Everything But You
Capítulo 7: Duvidas
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- Vamos, Johnny! Vamos, pega isso!
Nathan estava afobado e animado com seu cãozinho. Ele já estava ali há alguns dias, mas ainda assim a empolgação do primeiro contato ainda não havia passado, e o menino parecia realmente aprovar a idéia de ter um amiguinho assim para brincar.
Quando não estava na escola, ou fazendo seus deveres, Nathan geralmente iria procurar o preguiçoso Cocker Spaniel e lhe importunar até que acordasse e resolvesse brincar de alguma coisa, o que geralmente era jogar bola. O corredor do apartamento era o lugar em que eles mais costumavam ficar, e Nathan não economizava na energia que gastava ao brincar com Johnny. O filhote gostava de correr atrás da bolinha de borracha, e mais ainda, gostava que Nathan tentasse pegá-la de volta. Nem sempre era fácil para o pequeno, já que o cãozinho não era nada bobo, e sabia como ninguém o seu caminho pela casa agora. Corria pelas pernas de seu amigo, ou se enfiava debaixo de alguma cadeira. Às vezes Johnny simplesmente escondia a bolinha e, animado, observava como Nathan parecia estar sem pistas a respeito de seu paradeiro.
Era divertido.
- Você é um vacilão! – Nathan sorriu, pegando a bolinha que estava escondida atrás do sofá da sala. – Mas agora eu não vou devolver ela pra você, Johnny... não tão fácil. Acha que consegue pegar ela de volta? Hein?
O cãozinho balançou seu rabinho, como se compreendesse cada palavra e, animadamente, dava pulinhos na esperança de alcançar a bolinha que estava na mão de Nathan.
- Você é um baixinho! – O menino zombou e então saiu correndo de volta ao seu quarto, acompanhado pelo cachorro.
Jensen sacudiu a cabeça em negativa, sorrindo para a cena. Nathan parecia tão feliz com o bichinho, o que simplesmente deu a ele a certeza de ter feito a coisa certa em permitir que seu filho tivesse um cão.
Seu filho.
Por um instante ou talvez mais, Jensen hesitou em seu pensamento. Nathan morava com ele, fazia parte de sua vida, mas... a verdade era que não tinham o mesmo sangue. Não eram pai e filho de verdade.
Aquele lugar era de Jared. Claro, com a ausência dele, Jensen viu consigo toda a responsabilidade de levar Nathan no rumo certo, e o menino não tinha problema algum em chamar e reconhecer Jensen como seu pai, assim como fazia com Jared. Era algo tão cotidiano, que Jensen nem pensava nisso com freqüência, mas agora, com Jared de volta, ele realmente estava perdendo a noção do que era certo, errado ou qualquer coisa do tipo. Ele apenas sabia que tinha estado na vida de Nathan por muito tempo, desde que ele era um bebe. Primeiro, porque ele e Jared tinham algo. Depois, porque Jared foi embora sem dar nenhuma explicação. Mas e agora, era ainda necessário que aquilo continuasse assim? Jared estava de volta, e, se eles não estavam mais juntos, talvez o certo fosse devolver Nathan para o verdadeiro pai. Não era?
Aquela dúvida estava martelando em sua cabeça por dias agora. Ele não sabia mais se era correto que de certa forma privasse Jared de ver seu filho, ou que ficasse filtrando as visitas em meio há dias marcados ou finais de semana. Aquela deveria ser a sua agenda com Nathan, e não o contrario.
Mas Jensen sabia que já estava amarrado ao pequeno mais do que gostaria, e sabia que tudo iria ser difícil se agissem assim. A verdade era que ele e Jared não eram mais companheiros, e mais cedo ou mais tarde, o moreno iria querer levar seu filho consigo. Era direito dele, e não havia nada que Jensen pudesse fazer para impedi-lo. E nem queria. Sabia o quanto ele era importante para o pai, e mesmo com a mágoa, Jensen no fundo imaginava que Jared teria algum motivo muito forte para ter deixado seu filho para trás tão de repente.
Ele somente ainda não sabia que motivo era esse.
Flashback
Jared vasculhava as gavetas de sua sala no escritório com uma pressa incrível. Parecia pressa... mas talvez não fosse. Na verdade, se olhasse com atenção, a impressão era que Jared estava mais como desesperado, e não simplesmente apressado.
"Onde estão as malditas chaves?"
Ele não estava tendo sorte. Não queria que Jensen simplesmente chegasse ali e visse como ele estava alterado e procurando por algo como se não houvesse amanha. E não era qualquer coisa que Jared estava procurando: eram as chaves do cofre de Jensen.
A sua paciência – e tempo – estavam se esgotando. Estava preocupado, e recebendo aquelas malditas ligações de novo, como se fosse um presságio de que algo muito ruim pudesse acontecer em breve. E iria. Iria mesmo.
Por fim, Jared parou e simplesmente sacudiu a cabeça, totalmente devastado e triste. Não podia fazer isso com Jensen de forma nenhuma. Claro, isso seria como dar-lhe uma punhalada pelas costas, depois de tanto tempo tendo recebido nada mais do que suporte, amor, atenção, carinho... era isso. Jared simplesmente não podia. Não iria conseguir com que as coisas simplesmente voltassem ao normal. E não poderia de modo algum trair a confiança de Jensen.
Seu tempo estava acabando.
As opções que Jared possuía no momento não eram muitas... na verdade, eram quase zero. Mas ele precisava tomar uma atitude que não envolvesse Jensen... e muito menos Nathan. Seu pequeno Nathan... ele era a melhor coisa que já lhe havia acontecido, e Jared jamais imaginara que ter um filho fosse algo assim tão mágico e intenso. Não sabia se o seu menino era realmente especial, ou se ele era somente um pai bobo, mas as coisas funcionavam assim: Nathan era o seu grande ponto fraco. Jensen vinha logo depois.
- Que está fazendo ai sentado, Jay? Achei que fossemos almoçar juntos!
Jared levantou rapidamente, pego de surpresa com a entrada de seu namorado. Jensen. Se Jared pudesse descrever 'amor', bastaria apenas esse nome para explicar: Jensen.
- E nós vamos. – O moreno deu um sorriso amarelo, e Jensen entrou totalmente em sua sala, fechando a porta atrás de si com muito cuidado para não fazer tanto barulho. Suspirou. Algo estava errado com Jared, algo estava muito errado. Ele não sabia o que era, mas há semanas vinha reparando como Jared parecia estar sofrendo com algo, sofrendo sozinho com algo que parecia muito sério. Jensen não sabia exatamente como agir: havia tentado falar com ele antes, havia tentado sutilmente perguntar o que estava acontecendo, mas nada adiantava. Jared estava sempre disposto a mudar de assunto toda vez que Jensen queria checar se estava tudo bem. Aquilo não podia ser um bom sinal.
Jared sempre fora falante – até demais – e estar assim, calado e sisudo todo o tempo só podia demonstrar ao seu namorado que havia algo gritantemente errado em meio à toda aquela situação. Por vezes Jensen chegou a achar que Jared talvez estivesse afim de pular fora de seu relacionamento com ele, e isso fazia seu coração doer em antecipação. Se fosse isso, Jensen não saberia se iria conseguir simplesmente aceitar e deixar ir. Amava Jared, queria ele perto pra sempre... E, por mais clichê que aquilo soasse, o loiro não acreditava que existisse outra maneira de viver. Não havia como viver sem Jared, bem como não havia como viver sem ar.
- Jay, vamos conversar...
Jared instantaneamente colocou no rosto aquela expressão que ultimamente parecia ser muito utilizada por ele. O rosto ficou preocupado e ao mesmo tempo sério.
- Jen, vamos nos atrasar. Olha só, já passa da uma hora. Assim vamos acabar nem tendo tempo de comer nada... – Jared deu outro de seus sorrisos nada convincentes. Aquele sorriso não mostrava suas covinhas. Jensen não gostava nada disso.
- Acho que precisamos ter uma conversa séria sobre o que está havendo com você em primeiro lugar.
- Não está havendo nada comigo além de você ficar o tempo todo dizendo que há. Eu estou ótimo e tudo está ok. Eu te diria se não tivesse.
- Diria mesmo? – Jensen ergueu uma sobrancelha, visivelmente magoado pelas palavras de Jared. Obvio que havia algo errado. Muito errado. E mesmo assim, Jared fazia questão de continuar negando. Que confiança e cumplicidade eram aquelas afinal?
- Claro que sim, Jen. Você sabe que sim.
- Não, eu não sei, Jared. – Jensen suspirou e sacudiu a cabeça, chateado. – Sinceramente não sei mais. Tem algo acontecendo com você, e está me matando essa coisa de você querer esconder isso de mim! Logo de mim, entre todas as pessoas... Jared, você é o que eu tenho de mais importante... eu passei por muitas coisas pra poder estar aqui com você, e nós dois sabemos disso. Acho que eu mereço saber o que está havendo de errado com a sua vida...
Jensen teve a impressão de que os olhos de Jared estavam prestes a se esvair em lágrimas, mas não sabia ao certo. Como esconder algo assim dele? Como? Estava na cara que Jared estava lutando contra algo, lutando contra algo dentro de si. E Jensen odiava a sensação de impotência que se instalava nele agora, pois sabia que não podia fazer absolutamente nada para ajudar.
- Acho que se você não for almoçar agora, vou ter que ir sozinho. – Jared tentou dar outro sorriso, mas desta vez falhou totalmente.
- Não faça isso com a gente, Jay... seja o que for que te preocupe, você sabe que podemos tentar contornar, achar uma solução. Eu faria tudo por você...
- Vou ao banheiro e encontro você ali fora em dez minutos ok? – Jared o cortou, tentando não ser rude.
Jensen ficou calado e deixou que o moreno saísse, sem dizer mais nada para objetar. Se ele queria continuar agindo assim, que agisse, não é como se ele pudesse fazer algo para realmente impedir aquilo e fazer a dor passar. Mas agora, Jensen sentia-se mais perdido e fraco do que nunca. Jared não estava confiando nele, em algo que parecia ter grande importância.
O quão errado era aquilo?
Jensen só conseguia pensar que estava sendo um péssimo companheiro. Se não conseguia ajudar Jared a solucionar seus problemas, se não conseguia nem ao menos fazer com que ele se sentisse à vontade para conversar, ele era mesmo um péssimo companheiro.
No banheiro, enquanto isso, Jared olhava seu reflexo no espelho. Não parecia o mesmo. Havia algo diferente e somente ele sabia o que era. Não podia e nem queria que Jensen tomasse parte nisso, não queria que Nathan pudesse sofrer com isso... e, para piorar, não sabia como resolver seu problema. Na verdade, no presente momento, ele so estava pensando em como manter suas duas pessoas mais importantes fora de seu grande problema.
As lágrimas escorreram do rosto dele com tanta naturalidade, que chegou a ser assustador. Jared suspirou e deixou que elas caíssem, uma após outra, em pequenas quantidades primeiro, e depois como em uma enxurrada. Ele não conseguia mais evitar as lagrimas e não queria também. Precisava decidir o que fazer, precisava fazer efetivamente algo.
Um pouco depois, decidiu que era hora de ir. Tratou de se recompor rapidamente e foi procurar por Jensen na entrada do escritório de advocacia. O loiro parecia perdido em pensamentos e Jared se condenava secretamente, por estar de certa forma causando o sofrimento de uma pessoa muito querida. Era isso exatamente que ele não queria. Era isso que não podia acontecer.
Jensen e Nathan não podiam sofrer... mas iriam, de uma maneira ou de outra. Naquele momento, Jared teve uma idéia. Uma idéia que talvez fosse impensada e cruel, mas, do seu ponto de vista, era a única coisa que poderia fazer afim de evitar uma grande comoção por parte dessas duas pessoas a quem não queria atingir.
Eles sofreriam de uma maneira ou de outra, claro...
Mas talvez, assim, sofressem um pouco menos.
- Está pronto, Jen? Estou morrendo de fome! – Jared colocou seu melhor sorriso no momento e pegou a mão de seu namorado.
- Também estou. – Jensen respondeu com um pequeno sorriso. Devia deixá-lo em paz, já que não queria conversa. Sabia que Jared ia recorrer a ele mais cedo ou mais tarde.
- Então, o que me diz de comermos naquele lugar perto do trabalho da Katie? Dizem que lá é ótimo, e acho que estou mesmo a fim de comida italiana hoje.
- Ok. Vamos conferir então.
Fim do Flashback
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- O que, você não acha que esse está bom?
Jared revirou os olhos, mas não pode esconder o sorriso que brotara em seus lábios. Katie estava experimentando alguns vestidos. Tinha um encontro naquela noite e achou que Jared talvez fosse útil para ajuda-la a escolher o que lhe caía melhor.
- Esse está ótimo e você sabe. Eu nem sei porque você me chama pra essas coisas alias... você sempre está linda.
- Ah, você não é um fofo, Padalecki? Eu me casaria com você num piscar de olhos, se você não fosse do Jensen.
O moreno pareceu contrariado com as palavras dela.
- Você sabe que sou um homem livre agora, então não se casa comigo porque não quer. – Ele brincou.
Katie sentou-se ao lado dele na cama e sorriu.
- É bom ver você bem humorado de novo, sabe Jay... de verdade. É bom ver que está tudo bem agora.
- Nem tudo, Katie...
- Se esta se referindo ao Nathan e ao Jensen, sabe que isso vai eventualmente acontecer. Devia simplesmente falar com eles, e você sabe disso. Não foi legal deixá-los assim, apesar de que agora eu sei que houve um motivo...
Jared fez o que se pareceu com uma careta, e sacudiu a cabeça.
- Mas o seu motivo e a sua atitude, apesar de indicar muito apreço por eles, não estava certa e voce sabe. Ok, você tinha um grande pepino em suas mãos, mas tenho certeza de que seu filho e Jensen tinham o direito de saber e de tentar ajudar. Fugir não ajudou vocês em nada, Jay... alias, de certa forma, só transformou tudo em algo mais doloroso ainda pra voce.
- Eu sei... mas... está feito agora.
- E quanto ao Nathan? Ele vai continuar morando com Jensen?
- Acho que Nate precisa de um tempinho pra se acostumar com a minha presença. Foi uma mudança muito brusca e... bem... além do que, reparei que eles são muito próximos. Eu não posso chegar e me meter no meio disso, Katie, seria estranho e doentio. Quero dizer. Eu saio da vida deles do nada e então volto clamando meus direitos. No inicio achei que fazer isso era a melhor opção, mas agora... bom, agora eu so consigo pensar que quero o melhor pra eles. Continuo querendo isso. E se o melhor pra eles for ficar juntos... que seja.
- Jensen é mesmo o máximo com Nathan... mas ainda assim, sei que no fim tudo vai se acertar. Jensen vai perdoar voce... ele não esqueceu, Jared. Não mesmo.
Jared assentiu, mas achava um tanto difícil de acreditar. Não era assim que as coisas pareciam estar caminhando, e ele sabia que tinha mais por vir. Uma hora ou outra a verdade viria à tona, ele devia isso a Jensen e a Nathan também, embora achasse que o pequeno pudesse ser um pouco poupado de toda aquela loucura.
- Agora existe esse cara, Mark...
- É, existe... mas isso não quer dizer que ele fique aí para sempre, não é? Afinal, você está de volta. – Katie piscou para ele, divertida, e levantou-se, pronta para ir provar outro vestido.
- Não terminamos ainda? – Jared não escondeu o desanimo na voz. Ela riu.
- Nem começamos, Padalecki. Vamos, não faça essa cara! Eu preciso da sua ajuda e não há maneiras de você sair daqui hoje sem me ajudar a tirar essa duvida cruel de qual vestido usar hoje.
- Espero que esse cara com quem você vai sair faça valer o meu esforço.
- Eu também.
N/A: Uau, muito tempo sem um capitulo. Finalmente minha cabeça pareceu destravar e aos poucos as historias estão saindo de novo. Sim, um capitulo curtinho, mas pretendo aumentar os outros capítulos um bocado daqui pra frente. Espero que ainda tenha gente querendo ler essa fanfic, porque eu definitivamente quero escrevê-la. Devo postar mais um capitulo de Something New essa semana, e outro de Everything But You muito em breve. Então, agradeço pelas reviews recebidas até agora, e espero algumas outras no decorrer dessa historia Até a próxima.
