N/A: Este capitulo começa exatamente onde o outro acabou. Obrigada pelas reviews!

Capitulo 4: Reflexões

Jensen sentiu o sangue sumir de seu rosto, um misto de raiva e surpresa invadindo seu peito com tal rapidez que ele achou que estava prestes a cair ali mesmo. Ver Jared assim, de repente, e ainda ouvi-lo dizer que queria ver Nathan daquele jeito, naquela hora… não era boa coisa. Durante muito tempo Jensen havia tentado imaginar como seria se Jared realmente voltasse, estivesse mais uma vez com eles dois, mas definitivamente nunca havia imaginado que seria assim.

Pensou que Jared seria mais inteligente, que usaria mais a cabeça, ao invés de ter aparecido sem qualquer aviso. De jeito nenhum era que Jensen ia deixar as coisas tomarem um rumo que fosse, por qualquer motivo, confundir a cabecinha de Nate e deixar o menino chateado ou sentindo-se mal. E nem mesmo Jared Padalecki iria passar por cima disso.

- Eu lamento, mas você não pode entrar. – Jensen disse entre dentes, tentando manter-se firme diante da situação. Os olhos de Jared escureceram.

- Eu já disse que vim ver o meu filho, e você não vai me impedir.

- Oh, eu vou sim, Jared, você pode contar com isso. Isso por acaso são horas de passar na casa de alguém?!

Jared soltou uma risada abafada e respondeu enquanto enfiava as mãos nos bolsos:

- Casa de alguém? Jensen… esse apartamento é tanto meu quanto seu. Você sabe disso. Eu moro aqui. E até onde eu entendo, eu posso me movimentar livremente e chegar em casa quando quiser.

- Como é?! – Jensen parecia verdadeiramente chateado agora. Ele foi para o corredor e fechou vagarosamente a porta da sala para que Nate não ouvisse nada. – Que porra é essa que você está dizendo?!

O moreno ficou somente o encarando, como se esperasse para Jensen continuar. E ele realmente continuou.

- Você acha que as coisas são assim?! – Jensen disse com raiva, mas fazendo tudo para que seu tom de voz saísse baixo. – Porra. Você não mora aqui. Não mais. Você não faz parte da minha vida, e eu definitivamente não quero que faça parte de nada que me envolva, caso você ainda tenha dúvidas quanto a isso, Jared.

- Eu quero ver o Nathan, é melhor você me deixar entrar ou então eu vou entrar por conta própria. Nem que pra isso eu tenha que passar por cima de você.

- É?! Tenta, e daí eu processo você por invasão de domicilio. Eu já disse que você não mora aqui.

- Foda-se, mas o filho é meu, ok? Eu tenho direito de vê-lo quando eu quiser.

Jensen mordeu o lábio inferior e sentiu os olhos encherem de lágrimas. Isso era verdade, e por mais que ele tentasse resistir, Jared tinha plenos direitos em relação ao menino, e Jensen nunca poderia ficar no caminho. De repente, ficou inseguro. Seu coração apertou-se de tal maneira, só pela idéia de perder Nathan – seu filho Nathan – para Jared. Sua vida estaria sem sentido.

- Jensen, você vai ou não me deixar entrar?

- Olha, eu queria um tempo. Você tem que entender que isso não é fácil pra mim, e não vai ser fácil pro Nathan também…

- Tempo?! Você sabe quanto tempo eu fiquei sem ver o meu filho?!

- Se você não tivesse fugido, nós três estaríamos muito bem agora! Você faz idéia do inferno que eu passei pra confortar esse menino, pra fazer ele sorrir de novo?! E você acha que tudo o que eu consegui construir e progredir com ele até hoje eu vou deixar ruir só porque eu tenho que atender o seu capricho?!

- Tudo bem, Jensen… - Jared suspirou. – Tudo bem, eu vou te dar o seu tempo. Converse com ele. E diga que eu venho vê-lo amanhã.

- Amanhã?!

- É. Amanha. Assim que ele sair da escola. E alem disso… vou passar no escritório também, eu preciso do trabalho de volta.

- Cara… você realmente está achando que as coisas vão voltar a ser como antes?

- Bom, eu preciso de um trabalho pra me sustentar, e como eu também sou dono da firma, nada mais justo e pratico que começar por ali mesmo. Então… eu vejo você amanhã… e à noite passo pra falar com o Nathan que eu estou de volta. Aposto como ele vai ficar muito feliz.

Jensen não pôde fazer nada alem de assentir. Logo Jared havia ido embora, e ele estava sozinho no corredor, pensando em como sua vida estava saindo dos eixos, imaginando como seria quando Jared e Nathan estivessem frente a frente, imaginou que ficaria sozinho de vez agora. Não podia prender o menino, sabia que o amor da criança pelo pai biológico era incondicional e enorme.

Quando voltou para o apartamento, Nathan estava na sala, fuçando distraidamente os canais de TV.

- O que você estava fazendo ai fora, pai?

- Ah… nada, carinha. – Jensen deu um sorriso fraco e sentou-se ao seu lado, abraçando-o levemente. – Você já escovou os dentes?

Nathan respondeu a ele mostrando os dentinhos e depois voltou a encarar a televisão despreocupadamente, atento a um desenho qualquer que estava passando.

- Que bom, amor. – Jensen afagou seu rosto. – Mas como eu havia dito, é hora de ir dormir.

- Poxa, papai… mas eu gosto tanto desse desenho… hein, por favor?

Jensen pareceu pensar por um pouco. Depois sacudiu a cabeça positivamente e disse num tom ameno, observando cuidadosamente o rostinho de seu filho:

- Tudo bem então. Mas só se for por mais meia hora.

- Eu topo! – Nathan sorriu contente.

O que Jensen se perguntava era como iria conseguir contar ao seu filho que Jared estava de volta, queria saber como ele reagiria. Tinha medo de que o menino se esquecesse dele e sumisse com o outro de sua vida, e isso ele não seria mesmo capaz de suportar de maneira alguma.

O restinho do tempo que tiveram para ficar juntos na sala foi bem bacana. Viram o desenho todo, e logo Nathan estava deitado sobre o colo de Jensen, os olhinhos fechados e a respiração totalmente tranqüila. Ele havia finalmente dormido, e seu pai lhe beijou o rosto.

- Eu amo muito você, meu amor. Não quero nunca que se esqueça disso.

E com isso, levou-o para a cama.

****************

Jared andava de um lado para o outro em seu quarto de hotel, pensando sobre o que havia acontecido naquela noite. Havia agido por impulso, e agora estava ai, totalmente perdido em pensamentos. Em hora nenhuma havia planejado ser hostil com Jensen, nunca mesmo havia cogitado a hipótese de aparecer dessa maneira e talvez por tudo a perder numa possível reaproximação com seu filho.

Mas no fim das contas, Jared conseguiu perceber uma coisa muito importante: Jensen amava verdadeiramente Nathan, e faria de tudo para protegê-lo de qualquer um. É claro que isso nunca fora um segredo, mas agora a confirmação estava ali.

O modo como o loiro se preocupou, como ficou ate mesmo amedrontado com a possibilidade de perder Nathan, demonstrava isso. Jared ainda não sabia como encararia seu menino… pensava em como ele reagiria, se estaria com raiva. Se o entenderia, ou se ainda era pequeno demais pra compreender a complexidade dos fatos que abalou seu relacionamento com a família. Nem mesmo Jensen sabia de tudo. Jared sofrera sozinho durante todo este tempo procurando uma solução, procurando fazer o que fosse melhor para as duas pessoas que mais amava. Mesmo assim, não culparia Jensen se este o odiasse, afinal, o modo como Jared havia partido fora muito repentino. E com certeza a parte que Jensen sabe coloca Jared numa situação complicada. É mesmo surpreendente o fato de o loiro haver permitido que ele visse o filho.

Jared suspirou e deixou-se cair na cama, fechando os olhos e imaginando tudo o que havia perdido de seu filho nesses dois anos em que havia ficado fora. Todos os dias repetia a si mesmo que era necessário o afastamento, que era para o melhor de todos… assim, procurava ao menos amenizar sua dor.

No dia seguinte, retomaria sua vida de volta. Entenderia se Jensen não o quisesse por perto, nunca seria capaz de culpá-lo. Mas seu emprego e seu filho era duas coisas necessárias, e a primeira delas ele iria reaver logo pela manhã. E nisso Jensen não poderia interferir.

****************

- Como assim ele apareceu ai?! – Katie perguntou curiosa pelo telefone enquanto conversava com Jensen na mesma noite.

- Isso mesmo que você ouviu. O Jared apareceu aqui… pediu pra ver o Nate… Olha, eu estou transtornado. Eu não consigo nem imaginar o que pode acontecer se ele resolve tirar o menino de mim…

- Calma, Jen, isso não vai acontecer, está bem? Além do que, o Nate ama você. Sabe disso.

- Sei… - Jensen sentou-se no sofá e passou uma das mãos pelo rosto. – Mas sabe que isso não muda nada. E ele disse que vem amanhã pra ver o garoto, Katie, eu não sei o que fazer.

- Você precisa conversar com o Nathan antes, alertá-lo disso… vai ser mais fácil. E você deve permitir. Quanto mais dificultar as coisas, pior pode ser. Mas não fique nervoso, está bem? Mantenha a calma, não discuta com ele… você sabe que Jared ama vocês dois.

- Claro. – Jensen riu debochado. – Ele ama o Nate. Mas quanto a mim… bom, eu não sei mais de nada. Ele nos largou e você sabe muito bem o porquê.

- Sim, eu sei, mas isso não muda nada. Ele voltou e isso pode ser um bom sinal, então tenta colocar a sua cabeça no lugar antes de meter os pés pelas mãos. E qualquer coisa, você liga pra mim, eu tento ajudar vocês.

- Não sei o que eu faria com você, Katie… - Jensen sorriu. – Olha… eu te ligo amanhã e te conto o que acontecer, está bem?

- Certo, Jen. Pode me ligar. Um beijo…

Ele desligou e suspirou. É, não havia escolha. Iria ser um dia cheio…

CONTINUA…

N/A: Primeiramente, mil desculpas pelo capitulo extremamente curto. Acontece que vou viajar amanhã e só estou de volta dia 23 de janeiro. Não sei se terei tempo de atualizar por lá, então por enquanto todas as minhas fics vão ter que esperar esse tempinho pra serem atualizadas. Obrigada pelas reviews e até Janeiro! Feliz ano novo a todos!