Capitulo 5: Reencontro

Jensen sabia muito bem que Jared apareceria por ali naquele dia, e estava tentando manter-se calmo o suficiente. Não queria armar uma cena, somente a presença de Jared por ali já seria o bastante para que as pessoas começassem a reparar, e daí, agir com indiscrição só pioraria tudo indescritivelmente. Andava de um lado a outro em sua sala, inquieto. Quando sua secretaria anunciou que Jared Padalecki estava perguntando se podia entrar, ele percebeu que havia algo errado consigo mesmo. Sua vida estava fora dos eixos. E depois de tanto tempo achando que estaria tranqüilo sob a presença de seu ex-companheiro, notou que estava enganado. Jared estava lhe causando um grande desconforto, e as coisas não eram pra ser assim.

- Eu não pensei que viesse tão cedo. – Foi a primeira coisa que Jensen disse assim que Jared entrou em sua sala. O mais novo estava olhando em volta, curioso.

- Você mudou algumas coisas por aqui… - Jared disse numa voz baixa, ignorando o comentário de Jensen. – O que fez com a minha antiga mesa?

- Eu tive de colocar em alguma outra sala, já que não precisava mais dela aqui.

- E você também mudou a cor das paredes. Eu gostava mais do jeito que estava antes… - e dizendo isso, Jared deixou escapar um pequeno sorriso. – Eu me lembro quando a gente montou isso aqui. Não tínhamos nada, nem sabíamos se ia ou não dar certo… e daí… de repente tudo aconteceu. Que bom que deu certo.

- Nós somos bons advogados. Simplesmente isso. – Jensen sentou-se e fez um gesto para que ele ficasse à vontade.

- Você tem muito mais gente trabalhando aqui. No inicio éramos só nos dois, mas antes de eu ir embora, só havia umas três pessoas.

- Jared, que tal a gente ir direto ao assunto? – Jensen cortou. – Essas coisas nem importam mais e eu não faço idéia do porque de você estar ainda falando nisso. Isso não é mais a nossa vida, ok? Eu um dia pensei que ainda pudesse ser, mas não é, e certas coisas não voltam de jeito algum. Vamos logo ver essa situação…

- Como você quiser, então.

- Bom… - Jensen pegou alguns papeis e parou de olhar para Jared. – Você é legalmente meu sócio na empresa… então… tudo bem, se quer voltar a trabalhar aqui, tudo bem, eu não vou me impor, eu concordo que você retome seu lugar. Vou mandar separarem uma sala pra você agora mesmo, e vou te colocar à par de algumas coisas também.

- Mas… essa sala também é minha.

Jensen voltou a olhar para ele. Era difícil encarar Jared, era difícil aceitar o que havia acontecido: o abandono, o desamor que ele havia lhe demonstrado. Não o odiava, nunca poderia, mas com certeza não estava feliz com aquela situação.

- Essa sala é minha, Jared. Nós dividimos ela um dia, mas não mais. Isso eu me reservo no direito de negar à você.

Jared não fez menção de se opor. Ele assentiu e começou a prestar atenção à tudo o que Jensen lhe dizia, estava atento. Queria voltar para o seu trabalho, queria fazer sua vida voltar aos eixos. Queria que tudo fosse como antes, esse era o seu maior desejo. Queria que sua família se unisse de novo.

O telefone celular de Jensen tocando o interrompeu de seus pensamentos. O loiro pediu licença para atender, como se Jared fosse um estranho qualquer, como se fosse um cliente ou um novo empregado. E o outro acabou sentindo um pouco de tristeza ao perceber que não passava mesmo de um estranho.

- Alô – Jensen atendeu dentro da sala mesmo, parecendo tranqüilo. – Ah… sim, sra. Young. Tudo ótimo. … O Nate? É, ele reclamou de dor na garganta hoje de manhã, mas eu achei que ele estava bem.… É mesmo? Bom, então diga pra ele ficar calmo que eu passo ai em vinte minutos pra pegá-lo. Muito obrigado, diretora. Até logo.

Mal Jensen havia desligado o telefone, e Jared estava falando, a expressão preocupada.

- O que houve com ele?

- Ela disse que ele começou a reclamar muito de dores de cabeça e garganta, e esta com febre. Deve ter pego uma gripe ou alguma dessas viroses que tem por ai… - Jensen levantou-se e começou a procurar suas chaves. – Eu vou buscar ele agora mesmo, você pode pedir a minha secretaria que separe sua sala, e pode começar agora mesmo se quiser.

- Nem pensar, eu quero ver o Nathan. Ainda mais ele estando assim, eu…

- Jared, acho que não é boa hora.

- Ele é meu filho, Jensen, e eu quero ir com você. Eu quero vê-lo. Você por acaso disse a ele que eu estava aqui?

- Não, ainda não disse. – Jensen respondeu com um pouco mais de agressividade. – E você vive repetindo que ele é seu filho… mas devia parar com isso, Jared, porque eu crio esse menino, e quem abandonou ele foi você. Não é tão simples assim entrar na nossa vida e querer dar ordens a torto e à direito. Ele pode ser seu filho, mas esta sob a minha responsabilidade agora!

Jared abaixou um pouco os olhos, depois voltou a olhar para o loiro. Parecia vencido. Mas mesmo assim, queria ir com ele, queria ver seu menino e cuidar dele. Ajudar Jensen a cuidar dele, fazer parte disso novamente.

- Olha… - Jensen sacudiu a cabeça. – Você… pode vir se quiser. Mas vai com calma, ok? Eu não quero que o meu menino sofra.

- Eu também não quero, Jensen… disso você pode ter certeza. Vamos então?

*************

Jensen abraçou Nathan com carinho e o pequeno se aconchegou em seus braços com os olhinhos brilhando de lágrimas. Ele chorava baixinho, mas não reclamava de dor alguma. Tossia vez ou outra e com muita dificuldade. Jensen percebeu que estava sentindo dor.

- Parece ser um resfriado daqueles. – Jensen disse à diretora. Jared estava no carro, e ele havia entrado sozinho para buscar Nathan.

- É, parece sim… coloque ele de repouso e se ele não melhorar, leve ele num pediatra.

- Vou fazer isso. Muito obrigado mais uma vez. Vamos lá, cara? Hein?

Nathan somente afundou mais o rosto no pescoço de Jensen, e este sorriu e lhe afagou o rosto, caminhando para fora da escola.

- Nate… antes de chegar ao carro, eu queria te dizer uma coisa. Tem uma pessoa no carro…

- Pessoa? – O menino perguntou, a voz rouca.

- É. Uma pessoa que a gente não via faz tempo…

- Tia Katie?

- Não, amor, não é a tia. – Jensen deu um pequeno sorriso.

- Então quem é?

- É seu pai, meu anjo. Seu pai.

Os olhos de Nathan encontraram os de Jensen, e o mais velho viu um pouco de apreensão ali. Não era o que esperava encontrar. Parou de caminhar alguns metros antes de chegar ao carro, o vulto de Jared já visível ali.

- Que foi, Nate? Não está feliz? Não era isso que você tanto esperava, hein? Sue papai voltou… - Jensen disse com um sorriso encorajador, mas seu menino franziu a testa apenas.

- Ele vai me levar embora?

E essa era a pergunta que Jensen estava se fazendo minuto a minuto desde a noite passada. A surpresa foi ouvi-la de Nathan, e com aquele tom de preocupação.

- Você não queria que seu pai voltasse?

- Queria, mas… não quero mais se ele for me levar embora.

- Você não precisa fazer nada que não queira, tudo bem, meu anjo? Fique tranqüilo… mas você devia estar feliz. Você queria tanto que o papai voltasse… e ele esta ali, e doido pra ganhar um abraço e um beijo bem apertado de você. Ele esta com saudades…

Nathan estava apreensivo, e Jensen podia sentir isso só de olhar. Jared saiu do carro quando eles já estavam chegando, e seu coração palpitava ao ver seu filho, enorme, abraçado a Jensen como se sua vida dependesse disso. Tocou as costas dele com todo cuidado e chamou seu nome bem devagar; Nathan se virou para olhar e aos poucos, um sorriso brotou em seus lábios.

- Papai…

Jared não segurou mais as lágrimas. Elas escorriam pelo seu rosto deliberadamente e ele ria ao mesmo tempo, feliz por ver que seu filho estava tão bem, estava tão grande e cada vez mais parecido consigo.

- Nate… papai sentiu tanta saudade de você… - ele disse enquanto afagava os cabelos dele.

- Também… mas você demorou muito…

- É, eu demorei. Mas eu estou aqui agora. Estou de volta. – Ele sorriu. – E eu te amo muito, filho, eu senti sua falta dia após dia…

Nathan voltou a encostar a cabeça na curva do pescoço de Jensen, observando Jared com atenção. E depois disse, ainda olhando para Jared, mas se dirigindo ao outro:

- A gente vai pra casa agora, não vai, pai? Você vai me levar pra casa?

- Claro que eu vou te levar pra casa, carinha. Nós vamos pra casa… mas tem algum problema se o Jared vier com a gente? Aposto que ele quer matar as saudades de você.

- Ele pode vir… - Nathan disse com a voz distante, os olhinhos quase fechando, a voz rouca mais amolecida pelo sono. – Mas você vai ficar comigo também, não vai?…

- Eu sempre estou com você… vamos… abre a porta pra mim, Jared? – Ele pediu, se aproximando para colocar o menino deitado no banco de trás. Ele estava adormecido. – Pesado… cada dia mais.

Jared ficou olhando seu menino deitado no banco e enxugou suas lagrimas, fechando a porta suavemente e dirigindo-se para o banco da frente. Jensen deu partida no carro e eles seguiram em silencio ate o apartamento.

*************

- Tudo aqui esta como eu deixei.

Jensen ergueu os olhos e percebeu que Jared estava olhando em volta atentamente, querendo absorver tudo o que havia naquele lugar. Eram lembranças de muitos anos, era a vida dele. E Jensen podia sem duvidas entender isso perfeitamente. Continuou, porem, trocando a roupa de Nathan, que estava adormecido em sua cama, com todo cuidado para não acordá-lo.

- Ele esta arredio. – Jared comentou num tom baixo enquanto Jensen se levantava.

- Eu percebi. Acho que é normal… a verdade é que ele fala de você todos os dias. E se lembra de você em situações cotidianas. Se eu faço uma comida que você gosta, ele cita você. Quando fomos à praia ele quis que estivesse junto. Nate ama você tanto que às vezes eu me sito de lado… - ele sorriu. – Mas eu entendo. Ele queria que você voltasse, mas ele não sabe lidar com a sua volta. Ele esta com medo de como vão ser as coisas… ele não entende porque você foi embora.

- Foi preciso… - ele disse, olhos fixados no seu filho adormecido.

- Preciso? Nem vou entrar nisso com você. – Jensen suspirou e procurou não se irritar. – Olha, acho que você deve ir com calma em relação e ele. Eu sou adulto, Jared, e estou muito atordoado com essa situação. Imagina ele, que só tem cinco anos… ele só quer se sentir seguro, e aqui ele se sente seguro, comigo ele se sente seguro.

- Eu magoei ele.

- Claro que não, ele só não compreende. Ele precisa de um tempinho pra se acostumar com o fato de que você esta aqui outra vez.

Jared assentiu. Sentou-se na cama perto dele e ficou observando-o.

- A febre dele ainda não cedeu.

- É, mas eu já dei o medicamento, agora vamos esperar mais um pouco. Se continuar assim, vamos dar um banho frio nele. E mais tarde ele come alguma coisa e toma outro analgésico pra dormir. Se ele acordar ruim, daí eu levo ele ao medico.

- Então ta… Eu… acho que vou indo então.

O loiro concordou e levou-o ate a porta, cansado. Jared ainda hesitou antes de ir embora.

- Você liga pra mim se ele piorar?

- Jared… eu cuidei dele sozinho esse tempo todo e nunca pude ligar pra você. Tenho certeza de que posso dar conta sozinho, ele já ficou doente antes e eu me safei muito bem.

- É, mas eu estou aqui agora. E eu quero que você me ligue… eu reativei meu numero. Você deve saber qual é.

- Certo. Então… amanha eu vejo você, no escritório. Boa noite, Jared.

- Boa noite.

Jensen fechou a porta e respirou fundo antes de ir se preparar para tomar seu banho. Havia sido um dia e tanto. Depois de passar a tarde com Jared e conversar um pouco, ele viu que o outro também estava inseguro e parecia com medo de que Nathan não o quisesse mais por perto. Mas não era verdade. E Jensen sabia o quanto seu menino amava Jared Padalecki.

***************

- Papai… papai…

Jensen acendeu o abajour de seu quarto. Já era tarde, passava das onze e seu menino havia acordado mais uma vez. Depois da janta havia sido complicado fazê-lo dormir de novo, depois de uma tarde inteira dormindo. E agora seria mais difícil ainda.

- Fala, Nate… papai esta cansado…

- Eu sei… desculpa… é que eu não consigo dormir. – ele foi dizendo e se enfiando debaixo dos lençóis de seu pai. – Posso ficar aqui com você?

- Pode, claro. Você teve algum pesadelo?

- Não…

- Esta se sentindo melhor? – ele perguntou, tocando a testa dele. – Sua febre cedeu.

- Eu estou melhor.

Jensen sorriu e o abraçou, beijou seu rosto com todo carinho e disse baixo, numa voz arrastada:

- Eu amo você tanto, meu amor. Eu quero que você nunca se esqueça disso, aconteça o que acontecer.

- Porque você esta dizendo isso? É porque o meu pai voltou? Ele vai me levar embora?

- Nathan, eu já lhe disse, meu filho, você não precisa fazer nada que não queira. Nós queremos que você seja feliz.

- Eu fiquei feliz dele vir… mas não quero ir embora com ele.

- Você não ia achar legal morar com seu pai de novo? Hein?

- Só se ele estivesse aqui. Morando com a gente. Eu não quero ir pra outra casa, pai, não quero, eu quero ficar com você… promete pra mim que eu vou poder continuar morando com você e nós vamos ter aquele cachorrinho?

- Prometo, cara. Prometo sim… mas você tem que acordar melhor, daí eu prometo que tiro o dia de folga e nos dois vamos comprar tudo pro nosso cãozinho, ouviu bem?

- Só nós dois?

- Só nós dois. Prometido. Mas agora você tem que dormir e deixar eu dormir também, senão vou acordar muito tarde e não vai dar tempo.

- Ta bom. – Nathan sorriu e se abraçou a ele. – Você é o melhor pai do mundo e eu te amo.

- Também amo você. Boa noite.

Jensen apagou o abajour e tentou dormir. Tentou apagar de sua mente o fato de que Jared estava de volta. Mas isso agora era impossível.

Continua…

N/A: Ola, estou de volta! Muito obrigada pelas reviews, e aqui esta o capitulo 5. Espero não ter demorado tanto assim, o próximo sairá em breve! Beijos!