Capitulo 6: Johnny
Jared estava ao mesmo tempo curioso e chateado com toda aquela coisa de Jensen agora ter um namorado. Era estranho. Estava acostumado com Jensen sendo seu, e por mais que isso fosse um pensamento egoísta e completamente infundado, Jared esperava voltar para casa um dia e encontrar Jensen livre, e o esperando. Claro, que isso era só um desejo. E um daqueles que está na cara que não se realiza.
O cara se chamava Mark e trabalhava na empresa, e pelo que Jared pode notar, era um funcionário excelente, extremamente competente e centrado. E era, novamente, namorado de Jensen. Namorado.
Isso já era demais. Mas a verdade era que o moreno não podia fazer nada alem de aceitar aquela situação toda com normalidade, pois eram assim que as coisas eram agora: Jensen e ele não tinham mais nada juntos, nem mesmo uma amizade, seu filho estava distante e ele teria que suar um bocado pra ganhar sua confiança de novo, e Jensen estava namorando. Firme. O quão pior isso poderia ficar Jared não sabia, mas era fato que teria de aceitar. Não tinha direito algum de opinar em nada.
Estava de volta ali já fazia uma semana, e por enquanto havia resolvido ir devagar em relação a Nathan. Foi com Jensen algumas vezes buscá-lo na escola e só, manteve sua distancia para que o menino gradativamente se acostumasse com sua presença outra vez, e tinha dado certo. Haviam trocado algumas palavras a mais uns dias, e Jared estava planejando, qualquer hora dessas, chamar seu pequeno pra irem ao parque ou algo assim. Estava louco para passar um tempo só com ele e conhecer o seu filho de novo, já que ele estava crescendo tão rápido.
Jared bateu à porta da sala de Jensen três vezes e ouviu ele mandar entrar, então obedeceu. Apareceu com um leve sorriso no rosto e Jensen ergueu um pouco os olhos para ver quem era.
- Precisando de alguma coisa? – Ele usou seu tom mais profissional e Jared sentiu um frio na barriga.
- Hum… Só queria saber se eu posso ver o Nate hoje…
Jensen ajeitou umas folhas que estavam sobre a mesa e olhou novamente para Jared, mas sem se demorar muito.
- Bom… hoje eu vou fazer uma surpresa pra ele. – Jensen começou a contar. – Eu disse que só poderia buscar o cãozinho na próxima semana e na verdade eu marquei pra pegar hoje.
- Aposto que ele vai gostar.
- Com certeza. – Jensen deixou escapar um sorriso que acabou contagiando Jared também. – Talvez fosse mais fácil se você passasse na loja de animais e pegasse o cãozinho… ou talvez… você… bom, você pode pegar o Nate na escola e levar ele pro apartamento. Enrola ele que eu tive que ficar um pouco depois do horário, sei lá, e… depois eu chego com ele. Eu pego um táxi ou coisa assim.
- Tem certeza?
- Por que não? Assim talvez vocês possam conversar um pouquinho mais…
Jared assentiu e ficou contente. Aquilo era uma demonstração de confiança, e ele tinha certeza que era difícil pra Jensen confiar nele depois de tudo o que tinha acontecido, depois dele ter ido embora daquele jeito.
- Então ta. – Jared concordou. – Eu o pego na escola e daí você pega o cãozinho. E a gente se encontra no apartamento… pode deixar. Eu acho que vai ser bem legal.
- Você vai precisar das chaves do carro então. – Jensen disse um pouco depois. – É melhor levar de uma vez, daqui a pouco já vai estar na hora…
Jensen estendeu para ele as chaves do apartamento e do carro, e Jared as pegou com um sorriso que expressava muito agradecimento.
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- Cadê o papai?! – Nathan perguntou olhando em volta, assim que Jared apareceu para pegá-lo.
- Ah, Nate… ele teve de ficar um pouquinho mais na empresa por causa de um contratempo… e daí ele me pediu pra buscar você e levá-lo pra casa.
Nathan o observou por um pouco antes de finalmente aceitar segurar sua mão e ir a caminho do carro de Jensen. Jared sorriu, ansioso na verdade para ver a reação que o menino teria quando Jen chegasse com o cãozinho. Ele ficaria com certeza muito feliz.
- Papai deixou você pegar o carro dele? – o menino indagou com curiosidade, assim que eles já estavam dentro do carro. Jared ia arrumando o cinto de segurança nele. – Sabia que eu já sei arrumar meu cinto sozinho?
- Ok… você pode fazer então… - Jared sorriu.
- É assim… - Nathan ia dizendo, como se estivesse explicando tudo para o pai. – Você puxa essa ponta… daí prende aqui nessa coisa… viu? Papai me ensinou faz tempo. Agora eu já coloco meu cinto sozinho.
- Nossa… você está cada dia mais esperto. – Jared afagou os cabelos dele e Nathan se permitiu sorrir. – Então, vamos pra casa?
- Vamos! Eu estou com fome mesmo! Você pode fazer macarrão?… Eu me lembro que seu macarrão era uma delícia…
- Vamos ver… - Jared disse sorrindo e saindo com o carro. – Melhor perguntar pro Jen se ele deixa, não é? Quando ele chegar a gente vê, ok, filho?
Nathan concordou com a cabeça e somente ficou aproveitando a viagem. Era legal estar com seu pai ali, claro que era, mas mesmo assim ele queria que pudesse estar perto dos dois ao mesmo tempo. Que ficassem todos juntos de novo.
Quando chegaram ao apartamento Nathan foi logo correndo para o quarto a fim de procurar uma roupa e se enfiar no banho antes que Jensen chegasse e lhe desse uma bronca. Jared disse para ele não demorar, e Nathan gritou que tudo bem, que iria ser rápido.
Enquanto o menino tomava banho Jared ficou ali admirando a sala de sua casa… pois era sua também, de certa forma. Havia tantas boas lembranças ali, que se Jared não tomasse cuidado acharia que tudo estava como antes, que as coisas estavam bem de novo; mas elas não estavam. Nada era como antes.
Passaram-se uns quinze minutos até que Nate estivesse fora do banheiro e penteado, pronto para esperar o pai chegar do 'trabalho'. Jared teve que rir daquilo.
- Seu pai então está conseguindo deixar você tão certinho quanto ele. – Jared deu um sorriso e foi sentar-se ao lado do menino no sofá. Segurou delicadamente seu rosto com uma das mãos e arrumou os cabelos dele de um modo mais despojado. Reparou que Nathan usava o cabelo mais ou menos parecido com o seu, compridos ate um pouco depois das orelhas, e viu que seu menino estava ficando cada dia mais parecido com ele. – Assim você fica mais bonito, ok?
- Papai me disse que eu tenho que andar sempre com o cabelo penteado. Mas… - ele se aproximou de Jared e lhe disse num sussurro, como se tivesse medo de Jensen chegar e pegar ele fazendo essa confissão. – Eu às vezes fico com preguiça de pentear. Você promete pra mim que não conta?
- Prometo! – Jared riu. – Vai ser o nosso segredo.
Não demorou muito para a campainha tocar e logo Nathan ficou animado porque seu pai finalmente chegara. Talvez eles pudessem ver algum filme, e quem sabe Jensen deixaria Jared preparar o macarrão que tanto Nathan queria comer.
- Por que não abre a porta, Nate? Deve ser Jensen. – Jared disse com um sorriso encorajador e o pequeno murmurou um 'tá bem' e correu para a porta com ansiedade por algum motivo estranho. E quando realmente girou a maçaneta e viu seu pai ali, ele também sentiu uma alegria enorme invadir seu coraçãozinho ao ver o que o pai carregava nos braços com tanto carinho e cuidado:
- Pai!!! Você trouxe!!! É o meu cãozinho!
- É, isso aí… - Jensen entrou com o filhote, Nathan correndo afobado pra fechar a porta de volta e ir para junto de Jensen. Jared já estava por ali também, observando o mais velho colocar o pequeno Cocker Spaniel no chão da sala do apartamento. O cão era mesmo uma gracinha. – Ele não é lindo, amor? Você gostou?
- Claro que eu gostei! Eu amei! Pai… nossa! – Nathan deu um abraço em Jensen assim do nada e o loiro riu contente ao recebê-lo. Adorava ver seu filho feliz. – Você gostou também? – Ele perguntou, virando-se para Jared.
- Claro! – O moreno respondeu, agora sentindo-se mais à vontade para sentar-se junto deles no chão. Estava afagando a cabeça do cãozinho, que cheirava todos curiosamente. – Ele é lindo, você tem sorte. Eu sempre quis ter um, mas você era pequenininho demais pra ter um cãozinho por perto naquela época. Que bom que agora você já esta bem crescido e vai poder ajudar Jensen a cuidar dele. Certo, Nate?
- Certo. Eu vou cuidar dele muito bem… mas… ele nem tem um nome ainda. – Nathan coçou a cabeça e depois bateu com as mãozinhas no chão, chamando a atenção do filhote para si. – Que tal a gente chamar ele de Johnny?
- Johnny? – Jensen sorriu e olhou para Jared, que também ria. – É nome de gente, filho…
- E daí? Eu gosto desse nome. Ele vai se chamar Johnny e pronto.
Jared e Jensen se entreolharam novamente e riram espontaneamente. O mais novo estendeu a mão para afagar novamente o cãozinho que estava no colo do filho e Jensen deu um sorriso, somente observando a cena. Nathan tinha razão, Jared gostara mesmo da idéia de ter um cachorro.
Passaram mais um tempo ali brincando juntos com o filhotinho, que agora era chamado de Johnny. Ele corria de um para o outro, às vezes se atrapalhava com as próprias patinhas e tropeçava, o que fazia os três rirem com vontade da falta de jeito dele. Ainda era muito pequeno, tinha muito que aprender.
Inevitavelmente ele ficou com sono e Nathan resolveu levá-lo para seu quarto, onde haviam colocado a caminha dele.
- Acho que já está tarde. – Jared disse levantando-se e Jensen o olhou enquanto fazia o mesmo. – Mas de qualquer modo foi muito legal ver o rostinho dele, ele ficou muito feliz. Foi uma idéia e tanto, Jensen.
- É, ele ficou feliz mesmo. – Jensen soltou um pequeno sorriso. – Mas tudo bem… você pode ficar pra jantar se quiser. Acho que o Nathan vai gostar.
- Eu não quero mesmo incomodar vocês, eu…
- Eu estou convidando, ok? Tudo bem, sem problemas. – Jensen disse, observando Nathan voltar do quarto agora sozinho. – Não vai ser legal filho, seu pai ficar pra jantar?
- Claro! – Nathan disse num tom animado. – Ele pode fazer macarrão? Por favor, papai, por favor, eu senti tanta falta da comida dele!
Jensen sorriu e olhou de volta para Jared, dizendo:
- Por mim sem problemas. Você pode fazer o seu macarrão, Jared… porque eu acho que senti saudades da sua comida também.
Jared deu um meio sorriso e ficou feliz por estar conseguindo finalmente dar alguns passos a mais em sua aproximação de sua família. E talvez Jensen não achasse a historia toda tão ruim assim…
Continua…
