Sacred Jellicle Heart
Capitulo 4
Já era manhã. Os primeiros raios de sol invadiam as janelas humanas e cada um dos Parbles voltavam para sua alegre casa. Coricopat não teve coragem de contar para a irmã que a desobedeceu, afinal de contas um sempre confiava e obedecia o outro. Estavam quase na aldeia Parble, escondida pelas longas árvores do parque, quando a culpa começou a sufoca-lo.
"Tantomile... A aldeia parble é muito linda..." Ele começou, timidamente, fazendo a irmã estranhar "E as gatinhas daqui também... Lindas como você!"
"Ah, Corico..." A irmã o abraçou "Está emocionado?"
"Me sinto culpado."
"Por que?"
"Por com tantas gatas maravilhosas meu coraçãozinho chama apenas um nome: Maillynayeh."
"Eu pedi... Pedi que ficasse bem longe dela!" A irmã tomou uma aparência séria "Não obedeceu, não é?"
"Sinto muito! Podia ter me falado a verdade! Sei que só quer me impedir de sofrer, mas..."
"Agora é tarde não é? Você é teimoso! Eu mandei! Como vai se sentir quando seus filhotes nascerem e você não puder estar ao lado deles? Como?"
"Muito mal..."
"E quando não puder ver sua amada esposa? Não puder chegar perto da sua família?"
"Eu..."
"Você! Pela primeira vez está pensando em você! Até então eu fazia isso! Hora de mudar! Quem sabe assim eu possa pensar um pouco mais em mim?"
"Pensar em você? Estava pensando em quem quando fugiu pra cá? Em mim?"
Sem responder e com pura raiva lhe escapando pelo olhar, Mile foi embora. Temperamental? Talvez, mas estava absolutamente certa em um aspecto: Como ele pode trair sua confiança daquela forma? O pobre irmãozinho se perguntava isso vezes e mais vezes até sentir alguém chegar por trás de si.
"Mel..." Ele balbuciou "Por que tinha que ser assim?"
"É péssimo... Te conheço a um dia e era para ser como conhecer qualquer outro gato, mas não foi... Mas não é..." A princesa chorava um pouco "Você é realmente especial para mim Coricopat..."
"Mel..."
"Mas eu não sou tão especial ou importante... Esqueça de mim... Eu não valho tudo isso..."
"Mel..."
"Lamento!"
Ela correu, abandonando-o novamente. Isso sempre acontecia... Se sentia horrível. Parecia que a cada simples palavra magoava mais sua irmã e sua doce princesinha.
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Pela janelinha quebrada da Sala de Chá o sol invadia cada cantinho, Macavity caminhava irritadamente de um canto para outro sempre vigiado pelos habilidosos olhos de Ellyleck e os obsessivos olhos de Maysta.
"Mestre... algum problema?" Ellyleck perguntou, por fim, sem interesse "Está um tanto irritado e não vi a imunda ainda hoje..."
"Aconteceu uma coisinha... Foi bem estranho." Ele suspirou e subiu numa mesinha frágil para observar a janela "Estávamos bem... aquela maldita Jellicle disse que ia embora e eu... Acho que fui mais violento que deveria..."
"Fez muito certo, mestre... Ela ia abandona-lo e ninguém tem direito de fazer isso. Maysta concorda, não é?"
"... é ..."
"Talvez tenham razão..." O grande mestre suspirou e se entregou por completo aos pensamentos "Talvez..."
Num discreto risinho, Ellyleck se retirou. May ainda gastou uns segundos observando-o, mas se distraiu ao ver Weestrong caminhando lentamente no corredor.
"Ei, você! Amiguinho daquela imunda!"
"Me chamou, princesa?" Wee estava impaciente, mas precisou fazer uma reverencia "Se puder ser rápida, por favor... Tenho muito que fazer!"
"Ora... Ao menos tem mais educação que sua doce amiguinha Jellicle..." Ela riu enrolando lentamente sua cauda "Não se preocupe! Não vou atrapalhar... Só quero uma pequena informação."
"Está bem... Se puder se apressar..."
"Onde está nossa querida Jellicle?"
"A nossa rainha, você quis dizer?" Ele falou com um sorriso levemente cínico "Lamento, mas não sei onde ela está..."
"Você é amigo dela! Responda agora!" ela ergueu as garras em ameaça "Senão..."
"Estou falando a verdade!" Mentiu, mas... Por que deveria contar a verdade?
"Humpf... Espero que sim..." May desistiu, abaixando a pata com um olhar cansado "Caso a encontre, diga-a que estou chamando para recolocar as regrinhas do nosso jogo, sim?"
"Como quiser, princesa..." Weestrong estava confuso, mas ignorou esse fato "Eu direi... Até logo..."
Sem responder, Maysta foi embora. Ainda bem! Não havia mais tempo para distrações! O gato correu para a janela e saltou como se o prédio estivesse em chamas. Precisava encontrar os Jellicles, ninguém mais conseguiria ajudar Dem. Por sorte, o lar Jellicle não estava longe dali.
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Old Deuteronomy já havia deixado o lugar, mesmo sem uma conclusão. Jennyanydots decidiu que era mais seguro para ele ficar bem longe dali, não se sabia o que Macavity seria capaz de fazer. Naquele momento o Junkyard estavam divididos em dois grupos: Os que entendem Demeter e os que não.
Redrea sentia muita pena de si mesma e não se importava nenhum pouco de mentir ás vezes. Victoria e Sillabub permaneciam o tempo todo ao seu lado. De fato, Jellylorum não estava gostando de ver sua filhinha ao lado de uma Burbocle. Todos continuavam naquele alvoroço quase silencioso.
Bombalurina estava encostada bem longe dos demais gatos. Apenas um par de olhos conseguiam encontra-la: Os de Tugger.
"Rina..." Ele se aproximou, sorridente e carinhoso "Está mais triste hoje que os outros dias... Você bem sabe que Demeter está ótima!"
"Eu sei, Tug... Acho que sei bem de mais..." Ela suspirou e o abraçou "Ela era feliz lá... Eu sou quem a está impedindo de ser feliz de novo ou... Ou será que ela já é?"
"Como ser feliz entre aqueles sanguinários?"
"Ela nasceu lá, Rum... Nasceu e aprendeu os costumes de lá. Veio pra cá e se readaptou, mas sempre seu coração estará ali..."
"Acha mesmo, Lurina? Acha que ela é feliz assim?"
Essa pergunta nunca foi respondida, pois lentamente uma estranha presença foi sendo percebida por cada Jellicle. Um gato magro, porém grande e com um cheiro familiar impregnado em seu pelo que se misturava com o leve cheiro de canela. Ele era Burbocle, isso era certo, mas não parecia tão sujo quanto qualquer outro. Jellylorum estava um pouco amedrontada e abraçou Jennyanydots, buscando proteção. Ninguém sabia ao certo a razão de tanto medo, estava muito longe de ser um gato assustador.
"Weestrong?" Redrea saltou do lugar em que estava, um pouco surpresa "Que faz aqui, Weestrong?"
"Demeter precisa de ajuda!" Ele começou, com uma expressão séria "Macavity enlouqueceu... Ela precisa de ajuda para sair de lá!"
Ninguém respondeu. Todos desviaram a atenção para conversinhas paralelas. Balurina lançou um olhar para Wee, mas não falou nada. Indignado, ele se afastou até a saída mais próxima, num cantinho do Junkyard. Antes de conseguir sair, porém, um casal de gatos emergiu das sombras.
"Q-Quem são vocês?" Wee levou um susto ao vê-los surgir "Vão me ajudar?"
"Sou Sabrina e esse é Munkustrap..."
"E sim." Munku completou "Nós vamos te ajudar!"
"Salvar Demeter é uma coisa muito importante para nós..." Ela sorriu "Uma meta que teremos que cumprir!"
Weestrong sorriu e saiu rapidamente, sendo seguido pelo casal e logo por três gatos intrusos.
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A salinha asquerosa estava começando a incomodar Demeter profundamente enquanto Castally estava encolhida e chorosa num canto da sala.
"Eu nunca..." Castty suspirou e falou "Nunca imaginei que o mestre pudesse ser tão estranho. Até você chegar, Dem, ele era muito bom. O amor enlouquece as pessoas."
"Amor..." A gata dourada riu um pouco "Amor... Macavity realmente pode amar?"
"Ele ama a cada morador daqui... Ele te ama."
"Será mesmo? Será que quem ama prende?"
"Não sei Dem..." a gatinha suspirou, mas logo uma idéia lhe ocorreu "Ei... Alguma coisa o deixa muito irritado? Loucamente irritado, quero dizer..."
"Jellicles..." Deme brincou, mas pensou por alguns segundos antes de responder "Catnip."
"Mas... Todo gato fica estranho com catnip, Dem!"
"Não o Macavity, Castally..." Dem suspirou e continuou, pausadamente "Ele fica simplesmente agressivo! Apenas eu e o Weestrong sabemos disso... É horrível! Sem falar que ele se sente muito mal ao sentir o cheiro de longe."
"Dem... Acha que não pode s..."
Um riso maníaco e sádico interrompeu a conversa. Uma curta pausa antecedeu mais e mais risadas histéricas. Demeter se encostou na cortina e quase gritou quando sua pata afundou pela parede. Lentamente abriu e cortina, ela tampava um buraco pequeno e mal feito.
"Dem... O que é isso?" Castally estava desesperada "O que é?"
"Shhh!"
Demeter colocou o olho esquerdo delicadamente no buraco e pode observar uma cena consideravelmente bizarra: Ellyleck ria muito colocando algo numa tigela de leite como se sua vida dependesse disso.
"Ah, mestre... Vai se orgulhar!" Deme pode ouvi-la gritar, cheirando o leite como que sua grande obra "Tudo vai terminar agora!"
"Dem!" a gatinha gritou, lhe tirando a atenção de Ellyleck "Dem! Olha!"
Mal a gata dourada se virou, viu Castally do lado de fora da salinha olhando-a por um buraquinho feito por suas unhas. Mas que boa idéia! A porta estava frágil graças ao avassalador incêndio de meses atrás.
"Essa foi boa, Castally!" Demeter elogiou baixo enquanto se escondia, não demorou para Ellyleck sair do lugar e dupla se pôs a segui-la.
Silenciosas e sorrateiras como se espera que qualquer gato seja, as duas seguiram a capanga até a Sala de Chá, onde Maysta aguardava sorridente. Lentamente as gatinhas se esconderam no corredor, mas podiam ver e ouvir tudo dentro da grande sala vazia. Maysta soltou um risinho leve e aproximou a boca da xícara lascada. Antes de poder encostar a língua no liquido, sentiu a porcelana cortar sua face sem dó. A princesa lançou o olhar ao redor, viu a canequinha quebrada e Demeter na porta ainda na posição de ter lançado algo.
"Você! Sua imunda! Olha o que você fez!" May limpou o sangue de seu rosto com as patas "Meu precioso rostinho de princesa! Você vai estraga-lo! Sua ciumenta maldita1" Após o ataque de histeria, a gatinha segurou a rainha pelo pescoço "Morta você vai parar de atrapalhar! Você deveria ter seguido as minhas regras!"
"Pare! Eu imploro! Eu só..."
May a jogou no chão e ficou olhando com um sorriso sadicamente louco.
"Como eu sou piedosa, não? Saia daqui!"
Ela fixou o olhar na gatinha correndo, mas logo ouviu um grito alto. Dem havia sido pega por Macavity. Ele estava no corredor observando tudo.
"Acho que estraguei tudo, não Ellyleck? Fui... Fraca..."
"Calminha, May... Isso acontece... Não foi fraqueza." Ellyleck a abraçou por trás, deixando escapar um risinho cínico.
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Demeter estava sendo levada para qualquer lugar. Não se importava com o tanto que fosse bem longe de Maysta. Ela era, definitivamente, mais louca que Macavity! Como alguém pode amar e não se importar em não ser amada? Não se importar se o amado está feliz? Não era esse tipo de amor que ela conhecia.
Distraída em seus pensamentos, apenas despertou ao que Macavity a jogou para dentro de uma gaiola, em cima de uma mesa baixa e encostada a uma janela fechada com alguns vidros quebrados.
"Aqui..." Ele sorriu e trancou a gaiola "Maysta não vai te alcançar!"
Dem tentou se concentrar num meio de abri-la, mas parecia impossível do lado de dentro. Olhou pela janela, em desistência. O que viu, porém, reascendeu suas esperanças: Weestrong entrava confiante pelos portões enferrujados acompanhado por um grande grupo de gatos sujos.
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Coricopat estava um pouco confuso aquela tarde. Ao voltar, de manhã, teve que admitir coisas que não queria admitir. E agora estava lá... Sentado comendo um pouco de atum que achou numa lata de lixo qualquer. E iria ficar assim o resto do dia se não tivesse percebido olhos carinhosos por trás de si.
"Mamãe... Estou tão perdido..."
"Querido..." Ela se sentou, abraçando seu filho carinhosamente "A vida é assim mesmo para qualquer pequena criatura do mundo! Tem que escolher!"
"As tradições... Não podem ser alteradas?"
"Jamais são, meu filho. Elas são tudo que temos e elas nos mantém vivos..." A mãe suspirou "Precisa escolher, Corico... É a única maneira! Você pode ficar com Mel, mas nunca mais vê-la ou pode não ficar com ela e vê-la todo santo dia... É a sua decisão que conta agora."
Sim... Aquelas palavras ajudaram bastante. Era sua mãe, apesar de tudo... E as mães sempre sabem o que dizer.
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O sol logo iria se pôr. Isso tornava qualquer rua tranqüila, exeto as ao redor do prédio Burbocle. Antes mesmo do sol se pôr, alguns cães de rua logo já estavam escondidos, esperando a escuridão da noite e gatinhos desavisados para "brincar". Mas isso não impedia Redrea e sua nova amiguinha Victoria de passear.
"Então, Vickie... Ser Jellicle é... Sempre emocionante assim?"
"O que?!" A gatinha branca riu "Claro que não! Ser Jellicle é buscar paz. Ser Burbocle deve ser bem mais emocionante!"
"Mais ou menos... até que é quando você tem um título de nobreza."
"E você tinha?"
"Condessa..." A gata branca e vermelha suspirou "Eu era bem feliz... Não era nem um grande titulo, mas eu era feliz."
"Sinto muito por você..."
"Demeter não sente. Me descartou na primeira oportunidade!"
"Não parece coisa que ela faria..."
"Mas ela fez."
Victoria se silenciou, prestando cuidadosa atenção a algo que acontecia no velho prédio incendiado.
"Reddie! Olha!" Ela apontou "Invasores! Entrando pela janela!"
"No prédio Burbocle..." a gata parou e ficou observando a cena, eram vários gatos, mas reconheceu apenas um: Weestrong.
"Que estranho..." Vik balbuciou ao observar uma cauda cinza com listras pretas... Ela conhecia aquelas listras... Logo, caiu em si e ficou desesperada "Essa não! É o Munkustrap!"
"Como?!"
"Munkustrap! Eu vi seu rabo! É inconfundível! Redrea, precisamos detê-lo!"
"Como pretende fazer isso? Pular pela janela e morrer?! Não vai fazer nada, Vickie!"
"M-Mas... Munkustrap..."
"Você é muito jovem pra morrer! Vamos voltar para o Junkyard!"
Redrea estava um tanto assustada. Não queria nenhum perigo perto de Victoria! Curiosamente sentia muito carinho pela jovem gatinha. Não deixaria nenhum perigo se aproximar dela.
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"Muito bem, gente... Entramos!" Weestrong sorriu satisfeito ao ver sua tropa toda dentro "Foi perfeito1 Ninguém nos viu!"
"Desculpe, mas..." Mystiara interrompeu "Eu acho que vi umas gatinhas do outro lado da rua!"
"Não importa! Vamos! Em silêncio."
Tudo para salvar Demeter, ou quase tudo. Wee queria provar que ela era mais importante que seu próprio mestre. Munkustrap queria provar para Mystie que se importava, Sabrina queria ajuda-lo, Mystie queria vigiar Munku, Glacie queria cuidar de sua amiga e Spyn queria cuidar de sua irmã. Tantos gatos para ajuda-la, mas apenas um realmente pensava nela.
"Iiiiick!" Glacie se contorceu, retirando parte do carvão sobre seu pelo e provocando risinhos em Mystiara "Essa coisa coça!"
"Pare com isso!" Wee ordenou "É o seu disfarce!"
O barulho, infelizmente, chamou a atenção de alguém. Maysta parou no corredor, impedindo a passagem do grupo.
"Quem são esses?" Ela perguntou, ainda limpando as gotinhas de sangue de seu pêlo "O mestre sabe que eles estão aqui?"
"Não seja tola, Maysta!" O gato espertamente começou a dribla-la "Eles moram aqui!"
"Mesmo?" Ela riu "Nunca os vi. Mas, eles parecem ser daqui mesmo. Continue seu caminho... E que tenha mais sorte que sua amiguinha..."
"O que aconteceu com Demeter?" Ele se desesperou, repentinamente "Ela está bem?"
"Melhor do que eu queria que estivesse... Está engaiolada na sala vinte ou vinte e um..."
"Demeter!" Weestrong ficou repentinamente horrorizado "Maysta... Não tire os olhos de Macavity! Ele não pode... Não outra vez!"
Ele correu, sabia onde deveria procurar. Não iria deixa-la sozinha... Nunca deveria ter feito isso. Nem uma vez na vida. A porta parecia longe... Sala vinte. Lá estava ela. Estava caída, diriam até que estava morta. Num desespero enorme, o gato destrancou a gaiola.
"Demeter!" Wee a abraçou, ela abriu os olhos lentamente "O que ele fez com você? Ele ousou?"
"Graças a Maysta, não." Ela sorriu e se sentou "Ela o persegue, corre atrás dele o tempo todo!"
"Que bom, Dem... Que bom..." Ele a abraçou mais forte ainda, como se fosse perde-la "Não posso ir embora. Não vou te deixar, Dem. Nunca mais!"
"Weestrong, por favor... Vai se arriscar para me salvar? Ficou louco? É a ultima coisa que eu quero!"
Demeter encostou a cabeça em seu ombro e deixou algumas lágrimas escorrerem.
"Dem..."
"Droga... Eu tinha jurado para Ghayare que ia ser forte. Que nunca deixaria alguém morrer por mim de novo."
"Ela se orgulha de você, Dem." Ele enxugou suas lágrimas "Esteja onde estiver."
Demeter parou, repentinamente. Esticou a pata até a coleira de Wee, retirando uma folha pequenina.
"Catnip..." Ela se afastou, amassando a folhinha com a pata "Weestrong... Foi você, não foi? Não sei como fez, mas sei que foi você."
"Dem... Perdão... Eu prendi catnip delicadamente em Macavity . Ele sequer percebeu. Mas quando a xícara caiu sobre ele, a erva se desprendeu, embora os efeitos continuarem por um tempo."
" P-Por que?"
"Macavity é louco Dem... Eu estava com medo. Não esperava que ele te ferisse..." O gato encostou a cabeça de Dem em seu peito "Me perdoe. Eu só não queria te perder. E quase que eu te perdi."
" Weestrong..." Ela sorriu e o abraçou ainda com mais carinho "Obrigada... Apenas... Obrigada..."
Finalmente, a gata dourada jogou o olhar para frente e avistou alguns gatos um pouco sujos a olhando. Um balançava seu rabo cinza listrado e limpinho. Seu sorriso aumentou ainda mais e ela se aproximou deste gato especificamente.
"Munkustrap!" Ela o abraçou "Você veio!"
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O sol estava partindo. Cada Parble precisava se preparar para o passeio noturno. Adoravam essa parte do dia! Iam para todos os lugares para buscar alimento e se divertir. Coricopat os observava, tão engraçados... Correndo pra lá e pra cá.
"Corico..." Mel se aproximou, esboçando um sorriso "Eu sei que é difícil... Mas nós daremos nosso jeitinho... Eu prometo."
"Mel..." Ele a olhou tristemente "No que está pensando?"
"Fugir talvez... Ir para uma casinha com aqueles animais bem grandes, sabe? Os humanos?"
"Humanos?!" Coricopat se arrepiou ao ouvir essa horrível palavra "Não gosto deles! São os tipos mais estranhos de animais! Minha última humana quase me matou."
"Não seja bobo! Humanos podem ser muito bons! São interessantes! Eu já tive um, mas ele morreu."
"Nossa!"
"Calminha, bobo!" Ela riu "Era um pouco velho, eu acho..."
Um silencio se seguiu, mas foi quebrado por um miado agudo. Era o chamado para o passeio. Sorriram um para o outro e caminharam para direções diferentes. Se afastando, embora seus corações continuassem unidos.
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Com a chegada da noite, Maysta resolveu tomar um gole de leite, que preparou sozinha. Caminhou sorridente até a sala de chá, onde não havia ninguém. Apenas pedaços de porcelana e sangue, seu precioso sangue que a maldita Jellicle derrubou. Rosnou como se a felina estivesse por ali, mas se sentou solitária, pronta para beber seu leite.
"May..." Uma voz feminina chamou "Maysta..."
"O que?" Ela se virou e sorriu "ah, olá, Ellyleck."
"Vim ver se estava tudo bem, minha amiga..."
"Estou ótima!"
"Aquela Jellicle te machucou muito..." Ellyleck se abaixou ao lado de May "Espero que esteja mesmo tudo bem."
"Estou bem, Ellyleck!" Ela realmente não estava paciente. Caminhou até um canto da sala "Estou bem..."
Maysta lançou o olhar para o chão. Um pequeno objeto cintilava. Um pingente de trevo... O pingente da sua melhor amiga.
"Maysta... Tudo bem?"
"Claro!" Ela virou depressa e caminhou até a grande amiga, um cheiro estranho "Claro..."
Mal a dupla imaginava que mais alguém ouvia a curiosa conversa. Demeter estava apoiada na parede e simplesmente queria rir daquilo. Era tão irônico.
"Acabou agora, senhorita?" Spyn perguntou, se aproximando lentamente "Weestrong acha perigoso continuar aqui!"
"Acabei, Spyn..." Ela lançou um ultimo olhar para a cena "Já acabei."
Deme se afastou da porta, indo na direção no grupo que a esperavam. Rapidamente, se colocaram em formação. Fugir com a rainha dali não seria uma tarefa nada fácil. Sabrina e Weestrong foram na frente. O prédio estava frágil em algumas partes e Macavity era simplesmente insano em trazer gatos para lá. Weestrong indicava as piores áreas e Sabrina dava um jeitinho de dribla-las. Antes que percebessem, já estavam na porta principal e sem maiores problemas.
"Vai sair, Rainha?" Um dos guardas da porta perguntou. Sem tormentos até agora, um gato grande não se tornaria um.
"Eu vou." Ela sorriu, soberana "Mestre Macavity me arranjou escolta. Não se preocupem e continuem trabalhando."
Ela riu e se virou. Realmente, tinha habilidades neste tipo de situação. Rodou os olhos, Estavam todos a sua espera, Sabrina parecia mastigar algo muito delicioso... Que estranho. Antes de continuar, um casal parou a sua frente. Mungojerrie e Rumpleteazer!
"Demeter!" A gata alaranjada pulou sobre ela "Que bom que está aqui! Todos no Junkyard estavam te procurando!"
"Rumpleteazer!" Ela se sorriu "O que faz aqui? "
"Espera aí..." Munkustrap se aproximou "Esta é uma ótima pergunta!"
"Não contem pra mamãe! Ela me proíbe de vir aqui e trabalhar para Macavity."
"Humpf... Como se adiantasse. Sei que tem trabalhado para ele."
"Munkustrap... Esquece isso!" A gatinha riu "Mungo trabalha bem e com muito orgulho."
"Se Jenny ficar sabendo disso..." Munkustrap se lamentou, e lançou um olhar para a porta, onde guardas conversavam "Oh, não..."
"Munk... Isso não é bom." Sabrina se enlaçou nele "Vão correr atrás de nós. Quando eu contar até cinco, agarra a Demeter e corre."
"Sabrina... Eu..."
"Um"
"Mas... Escuta..."
"Dois"
"Não acha que...
"Três"
"Devíamos, sabe..."
"Quatro"
"Sabrina... por..."
"Munkustrap... Se prepara!" Ela falou, segurando o braço de Weestrong "Cinco!"
O gato listrado obedeceu. Sabrina jogou Weestrong sobre os guardas e correu atrás de Munku, o trio se assustou, puxou Mungo e Rumple para fora dali. Como Sabrina avisou, os guardas iriam persegui-los.
"Tinha certeza! Seqüestraram a rainha!" Um dos guardas reclamou "Agora vamos ter que encontra-los!"
"Calminha!" Wee pensou rapidamente num plano "Eu mesmo vou acha-la! Não contem para o mestre! Não há motivos para estressa-lo!"
Realmente, Macavity tinha um critério estranho para escolher os guardas... acreditavam em qualquer besteira!
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Munkustrap correu bastante com Demeter pendurada pelo braço e Sabrina correndo ao seu lado. Repentinamente, uma pausa. Estavam sozinhos. Sabrina os puxou para um depósito vazio. Mal adentraram, a gata laranja tombou no chão. Não estava bem a tempos!
"Sabrina!" Munku se jogou no chão ao seu lado "Está bem?"
"M-Munk... Não estou m-muito b-bem..."
"Munkustrap..." Deme se abaixou "Sua amiga está mal..." ela imitou o que Jenny costuma fazer nos doentes "Está com febre... E está trêmula..."
"Deme, por favor... Nem sabe o que está fazendo!"
"Mas é verdade o que eu disse!" Ela não estava feliz "Pegue algo para comer lá fora... Vou tentar fazer alguma coisa."
O gato listrado se afastou, ia sair quando sentiu uma sensação horrível. Parou na porta, pensativo.
"Vai!"
"Caso aconteça alguma coisa, promete que me chama?"
Desistiu de vigiar a felina caída e foi embora, sempre olhando para trás. A sensação não passava.
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Maysta se pegou rondando o prédio novamente. Não podia suportar as dúvidas... O leite... O pingente... Nada fazia o menor sentido! E o cheiro? Aquele cheiro... Era como se sentisse ele naquele momento. Espere! Era ele mesmo! Vindo de uma pequenina caixa de sapatos velha... A curiosidade era tão grande! Abriu lentamente e quase gritou ao ver seu conteúdo: Veneno!
"Maysta..."
Ela encostou na parede, amedrontada. Olhou para o chão e recolheu um estranho objeto: A coleira de Ellyleck!
"Maysta... Está aí?"
"Estou aqui!"
"Ah... Aqui está!" Ellyleck entrou, sorridente "Viu minha coleira?"
"Esta aqui? De onde veio esse veneno?"
"Pedido do mestre." Ela parecia bem calma "Algum amiguinho da imunda roubou minha coleira e Redrea levou o meu trevo! Tudo tem sido tão estressante esses dias!"
Algo estava realmente errado! Ellyleck desafiava sua inteligência com essas histórias tolas! Se Macavity imaginava que podia planejar algo sem seu toque pessoal estava muito enganado!
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"Skimble! Skimble!" Jenny corria por toda parte buscando seu marido "Skimble! Skimble, meu bem!"
"Jenny!" Um braço a segurou, era Jellylorum "Calma! Sem desespero! Skimble estava logo ali!"
"Obrigada! Skimble!"
Jelly sorriu... Jenny sempre estava atrás dele, pelo mais remoto problema. Tinha certeza que não era nada realmente sério.
"Skimble! Por Heavyside!" Ela o avistou e se apressou "Onde eles estão?"
"Jenny! Qual é o problema?" Ele não gostava de vê-la desesperada "Eles quem?"
"Mungojerrie e Rumpleteazer, é claro! Eles sumiram!"
"Não se preocupe! Mungo sabe cuidar de si e vai cuidar da Rumple!"
"Está louco? Deixar nossa gatinha com aquele gato?"
"Jen... Já pensou que ele pode fazer parte da ninhada roubada?" Skimble a abraçou e sorriu "Se é ou não irmão dela, sei que vai cuidar dela muito bem!"
"Coricopat e Tantomile sumiram também!"
"Calma! Eles já são adultos e podem se cuidar!"
"Awn... Sei que tem razão, mas..."
"Mas nada! Fique calma!"
Ela se calou e olhou para o luar, sabia que algo iria acontecer com sua filhinha... Tinha certeza!
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Munkustrap recolhia algumas frutas do chão. Estava muito cansado, mas preferia distrair a mente por ali invés de esperar a recuperação de Sabrina.
"Munkustrap!" Era voz dela, talvez a febre esteja piorando "Munkustrap!"
Era só ignorar...
"Munkustrap!!!"
Isto estava ficando desesperador!
"Sabrina!"
Ele correu para o depósito, largando tudo para trás. Ao que ele entrou, viu exatamente o que não queria ver: Dem chorando e Sabrina caída. Ele se aproximou e tocou-lhe o rosto. Por sorte, ele não estava morta ainda. Ela usou de toda a força que lhe restava para se levantar e encostar seu focinho no dele.
"M-Munk-kus-stra-p-p..." Ela gaguejou e sorriu, lhe abraçando ternamente.
Ele correspondeu o abraço, e parou em seguida. A colocou no chão com cuidado... Estava sem vida.
"Veneno..." Deme explicou "Veneno que era para matar Maysta a matou. Preciso ajuda-la!"
"M-Mas... Sabrina morreu!"
"Lamento, Straps... Maysta não vai morrer também!"
Ele se virou aborrecido. Ela resolveu continuar sozinha. Por algum motivo, não podia deixar Maysta morrer.
Comentários: Apenas ignorem detalhes mais íntimos deste capitulo, serão explicados numa próxima fanfic. Eu prometo
