Disclaimer: É, infelizmente Iinchou no Himegoto não me pertence senão Narumi-sensei se chamaria Rihito e teria uma amiga ruiva chamada Hitomi.
Reconhecer que achava Yamano Hitomi uma beldade foi um choque para o moreno. Afinal, ela fora sempre uma companhia auto-imposta, desde o primeiro projeto em duplas na faculdade.
"Estou satisfeita com o resultado do nosso trabalho em equipe; não acho que alguém nessa turma de filhinhos de papai serviria como meu parceiro."
Qualquer um ouvindo aquilo a tomaria por presunçosa, mas depois de tirar nota máxima em uma matéria tão difícil enquanto o resto da sala lamentava pelo teste de recuperação por vir, Rihito sentira-se da mesma forma e foi assim que a aliança dos dois prosseguiu até o presente, dois anos e meio depois.
Talvez por conta daquilo o jovem nunca tivesse olhado para a moça como uma mulher, somente como uma colega de classe e depois um ouvido amigo para suas preocupações diárias. E agora o Narumi estava assustado com o rumo que seus pensamentos tomavam só por observá-la debruçada sobre uma mesa de bilhar.
"Yamano-chan, seu celular está vibrando," outro dos clientes frequentes do estabelecimento a alertou para o aparelho esquecido sobre o balcão.
"Suzume? Qual o problema?" Ela indagou imediatamente após atender, era estranho que a irmã ligasse durante o horário de aula e Rihito se viu ficando cada vez mais tenso sabendo daquilo e vendo a expressão da amiga ficar cada vez mais sóbria. "Não foi sua culpa, aijou. Não chore mais, ok? Onee-chan chega aí num minuto!"
E sem dizer muito mais do que "pendura na minha conta" pro barman, colocou a jaqueta de couro e saiu do bar com as chaves da motocicleta na mão. O transtorno dela era muito evidente, principalmente quando ela deu um murro no botão do elevador quando o mostrador se recusou a indicar que ele se aproximava do piso em que estavam.
Hitomi já tinha pulado três lances de escada quando o Narumi conseguiu alcancá-la, tomando-a pelo braço.
"Me larga, droga!" Ela gritou, tentando se livrar do agarre.
"Você, claramente, não está em condições de guiar aquela coisa," e por coisa, ele se referia ao único meio de transporte dela, claro.
"Chamar um táxi ou correr até a estação vai demorar demais, eles precisam de mim agora," apesar da fúria e urgência serem as únicas coisas mescladas à voz dela, o rapaz tinha a sensação de que a ruiva estava à beira de cair em prantos.
"Inteira. Não vai chegar a lugar nenhum senão num hospital se for nesse estado; eu te levo."
Não foi difícil convencê-la, principalmente porque seu veículo estava mais perto que o dela. Durante o percurso Rihito tentou se colocar a par da situação para que pudesse então dar alguma palavra de conforto à amiga, algo que ele nunca fizera e só se dava conta agora.
Hitomi podia ser ótima ouvinte, mas dificilmente falava sobre os próprios problemas. Era primeira vez que a via tão transtornada.
"Lembra quando você me perguntou se minha aparência já me trouxe problemas com professores e eu disse que não?" Foi como ela começou a explicação, recebendo um aceno positivo. "Com os outros alunos a história foi outra... Mas, ao contrário de mim que não tinha medo de entrar numa briga, Suzume é doce e indefesa. E, claro, Kotaru acha que é dever dele nos proteger."
Estava claro que não era a primeira vez que o irmão se desentendia com colegas para proteger a caçula, porém, dessa vez parecia muito mais sério e a direção tomara conhecimento. Até então nem a ruiva tinha noção das dificuldades dos irmãos que, Rihito ponderou, eram tão reservados nesse aspecto quanto a mais velha.
Uma menina às portas da puberdade estava sozinha, encostada no muro ao lado do portão do colégio. Tinha cabelos castanho-avermelhados ultrapassando os ombros, notórios, mesmo não sendo claros como os da irmã que quando ao sol mais parecia usar uma coroa de fogo.
"Onee-chan!" Suzume correu para abraçá-la quando desceu do carro. "Me desculpa! Se eu não tivesse corrido pro onii-chan..."
"Nada teria mudado," Hitomi a interrompeu, secando suas lágrimas gentilmente.
"Yamano, eu vou estacionar o carro," Narumi avisou, um tanto desconcertado que a garota pudesse ter um lado tão materno, lembrando do ocorrido umas semanas atrás com a tal de Riku.
"Sim, obrigada, Narumi. Suzume, fique no carro enquanto eu vou buscar o Kotaru."
Ficaram os dois observando-a desaparecer dentro do prédio antes da menina pular à bordo, ainda chorosa. O jovem se sentiu mal por achá-la adorável naquele estado de angústia, mas era impossível não se encantar por aqueles olhinhos grandes e redondos, tão brilhantes e escuros quanto chocolate. Acariciou as madeixas dela, chateado com as crianças que haviam sido cruéis a ponto de atormentá-la apenas por ser diferente.
"Narumi-san, você é namorado da minha irmã?" Ela perguntou subitamente um tempo depois de ele colocar o carro em marcha.
"Não, por que pergunta?" Ele quase engasgou com a questão.
"Seria bom se ela tivesse alguém para cuidar dela do jeito que ela cuida de nós..." E ela começou a soluçar novamente. "Sabe, enquanto falavam de mim, eu não me importava, mas eu não podia deixar que falassem dela também! Porque a onee-chan é tão boa; ela é barulhenta e não cozinha tão bem quanto o vovô, mas...
"Mas, a mamãe nunca nem lembra de ligar no aniversário dela e o papai só manda dinheiro no Natal e, ela acha que a gente não sabe que é ela quem compra nossos presentes e escreve cartões como se fossem deles."
Ele quase não entendia o que ela falava em meio às lágrimas e a primeira coisa que fez ao finalmente estacionar o carro, foi tirar o cinto de segurança para abraçá-la.
"Então, se ela passa tanto tempo cuidando da gente, quem vai cuidar dela, Narumi-san?"
Ele se perguntou a mesma coisa. Como ele nunca tinha notado que por trás de toda aquela aura descontraída e provocativa, Hitomi lidava com problemas tão delicados, que ela fosse tão delicada?
"Sabe, Suzume-chan, eu posso não ser o namorado, mas sempre que ela precisar poderá contar comigo," ele lhe assegurou. "Vocês três podem contar."
Aquilo pareceu acalmá-la o bastante e quando os irmãos mais velhos se aproximaram do carro ela já estava bem mais calma e pulou pro banco de trás junto com o irmão que estava numa discussão acalorada com a primogênita.
"Como se eu fosse deixar aqueles idiotas falarem o que querem!"
"Kotaru! Eu não preciso que me defenda de pessoas que não sabem nada sobre mim e não significam nada para mim," severa, o tom de voz dela era mais forte que o dele sem necessidade de gritar. "Sabe por quê?"
"Não." Percebendo estar sendo muito malcriado, abaixou a cabeça um pouco e também a própria voz.
"Vocês," foi a única resposta dela, o adolescente pareceu um pouco desapontado.
"Quê?" Quem perguntou foi a caçula que ganhou um afago no topo da cabeça.
"Eu tenho vocês, o resto não importa."
Mesmo o emburrado Yamano cedeu à resposta e os três irmãos dividiram o mesmo sorriso brilhante, cúmplice que sempre fazia Rihito querer sorrir também.
"Nós temos o Narumi-san também!" Suzume gritou agarrando o pescoço do dito cujo.
A ruiva pareceu surpresa por um instante, mas logo dirigiu um sorriso diabólico para o moreno.
"Você acaba de ingressar numa família muito maluca, Narumi, esteja preparado!"
Mas ao contrário de ameaçado, o jovem se sentiu estranhamente contente em fazer parte daquilo.
Quando escrevi a cena da Suzume com o Rihito eu comecei a chorar, sim, sou idiota esse ponto. Eu já devia estar sensível por alguma coisa e todo o dramalhão shoujo me partiu o coração. (lol)
'Onee-chan' e 'onii-chan', são formas de dizer 'irmã mais velha' e 'irmão mais velhos', respectivamente. E 'aijou' é como nós diríamos 'meu amor', 'meu bem'.
