A Vergonha e o Orgulho dos Elfos
Blackniss estava deitada sobre uma mesa no pavilhão de Nasuada, ao redor desta, havia sete pessoas, e as cabeças de três dragões saiam de três aberturas feitas a força no tecido vermelho. Uma elfa de cabelos dourados tonificados verticalmente examinava com atenção o feio machucado na perna de Blackniss, passado alguns minutos, ela perguntou:
- Nyx, foi Galbatorix que fez isso, não foi?
O Dragão verde assentiu.
- Fez com a espada dele, não é?
Novamente, ele assentiu. A elfa se mexeu tão rápido que sobressaltou a todos, tirou uma espada quase transparente, sua lamina emitia uma luz azul e o punho parecia ser de cristal, ela a rodou três vezes com incrível habilidade, a espada pareceu encolher e se transformar numa adaga, então, com magia ela cortou um pedaço da própria calça e olhou para seu dragão branco, que enfiou uma pata dentro do pavilhão, rasgando ainda mais o tecido que o constituía. Ela respirou fundo.
- Galbatorix possui uma espada amaldiçoada, ele a cortou com ela, talvez para poder subjugá-la caso ela tentasse se voltar contra ele. Só há uma espada que pode cancelar a maldição, a minha – Disse ela a todos, e ao notar o olhar indagador de Eragon e Nasuada, acrescentou – A espada de gelo. Mas vejam, não é só a pele ao redor do corte que parece estar morta, a carne em si perdeu a vida...
- Então o que você fará? – Perguntou Eragon, sem conseguir se conter.
- Remover a parte morta – respondeu ela – e colocar outra no lugar.
Ignorando a exclamação e as perguntas de todos, ela enfiou a adaga na perna de Blackniss, cortando a parte que estava verde e expelia um liquido amarelo, removeu a carne cortada com magia e colocou-a em um saco ao seu lado, imediatamente o sangue começou a vazar em quantidade assustadora, mas pela segunda vez, ela usou um encantamento para estancar o sangue, deixando a mostra o buraco que havia feito na perna da cavaleira, tão fundo que se podia visualizar o osso.
- Angela, você poderia me entregar o... – A elfa não precisou terminar a frase, a herbolária entregou a ela um frasco do tamanho de um copo, porém duas vezes mais fino que um.
Então, a elfa fez um fino corte na pata de seu dragão, e deixou que o sangue escorresse para dentro do frasco, até enchê-lo. Em seguida, fechou o corte que havia feito no dragão, com magia e novamente se virou para Blackniss, limpou o buraco em sua perna com o sangue, deixando o frasco pela metade. Olhou para sua própria perna, onde havia rasgado a calça, e segurando com força a adaga, cortou a própria carne, na forma e tamanho exato do corte da jovem cavaleira, e para aflição de Eragon que mal conseguia conter seus arrepios, a elfa deixou um buraco na própria perna para tampar o de Blackniss. Estancando seu próprio sangue, ela jogou dentro de seu machucado algumas gotas do sangue que sobrou no frasco e começou a murmurar um encantamento que parecia ser muito complexo, os músculos de sua perna pareceram se esticar e se emendar, o mesmo aconteceu com a pele. No momento seguinte, ela já estava ajoelhada ao lado de Blackniss, murmurando encantamentos para emendar a carne nova e finalmente, fez um curativo.
- Ela está com febre, mas vai melhorar com o tempo. – Informou a elfa.
- Então, alguém mais aqui quer saber quem é ela? – Perguntou rei Orrin para Eragon, Nasuada e Angela.
-Eu sei quem é ela – disse Ângela, surpreendendo aos outros –, é Glórianiss, a elfa mais forte de alma e espírito que conheci.
Islanzadí parecia estar pregada no chão, enquanto Arya olhava-a com a testa ligeiramente enrugada:
- Glórianiss? Mas ela não é uma dos Renegados? – Perguntou ela à mãe – E a espada de gelo não é a espada perdida de Vrael?
A rainha assentiu, mas manteve-se calada. A temperatura pareceu diminuir dez graus no pavilhão quando o silencio caiu, e foi Nasuada quem o quebrou:
- Eu não entendo, se ela é uma Renegada, por que está aqui? Não devia estar junto ao Galbatorix?
Todos os olhares caíram novamente sobre a rainha, que fechou os olhos e respondeu lentamente:
- Não sabíamos que ela estava viva, e com certeza, Galbatorix também não deve saber.
Mas por que ela deixou que todos pensassem que estava morta, quando pessoas sofriam nas mãos de Galbatorix? Perguntou Saphira, através de Eragon.
- Responda a ela, oh majestade! – Disse Glórianiss fazendo uma reverencia grosseira.
- Está bem! – Disse por fim, Islanzadí – Vou lhes contar tudo. Glórianiss foi treinada junto com Galbatorix, eram amigos até certo ponto. Quando ele voltou à beira da morte sem seu dragão ela cuidou dele até que ficasse bom. Quando Galbatorix surtou devido a recusa de dar-lhe um novo dragão, Glórianiss tentou ajudá-lo, fazer com que ele entendesse, isso era apenas o que sabíamos. Por diversas vezes, antes da guerra começar, os víamos conversando e andando juntos, mas ela jamais nos disse o assunto de suas conversas.
"Então ele roubou seu atual dragão, Shruikan, na noite anterior havíamos visto os dois juntos, então pensamos que ela o tinha ajudado, até que ficou comprovado que seu ajudante foi Morzan. Mas apesar disso, resolvemos que o melhor seria deixá-la presa, longe da guerra e de seus possíveis aliados. Mas de alguma maneira, ela escapou e por uma semana, não foi vista."
"E justamente nessa semana, Vrael travou uma grave luta com os Renegados e com Galbatorix, não sabemos em que momento sua espada foi perdida, pois ele voou para Ristvak'baen a fim de se recuperar da luta. Sabíamos que precisávamos despistar os Renegados, para que não soubessem aonde, afinal de contas, estava escondido Vrael, e também sabíamos que deveríamos colocar tropas próximas à região e foi o que fizemos. E logo eles chegaram, junto com Galbatorix, não sei em que momento notamos a presença dela, mas Glórianiss estava no meio da batalha, com a espada de Vrael em mãos... Sem pensar, sem ver que ela já estava sendo atacada pelos inimigos, nós a atacamos e assim..."
A voz da rainha foi diminuindo até sumir.
- E assim me impediram de voar atrás de Galbatorix e impedi-lo de matar o meu pai. – Completou Glórianiss, com amargura. – Foi ele quem me tirou do lugar onde vocês me prenderam. Ele acreditava em mim. Vrael acreditava em mim! – Ela gritou a ultima frase.
- Mas como vocês não viram que os Renegados também a estavam atacando? – Perguntou Eragon, inconformado – Como puderam duvidar se Vrael acreditava nela?
- Vrael era pai dela, Eragon! – Disse Islanzadí, em tom defensivo. – Que pai não protegeria sua filha? E além do mais, Galbatorix fez de tudo para que pensássemos que ela estava com ele. Quando Glórianiss entrou na batalha e eles começaram a atacá-la, pensamos que ela também os havia traído.
-
Pensaram? – perguntou Glórianiss a rainha – Com Riblack, Brom
lhes dizendo o contrário?
Islanzadí não respondeu.
- Mas se todos sabiam que a espada estava com Glórianiss, por que a história é passada para as novas gerações como o mistério da espada perdida de Vrael? – Indagou Arya.
- Porque este é o legado de todos os que participaram da Queda. – confessou Islanzadí – É a nossa vergonha, e o orgulho nos impede de confessá-la.
Glórianiss deu uma risada fria.
- Junte isto ao seu legado – Vociferou ela, afastando os cabelos que cobriam a parte direita de seu rosto. Eragon prendeu a respiração, a pele estava cheia de cicatrizes e em alguns lugares parecia ter sofrido uma grave queimadura, o pior de tudo, porém, era que no lugar de seu olho direito, havia um tampão dourado com formato de concha.
Todos ficaram pasmos, rei Orrin teve um acesso de tosse, a rainha dos elfos e Arya demorou alguns segundos para esconder suas expressões assustadas, Nasuada soltou uma exclamação, e sua criada, que havia entrado sorrateiramente, deixou cair uma tigela de louça, que se espatifou no chão. A única que não esboçou reação foi Ângela, que somente ergueu uma sobrancelha de desaprovação para as reações dos outros, como se visse pessoas assim todos os dias.
Glórianiss sorriu para eles, como se tivessem reagido da forma como ela esperava que reagissem, mas uma voz fraca limpou qualquer satisfação do seu rosto.
- Mãe? O que aconteceu com você? – Perguntou Blackniss, que estivera olhando a cena sem que notassem. A elfa deixou que os cabelos caíssem de novo em sua face direita antes de encarar a filha.
- Isso é...
-
Mas como ela pode saber que você é realmente a mãe dela? –
Intrometeu-se Orrin, exercendo seu dom de falar em horas inadequadas.
– Eu não acreditaria assim tão fácil.
- Vou mostrar a vocês.
– Fechando os olhos ela enviou imagens de sua mente para todos,
Eragon as aceitou sem questionar.
Se surpreendeu ao ver o caos em que estava a Alagaësia, arvores ardiam em chamas, fumaça era erguida do solo, elfos e cavaleiros lutavam bravamente. Um dragão branco pousava entre um grupo de combatentes e uma cavaleira saltava de suas costas com magníficas armaduras de ouro. Voe acima das nuvens para não ser vista, e tente encontrá-lo Crystal, eu ficarei bem. Disse ela, sua voz soou alta e clara, e Eragon concluiu que era porque vinha da mente da cavaleira. Tenha cuidado. Foi a resposta do dragão, com sua voz consciente e grave. A elfa desembainhou uma espada transparente que emitia uma intensa luz azul e correu para o elfo mais próximo:
Tyrsda, não posso explicar agora, mas você viu Galbatorix?
O elfo virou-se rapidamente, e seus olhos de gato voaram dela para a espada em sua mão, então, sem avisar, ele a atacou, ela desviou-se dele com grande habilidade, e antes que pudesse dizer algo para interferir no engano, cinco elfos viraram para ela, disparando magia, flechas e brandindo espadas. Ela desviava ora com escudo, ora com magia, mas nunca atacava. Eles estão querendo me matar! Gritou indignada para Crystal. Então... Mate-os! Glórianiss disparou uma magia que fez todos os elfos voarem para longe, e então, correu para dentro da floresta. Não consigo descer... os Renegados estão me atacando. Gritou seu dragão, o desespero fluindo de sua voz. Elfos perseguiam a cavaleira no solo, mas ela parecia ser mais veloz que todos, ou talvez, o desespero a deixasse assim. Com magia, criou uma barreira extensa entre ela e seus perseguidores, e começou a escalar uma arvore que aparentava ter 30 metros. Vou até você, mas tente voar acima de mim. Mas antes que ela atingisse o topo, caiu aos pés da arvore, um elfo conseguira ultrapassar a barreira e derrubá-la. Quando ela caiu, ele arrancou seu elmo e brandiu a espada contra seu rosto, ela virou, mas a parte direita foi cortada, alguns segundos depois, a elfa levantou-se rapidamente, ao mesmo tempo, o elfo disse:
- Você nos desonrou! Não merece ser uma de nós! Não merece possuir a nossa beleza.
Ela desferiu-lhe um golpe a fim de derrubá-lo e ganhar tempo, então começou a subir ainda mais rápido, o elfo, porém, não tardou a se recuperar e subir atrás dela, com um chute ela o derrubou e com magia, começou a subir no ar, Crystal a apanhou antes que ela esgotasse todas as suas forças com a subida. Seu rosto... Disse o dragão. Voe, não se preocupe, voe.
Ela pressionou o olho cortado, se preparando para curá-lo, mas antes que pudesse começar a pronunciar as palavras, um dragão negro colidiu com elas vindo de baixo.
Shruikan soltou uma chama contra o vento que subiu tão rápido, que Eragon duvidou que Glórianiss tivesse sequer pensado em se defender dela antes que a atingisse. A parte direita do seu corpo foi a mais atingida, seu cabelo chamuscou, assim como seu corte brilhou num vermelho ainda mais intenso que o sangue que outrora escorria dele, sua armadura reluziu, mas protegeu os outros membros de serem queimados. Crystal fez uma manobra e voou para longe deles, o dragão negro soltou outra chama, mas essa foi repelida a tempo. O vento impediu que seus cabelos pegassem fogo. Cure-se! Urrou o dragão. Não! Preciso nos proteger agora... Estamos perdendo altitude...? Crystal!... Berrou ela, mentalmente. As imagens seguintes apareceram com lapsos e cortes, como se a própria Glórianiss não se lembrasse do que havia acontecido. Despistamos. Disse a voz exausta de Crystal. Pouse na planície, Ângela deve estar por lá. Respondeu a sua cavaleira, com a voz fraca.
Quando, uma elfa correu para ela, assim como um cavaleiro e uma mulher de cabelos negros.
- Glórianiss, o que aconteceu? Estão todos dizendo que você nos traiu... – Disse o cavaleiro, tirando seu elmo e revelando-se um humano de cabelos louros e cacheados e olhos cor de mel.
- Não! Jamais... vocês entenderam tudo errado...
- Venha aqui, deixe que eu cuido de você... – Começou Ângela, mas foi interrompida pela elfa que corria com eles.
- Traidora! Eu a amaldiçoou! – O cavaleiro tentou arrastá-la dali, mas a maldição atingiu a cavaleira na face direita, ela caiu de joelhos, enquanto Ângela ajudava-a a ficar em pé e o cavaleiro arrastava a elfa para longe. Glórianiss se desvencilhou de Ângela e correu para Crystal, curando todos os seus ferimentos, Eragon podia ver suas mãos tremerem e perderem a cor. Quando terminou, suas forças enfim se esgotaram.
--------------------------------------------------------------------------------
Eiii povo!
Quanto tempo!
Feliz ano novo pra toda a galera!
Tudo de bom, e de melhor pra vocês!
Me explicando:
Ontem eu voltei da praia e vim pra minha casa. Só pra buscar coisas que faltam pro AP, mas acabei me empolgando e resolvi ficar mais um dia, me permitindo postar esse capítulo. Hoje de tarde eu volto pra lá e pra minha vida praticamente sem net – eu amo meu vizinho, ele me deixa usar a net dele. Uma vez na semana ¬¬. Então palmas pro vizinho!
Agora sim, só em fevereiro!
Aliás, esse é o penúltimo capítulo! :(
--------------------------------------------
Paat e zihsendin, muito obrigada pelas reviews!
