Everything But You
Sumário: Nathan não entendia o porquê de seus pais não estarem mais juntos. Jensen sabia muito bem, e também carregava consigo a certeza de que os fantasmas do passado não poderiam ser esquecidos tão cedo. PADACKLES. AU.
Beta: Minha querida prima Stefany! Ela faz o favor de revisar o texto e ainda rir de mim quando eu erro. :D
Disclaimer: Não, nem Jared, nem Jensen e nem Supernatural me pertencem na verdade. Somente Nathan.
Capítulo 3: Alegrias e Surpresas
A entrada da escola estava agitada, afinal, as atividades escolares estavam prestes a começar. Pais e alunos por todos os lados, os pequenos se despedindo de seus responsáveis com acenos e sorrisos, reencontrando os coleguinhas do jardim de infância, cumprimentando os professores que chegavam. Em meio a isso, Jared vigiava atento para que ao menos pudesse dar uma espiada mínima em seu filho Nathan. Jensen não gostava de se atrasar, então ele supunha que ambos deviam estar ali em breve. Por isso mesmo, Jared mantinha sua distancia: não queria ser visto ainda, só queria ver como estava seu menino, ver o quão diferente ele estava depois desse tempo. As crianças crescem rápido. Com Nathan, não seria nem um pouco diferente.
A primeira reação que teve ao ver o carro de Jensen parar na porta da escola, foi sentir o estomago se apertar. Estava com medo. Observou quieto, de um muro perto da esquina, e viu o loiro descer do carro com Nate, viu o seu filho beijar com força o rosto de Jensen.
E minha nossa, como Nathan estava crescendo rápido!
Jensen abraçou o menino e mexeu em seus cabelos castanhos. Jared involuntariamente sorriu, pensando que seu menino não tinha melhor sorte na vida: Jensen era um cara e tanto, amava aquela criança. Afinal, Nate era filho deles e não só de Jared. O moreno ficava tranqüilo quando pensava que esse tempo inteiro, o amor de Jensen pelo seu pequeno não esmoreceu.
Jared observou quando o menino entrou correndo na escolinha. Jensen acenou e voltou para o carro, provavelmente a caminho do escritório.
Claro que Jared iria passar no escritório logo, afinal, ele ainda era dono de metade daquilo e pretendia sim, com toda certeza, retomar seu trabalho. Jensen não podia fazer nada quanto a isso, não importando o quanto ele estivesse com raiva e ressentido com Jared; aquele direito era do outro também, a empresa era deles. Mesmo sabendo disso, que tinha direitos, Jared sentia-se fraco e medroso, pensando que talvez devesse deixar pra lá essa historia toda e… sim, era o que ele faria. Fugiria outra vez… só que havia Nathan. E Jared não estava mesmo disposto a se afastar de seu menino outra vez, seu coração se apertava tremendamente só de pensar nessa hipótese. Queria ele bem perto, e não estava se importando se Jensen estivesse no caminho, afinal, o que houve entre eles era algo que não precisava envolver a criança.
Ainda observando a entrada da escola vagamente, Jared teve medo que Jensen não permitisse que se aproximasse do filho, temeu que fossem afastados de vez. Apesar de saber que Jensen era uma ótima pessoa e nunca seria capaz de algo assim, sentiu apreensão de qualquer modo. Não sabia o que iria enfrentar, não sabia qual seria a reação de Jensen, e muito menos sabia qual ia ser a reação de seu próprio filho, talvez isso o assustasse mais do que tudo.
Nathan era o que realmente importava ali, e por mais que seu coração ainda batesse por Jensen, ele faria de tudo para que nada saísse errado dessa vez.
Havia voltado por seu filho, não iria colocar nada a perder.
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- Me diz uma coisa… - Mark começou a falar, encostando-se um pouco na parede da sala de Jensen. – Você acha que dá pra ir lá em casa esse fim de semana?
Jensen deu um pequeno sorriso e ajeitou alguns papéis que estavam sobre sua mesma.
- Seria legal. Mas primeiro eu preciso ver se a Katie pode ficar com o Nathan no sábado. E você sabe que eu não vou poder dormir lá…
- Mas você não vai deixar o Nate com ela? Qual o problema então?
- Ah, você sabe… eu não gosto de deixar ele assim… - Jensen disse e depois riu, sacudindo a cabeça. – Às vezes acho que sou um pai coruja até demais.
- Você com certeza é. – Mark riu também. – Mas tudo bem, eu te entendo. Aceito esse tempinho que vai me dar no sábado então… assim pelo menos nós podemos ficar à sós um pouquinho.
Jensen sorriu e encarou novamente os papéis ao mesmo tempo que conversava com Mark a respeito de coisas referente ao trabalho. Eles teriam algumas reuniões com clientes em algumas horas, e estava discutindo detalhes do que teriam de fazer. Definitivamente o jeito de Mark trabalhar era diferente do de Jared, mas não necessariamente era ruim. Jensen se achava bem sortudo por poder contar com seu atual namorado para segurar as rédeas da firma.
Às vezes ele queria que Jared ainda estivesse ali. Outras vezes, ele se perguntava o que faria se ele realmente voltasse, se resolvesse assumir de volta seu lugar. Jensen não sabia. Ficaria feliz? Ficaria nervoso? Era um misto de sentimentos incrível, Jensen não sabia e nem imaginava o que faria ou pensaria numa situação dessas. Mas com certeza imaginava como Nate ficaria feliz por ter seu pai de volta e…
Jensen não conseguia nem pensar na hipótese de um dia Jared voltar pra casa e querer simplesmente levar o menino embora de sua vida. Era óbvio que, se quisesse, o mais novo podia fazê-lo e Jensen não iria poder impedir, afinal, o filho era realmente dele. Como viveria sem Nathan era a pergunta que Jensen não sabia mesmo responder, e na verdade nem gostava de pensar nisso.
Que Deus tivesse piedade dele se algo assim viesse a acontecer de verdade.
- Jen… você está bem? Jensen?
O loiro encarou Mark rapidamente, os olhos se arregalando um pouco.
- Oi… estou sim, estou ótimo. Acho só que… me distraí um pouco.
- É, eu percebi. – Mark riu. – Agora vê se presta atenção aqui, eu quero que dê uma olhada nesses documentos…
**************
No caminho inteiro de casa até a escola no fim da tarde, Nathan tagarelou infinitamente a respeito de um trabalhinho em grupo que fizera na escola, algo relacionado a animais. Ele estava verdadeiramente animado, e Jensen ouvia atento ao que o menino dizia, mesmo com ele falando tão rápido.
- Pai, mas daí veio a melhor parte! – Nathan arregalou os olhinhos e Jensen o encarou brevemente pelo retrovisor.
- E qual foi essa melhor parte?
- Eles levaram uns cãezinhos pra gente ver! Tinha um mais fofinho que o outro, eles eram peludinhos, bonitinhos, e eles eram todos bebezinhos!
Jensen já sabia exatamente para onde aquela conversa iria rumar.
- Você acha que eu posso ter um cachorrinho, pai?
- Um cachorrinho? – Jensen repetiu, como se estivesse refletindo a respeito e Nathan assentiu com a cabeça num movimento rápido e apreensivo pela resposta. – Você sabe que um cachorrinho é uma criaturinha viva, Nate, e portanto, ele precisa de muito cuidado, de atenção…
- Eu sei disso, papai. Hoje nós aprendemos tudinho sobre os cãezinhos.
- Pois então. Não é só brincar… eles fazem sujeira, você tem que limpar, dar banho, dar comida, levar pra passear, enfim, muitas coisas, filho.
- Então ter um cãozinho é que nem ter um bebê? – Nathan perguntou curioso e confuso e Jensen deu uma leve gargalhada enquanto virava a esquina e se aproximava da rua onde moravam.
- Mais ou menos, filho. É um pouquinho parecido sim.
- Ah, então vai ser fácil, porque eu sei tudo sobre cuidar de bebês também.
Jensen teve de rir outra vez.
- E onde foi que o senhor aprendeu tudo sobre bebês e como cuidar deles, hein?
- Dãã, pai… - Nathan revirou os olhos. – Jogando no The Sims, né?
- Ah sim… entendi. Digamos que você está virtualmente treinado para ter um cãozinho então. – Jensen sorriu.
- Mas pai, eu posso? Posso ter um cãozinho? Por favor…
O loiro olhou pelo retrovisor outra vez e lá estavam os olhos de cãozinho abandonado, aquele olhar que era típico de Jared e fora herdado por Nathan. O menino conhecia Jensen muito bem pra saber que aquilo funcionava, sabia que ele nunca resistia a nada que fosse pedido enquanto estivesse olhando daquele jeito e ainda por cima fazendo biquinho.
- Olha, Nate, eu prometo que vou pensar, ok? Isso é um assunto muito sério, um cãozinho não é brincadeira.
- Eu prometo que vou cuidar dele. Ta, eu sei que não vou conseguir cuidar sozinho, mas eu prometo que eu ajudo, papai… hein? Deixa, por favor…
- Vamos pensar nisso, ta certo? Vamos combinar uma coisa? A gente sobe, você toma seu banho e faz sua tarefa. Depois que jantarmos, nós podemos dar uma olhada na internet e pesquisar algumas raças de cachorrinhos que podem viver em apartamento… e daí eu te digo se podemos ou não adotar um. Pode ser?
- Tudo bem… - um sorriso apareceu no rosto de Nathan. – Combinado, papai.
E assim fizeram. Enquanto Nathan tomava banho Jensen preparou um macarrão e arrumou a mesa, pensando mesmo a respeito daquela idéia de ter um cão. Talvez fosse bom pra Nate, assim ele poderia ocupar-se, aprender coisas novas com um bichinho e isso ajudaria muito com todos os fatores psicológicos que cercavam aquela abrupta separação que ele teve do pai. É, Jensen podia ter pensado nessa idéia antes. Até que viera mesmo a calhar.
Jantaram juntos, riram juntos e a vida parecia perfeita, mesmo que por instantes. Eles estavam tão felizes… Nathan estava pura animação, Jensen embarcava na alegria dele e logo os dois estavam comentando a respeito de cãezinhos e todo o tipo de diversão que se podia ter com eles. Jensen sorriu enquanto conversavam, notando que talvez o menino apenas tivesse herdado de Jared aquela paixão enorme por cachorros. Não seria justo reprimir, sendo que era algo bom no fim das contas.
Jensen lavou a louça e Nathan fez questão de ajudar na hora de enxugar tudo e guardar nos respectivos lugares, com a ajuda de Jensen para alcançar o que não podia. E quando estavam terminados e com tudo muito bem organizado, foram até o computador como combinado e começaram a fazer uma divertida pesquisa na internet, a respeito de cães.
- Pai, será que a gente pode ter um desses? – Nathan se ajeitou no colo do pai e apontou para a foto de um São Bernardo.
- Hum… eu acho que não, filho. Eles são muito grandes, não iam viver felizes num apartamento. Ei, que tal um poodle?
- Que? Que isso?
Jensen sorriu e sacudiu a cabeça, procurando algo sobre a raça. Quando Nathan viu a foto do cão, fez uma caretinha.
- Pai… esse cachorro é de menina.
- De menina? Você acha? Ele é bem fofinho, Nate… apesar de que os poodles são um pouquinho barulhentos, mas são pequenos e se adaptam com pouco espaço. Tem certeza que não gostou?
- Tenho sim. Vamos ver outro…
Procuraram por mais tempo, Nathan gostou de alguns mais e de outros menos. Isso até que ele finalmente encontrou algo que lhe chamou a atenção. Jensen viu os olhinhos de seu menino brilharem e percebeu que a busca havia se cessado: Nathan estava totalmente apaixonado pela foto do pequeno filhote de Cocker Spaniel que estava aparecendo no monitor.
- Você gostou desse? – Jensen indagou com um meio sorriso.
- Ele é tão bonitinho… podemos ter um, pai?
- É… talvez seja uma boa idéia.
Nathan congelou, olhar pasmado em Jensen.
- Sério? Podemos mesmo ter um desse? – E ao ver Jensen assentir, o menino agarrou o adulto pelo pescoço e lhe deu um abraço enorme e desmedido. – Você é o melhor pai do mundo! Puxa!
Jensen conseguiu retribuir o abraço e em seguida afastou um pouco o pequeno, olhando-o bem sério agora.
- Ok, mas temos que estabelecer algumas regrinhas, filho. Primeiramente vamos comprar tudo o que o cãozinho vai precisar. Um bichinho precisa de muitas coisas, então vamos comprá-las primeiro, certo?
- Certo…
- Quando já estivermos com tudo pronto, podemos comprar um filhote. E quando ele estiver aqui, você vai ter que me ajudar a limpar a sujeira que ele fizer, vai ter que ir comigo levar o cãozinho pra passear, essas coisas… vai aprender a alimentá-lo nas horas certas, e tudo isso. Você vai ter que participar, entendeu?
- Pode deixar, papai! Eu vou sim! Vai ser muito legal ter um cãozinho pra brincar. E quando é que nós dois vamos comprar as coisas?
- Ah, sim… amanhã, quando eu for te buscar na escola nós vamos cuidar disso tudo, Sr. Apressadinho.
- Promete?
- Prometido. Eu já deixei de cumprir alguma coisa antes?
Nathan sacudiu a cabeça com um sorriso e Jensen bateu de leve no braço dele, em seguida apontando para o corredor.
- Mas agora, vai pro quarto colocar o seu pijama porque já são quase dez horas.
- Poxa, pai…
- Poxa coisa nenhuma. – Jensen disse a ele enquanto se levantava. – Vamos logo. Quando você terminar de se vestir pode ir escovar os dentes…
- Ah, mas eu…
- Mocinho, sem discutir. Se você obedecer, eu ainda posso deixar você assistir uma meia hora de televisão antes de eu te levar de vez pra cama.
Nathan sorriu alegre e correu pelo corredor em direção ao quarto, o que fez Jensen abrir um largo sorriso. Seu menino era sua alegria, era sua vida, e agora ele não estava conseguindo impedir de sentir-se animado a respeito daquela historia toda de terem um cachorrinho. Jared ia gostar muito se estivesse ali.
Sacudindo a cabeça, o loiro caminhou até a estante da sala e pegou o controle remoto, indo colocar a TV num canal de desenhos que Nathan gostava de assistir. Sentou-se no sofá confortavelmente e ficou lá somente observando a tela, sem prestar nenhuma atenção no que estava sendo exibido nela. Ele estava mesmo pensando era sobre onde iria comprar esse bichinho, tentando fazer uma lista mental de pet shops que ele conhecia. Procuraria na lista telefônica também, e com certeza acharia alguma coisa; faria questão de levar Nathan consigo no dia em que fosse comprar o filhotinho. Queria que ele próprio escolhesse qual eles deviam levar para casa.
Jensen foi despertar do seu devaneio quando ouviu a campainha tocar, e ficou muito surpreso. Só podia ser algum dos vizinhos, pois afinal, o porteiro nunca deixava subir ninguém que não se anunciasse antes. Mas Jensen não tinha amizade com nenhum vizinho, então… quem diabos poderia ser?
Ele se levantou e suspirou enquanto ia até a porta, curioso pra saber quem era. Tanto, que nem se deu ao trabalho de espiar pelo olho mágico, somente tratou de abrir a porta de uma vez.
E foi aí que tudo parou.
O coração de Jensen acelerou de tal maneira que ele achou que fosse morrer ou no mínimo cair desmaiado. Os olhos da pessoa a sua frente simplesmente o encaravam com uma segurança que poderia parecer real, se Jensen não o conhecesse tão bem.
Jared estava nervoso, mas queria parecer seguro de si. Porque era Jared quem estava a sua frente, e Jensen o conhecia como a palma de sua mão.
- Jared? – Ele conseguiu soltar, a voz falhando imensamente. Estava tão surpreso que nem sabia como agir ou o que dizer. Mágoa, raiva, amor, desejo… tudo junto numa pessoa só. Jensen não sabia o que escolher. – O que… como… o que você está fazendo aqui?
- Oi, Jensen…
- Como você ousa aparecer aqui assim?! – O loiro tentou dizer com mais força, a consciência voltando a si. – Jared, o que…
- Eu vim ver o meu filho, Jensen. E não importa o que aconteça, você não vai me impedir.
Subitamente, a alegria que Jensen estava sentindo minutos atrás fora totalmente substituída por um medo absurdamente enorme.
CONTINUA…
N/A: Olá! Demorei mas cheguei com um novo capitulo! Muito obrigada pelas reviews, agradeço muito aos que estão acompanhando. Até a próxima!
