Sacred Jellicle Heart
Capitulo 3
Ainda restava um resquício de noite, mas a luz já estava por roubar o céu. A doce rainha dourada não podia deixar aquela história pela metade. Se foi por sua culpa que Redrea havia sido expulsa, por sua culpa ela iria retornar. Weestrong e Castally a ajudavam em sua busca abstrata. Realmente, grandes amigos. De súbito, Demeter saltou do chão com um pequenino objeto metálico: O pingente de Ellyleck.
"Encontrei!" Ela chamou a atenção de seus parceiros "É perfeito! O ladrão abandonou o pingente de Ellyleck aqui. Não foi a Redrea! Me sinto confortável para chama-la de volta agora!"
"Dem.." Wee estava apreensivo "Mas... A Maysta! Ela não vai gostar nada disso!"
"Calminha, Weestrong!" Castty riu "Por que temer Maysta se Dem é a rainha?"
"Tem razão... Eu acho." Ele suspirou e sorriu "Castally e Demeter... As duas 'ladies' precisam comer e... Eu também! Acho que ainda deve ter comida no refeitório, vamos lá?"
"Não tenho fome..." A Jellicle coçou a orelha "Vão vocês... Estou com um pouco de sono. Vou dormir o resto da manhã."
"Certo... Vamos, Wee!"
Os dois correram para fora. Deme observou o quanto Macavity era esperto: Nas portas haviam cordas para que se pudesse abri-las. Era sofisticado e brilhante! Ao se virar em direção de sua cama, avistou Maysta encostada sobre uma cadeira, rindo baixo.
"Olá, majestade..." A princesinha falou sádica "Bom vê-la... Sozinha!
"Maysta!" Ela circundou-a, com medo de ser atacada "Dobre a língua! A rainha sou eu!"
"Aproveitando a minha vida? Tem tudo que eu sempre quis! E ainda não é feliz?"
"Como posso ser feliz? Seu mestre é um louco e você expulsou uma grande amiga minha! Era isso que você queria? Ser sozinha onde quer que vá, mesmo rodeada de felinos?"
"Abusada..." A princesa vermelha e preta se acalmou e sorriu "Hora de mudar as regras do jogo. Preste atenção, é importante que ouça agora. Não sou uma gatinha boazinha como vocês Jellicles, sou perigosa... E mais! Vai me obedecer se não... Pode dar um tchauzinho para a doce e pequena Castally!"
"Não ousaria!"
"Quer ver se não? Se não quiser ver a gatinha em pedaços, melhor obedecer as minhas ordens. Você pode até ser a rainha, mas eu sou uma deusa!"
"Quais são as suas ordens?"
"Por hora, são as seguintes: Concorde comigo em qualquer situação e... abdique os Jellicles diante do mestre."
"O que? Por que essa ultima?"
"Vai descobrir logo, fofinha. Bem antes do que imagina." May riu malignamente e se aproximou. Demeter não demonstrava medo, mas por dentro estava repleta dele.
"Maysta... O que você e essa imunda estão fazendo aí?" Macavity surgiu, como que do nada, sorrindo e encostado junto a porta "Não estão no refeitórios, tem bastante comida hoje."
"Mestre..." May fez uma reverencia idolátrica "Estávamos apenas conversando, não estou com fome... Obrigada por se preocupar!"
"Meu mestre..." Demeter se aproximou, sorrindo "Fico muito feliz em lhe dizer que abdico os Jellicles!"
Ele não respondeu, apenas se limitou a um discreto sorriso. Um sorriso verdadeiro. Seu olhar estava brilhando e tamanha alegria chegou a faze-la se lembrar de antigamente. Depois que foi morar com os Jellicles, nunca mais viu seu sorriso verdadeiro ou aquele brilho em seu olhar. A pobre felina não conseguia parar de olha-lo, porém, fraquejou e tombou sobre seus braços.
"Está vendo, sua criaturinha teimosa?" Ele a abraçou, ajudando-a a ficar de pé "Precisa comer alguma coisa!"
"Está bem..." A pobre Jellicle se apoiou nele, tudo estava de volta de onde tinham parado "Eu acho que não quero mais ir embora."
Droga. Que grande porcaria. O plano perfeito estava falhando diante dos olhos de sua arquiteta, e ela mal tinha começado a coloca-lo em prática! Eles se amavam, isso era incontestável. O terceiro dia da imunda Jellicle e seu mundo já estava de pernas para o ar. Precisa pensar em outra coisa, e rápido!
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Tantomile e Coricopat passaram a noite andando em círculos. O felino já havia revelado sua presença a muito tempo, mas a irmã precisava esperar os Parbles retornarem. Eles iam para o lar acompanhando a lua. Diferentemente de Tantomile, seu irmão estava exausto!
"Por favor... Me diz que chegamos!" Ele respirava ofegante "Não vou agüentar, Tanto!"
"Estamos bem perto!" Ela riu "Mamãe vai ficar orgulhosa de vê-lo, Corico... Nunca pode conhece-la, não é?"
"Não."
"Ela vai adorar te ver! Deveria ter vivido conosco." A gatinha rodeou o irmão com a calda "Papai foi um tanto egoísta separando nossa família feliz."
"Não sei... Ele queria nos ter por perto, Mile..." Ele suspirou "Se você o tivesse conhecido..."
"Sei que ele foi um grande pai..." A pobre gatinha parou e respirou fundo "Queria ter conhecido ele melhor..."
O irmão a abraçou com muito amor. Ele sentia saudade de seu pai. Desde que ele morreu, a única família que conheceu foi Tantomile, tudo bem que sua mãe e irmãos estavam vivos mas... Nunca teve chance de conhece-los.
Tanto subiu numa cerca, caindo sobre a vasta floresta por trás da mesma. Seu irmão, receoso, a seguiu e o que avistou era simplesmente incrível! Gatos, vários gatos, todos diferentes sobre a doce luz do sol saltitando com alegria. Estavam retornando da jornada noturna, estavam voltando para a casa aconchegante que sempre conheceram. Unidos como sequer os Jellicles conseguiam ser.
"Lindo, não?" A irmã sorriu e o abraçou "São os Parbles... Meu segundo lar..."
"I-Incrível... Totalmente incrível!" Corico esfregava os olhos... Era o sono ou os Parbles eram simplesmente maravilhosos? Até sua irmã parecia mais bonita ali. "Brilho... Luz... Beleza... Mas... Como é possível?"
"É mágico. Tudo aqui é. Esse brilho todo é a união de um local mágico com felinos mágicos"
"Como assim?"
"Estão em casa... Onde tudo está em sintonia com eles. Logo vai saber a sensação."
Dito e feito. Sentiu uma luz atravessar seu corpinho como a irmã disse e logo tudo parecia perfeito. O sol mal tinha acabado de raiar e já passava uma linda sensação de alegria pura e simples. Felicidade tamanha que ele até cambaleou, se apoiando na irmã com o maior dos sorrisos.
"Coricopat..." Ele foi tirado do transe pela irmã "Quero que conheça alguém... A nossa mãe!"
Com sorriso, ela puxou uma gata ainda nova idêntica a Tantomile em questão de cores, era linda e esguia, com classe tal que era impossível de se descrever. Se aproximava sorridente, sem tirar os olhos do filho.
"Ele era um Jellicle..." Ela começou, abraçando o filho rapidamente "Eu sempre fui uma Parble, mas nos amávamos. Decidimos que ele viria para cá assim que nossos herdeiros nascessem. Desistiu antes disso e... A família levou todos os filhotes para longe mim. Todos menos uma: Minha Tantomile."
"Papai te amava, mãe... Ele fugiu por causa da guerra... Quis nos levar para um lugar seguro." O filho abraçava a mãe constantemente, talvez para não perde-la "Ele ia voltar quando... Bem..."
"Eu sei..." Ela o soltou "Esqueça isso... Vá passear! Vá!"
O pobre gato se afastou. Tinha medo de magoar sua família, mas só contou a mais pura verdade. Pobre, pobre gatinho... Sempre tão solitário... Sempre tão atencioso... Era a primeira vez que se sentia em casa e já estava completamente sozinho. Solitário, porém feliz como nunca tinha estado antes.
Suspirou e jogou o olhar para frente alcançando uma visão celestial. Era uma gata esguia, como qualquer outra por ali, com nobreza nos gestos e pelo amarelado com poucas listrinhas alaranjadas espalhadas pelo corpo inteiro. Olhava para todos ao redor com um sorriso pré-programado, se aproximou do novato sem pensar duas vezes.
"Você é um dos filhos de Maddietanny?" Ela sorriu "Sou Melina... E você é?"
"C-Coricopat..." A voz mal saia "Quem é Maddietanny?"
"Mãe de Tantomile." Mel sorriu "A chamo de Maddie... Ela me chama de Melina, nada mais justo."
"Seu nome não é Melina?"
"Maillynayeh." Ela riu e acariciou seu rosto "Eu já vou... Foi bom te conhecer! Nos vemos depois, certo? Para uma volta!"
"Claro... Até!"
Foi como se o tempo parasse. Era instinto? Talvez. A gatinha parecia ser jovem e estar pronta para ser mãe pela primeira vez. Logo, ele percebeu algo atrás de si: Tantomile.
"Conheceu Melina, não foi?" Ela riu com gracejo "A linda princesinha Parble. Não se engane, criança bonitinha é só disfarce. Ela pode ser muito cruel e não é tão jovem, tem nossa idade e já deu a luz a uma linda ninhada de filhotinhos, é viúva atualmente."
"Como?"
"Casou-se nova. Mas o maridinho morreu numa noite qualquer. Ficou arrasada... Amava aquele gato. Não sei se poderia se apaixonar de novo... E ainda mais por você."
Ele riu. Deveria ser verdade, mas Tantomile sempre exagerava a verdade para afasta-lo das felinas. Chegava a ser hilário, mas era muito mais ridículo. Sentiu outra gata chegar perto dos dois, com olhar de censura.
"Tantomile! Não minta!" A mãe balançava a cabeça "Ela é uma princesa jovem, meu filho. Nunca foi casada e nunca foi mãe."
"Mas ela não é boa gente." Pela primeira vez, Mile parecia falar sério "Não quero você perto dela."
"Mile... Está sendo precipitada!"
"Não estou, meu irmão! Fique longe dela!"
Assim a doce gata se afastou, abandonando o irmão próximo da progenitora. Não estava confuso. Mesmo que irmã ordenasse, ele estava determinado a conquistar Melina.
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O Junkyard continuava silenciosamente alvoroçado. Alguns corriam e cochichavam, preservando o doce silencio de um treinamento recém iniciado. Os movimentos leves de Sabrina exalaram um leve som que foi captado pelas orelhas de uma traidora traída. Redrea se aproximava do Junkyard, aparentemente calma mas com o intimo em tempestade.
"Bem-vinda..." Uma voz masculina vinda do nada a cumprimentou. Seria assustador se não fosse irritante "O que quer no lar Jellicle?"
"Não sei quem é e nem quero saber!" Ela rosnou, exibindo sua agitação interna "Apareça já ou farei tudo por aqui virar sucata!"
"Já é sucata, gracinha! É um depósito de lixo!" Um gato riu e surgiu como mágica "Sou o mágico Mr. Mistoffelees e é um prazer conhece-la!"
"Que ótimo... Não posso dizer o mesmo!" Ela perdeu a paciência por completo "São os Jellicles. Preciso falar com os Jellicles!"
"Ora, pois entre! As portas estão sempre abertas!"
Ela adentrou sem pedir permissão. Qualquer gato ficaria constrangido em seu lugar, mas ela não. Estava irritada e se dirigiu a quem ela julgava ser o líder: Tugger.
"O que uma Burbocle faz aqui?" Sabrina interrompeu a conversa de Spyn com Glaciara para fazer uma tola pergunta "É proibido, não é?"
"Uma Burbocle? Como sabe?"
"Ora, Spyn..." ela riu "Eu só sei. Você sabe muito bem como eu sou, ou já se esqueceu?"
"Como esquecer?"
"Esquecer o que?" Glacie pulou entre o casal, impedindo que seu ciúme escapasse pelo olhar "Algo que 'eu' possa saber?"
Não houve resposta, apenas olhares de censura. Ela sabia no que estava se metendo outra vez. Um amor puro e simples que ela própria fez questão de quebrar, mas que o destino unia novamente. Olhou ao redor. Toda a situação havia desencadeado muito amor e confissões diversas. Envergonhada, Glaciara se afastou, mantendo a atenção em Mystiara e Munkustrap, conversavam tão alegremente que não perceberam sua presença.
"Ah... Mystie... Eu não sei o que dizer primeiro..." Ele falou, um pouco confuso "O que eu deveria dizer sobre a Sabrina?"
"Se comporta diferente ao lado dela..." Ela o olhou, severa "Por que?"
"Bem... Não sei dizer. Eu acho que..."
"E Demeter?" Mystiara tocou num ponto delicado "Vai esquece-la? E quando enjoar de Sabrina vai esquece-la também? Isso tudo tá errado, Munku! Como pode abandonar a única gata que aceitou dar a vida por você? Ela pode não estar morta, mas morar com Macavity não é bem parecido?"
"Ela já morou lá. Ela sabe se virar!"
"Sabe, é? Então por que ela não está aqui? Acha que é bom dividir o espaço com Maysta e Ellyleck? São doidas! Todos são. Dentro em pouco acharemos pedaços de Demeter espalhados pelas calçadas! Você destruiu a imagem que eu tinha de você!"
"Está exagerando!"
"Acha mesmo? Não os conhece! Eu os conheço, sei o que vão fazer! Podem mata-la a qualquer segundo!" A felina respirou fundo e deixou uma lágrima escorregar de seu olho "Quando o Grande Jellicle Líder chegar vou pedir para que Tugger seja o novo futuro Jellicle Líder. Você só pensa em si mesmo. Iria destruir os Jellicles desse jeito."
O clima terrível da discussão se espalhou pelo Junkyard. Talvez ela tivesse exagerado um pouco, os únicos a ignorar a briga eram Tug e a recém-chegada. Vencida e envergonhada, Mystie se derreteu em prantos e correu para fora do lugar. Aos poucos todos voltaram a se concentrar no que faziam.
"Ela..." Munky estava cabisbaixo. Se sentia um idiota "Tinha razão, não tinha Glaciara?"
"Uhum." A gata tinha se mantido em silencio até então "Mas... Sempre há tempo para consertar as coisas. Talvez você não ame Demeter, mas ela é uma ótima gata e você deve ajuda-la! Ela deu a si própria pela sua vida. Isso significa muita coisa, mesmo para apenas bons amigos."
"Não sei se amo Demeter ou Sabrina... O que devo fazer quanto a isso?"
"Escolha rápido antes que o destino escolha por você ou você fique sem as duas."
Palavras terríveis que penetraram o coração de Munkustrap como flechas devastando seu intimo por completo. Sim. Ela tinha toda razão. Nunca teve tanto medo do destino como quando ouviu aquela frase fria e verdadeira escapando pelos doces lábios de uma gata tão sincera e tão quieta.
"Atenção!" Jennyanydots gritou tão repentinamente que vários gatos gemeram de susto "Temos mensagens de nosso Jellicle Líder, Old Deuteronomy!"
"Ela está a caminho." Jellylorum sorriu "Mas resolveu comer alguma coisa antes de continuar, deve chegar muito em breve!"
As duas riram e se abraçaram. Eram grandes amigas e sempre risonhas em qualquer situação. Após o anuncio, Tugger guiou Redrea até o centro do Junkyard delicadamente.
"Nossa amiga aqui, gente..." Ele começou, sempre com seu estilo próprio e único que o tornava tão irresistível "Essa coisinha linda era uma Burbocle mas 'eu' a considero inocente de todos os seus pecados..."
"Não ouse, Tugger!" Redrea gritou ao que ele foi se aconchegando nela "Continue..."
"Então... Ela..." O gato sempre agitado adquiriu, pela primeira vez, uma expressão realmente séria e entristecida "Tem uma coisa para falar sobre Demeter..."
"Ela..." A gata branca listrada estava um pouco nervosa, mas continuou "Ela... Ela traiu vocês. Detesto dizer isso, mas ela me traiu também. A conheci a pouco tempo mas pensei que pudesse confiar nela... Na primeira oportunidade ela me culpou por tentar matar uma gata. Como confiar em uma amiga que só te usa e te abandona? Acho que tudo isso foi armação dela." Ela tombou sobre os joelhos, chorosa "Ela não está do lado de vocês... Não está do lado de ninguém..."
Não se ouviu mais som nenhum. Victoria e Sillabub, duas amigas corajosas, se levantaram ajudando Redrea a fazer o mesmo. A levaram para um cantinho pacifico onde a pobre e traída gatinha poderia descançar. Logo, os Jellicles começaram seus fuxicos, preservando boa parte do silencio.
"Não pode ser verdade..." Bombalurina protestou "Não a Deme... eu a conheço!"
"Eu sei Bal..." Cassandra concordou "Não faz o estilo dela! Se a gatinha ali estiver falando a verdade Demeter é uma super-manipuladora!"
"Podemos não ter crescido juntas, Cassie... Mas eu conheço minha irmã!"
Balurina olhava, desconfiada, para Redrea. Poderia uma desconhecida saber tanto de sua irmã a ponto de chama-la de traidora? Não é possível... Tinha alguma coisa errada... Ah, tinha!
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Weestrong e Castally já tinham passado horas a procura de Demeter. Terminaram de comer, voltaram e... Onde ele estava? Sequer podiam imaginar o que aconteceu assim que saíram. Em sua busca interminável, resolveram olhar na Sala de Chá, por certo Macavity a teria convidado para um chá irrecusável! Mas, o que viram foi surpreendente: Demeter e Macavity rindo, se divertindo... E ela parecia realmente feliz!
"Demeter!" Castally gritou, por impulso, ao ver a cena "O que houve?"
"Não ouve nada!" Seu sorriso era radiante... Parecia apaixonada "Vamos indo... Te vejo mais tarde, mestre!"
Se afastaram da sala lentamente. Demeter irradiando alegria, Weestrong apreensivo e Castally simplesmente pasma.
"Você o ama." Wee começou, não parecia nada feliz "Não pode ama-lo, dem! Falo para seu bem!"
"É verdade... O amor é cego, Dem!" Castally passou a ficar parcialmente preocupada "Inclusive o amor de gato! Ele é louco! O mesmo louco de antes!"
"O amor?" Deme riu, com gracejo "Ou o mestre?"
"Macavity, claro!" A gatinha impaciente gritou, empurrando Demeter para uma salinha vazia e entrando em seguida "Deme... Mesmo que ele esteja mudado... Ainda tem Maysta! É muito arriscado... Bem... 'Gostar' disso tudo!"
"O que quer dizer, Castally?"
"Ele está fazendo de novo, Dem!" Wee se aproximou "Ninguém muda assim tão rápido. Ele está enfeitiçando você! E, além disso, Maysta está furiosa!"
"Não tenho medo de Maysta!" Demeter se exaltou, fechando a porta "Minha vida está voltando ao rumo natural... Weestrong... Você sabe que ele não era assim. Acho que ele está voltando a ser como ele era. Estou feliz assim."
"Melhor explicar para a Castally, Dem..."
"Eu me lembro muito de outubro... É meu mês favorito. Foi num outubro que minha vida simplesmente mudou completamente.
Eu nasci Burbocle, não entendia muito sobre tribos na época... Mas entendia que minha família era impura e deveria morrer. 'Azar o deles... Por que me abandonaram?' eu pensava. Minha vida era bem vazia... Estava sempre assustada e me escondendo. Só tive um amigo: Macavity.
Éramos melhores amigos. Como irmãos! Ou pelo menos, ele era como um irmão pra mim. Foi quando me apaixonei... Contei para ele, sem revelar quem era. Mas era um gatinho teimoso... Bobo... Gentil... E com a melhor memória do mundo! Chamado... Weestrong!" Ela riu "Macavity imaginou que era ele... Ficou tão triste quando eu anunciei que estava apaixonada por Weestrong. Mas, isso não durou. O tempo passou e meu melhor amigo conseguiu usar de seu charme para me conquistar. Foi quando Bal me tirou de lá e ele enlouqueceu para me ter de volta. Eu tinha medo dele! Agora... Não tenho mais. Ele está voltando ao normal. E um ótimo líder aqui em Rosabela!"
A dupla ficou quieta diante da história. Não chegava a ser uma história exatamente infeliz quando é mal explicada daquela forma, mas certas dores apenas fingem cicatrizar e se escondem.
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A tarde já caía trazendo um inicio de noite consigo. Coricopat teve um dia bastante chato depois da discussão com Tantomile. Passaram o dia brigados... Isso era terrível. Mesmo assim, ele insistiu e quis encontrar Melina assim que a irmã adormeceu. Por isso estava ali: Escondido esperando a princesinha chegar.
"Coricopat..." Ouviu uma voz feminina o chamando. Seguiu-a lentamente "Por aqui, Coricopat!"
"Maillynayeh!" Ele gritou, seguindo-a "Espere!"
"Corico... Me chame de Melina!" a gatinha riu o puxando para ser esconderijo "Por que estamos escondidos?"
"Minha irmã ela..."
"Reprova."
"Isso... Exatamente..." Ele falou, sem graça "Pode me dizer o porque dela te odiar assim?"
"Só quer que você não seja infeliz, Corico..."
"Como posso ser infeliz ao seu lado? Pode ser cedo... Mas amor em felinos é assim mesmo não é? Instintivo..."
"Corico... Sou uma princesa! Não posso ter contato com nenhum gato. Sequer vou poder conhecer meus filhotes..."
"O que? Mas..."
"Sou uma princesa! Devo ter filhotes e escolher um casal para assumir o trono. Depois disso, nunca mais saio do meu cantinho. É a tradição. Não podemos ser vistos juntos! Vá embora... Não quero te fazer sofrer..."
"Como é? Isso é sério?"
Sem responder, a doce princesinha se sentou solitária. Iria mentir... Por que não conseguiu? Provavelmente ele iria odiar os Parbles por isso... Não era para ser assim. Não era mesmo.
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O dia estava no fim. Old Deuteronomy foi atacado por pollicles, mas já estava bem. Ele estava ali, mas mesmo com sua excelsa presença, as coisas continuavam emboladas. As discussões não levavam a lugar algum e mesmo que amasse seu pai, Munkustrap não conseguia suportar o como ele era bondoso! Isso não estava ajudando!
"Sabrina..." Ele se escondeu de todos os olhares "Assim não dá! Meu pai não está agindo!"
"Munkustrap..." A gata laranja se aproximou, um pouco apreensiva "O que pretende fazer? Por favor, não seja precipitado!"
"Não estou sendo, Sabrina! Estou sendo sensato!" Munku parecia nervoso, amassando o pelo da calda "Mystie tinha razão... Glacie tinha razão... Estou esperando demais! Ela não pensou tanto antes de dar sua vida por mim..."
"Escute... Eu gosto mesmo de você e não deixarei que saia daqui e se mate...'
"Sabrina... Eu..."
"... sem mim." Ela sorriu, era sempre tão doce "Que bom que resolveu agir, mas se quer se matar... Morremos juntos!"
"Certo... O que planeja fazer?"
Sabrina o puxou para um cantinho escuro e escondido do Junkyard. Adorava a sensação de estar fazendo algo errado. Infelizmente, não era muito boa nisso.
Dois gatinhos, porém, simplesmente não ligavam para o que Munkus estaria fazendo: Glaciara e Spyn. O silêncio entre os dois era terrivelmente desconfortável...
"Spyn... Escuta eu..." Glacie hesitou antes de começar a falar "Eu sinto muito... Eu sei que te ofendi hoje de manhã... Desculpe..."
"Glacie..." Ele sorriu "Não me ofendeu... Eu sei que não gosta da Sabrina. E ela está ocupada com Munkustrap... Jamais pensamos em... Oh... Por Heavyside!"
"Spyn, eu sei! Mas... Não resisti... Ela é sempre tão... estranha perto de você!"
"Está imaginando coisas!"
"Acha mesmo? Não estou muito certa se..."
"Pare de ser insegura!" Ele a abraçou "Acho sim que está imaginando coisas!"
Os dois sorriram um para o outro. Que momento doce entre irmãos... Momento tão lindo como nunca se viu... E interrompido da forma mais boba. Mystiara saltou entre o casal, preocupada.
"Spyn! Glacie! É horrível!" Mys gritou repentinamente "Munkustrap vai resgatar Demeter com Sabrina sem com que o restante saiba!"
"Está sempre tão preocupada com ele..." Spyn desabafou "Por que?"
"Eu não sei..." Ela riu e se afastou, provocando risinhos em Glacie.
"Por que... Por que todas gostam dele, Ciara?"
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Demeter estava enrolada num cantinho na salinha conhecida como Sala Privada. Macavity estava, como sempre, cuidando de seus 'assuntos' na Sala de Chá. Tudo parecia triste naquela noite. Pensou um pouco no que lhe aconteceu. Em tudo! Sem ocultar as piores partes... Era realmente triste de se imaginar que estava enganando-o uma vez mais. Um dia iria embora... É sua natureza.
Com um sorriso triste reconheceu o cheiro prazeroso de canela... Weestrong descansava junto a porta, ela não precisava olhar para saber que ele a estava vigiando.
"Weestrong..." A pobre gatinha dourada se encolheu " 'Dias melhores virão...' Sempre me zangava quando você dizia isso... Derrepente, veio... E foi... Mas voltou. E então eu percebo que os dias melhores nunca chegaram..."
"Mas eles virão, Dem..." Ele a abraçou "Mesmo que sejam breves como os meus... Eles chegaram assim que te vi por aqui. E já vão embora... Foi tão bom te rever e é tão bom ficar com você, minha amiga."
" 'Breves'..."
"Dem... Sabe... O amor é sempre como acender uma chama numa nevasca. É quente e é a melhor coisa que existe... E então, o vento a apaga! Você sobrevive apenas para sentir aquela sensação de novo e de novo."
"W-Weestrong..."
"É assim... Dem... Você tem que saber aproveitar em sua vida os verdadeiros e breves momentos bons ao invés de se contentar com o pequeno calor constante de um cobertor..."
As lagrimas escorreram pela face da Jellicle como nunca tinha escorrido antes. Se abraçaram como irmãos e um delicado sorriso foi esboçado por parte de ambos. Castally permaneceu muda na porta.
"Já sei o que vou fazer..." Deme falou, chorosa, se levantando "Deveria ter feito isso antes... Essa é a minha segunda chance."
Ela se levantou... As lagrimas molhavam sua face cada vez mais. Correu sem hesitar para a sala do outro lado do corredor. Lá estava ela: A Sala de chá. Com seu desagradável cheiro de leite azedo. Abriu a porta puxando a fina corda presa a maçaneta.
"Macavity!" Gritou subitamente " Eu vou embora!"
"Como?" O gato vermelho listrado foi surpreendido "Precisa de um pouco de ar? Quer que eu vá com vá com você?"
"Entenda... Não posso ficar aqui..." Demeter se acalmou... Achava que seria simples se ele entendesse "Eu não sou assim. Não sou constante. Gosto de ser o que sou e se houver um vento que chame por alguém, eu irei. Não posso amar, mas amo... Lamento, Macavity..."
"O que está falando?" O grande mestre parecia abobado com tal estranha noticia "Achei que tudo tivesse voltado a ser como antes..."
"O que aconteceu antes, Macavity? Eu fui embora... Precisei... E é o que farei agora..."
"Está me abandonando?!" Ele pareceu estranhamente irado para um espaço de tempo tão curto "É isso?"
Ele a jogou no chão com violência, ela sentia um estranho aroma... Um aroma fraco, mas hipnotizador. Não tinha tempo de pensar nisso, Macavity sorria com crueldade se aproximando e trazendo um garfo. Castally saltou sobre ele, tirando a arma de suas mãos, um pouco de água tombou sobre ele de uma xícara que estava ali perto. Molhado, pareceu mais calmo.
"Eu sei o que vou fazer com as duas" ele sorriu ironicamente, agarrando as duas gatas pela cintura e jogando o olhar para a porta "Weestrong... Ajude!"
Sem responder, ele carregou Castally, sempre seguindo seu mestre. Deme estava sem palavras... foi tão estranho... Aquele cheiro... Depois a água... Parou de se importar quando sentiu-se jogada para dentro de uma grande e suja sala com Castally ao seu lado.
"Demeter... O que você fez?" Castty a questionou, amedrontada "Irritou o mestre!"
Ela continuava muito chocada. Tudo bem ser violento, mas aquela mudança repentina não era nada normal. O grande mestre as deixou, mas Wee não...
"Weestrong!" Demeter assumiu uma aparência séria "Chame ajuda! Procure os Jellicles!"
Ele apenas acenou com a cabeça antes de desaparecer na escuridão.
Notas da Autora: Este capitulo foi muito dificil de escrever. Ele resolvel que não iria sair e ainda cortei uma parte muito fofa da Tantomile e do Coricopat discutindo por causa da Mel... Uma pena... Espero que gostem!
Jellicle Kisses!
