol e uma horda faminta do lado de fora da casa abandonada. Mais um grito de Carol e todos morreriam.
No dia seguinte, eles perderam esse refugio e para desespero de Maggie, Beth padeceu. No momento em que a casa foi invadida, a jovem loira correu para o lado errado na tentativa de pegar suprimentos para Judith. A pessoa mais perto de Beth era Daryl, mas com ele tinha Carol desmaiada em seus braços, não teve tempo de ajudá-la. Ele viu a menina ser despedaçada na sua frente. A cena foi horrível, mas enquanto os walkers comiam Beth, Glenn teve tempo de pegar Maggie no colo, ela que estava despencando aos prantos ao ver sua irmã sendo devorada.
Sem outra saída, o grupo fugiu... Beth não teve um enterro, mas não havia o que enterrar.
Agora eram Daryl, Carol, Tyreese, Karen, Maggie, Glenn, Sasha, Carl, Sarah e Judith contra o mundo.
Durante aquele dia, Carol teve alguma melhora, sua ferida estava limpa e atada, e teve a oportunidade de se alimentar com a sopa de coelhos que Daryl caçou, e dormir uma noite inteira em um colchão. Mesmo assim mal conseguia abrir o olhos, Carol não caminhava, ela cambaleava. Sabia que era um alvo fácil para os walkers, e que seu destino provavelmente seria o mesmo que o de Beth, o esforço que ela fazia para se defender estava drenando suas ultimas forças.
Durante uma parada, deitada debaixo de uma arvore, ela teve um momento de delírio, e repetia. "Eu estou morrendo. Vocês ainda tem chance... Me deixem para trás, estou só atrapalhando. Salvem-se e as crianças..."
Ao escutar isso, Daryl foi tomado por uma fúria tão grande que conseguiu quebrar uma das falanges do mão com o murro no tronco da árvore. "Nunca mais diga isso! Nunca! Essas crianças precisam de você. Eu preciso de você!" Ele esbravejou.
Em um momento de desespero, atormentada pela febre que queimava seu corpo, Carol chegou a pedir para que Daryl acabasse com sua miséria. Ela estava atrapalhando o grupo, colocando em risco a sobrevivência de o grupo. "Daryl, acabe com isso. Sem mim vocês têm uma chance, estou atrasando todo mundo..."
"Eu nunca vou fazer isso. Nunca...me escutou? Como você pode sequer pedir isso?" Ele dizia com lagrimas escorrendo pelos seus olhos. "Como eu posso deixar pra trás a pessoa que eu mais quero que esteja ao meu lado?!"
Antes de perder a consciência, Carol ainda murmurou, para que a deixassem ali, e seguissem a jornada. Para que salvassem a vida de Judith, Carl e as outras crianças.
Ignorando qualquer palavra que saia da boca dela, com bolhas nos pés, e exaustão em seus braços, Daryl pegou a delirante Carol no colo e continuou.
Mesmo protegida no colo de Carl, Judith escolhia sempre os momentos mais inoportunos para chorar, ela provavelmente sentia falta de Beth. Sasha tentava acalmar a criança, e Daryl entrava em desespero cada vez que encontravam um acúmulo maior de walkers e a criança começava a chorar.
Daryl estava exausto, após carregar Carol nas costas durante todo o dia, mas faria isso por ela mil vezes, se mil vezes preciso fossem.
Coordenar e tomar decisões para o grupo não era simples, um passo errado e todos morreriam. Lidar com crianças, um bebê de colo, uma mulher em luto, e uma mulher extremamente doente. Daryl precisava ser forte, mais que nunca.
Tyreese, Glenn e Daryl partiam para procurar comida, e toda vez escapavam por pouco de se tornarem a refeição. Após o furacão, restou a sensação de que aquele mundo realmente não pertencia mais aos vivos, e eles estavam ali ocupando um espaço que não era mais deles.
A cada parada, a cada casa invadida eles mantinham um padrão. Com a ajuda de Carl, Daryl ficava de vigia, enquanto Sasha cuidava de Judith e das outras crianças, Glenn e Maggie procuravam comida, Tyreese e Karen coletavam água.
"Estou sendo um estorvo para vocês." Com a arma nas mãos, Carol tentava ajudar na vigia, mas ainda estava fraca demais para qualquer coisa.
"Você vai se recuperar, como eu me recuperei!" Sasha colocou a mão no ombro de Carol, enquanto balançava Judith para lá e para cá.
"Amanhã você vai se sentir bem melhor." Sarah abraçou fortemente Carol pela cintura.
"Sim." Carol tinha os olhos marejados com o gesto. Daquele ângulo, Carol enxergou Sophia no lugar da menina loira. Delírio ou não ela percebeu. ...Eu não posso falhar dessa vez... "Um dia de cada vez...e amanhã vai ser melhor."
No dia seguinte Carol sentia-se bem melhor, a febre tinha cedido e a ferida estava cicatrizando finalmente, quem diria seu sistema imunológico responderia de forma tão boa. O que não estava nada melhor era a estrada, simplesmente tomada por uma horda de walkers, eram milhares e milhares.
Os carros agora não passavam de sucata, com combustível podre, amontoadas uns em cima dos outros . O furacão tinha sido o tiro de misericórdia no apocalipse.
Daryl e seu grupo, a essa altura, já não sabiam dizer se tinham sido abençoados, ou amaldiçoados por estar vivo no meio daquele inferno.
Carol teve a idéia de seguir pela antiga linha do trem, que cortava a floresta da Geórgia e dava no litoral do estado. Pensando em Rick e Hershel, Carl e Maggie caminhavam como não estivessem mais nesse mundo. Os sons que Judith era a única coisa que os tirava desse estado de estupor.
A menina parecia gostar do movimento constante, era como se tivesse nascido para um mundo nômade. Carol começou a perceber, que Judith chorava quando eles paravam de caminhar, de resto permanecia calma. Se estivesse andando, não existia gritos, nem choro. Reclamava de vez em quando da fralda suja, e da falta de leite. Daryl já não podia fazer nada a respeito da falta de leite. Não tinha mais muita opção para Judith a não ser entrar na mesma dieta que eles, água de algum riacho, e carne de algum animal, com sorte algum ovo em um ninho.
Mas a verdadeira preocupação de Daryl estava nela, Carol. Pálida, fraca, sem conseguir caminhar direito. Carol caia, escorregava, cambaleava e se apoiava em Daryl durante o percurso, ela lutava bravamente.
Durante a noite Daryl ainda escutava murmúrios, chamados incessantes pelo nome de Sophia... Durante um momente de desespero Daryl Dixon se viu ajoelhado ao lado de Carol Peletier, rezando para qualquer Deus que estivesse ouvindo, para que poupasse a vida de sua companheira.
Foi um mês caminhando de dia, dormindo a noite, revezando, vigiando, planejando saqueando, invadindo shoppings e supermercados, tentando encontrar algum veiculo de locomoção que ainda funcionasse. Foram sustos. Machucados, cuidados as feridas. Sobrevivendo. Encontraram walkers, muitos. Poucos sobreviventes, mais mortos que vivos, trocaram tiros, fugindo, quase se perdendo uns dos outros. Mas Daryl cuidou do seu grupo com unhas e dentes. Quando estava a beira de perder a esperança, olhava para Judith dormindo, e soltava um leve sorriso no canto do lábio.
Olhava para Carol dormindo e suspirava. ...ela é uma guerreira...
A batalha pessoal da mulher na sua frente foi intensa e emocionante, e ela havia ganhado a guerra. A infecção foi combatida, e a ferida em sua perna estava cicatrizada. Carol era uma fênix, e Daryl desejava do fundo do seu coração que pudesse encontrar um lugar para que pudessem descansar, para que os dois pudessem ter uma vida juntos.
Sobreviver na estrada, sem comida, sem água, sem abrigo foi difícil, mas chegar ao litoral se tornou uma questão de honra para o grupo, mesmo com as mulheres e as crianças mal se agüentando em pé.
O momento mais tenso da jornada foi quando se chegaram ao pântano Okefenokee, no extremo sul da Geórgia. Afim de escapar de mais uma horda de walkers, resolveram deixar os trilhos e se aventurar pelo pântano, aquele lugar era apavorante, mesmo para um caçador como Daryl Dixon, passar uma noite ali, durante o apocalipse foi um verdadeiro filme de terror que ele não desejaria ver novamente.
Seguiram pelo rio, todos apertados em um pequeno barco, como medo de se mexer e chamar a atenção da população local, crocodilos, cobras, aranhas, sapos venenosos e outros insetos mortais. Passaram rente a uma família de aligátores de varias toneladas, um movimento mais brusco e o pequeno barco desaparecia no mar de sangue.
Carol quase teve uma ataque cardíaco ao perceber uma cobra enorme subindo pelo barco, pronta para roubar Judith que dormia inocente. "ANACONDA!" Ela gritou ao enfiar a faca na cabeça da corda. Judith acordou, obviamente, e a cobra foi o churrasco na próxima parada deles.
Nesse pequeno barco, eles seguiram pelo rio rumo ao litoral, passando por mais crocodilos, mais sucuris, bagres e toda a vida selvagem, completamente alheia ao desastre que havia se tornado a vida humana. Até mesmo os esquilos eram gigantes naquele lugar. Quando paravam em uma margem segura, se alimentavam bem. Nunca antes uma criança tão pequena tinha tido uma dieta tão estranha quanto a dieta de Judith Grimes, mas ela estava bem, saudável, e já tinha ganhado até um pouco de peso.
O rio desemborcou finalmente no litoral. Era final de tarde e o reflexo dourado do sol no mar fazia da paisagem uma pintura.
"É lindo." Carol disse, sorrindo de verdade pela primeira vez desde que saíram da prisão há quase dois meses atrás.
"Bem, nós vamos tentar chegar na ilha Cumberland antes do anoitecer. Eu sei que existe um resort lá. Talvez tenhamos sorte, se não der certo vamos procurar refugio nas outras ilhas." Daryl disse, já remando. Tyresse e Glenn imediatamente o acompanharam.
"Acho que a gente precisa de um barco maior." Glenn disse, rindo pela primeira vez desde a tragédia na prisão, ao ver novamente os homens se esforçando para remar.
"Nem fale isso, já foi um sufoco arrumar esse aqui." Maggie passou a mão no cabelo do seu marido. Feliz por terem chegado tão longe.
"Vamos todos ajudar. Ok?" Carol pegou um pedaço de madeira e começou a remar. "Meu Deus, quero chegar logo nesse resort." Ela riu. "E Daryl, como você sabe desse resort, era um lugar de bacanas..."
"Antes do fim do mundo eu era rico, é claro!" Daryl riu quanto todos olharam pra ele.
"Sei..." Carl também riu.
"Nah, trabalhei temporariamente na manutenção de barcos desse resort. A grana era boa, e a visão melhor ainda, a mulherada mal usava biquíni..." Daryl olhou de um jeito engraçado para Carol que esmurrou de leve seu braço.
"HEI!" Ela disse contrariada.
"Nenhuma se compara a minha Pookie..." Daryl piscou pra ela. "Melhor assim!" Carol deu um sorriso bem aberto.
"Meu Deus, vocês parecem um casal de velhos!" Carl rolou os olhos, ao perceber Glenn e Maggie se beijando, e Tyreese e Karen se abraçando. "Tsc! Vou acabar com caries nos dentes. "
"Eu também!" Sarah olhou para Carl, e os dois desviaram o olhar ao mesmo tempo. As bochechas vermelhas.
Todos caíram na gargalhada.
Rapidamente eles avistaram o tal resort no meio da ilha. Talvez tenha sido realmente uma boa idéia, o lugar era protegido por ser uma reserva natural, então a quantidade de humanos deveria ser bem pouca. Os recursos naturais da ilha eram abundantes, com cachoeiras e lagoas naturais.
"Gente, olha lá!" Sasha apontou, seus olhos cheios de lagrimas, a jornada tinha chegado ao fim. Finalmente um refugio... Um lugar para criar as crianças, longe de walkers, longe de governador, longe de todo aquele cheiro de morte e destruição. "Eu mal posso acreditar!"
"Finalmente..." Tyreese beijou Karen, e abraçou carinhosamente sua irmã. Assim como Carol, Sasha tinha passado por mal bocados. Era hora de descansar.
Obviamente o resort não era nem sombra do que foi um dia, mas Carol esperava que tivesse em condições de uso, e sem uma horda de walkers dentro.
"Se estiver caindo aos pedaços, a gente recupera, certo?!" Era uma esperança, um objetivo, uma missão a ser cumprida. Durante todos aqueles dias na "estrada", eles aprenderam que a vontade de cumprir cada missão poderia significar sua vida, sua sobrevivência.
"Sim! É claro que sim!" Daryl beijou Carol. Extremamente emocionado ao ver o brilho de volta aos imensos olhos azuis.
"Eu só queria que a gente remasse pelo litoral, quem sabe meu pai..." Carl agarrou Judith com mais força. Eles estavam no sul, na praia mais ao sul da Geórgia. Seu pai prometeu que um dia eles se encontrariam. Carl em momento algum perdeu a esperança de ver novamente seu pai.
"Eu sei que você quer encontrar logo seu pai. Todos nós queremos ver Rick, Hershel, Michonne e os outros... mas o sol está se pondo, não podemos ficar com Judith e Sarah nesse barquinho no meio do mar...Precisamos encontrar abrigo, ver se o resort é mesmo seguro. Estamos aqui cheios de planos, mas não sabemos o que vamos encontrar atrás daquelas portas, não é? Amanhã cedo começamos a procurar pelo seu pai e os outros, ok?!" Carol colocou a mão na cabeça do adolescente.
"Hm" Ele murmurou e balançou a cabeça positivamente.
"Espero que alguém tenha trazido repelente, porque o que deve ter de mosquito ali..." Sarah já começou a se coçar.
"Pior que o pântano não é." Daryl colocou a mão em cima do cabelo loiro da garotinha.
O grupo matou os poucos walkers que rodavam dentro do resort, a maior parte deles era de funcionários que tentaram fugir para a ilha após a contaminação, e acabaram zumbificados do mesmo jeito..
O grupo se estabeleceu no hotel depois da limpeza, cada um tinha seu próprio quarto agora. Com aquelas camas confortáveis de hotéis, cortinas balançando com a suave brisa e o som das ondas mansas.
Carol propôs algumas regras para que a vida na ilha fosse saudável. E para evitar que o que aconteceu na prisão não acontecesse ali. Água sempre fervida, frutas sempre lavadas, peixes frescos, carne sempre bem cozida, e todos cuidando da higiene pessoal, afinal água potável não faltava na ilha, e exames físicos diários.
Era um mal necessário, mas um cuidaria do outro, antes de dormir e ao acordar, todos passariam por exames para comprovar que estavam saudáveis, ao menor sinal de gripe, diarréia, vomito ou coisa do tipo ficariam isolados em seus quartos, sem exceção, nem mesmo as crianças. Era um acordo, todos concordaram.
A ilha foi explorada aos poucos, nas semanas que se seguiram. Um paraíso, um verdadeiro paraíso. Cheio de arvores frutíferas e cachoeiras com água doce. As crianças brincavam na areia onde Judith deu seus primeiros passos.
E tanta tranqüilidade só poderia resultar em uma coisa, a família aumentando. Maggie e Glenn dariam o primeiro neto ou neta para Hershel, e alguns meses depois, Karen e Tyreese também receberiam uma pequena encomenda da cegonha.
As viagens ao continente se tornaram cada vez menos freqüentes. Por mais que quisessem esperar pelo grupo de Rick, ninguém tinha mais coragem de colocar os pés no litoral da Geórgia. Os walkers tomaram conta da praia, ou melhor, do continente, e ninguém tinha mais coragem de deixar a ilha.
Cinco meses após a chegada na ilha, um pequeno barco foi avistado no mar. Daryl, Tyreese, Glenn e Carl correram para a margem com armas nas mãos, poderia ser amigo, poderia ser inimigo. De uma coisa eles tinham certeza, não entregariam aquela ilha de mãos beijadas para ninguém.
Carol imediatamente protegeu as mulheres grávidas e as crianças, até escutar os gritos desesperados de Carl ecoando por toda a ilha.
"PAI ! PAIIIIII !" Aos prantos o adolescente pulava e jogava os braços para o ar, conforme o pequeno barco de seu pai se aproximava da margem. Cinco meses depois, eles estavam juntos.
"Finalmente. Eu te achei. Eu te achei!" Em uma das cenas mais emocionantes testemunhadas por Carol Peletier, pai e filho se abraçaram, se ajoelharam e choraram nas areias daquele pequeno paraíso. "Mal posso acreditar!" Rick soluçou alto ao ver sua pequena Judith caminhando, rindo e brincando, como se não tivesse uma preocupação na vida.
Para tristeza de Maggie, Michonne e Rick foram os únicos sobreviventes da prisão. Ela não teria a honra de colocar um neto ou neta nos braços de seu pai. "Beth e seu pai estão em um lugar melhor agora, eu tenho certeza! Você precisa descansar agora...Vem!" Glenn beijou a cabeça de sua esposa e a levou para descansar dentro do hotel, enquanto isso Rick contou todos os horrores e escolhas que teve que fazer durante os cinco meses que procurou por Carl e Judith.
Em uma noite de lua cheia e muito calor, Maggie deu a luz a um menino, a ilha novamente estava envolta por uma energia cheia de alegria. Carol caminhou devagar pela praia molhando os pés na água fresca. Hipnotizada pela enorme lua cheia refletindo no mar, Carol sentiu uma lagrima escorrendo pelo rosto.
"Você esteve incrível hoje..." A voz rouca de Daryl pegou Carol de surpresa, ela deu um pulo. O homem estava alguns passos atrás dela, com uma canga, duas mangas e uma faca nas mãos.
"Nah, eu não fiz nada demais, a mãe natureza cuidou de tudo!" Carol caminhou até Daryl, ajudando a estender a canga na areia, e sentando ao lado dele em seguida. "Uma família linda, não é ?"
"Hmm?" Daryl descascou a manga e já enfiava um pedaço da fruta na boca.
"Daryl..." A voz estranha de Carol fez com que ele olhasse curioso para ela. Carol continuou , um nó na garganta. "...Eu queria voltar no tempo e ser forte o bastante pra salvar a Sophia, pra trazer ela até aqui...Daryl, eu nem posso te dar uma criança...Eu...eu não tenho mais idade e depois da Sophia..."
"Pode parar!" Daryl largou a fruta e a faca de lado, e praticamente se jogou em cima de Carol, que deitou sobre a canga, o peso de Daryl sobre seu corpo. Daryl segurou os dois braços de Carol pra cima e a beijou profundamente.
"Hei, para de se culpar, o que você poderia ter feito? Se nem eu, nem o Rick... Nós não podemos controlar..." Daryl percebeu as lagrimas enchendo os olhos dela, e resolveu mudar o rumo.
"Mas..."
"Mas nada mulher...E eu não preciso de uma criança! Tudo que eu preciso é de você aqui. Assim. Sempre comigo. Deitado em cima de Carol, Daryl continuou com os beijos, agora no queixo, no pescoço."E a gente tem a Sarah, não tem?"
"Você considera a Sarah...sua? Digo, nossa?" Carol se surpreendeu.
"É claro! Eu vejo você colocar essa garota na cama toda noite. Eu vejo você ensinando ela a cozinha, a costurar. Caramba, eu mesmo estou ensinando essa menina a pescar, a rastrear, a caçar com o crossbow... O que você acha?" Daryl nunca tinha falado abertamente sobre isso, sobre o laço formado entre ele e Sarah durante os nove meses na ilha.
"Eu nunca tinha parado pra pensar..." Carol sorriu.
"Não tem segredos. Carol, é isso. Eu te amo. Você é minha família, tanto a Sophia quanto a Sarah fazem parte disso... Até o fim!" Mais direto que isso Daryl nunca seria. Ele disse com todas as letras, o que ele não dizia nunca.
As três famosas palavras...Eu te amo...
"Daryl" Carol segurou a cabeça dele com as duas mãos, e olhou bem fundo nos olhos do caçador. "Eu te amo também... Nunca a gente vai precisar procurar a verdade no meio das entrelinhas."
Sonho ou não a verdade é que protegidos nesse maravilhoso paraíso, eles encontram um lugar para viver e envelhecer juntos. E naquela noite quente de verão, com a enorme lua cheia refletindo no mar, e embalo suave do barulho das ondas, como duas almas gêmeas, Carol e Daryl fizeram amor.
Fim
Muito obrigada todos os reviews e mensagens carinhosas! Fiquei muito feliz por ter completado mais um fanfic!
Obrigada meninas!
