Resolvi usar o espaço desse capítulo com nota de esclarecimentos porque notei que esse acabou sendo o mais curto de todos.
Acho que a primeira coisa a ser explicada é o nome da nossa estrela principal. Como todos sabem, o pobre professor temporário só foi apresentado como Narumi o que, considerando os costumes e formalidades japonesas, só posso conlcuir ser o sobrenome dele, então pensei em um nome e o primeiro que me veio à mente foi Rihito, inspirado no coajuvante do mangá Shinobi Life (porque Kagetora, o nome do principal, seria muito estranho senão para um ninja... xD). Yamano Hitomi foi se mostrando para mim enquanto eu escrevia a história, nunca cheguei a pensar muito nela, só aconteceu. Yamano vem de um dos sobrenomes que Miyu de Kyuuketsuki Miyu costuma usar quando se enturma com humanos e Hitomi veio da lutadora de karatê do jogo Dead or Alive (apesar que só emprestei o nome mesmo).
O nome dessa fanfiction não foi exatamente planejado e não saiu bem ao meu gosto. Sensei no Kotae significa 'a solução do professor' e foi decidido às pressas na hora de postar a história. Está em japonês para conversar mais com o nome original do mangá que significa 'o segredo da presidente do comitê'. O segredo da Ayano era o fato de ter passado a noite com Yuuto, muito embora eles só tivessem dividido o mesmo quarto e ela tivesse assumido que outras coisas tinham acontecido. Aqui, o Narumi tem um problema: está apaixonado por uma garota mais nova e comprometida (namorada de um yakuza além de tudo) e busca conselhos com a amiga de universidade paralelamente ao decorrer da obra original. Sendo assim, como aconteceu no primeiro capítulo, algumas falas e passagens do mangá serão mencionados ou citados porque correm lado a lado com essa fanfiction.
Essa história poderia ter sido uma oneshot, mas achei melhor separar em capítulos (mesmo que todos sejam postados de uma vez) porque cada capítulo é uma passagem separada por vários dias ou meses do outro. A ideia é mostrar mais da rotina do Narumi com a OC, o relacionamento dos dois em relação e também à parte da fascinação dele pela Ayano.
Acho que é isso, qualquer dúvida, estou à disposição. A história é fruto do meu divertimento pessoal, mas espero que quem parar para dar uma olhada possa se divertir também e ficar feliz com o arranjo romântico que criei para o professor carismático que era
hot demais pra ficar solteiro. (lol)


Disclaimer: Personagens de Iinchou no Himegoto não me pertencem, os demais pertencem e eu uso e abuso deles pra atingir o lindo do Narumi-sensei!


'Atrasada.'

Rihito se viu olhando o relógio de pulso pela terceira vez em quase meia hora, cenho franzido, a boca uma linha fina de desgosto. Desceu do carro e tal era seu desagrado acabou por fechar a porta com força demais, o que só aumentou seu mal-humor. A causa? Certa ruiva que não aparecia no ponto de encontro na hora certa pela quinta vez aquele mês e nem haviam passado da primeira quinzena.
Se ela não estivesse com o caderno de física dele e se a primeira aula que os aguardava não fosse exatamente essa matéria, ele provavelmente já teria partido sem ela.
Fazendo caminho de volta à entrada do colégio encontrou dois alunos da sala dela e perguntou logo sobre Hitomi.

"Yamano-sensei? Ah, teve uma briga na sala e os pais foram chamados pela escola," a garota ofereceu imaginando que talvez a professora ainda estivesse lidando com aquilo.

Não sem antes agradecer, o Narumi se apressou até a diretoria, mas não encontrou a amiga lá. Segundo a secretária apenas os pais de uma das crianças e o diretor estavam em reunião, Yamano tinha voltado à sala de aula para conversar com a aluna que tinha começado a briga. Ela já falara com todos, então por que voltar à sala? Só para aborrecê-lo?

"...existem lentes de contato e até cirurgia para problemas de visão. Os pais dela são médicos, não são?" Ele conseguiu ouvir uma voz desconhecida a certa distância de seu destino. "Por que ela não dá um jeito naqueles óculos horríveis?"

Ela parecia até ofegante, irredutível em reconhecer que o que fizera ao dizer maldades sobre a colega de sala fora errado. Ao invés disso tentava desviar a culpa de si mesma.

"Riku," alguma coisa na voz de Hitomi o fez parar à porta, fora de vista. Era calma, quase melancólica, mas soou fria para a mais nova que se acostumara ao sufixo carinhoso que a professora costumava usar com todos. "Você gosta daquela banda pop feminina, né?"

"Sim," ela respondeu parecendo confusa.

"Mas isso apenas recentemente, não é? Antes era uma formada por rapazes, hum, visual key?" A aluna ficou surpresa que ela soubesse daquilo, mas é claro que uma boa professora notaria mudanças entre seus adorados alunos. A ruiva sorriu com a ingenuidade. "O que aconteceu para você mudar de ideia tão bruscamente?"

"Eu simplesmente não gosto mais deles," disse rapidamente, mas o olhar cinzento e intenso a pressionou. "Era estranho que uma garota gostasse deles. Minha amigas não entendiam..."

"Doeu, não é?"

Até Rihito se viu atingido pela intensidade da expressão compassiva que tomou conta do rosto da Yamano. Mas para Riku o impacto foi infinitamente maior a ponto de lhe arrancar um soluço do fundo da alma. Hitomi foi rápida em colocar uma mão confortadora sobre o ombro dela.

"Imagina o quão doloroso não pode ser quando as pessoas não aceitam alguma coisa na sua aparência ao invés do gosto musical," ela continuou com suavidade, nem parecia um sermão. "Imagine se você tivesse que alterar tudo que as pessoas achassem estranho. No fim, não ia sobrar mais nada da Riku só alguma coisa vazia. Você entende, Riku?"

A adolescente só acenou várias vezes, o choro ficando ainda mais descontrolado fazendo com que ela buscasse mais daquele conforto em seu ombro, abraçando a professora.

"Eu sinto tanto!" Narumi conseguiu entender após ela dizer aquilo algumas vezes em meio aos soluços.

"Eu sei, querida."

Depois daquilo, não importava mais chegar atrasado na universidade. Ele só voltou para o carro e aguardou mais quinze minutos até que Hitomi aparecesse saindo pelos portões acompanhada de Riku e os pais, todos sorrindo, inclusive a garota que momentos antes estava a ponto de parar de respirar de tanto chorar.

"Desculpa a demora, Narumi!" Ela juntou as mãos na frente do rosto, pedindo perdão. "Juro que dessa vez foi por uma boa causa!"

"Então das outras vezes foi só irresponsabilidade sua?" Ele simulou ainda estar aborrecido.

"O quê? Claro que não! Eu devo ser a pessoa mais responsável que você conhece!" Ela retrucou ofendida.

"O mundo está condenado então," suspirou derrotado.

E a discussão se prolongou durante todo o caminho até a universidade.