Eragon estava certo. Não devia tê-las deixado a sós. Nasuada detestava aquela garota, assim como Arya. Mas aquela garota, tinha todas as respostas.
Conseqüências da Campina Ardente
"A batalha foi sangrenta. Vidas de todas as espécies foram perdidas, e dentre elas, Rei Hrothgar. Annylese imaginava batalhas, mas aquilo era carnificina. E o pior de tudo, ela ficou impotente, impotente quando viu o dragão vermelho irromper, confrontar Eragon e derrotá-lo, quando viu quem era e a dor nos olhos de Eragon. Ela não se sentiu capaz de absolutamente nada. Então o dragão vermelho e seu cavaleiro se voltaram contra ela. Um jato de luz verde estremeceu seus ossos e a fez desabar. Porque ele não acabava com ela agora? Ele sorriu, e foi atingido. Ela conhecia aquele sorriso. Aquele sorriso..."
Quando Annylese acordou estava na cabana de Eragon, Arya estava limpando seus ferimentos.
- Éthros! Você está bem? Responda! - acordou desesperada.
- Estou bem, não se preocupe, estou do lado de fora da cabana. Devo te avisar. Estão todos furiosos com você.
- Comigo? - perguntou espantada.
- Exatamente.
- O que aconteceu? - perguntou Annylese a Arya.
- É uma traidora, como todos já sabiam. - respondeu Arya com um sorriso irônico.
- O que aconteceu?
- Quando Eragon mais precisou, você não fez nada e ainda deixou Murtagh escapar.
- Quem?
- Murtagh, o outro cavaleiro.
- Eu não pude fazer nada. Foi como se minha mente tivesse deixado de pensar. Eu não sabia o que fazer, eu jamais trairia Eragon. Ele me ajudou quando ninguém mais acreditou. Murtagh foi atingido não foi? Me lembro de um jato verde atingindo ele.
- Então só você viu. Todos dizem que você ficou estática no ar, e Murtagh ainda sorriu quando passou por você.
- Preciso falar com Eragon. Agora! E deixe-me ir!
- Não posso traidora. Você está sob custódia dos Varden até Eragon e Nasuada decidam o que fazer com você.
Annylese sabia que se tentasse fugir estaria se acusando. Só tinha uma arma na mão e com ela provaria sua inocência. Arya e Nasuada estariam contra ela. E Eragon?
- Vou ficar e aguardar julgamento. Mas quero ter a oportunidade de provar minha inocência antes.
Antes que Arya pudesse retorquir Eragon entrou na cabana. O desgosto estava evidente em seus olhos. Era hora de se desesperar.
- Saiam todos! - berrou Eragon. - Saphira, vou precisar de ajuda.
- Claro pequenino.
- Espero uma explicação.
- Não sei explicar.
- Você não sabe de nada? Nunca sabe de nada! Isso é ridículo! Você quase me matou!
- Eu quase te matei!? Eu não sou culpada por não ser capaz!
- Você demonstrou poder o tempo inteiro desde que nos conhecemos. Foi só pra impressionar? Nunca foi capaz de nada daquilo? Quando eu precisei você me abandonou! Por quê? - Eragon apoiou a cabeça em suas mãos.
- Eu não te abandonei. Eu... não sei o que aconteceu de verdade. Quando eu vi o dragão vermelho, eu senti medo, muito medo então vocês lutaram, eu vi que ele se saiu melhor, mas eu não conseguia contra-atacar, eu não soube o que fazer, e quando ele passou por mim eu perdi a consciência aos poucos, e só me lembro de que um raio verde o atingiu. -disse Ann na língua antiga.
- Não me disseram nada sobre alguém tê-lo atingido. Não sei se ainda posso confiar em você. Não tem idéia de como foi difícil conseguir permitir que me deixassem falar com você. Nasuada quer executá-la imediatamente.
- Reviste minhas memórias, elas vão comprovar o que digo. Se não acredita na língua antiga.
- Eu acredito nela Eragon. Sempre acreditei.- disse Saphira
Eragon se sentiu balejado. Ela não poderia mentir na língua antiga, poderia?
"A batalha foi sangrenta. Vidas de todas as espécies foram perdidas, e dentre elas, Rei Hrothgar. Annylese imaginava batalhas, mas aquilo, era carnificina. E o pior de tudo, ela ficou impotente, impotente quando viu o dragão vermelho irromper, confrontar Eragon e derrotá-lo, quando viu quem era e a dor nos olhos de Eragon. Ela não se sentiu capaz de absolutamente nada. Então o dragão vermelho e seu cavaleiro se voltaram contra ela. Um jato de luz verde estremeceu seus ossos e a fez desabar. Porque ele não acabava com ela agora? Ele sorriu, e foi atingido. Ela conhecia aquele sorriso. Aquele sorriso..." A lembrança estava um pouco turva. Mas Eragon compreendeu. O poder dela vinha de uma fonte maior, e o cavaleiro desconfiou que soubesse como a desvendaria.
- Ann, você tem aquele livro com você?
- Tenho, por?
- Você já o leu alguma vez?
- Não, eu estava disposta a saber sobre o meu passado, mais o que Oromis disse me assustou. E não o abri desde Ellésmera.
- Quer que eu o leia com você? Ele pode ter a resposta para o que aconteceu hoje.
- Eu adoraria. Não me sinto pronta pra enfrentar o passado sozinha.
- Bom, se eu vou saber mais sobre você, é justo que você saiba mais sobre mim. Quer conhecer minha família, Annylese Cavaleira de Dragão? - perguntou cortês.
- Seria uma honra, Eragon Argletam.
