Obrigada a quem tem deixado reviews!
Deh Aluada
luyza chan
Esse capítulo eu acho o máximo. Espero que gostem!
TENHAM TODOS UM FELIZ NATAL E UM ÓTIMO ANO NOVO!
Vejo vocês em fevereiro (provavelmente). Vou viajar amanhã de manhã :D
Saphira, você prestou atenção nisso?
Certamente... Respondeu ela.
E o que acha? De quem será que eles estavam falando?
Não sei Eragon, mas seja quem for, saberemos logo.
O sol já estava se levantando quando Eragon chegou a sua tenda e encontrou Saphira sentada sozinha.
A Niss já foi? E ao perguntar isso, seu estomago deu um nó.
Já foi... Ela estava realmente chateada.
Eragon não conseguiu responder, ao invés disso fez sinal para Saphira acompanhá-lo. Foram direto para o pavilhão vermelho de Nasuada, o cavaleiro rezando intimamente para que não o tivessem visto. Tanto a líder dos Varden, quanto Islanzadí e, para aflição do cavaleiro, Blackniss ao lado de Arya, estavam do lado de fora esperando por ele:
- Você demorou. – Disse Islanzadí, com um olhar acusador.
- Eu estava procurando minhas luvas. – Mentiu o cavaleiro, agradecendo a presença de Nasuada, pois precisavam falar na língua comum.
- Podemos ir? – Impacientou-se Blackniss.
- Certamente. Vamos ficar cerca de dez metros de distância; uma magia nos ocultará. – Completou a rainha, devido ao olhar indagador de Eragon.
Ele se sentiu relutante em deixar Blackniss sozinha, ainda mais na presença de Murtagh, mas sabia que não adiantaria discutir nem contestar.
E além do mais, ela não estará totalmente sozinha, Nyx estará lá, não é? Disse para Saphira, mais para se consolar do que para qualquer outra coisa.
Claro pequenino, não se preocupe, se algo der errado, nós entramos na briga. Consolou ela.
Caminharam até as árvores, que ficavam a oito metros de distância do lugar onde Blackniss esperava por Murtagh, mas a fim de se ocultarem, permaneceram a dez metros de distância, protegidos pelas grandes árvores, as quais Eragon agradeceu por estarem ali, pois se estivessem na campina ardente, certamente teriam de deixá-la sozinha.
Alguns minutos se passaram até que um grande dragão vermelho fosse avistado ao longe, Saphira cravou as garras no chão com força enquanto o observava, Eragon sabia que ela estava relembrando as ultimas palavras de Murtagh, assim como seu confronto mal sucedido com Thorn. Eles pousaram em frente à Blackniss, que estava parada como uma estátua ao lado de Nyx, com uma das mãos próxima ao ombro do dragão.
- Então você veio. – Saudou Murtagh, quando finalmente pousou e desceu de seu dragão, dando-lhe um sorriso, ao que Eragon percebeu com horror, ser totalmente sincero.
Ela apenas assentiu. De costas para eles, Eragon não podia saber se estava sorrindo ou não, mas preferiu pensar que ela estava tão séria quanto ele.
- Seus amigos estão aí, não é? – Perguntou Murtagh, e novamente ela não respondeu. – Bom, que seja. Galbatorix ficou furioso, ainda mais quando você quase acabou com Rocken e metade de seus homens...
- Ah! Que pena, esperava que todos morressem.
- Esperava, é? Ora, para quem odeia o rei, você parece ter aprendido muito com ele, não é?
- Acusou Murtagh, mas dessa vez, ele já não sorria e seus olhos repentinamente pareceram obscuros, como se uma sombra estivesse sobre eles, muito diferente dos olhos profundos e abertos para a imensidão da garota elfa.
- O que você quer? – perguntou ela, sem rodeios.
- Não sou eu que quero, e você sabe disso! – respondeu o cavaleiro, a sombra em seus olhos parecia ter passado repentinamente, e sua expressão era a de alguém que preferia fazer qualquer outra coisa a continuar ali.
- Talvez eu saiba – disse Blackniss, misteriosamente – ele o obrigou novamente? Ele o fez jurar?
Murtagh continuou a mirá-la com a mesma expressão, e após longos segundos, assentiu de modo quase imperceptível.
- Ora, por favor! Você não cansa de ser submisso? – continuou ela, mas suas palavras não eram carregadas de superioridade e ironia, mas de dor e tristeza. – Eu não irei.
- Eu não quero obrigá-la... Não precisa ser assim... – murmurou Murtagh, mais para ele mesmo do que para ela. Então ergueu a cabeça, e novamente seus olhos pareciam ter sido engolidos por uma sombra fosca, ele endireitou os ombros e quando falou, sua voz transbordava determinação – Se não vier por bem, vou levá-la por mal Blackniss.
A garota deu uma risada debochada, ao seu lado, os músculos de Nyx se contraíram visivelmente ao mesmo tempo em que o dragão soltava um rugido ameaçador, que não pareceu intimidar Thorn, ao contrário de Murtagh, que se afetou visivelmente pela risada.
- Quero ver você tentar! – Exclamou, por fim, Blackniss. Desembainhando sua espada com a mão esquerda e deixando a direita, na qual a gedwëy ignasia brilhava suavemente, preparada para usar magia.
Por um momento, o cavaleiro manteve-se imóvel olhando atentamente para ela, como se calculasse suas chances de conseguir derrotá-la em um único golpe. Há dez metros dali, o coração de Eragon pulsava fortemente, ele sabia o que Murtagh iria fazer sem nem ao menos entrar em sua mente, a aflição aflorou dentro dele porque sabia que não poderia correr para ajudá-la. Mal chegou a completar tal pensamento, e viu Murtagh desembainhar sua espada e superar a distância entre ele e a garota-elfa em poucos passos, desferiu um forte golpe no lado esquerdo, mas esta o bloqueou com duas vezes mais força.
A luta terminou quase tão bruscamente quanto começou, Eragon admirava a força de Blackniss, que defendeu quase todos os golpes com extrema perfeição, mas a lentidão de seus movimentos dificultava os ataques em Murtagh, cujos golpes eram praticamente idênticos aos de Eragon. Ao fim, Niss pegando seu oponente de surpresa, lançou-o para longe com magia.
- Você não devia ter feito isso Blackniss – Berrou Murtagh, se levantando – eu conheço seu ponto fraco!
Ela não respondeu, apenas olhou-o com uma mescla de temor no rosto, ao que constatou Eragon, que agora conseguia visualizar ambos na posição em que estavam.
- Você não fará isso. – Sussurrou ela.
Mas ele fez. Ergueu a mão esquerda e antes que Eragon compreendesse as palavras ditas na língua antiga, Blackniss deu um grito e caiu no chão de joelhos, uma mancha vermelha de sangue apareceu em sua bela calça verde, a garota pressionou a mão contra o que parecia ser um corte profundo, lágrimas de dor escorriam de seus olhos e ela tremia descontroladamente. Nyx urrou, encaminhando-se para ela, a fim de protegê-la.
- Não! – Gritou Eragon, adiantando-se para ajudá-la, mas dois elfos o impediram:
- Lamento Argetlam, mas mesmo que tente passar, a magia que realizamos no acordo entre os soldados dele, o impedirá de prosseguir.
Não pode ser Saphira! Eu disse que isso não iria dar certo...
O que eles estavam pensando? Disse Saphira com ferocidade. Que seria uma conversa agradável? Que eles iriam se sentar para tomar chá e colocar as novidades em dia? Suas escamas reluziram enquanto batia as patas para expressar sua indignação.
Voltaram a atenção para a clareira, Blackniss estava esparramada, esforçando-se para levantar, mas aparentemente incapaz, enquanto seu dragão estava com a cabeça inclinada para ela, mantendo entretanto, os olhos fixos em Murtagh. Este olhava-a por cima, por um momento, sua expressão foi de puro arrependimento, mas quando falou sua voz estava fria e inflexível.
- Você não quis vir por bem, então sou obrigado a te levar a força.
- Você não é assim! – Disse ela, com a voz trêmula.
Porém, antes que ele conseguisse se aproximar, um som que aparentava enormes asas batendo ecoou assustadoramente perto e alguns segundos depois, uma mulher havia pulado entre Blackniss e Murtagh, ao mesmo tempo em que um dragão branco, com escamas reluzentes pousou na frente de Thorn.
- Não ouse tocar na minha filha, Murtagh filho de Morzan. – falou a desconhecida, contudo, imperiosamente agressiva.
Eragon sentiu todo o ar ser expulso de seus pulmões, olhou para Saphira sentindo a ansiedade dela como se fosse sua e, em um acordo mútuo, pulou em seu dorso para poder visualizar melhor a recém chegada. A mulher era na verdade uma elfa. Tinha cabelos em vários tons de loiro que se misturavam não como os de Blackniss, que dava a impressão de ser uma fonte escura de luz que clareia ao fim, mas como um véu onde a luz bate apenas em alguns pontos. Ele achou estranho, porém, que apenas a parte esquerda de seu rosto estivesse visível, a outra estava oculta pelo seu cabelo, que deixava a mostra apenas o lado direito da boca e do nariz. Vestia calça e blusa justa de um ombro só brancos, um cinto dourado reluzia ao sol, assim como botas da mesma cor; sua postura era impecável, segurando uma espada longa azul, que emanava um brilho próprio, parecia eterna.
Murtagh estava visivelmente chocado, demorou até recuperar a fala:
- Quem é você?
- Tire esse orgulho hipócrita da sua voz, dê meia volta e pergunte ao meu querido amigo Galbatorix. – Respondeu ela, calmamente.
- Não obedeço a ordens. – Desafiou-a.
A elfa simplesmente virou-se para Blackniss e ajudou-a a se levantar, dirigiu-se calmamente até Nyx e colocou-a sentada em seu dorso sem, contudo, passar uma perna de cada lado da sela, de modo que a garota-elfa abraçou frouxamente o pescoço de seu dragão para não escorregar, suas forças estavam acabando e ela ainda sangrava muito.
- Você ainda está ai? – Ironizou a elfa desconhecida, quando tornou a se virar.
- Vou levá-la e você virá comigo. – Disse ele, tentando manter a voz firme.
Ela riu friamente durante alguns segundos, antes de responder:
- O excesso de confiança que ele te deu, certamente causou essa falta de percepção de risco. – Abandonando a ironia, continuou friamente – Não tenho tempo a dispor a você. Poupe-me e vá embora.
Novamente virou-se e caminhou a passos largos em direção as árvores, Murtagh ergueu novamente sua mão esquerda e lançou-lhe um feitiço que Eragon desconhecia, este porém, pareceu bater em uma barreira invisível.
- Sabe qual a diferença entre você e Morzan? – Sibilou ela, ainda sem se virar – Ele sabia a hora de parar.
A elfa virou-se, desembainhou a espada e golpeou com extrema rapidez, que Eragon mal registrara o que havia acontecido. Thorn rugiu e saltou para cima dela, mas seu dragão branco, incrivelmente maior, enrolou a calda no pescoço dele e o derrubou com tamanha força que o chão pareceu tremer.
Não. Disse uma voz calma e consciente na mente de Eragon.
É uma fêmea, Saphira! Comentou ele, somente para ela, esta não respondeu.
Murtagh se levantou ligeiramente aturdido, a força do golpe o mandara a quatro metros de distância, a malha de metal que usava foi cortada no peito e ele parecia ter dificuldade de respirar. Ergueu novamente a mão, mas dessa vez para curar o ferimento que sangrava, o fluxo de sangue pareceu diminuir, mas a ferida continuava aberta.
- É um lembrete para você aprender a ter modos com superiores, e para lembrar Galbatorix de que ele falhou.
Murtagh olhou para Thorn, que tentava inutilmente se desvencilhar do aperto do enorme dragão branco, as pernas do cavaleiro sangrento tremeram quando este se levantou, cambaleou uns instantes em direção ao seu dragão vermelho que parou de se debater instantaneamente, esticando a cauda para dar apoio a Murtagh.
- Solte-o – Ele não mandou, pediu, quase suplicou.
- Crystal o soltará e vocês devem ir embora – Respondeu a elfa, acrescentando –, afinal você não iria querer me ver furiosa, não é?
Neste momento, Blackniss soltou um murmúrio de dor, a elfa se encaminhou para ela rapidamente, Crystal soltou Thorn e a acompanhou, juntas, dragão e cavaleira se encaminharam para onde estava Eragon e os outros, seguidas de perto por Nyx, sem se importar com o cavaleiro que subia penosamente e se preparava para voar em seu dragão vermelho como o sangue que escorria por seu peito.
A elfa os alcançou em segundos, parou em frente à Islanzadí, que estava a um metro de distância de Eragon, e só então ele conseguiu visualizar seu rosto como era, ou pelo menos, parte dele. Ela olhava para a rainha com uma expressão serena, mas que não deixava de ser ameaçadora, como um predador esquadrinhando sua presa. Seu olho visível era a mistura de verde com mel e impressionantemente parecia se abrir para a imensidão, como os de Blackniss. Contudo, alguma coisa nele o diferenciava, como se a imensidão não fosse incerta, e sim, finita em algum ponto. Seu rosto parecia ter sido moldado, era belo em todas as medidas e sua pele parecia emanar uma luz perolada. Eragon se perguntou se ela brilhava no escuro, porém outra coisa o intrigava ainda mais, porque ela esconderia a face direita de seu rosto assustadoramente belo?
- Você a usou. – Acusou a elfa, na língua antiga.
- Você jamais viria. – Defendeu-se Islanzadí, olhando atentamente para ela, com uma expressão suplicante.
