Disclaimer: Se eu fosse autora de Iinchou no Himegoto a Ayano não se deixaria intimidar pela Yoneda no capítulo 05 nem por um segundo!
"Muito obrigada, sensei!" As duas colegiais agradeceram em uníssono, uma delas até abraçando o pescoço da ruiva que deu duas batidinhas no ombro dela dizendo não ter sido nada.
Rihito deu um passo para trás quando as garotas passaram por ele como um furacão de felicidade, quase atropelando-o na entrada.
"Até mais, Narumi-sensei!" Lhe acenaram antes de correrem da enfermaria, deixando-o a sós com a mulher sentada no leito.
"O que minha alunas estavam fazendo aqui com você?" Ele perguntou se aproximando, confuso.
"Com ciúmes, Narumi?" Ela riu, sendo interrompida por um acesso de tosse.
Colocando mais água no copo que estava sobre o criado-mudo, o moreno esperou que ela se recuperasse antes de entregar a bebida a ela.
Vermelho sempre o fizera associar qualquer coisa a Hitomi, mas aquilo já era exagero. Além do cabelo, o rosto, principalmente o nariz e os olhos estavam bem avermelhados por conta da forte gripe.
"Não precisa ficar, eu não pretendo roubá-las de você. Meus alunos são ainda mais fofos," ela provocou devolvendo o copo para ele.
"Essa enfermaria anda muito agitada desde que Hitomi-chan resolveu passar todo intervalo por aqui," a voz de uma mulher mais velha soou, fazendo-os desviar a atenção para a senhora que vinha saída da área comum para a área dos leitos.
"Não é como se eu quisesse ficar doente, Momo-san," a jovem fez bico.
"Difícil acreditar, você parece estar se divertindo," a enfermeira retrucou bem-humorada.
"Mas é claro! Eles são tão fofos!"
Cansado de ser o único sem entender o que estava acontecendo, o homem indagou o motivo de tanta agitação.
"Não sei quem começou isso, mas desde a primeira vez da Hitomi-chan aqui vários meninos têm aparecido 'passando mal' durante Educação Física ou atividades extracurriculares," Momo explicou, mas não era o bastante para que o jovem entendesse, então rodou os olhos diante da ingenuidade dele antes de continuar, "Uma professora bonita e solitária, disposta a um bom papeado na maca mais próxima da janela da enfermaria. Talvez eu devesse usá-la de isca na temporada de exames de rotina?"
A Yamano riu a bom rir antes de começar a tossir de novo, parecia sofrida por causa da garganta inflamada, mas ela não conseguia evitar, principalmente com o Narumi fazendo uma expressão confusa tão engraçada.
"Ora, Rihito-chan, você é mais devagar do que parece," munida de um termômetro preparado, pediu que a mais nova abrisse a boca para tirar a temperatura. "Os alunos de outras salas que sempre estiveram curiosos a respeito da professora nova agora tiveram a chance de conhecê-la. A notícia se espalhou e as namoradas vieram todas preocupadas também."
"Como se eu fosse alguma ameaça àqueles olhinhos brilhantes e pele macia," Hitomi falou, sua voz estranha por causa do termômetro entre seus lábios.
Então era isso, a ruiva tinha virado conselheira amorosa no último mês. Bem, não era uma surpresa considerando o tempo que ela gastava aconselhando ele mesmo, mas Rihito não soube o que achar de não ser mais um 'paciente' exclusivo.
Era a terceira vez que ela ficava doente desde o início da primavera, ou melhor, era a segunda recaída. Primeiro ela pegou um resfriado de um dos alunos e com descuido virou algo mais forte que durou uma semana. Quase curada, teve que cuidar de Suzume que também adoeceu por causa da oscilação do tempo e quando a irmãzinha estava definitivamente curada, a febre de Hitomi retornou por mais uns dias. Com duas pessoas doentes em casa, foi natural que Kotaru também se contaminasse, o que aconteceu meramente antes da mais velha se recuperar de vez e se repetiu o caso anterior, o irmão se curou e a ruiva piorou.
Não ajudava que Hitomi se recusava a se afastar do trabalho ou das aulas, mas depois de quase desmaiar no corredor da universidade Rihito a proibiu (com o apoio dos irmãos Yamano) de continuar usando a coisa e se encarregando de prover-lhe carona para todos os lugares. O primeiro dia foi um inferno para convencê-la a deixar a motocicleta na garagem e entrar em seu carro, tivera que colocá-la sobre um ombro e segurá-la enquanto Kotaru prendia o cinto de segurança e Suzume colocava a bolsa da primogênita no banco de trás junto com as coisas dele. Dando a língua para o amigo e um olhar mortal para os pequenos traidores, a mulher foi o caminho todo com os braços cruzados e se recusando a conversar com o motorista que se pegou achando aquele lado birrento dela muito... Fofo.
"Com licença?" Alguém chamou da área comum.
"Mais um paciente para você antes do fim do intervalo, Hitomi-chan," Momo brincou antes de tirar-lhe o termômetro. "O remédio ajudou a estabilizar a febre, mas eu realmente acho que você devia ficar em casa por uns dias."
"Não adianta, Momo-san. Ela é teimosa demais," Rihito cortou qualquer protesto da enferma e suspirou cansado. Então pediu para que se deitasse e a cobriu até o pescoço. "Tire uma soneca pelo menos, vou ficar de olho na sua sala até você voltar."
Ela não sustentou o semblante agradecido por muito tempo, logo um sorriso maroto curvou seus lábios.
"Querendo se vingar de mim, Narumi? Não adianta seduzir meus amores, eles são fiéis a mim."
A velha Momo gargalhou antes de sair da sala e o moreno ficou entre imitá-la ou dar um suspiro exasperado com a despreocupação da amiga. Então sorriu e resolveu devolver na mesma moeda.
"Eu não contaria com isso," e ao invés de deixar o garoto que chamara há pouco ir até a ruiva, colocou uma mão sobre seu ombro e o conduziu para fora.
Ainda ouviu um "Isso é sujeira!" antes de sair da enfermaria acompanhado do aluno que viera se consultar com a amiga. A intenção era dar a ela mais tempo para descansar, os dois sabiam, mas não diriam em voz alta, ao invés disso se espetariam com comentários e atitudes infantis como aquela.
Escutar o dilema amoroso do estudante não foi tão fácil quanto ele imaginara a princípio. Primeiro porque ele não tinha parado para pensar que tipo de coisas um adolescente perguntaria a um adulto e segundo porque, assim como o garoto, ele também não tinha a mínima ideia de como a cabeça das mulheres funcionava. Admirando mais uma vez a empatia de Hitomi, deu uma sugestão meia boca para o mais novo desejando que desse certo, muito embora duvidasse (a expressão incerta do colegial acusava que ele também não parecia convencido) e foi salvo pelo sinal antes que qualquer outra pergunta fosse feita.
Naquele dia na volta da faculdade, Hitomi caiu no sono quase imediatamente após sentar-se no carona, esperando que ele terminasse de conversar com outras colegas de sala do lado de fora.
"Vai mesmo levá-la para casa?" Uma das garotas perguntou, tinha tomado as chaves dele em uma brincadeira de mau gosto numa tentativa de manter a atenção dele nela. "Ela parece bem pra mim."
"'Tá brincando? Ela estava até dormindo durante a última aula," a outra concordou, dando duas batidinhas com o nó dos dedos no vidro bem aonde a rosto da Yamano estava apoiado. O barulho foi alto o bastante para assustá-la e acordá-la. "Ah, a preguiçosa acordou!"
O problema é que Hitomi não era a mais bem-humorada dos recém acordados, especialmente quando a semana tinha sido bem longa e a gripe a fazia sentir tão mal. Aquilo seria interessante, ele pensou. Então ela simplesmente desceu do carro em um estado de semi embriaguez causado pelo remédio forte que o médico da instituição tinha obrigado-a a tomar havia pouco, buscando apoio no peito do amigo quando cambaleou e, quando estava estável o bastante apenas sobre os próprios pés, tomou as chaves da mão da loira num movimento rápido.
"Ele também adoraria te dar carona, meu bem, uma pena que você já tenha um carro," devolveu a chave ao dono. "Não é, Rihito?"
O choque foi geral quando ela usou apenas o primeiro nome sem nem mesmo perceber. As duas mulheres ficaram tão sem graça que não sabiam o que dizer, o que pareceu irritar a Yamano. "Sim?" Ela arqueou uma sobrancelha depois de um minuto só de abrir e fechar de bocas pitadas de rosa bebê.
"Ok, muito frio aqui fora pra você," o Narumi se apressou em conduzi-la de volta para o carro e quando fechou a porta as duas companhias inconvenientes o olhavam expectantes. Ele não se incomodou em desfazer qualquer mal entendido, "É como ela disse, apressem-se antes que a chuva recomesse."
Elas se despediram e ele entrou no carro, a ruiva já tinha adormecido de novo. Se esticou para prendê-la no cinto de segurança e demorou um momento observando-a.
Senera e adorável, a namoradas dos estudantes tinham todo o direito de ficarem preocupadas que ela roubasse o coração de seus amados. Ao contrário do que Hitomi dissera, o fato de ela ser mais velha era só mais um ponto forte na atração que ela exercia no sexo oposto, o brilho dela era algo totalmente único, puro sem ser ingênuo, límpido mesmo tendo conhecido o que há de mais sujo no mundo. Nem mesmo Ayano brilhava daquela forma lapidada, como se faltasse alguma coisa em sua vivência para alcançar aquela perfeição.
Aquele pensamento em si o fez puxar a mão que estivera a ponto de tocar as madeixas avermelhadas. Ele acabara de tirar a mocinha Sasaki do pedestal?
"Que droga, Yamano." E se encostou no banco com as duas mãos no rosto enquanto suas resoluções começavam a desintegrar.
Ops. Alguém começou a descobrir novos sentimentos...
