N/A: Quem é vivo sempre aparece! Pois é, eu disse que voltaria! Então vamos lá!Um spin-off novo para saborearem! E claro, comemorar o meu aniversário que foi sábado.
bjoks e até!
O Encanto das Sombras
- A Floresta Proibida - SPIN OFF #2
O LAGO
O que havia nesta floresta de tão proibido? Elizabeth sempre gostou de andar por essas árvores quando pequena, olhando curiosa como se elas escondessem um mistério que se revelaria muito em breve. Um mundo novo que sua vida não conhecia, mas sua alma ansiava por reconhecer; talvez um futuro já escrito.
Quando Yan pediu para encontrá-la no bosque pela primeira vez, não escondeu sua grande curiosidade. Como planejado, quase todas as noites, a menina pulava sua janela com a ajuda de uma corda de lençóis e corria em direção à floresta para encontrar o camponês.
Numa tarde quente de verão, a garota aproveitou a visita dos pais à cidade e a ajuda da sua fiel ama para escapar dos jardins da casa. Estava bem abafado. A poeira do caminho entrava quente pelas narinas, e o canto dos pássaros anunciava o bom tempo.
– Vamos mais rápido! –Yan gritou puxando-a pelo braço.
– Shh– ela chamou sua atenção –Queres que sejamos pegos? –perguntou sem fôlego por causa dos passos largos e necessário para acompanhá-lo.
Os galhos batiam em seus rostos enquanto os pés dançavam barulhentos na mata.
–Tens que ver o que achei! - Yan gritou tentando superar o barulho dos galhos secos sob nossos pés.
–Vamos nos perder, Yan ! – Elizabeth retrucou.
– Eu jamais me perderei aqui – replicou com convicção.
Os dois correram por mais alguns minutos até avistarem seu objetivo. Um lago de águas claras e profundas, cercado por árvores extensas e escuras. Entre o imenso verde via-se a luz do sol refletir nas águas cristalinas. Um paradoxo entre sombras e luz, o encanto de uma junção tão antitética quanto perfeita.
– O que pretendes, Yan? – Elizabeth perguntou preocupada que essa fosse mais uma das suas trapalhadas.
–O que pareces, milady? –Yan brincou com o tratamento que dava a ela alguns meses atrás, geralmente o fazia para irritá-la ou apenas para vê-la corar inesperadamente.
- Não me chames assim. Não precisas mais desse tipo de formalidade – ela reclamou – Apenas estou preocupada com o alarde que estamos fazendo. Não quero ser pega nos bosques com um rapaz. Eu estaria desgraçada por toda uma vida e quem sabe pelas próximas também.
Ele riu.
– O simples camponês quer levá-la para um passeio no lago. O que tem de mais nisso?
Ele começou a se despir sem nenhum pudor, ficando somente com as roupas de baixo.
– O que ...? – ela perguntou ainda mais corada e segurando tanto o riso quanto o constrangimento.
– Darei um mergulho... – Yan não terminou a frase e pulou no lago de súbito.
– Por que não vens? A água está refrescante. Estas com medo de mim? – ele perguntou ao emergir do fundo do lago, seu ar era de provocação.
– Não tenho medo de ti - disse convencida - porém, não sei nadar – abaixou a cabeça tímida.
Ele balançava os braços como um pavão que quer se mostrar. Desafiando-a, e perdendo totalmente a formalidade, jogava a água para cima na esperança de que estar molhada a fizesse ceder de alguma maneira.
–Estas me molhando! – disse tentando sustentar a seriedade, mas vacilando com um riso no final da frase.
Ele gargalhou alto provocando um eco na floresta.
– Alguém vai nos escutar! - ela retrucou novamente.
– Entre logo na água e não escutarás mais o eco da minha gargalhada – Yan respondeu sufocando uma risada.
– Feche os olhos – seu pedido soava como uma ordem – Não espie!
Yan não se atreveria a contrariá-la. Não quando sua timidez se juntava com a raiva passageira que ela sentia por ter sido aborrecida.
Elizabeth tirou o vestido, também ficando apenas com as roupas de baixo. E corou ainda mais.
– Pule! Eu te ampararei – ele assegurou – Se pensares muito não o fará!
Não precisou de nem mais um segundo de avaliação. A menina caiu na água num estrondo. Ao emergir, sua feição era de desespero. Seus cabelos escondiam o rosto.
– Acalme-se – Yan a segurou - Não vou deixá-la se afogar.
Ele acarinhou seus cabelos colocando-os no lugar.
– Eu sei – sua voz era fraca.
Yan sustentava Elizabeth nos braços com um misto de carinho e respeito.
– Olhe em volta – ele pediu – Achei este lugar para nós dois. Não quero que tenhas uma lembrança ruim daqui. Momentos assim merecem ficar para sempre conosco.
– Como aquelas memórias que ficam para sempre?
– Sim – Yan fez uma carícia no queixo da menina – Mesmo que um dia nossas mentes esqueçam tudo isso, ou quando não existirmos mais, este lugar ainda terá essa lembrança. Uma lembrança que viverá nessas árvores centenárias e nessas águas geladas, mesmo que outras lembranças sejam mais fortes e duras, a primeira vai estar lá, de alguma forma, escondida, mas latente.
– E qual seria a lembrança? – ela perguntou com um tom convidativo contrariando toda a timidez de antes.
- Esta.
Yan a beijou.
n/a: E ai? Deixem comentários!
ps: Obrigada a Priscila, Taty e Line que betaram esse extra! Obrigada, amores!
