Sacred Jellicle Heart
Capitulo 5
O dia surgia, o chão já estava iluminado e gata tão linda quanto o sol e a noite num doce misto perfeito corria para qualquer lugar. Ouviu um som leve... Passos... Se escondeu rapidamente e logo ouviu vozes...
"Precisamos encontra-los!" Uma voz feminina e suave falou, ela reconhecia a voz, mas não conseguia se concentrar em quem era "Não sabemos o que os espera pra lá! É território Parble! Não podemos arriscar nossas cabeças indo pra lá!"
"Esqueça essa idéia de que Parbles arrancam cabeças!" Uma outra voz feminina, forte e grave "Nunca vi nenhum fazer isso!"
"É mesmo, esqueça!" Outra voz, desta vez masculina e risonha
"Esqueçam essa baboseira! Precisamos encontrar a Dem!" Uma voz masculina e firme retrucou... Espere um pouco! 'A Dem?!'
"Ela é uma Jellicle! Sei que está bem!" Uma feminina brincalhona falou "Não se preocupe tanto, Weestrong!"
Weestrong! É claro! Estão ali! Estão a procurando! Por um segundo a gata chegou a ter a esperança que Munkustrap também estivesse lá... Mas claro que não. Ou será que sim?
"Gente!" Ela saltou de seu esconderijo "Estou aqui!"
Olhou para eles. Pois é... Munkustrap não estava lá!
"Dem!" Weestrong a abraçou com muito carinho "Que bom que está bem! Que bom! Castally vai ficar feliz em saber!"
"W-Weestrong!" Ela estreitou, logo lágrimas lhe fugiram e molharam o peito do jovem gato " S-Sabrina... Está morta... Acho que foi veneno!"
"O que?! Malditos humanos!"
"Não! Não foram os humanos! Foi Ellyleck!"
"Mas... Por que..."
"Foi para Maysta!"
"Dem... Isso é ridículo!"
"O que?" Ela rosnou e Wee riu, ela ficava parecendo um Pollicle quando brava "É verdade, eu sei! Eu vi!"
"Viu? O que?"
"Bem..." Ela balançou a cabeça "Apenas confie em mim, ok?"
Ela sorriu e ele sorriu em resposta. Se abraçaram novamente. Por mais que errassem um com o outro, sempre teriam uma confiança inabalável.
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Alguns Jellicles desistiram, estavam a quase quatro dias fora de casa! Outros, porém, se dispunham a ficar o quanto fosse necessário. Jennyanydots era um destes Jellicles. Abandonou seus ratos e baratas apenas para cuidar de problemas maiores no Junkyard.
"Jenny, se quiser, pode ir!" Jellylorum, sorriu. Sua amiga parecia muito nervosa "Vai pra casa! Eu e Skimble encontramos Rumpleteazer e Mungojerrie!"
"Não!" ela gritou, não estava realmente bem "Eu cuido da minha meninha e você pode cuidar das suas!"
Jelly se afastou. Ela realmente estava irritada! Os poucos que restaram ali estavam. Dois casais de irmãos sumiram, sem falar do filho do Jellicle líder e do trio. E ainda havia o problema de Demeter. Ninguém ali estava realmente calmo.
"Mamãe!" Lorum olhou, era sua jovem filha Victoria "Mamãe... Acho que Munkustrap está bem! Não deviam procura-lo! Fale para o Skimble não ir!"
"Sim, senhorita!" Redrea concordou "Ele foi pensar por um tempo!"
"Tem certeza?"
"Aham!" Responderam em coro
"Não sei não..."
A mãe as afastou, deixando as duas um pouco confusas. Não podiam descobrir que Munkustrap estava com os Burbocles! Seria horrível! Talvez a pior coisa que já aconteceu! Ele é o filho do Jellicle líder, deve ser o primeiro a respeitar as ordens!
"Vickie! Vickie!" Etcetera correu, entrando no Junkyard como uma rajada de vento "Vickie! Eu vi Munkustrap nos campos Parbles! O que faremos? Devo falar com a mamãe?"
"Caramba!" Redrea quase gritou "Se ele deveria seguir as regras, está indo muito mal! Duas invasões em menos de vinte e quatro horas!"
"Não é hora de brincar, Reddie! Cettie, onde exatamente ele estava?"
"O vi ontem, entrando num depósito, resolvi voltar... Mas não tive coragem de contar!"
"Ótimo! Precisamos traze-lo de volta!" Vik olhou para Reddie "Por favor, invente alguma coisa para minha mãe!"
As duas irmãs correram para fora, e Reddie apenas riu... O que mais poderia ser feito?
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"Coricopat! Acorde" Uma voz doce não foi piedosa em tira-lo de seu sono "Sei que começou a dormir agora, mas acorde!"
"O que há, mamãe?" Ele se levantou, cambaleante "Aconteceu algo muito sério?"
"Desculpe, querido! Melina teve um pressentimento e devemos nos preparar!"
"Por que?"
"Ela é princesa, meu bem!" Maddie o puxou "E ela viu fogo e desastre! Tudo que ela vê, vai se realizar!"
"Besteira!" Ele se esticou um pouco "Não acho que...
"Se não acredita devia ver como ela está! Abalada, pobrezinha!"
"Mamãe... Acha mesmo que isso pode acontecer?"
A gata suspirou e correu até um canto para ajudar as preparações. Estava tudo num grande caos! Gatos indo e vindo, Melina no meio da multidão orientando. Tudo tão oposto ao que era quando ele chegou...
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O cheiro horrível pairava no ar. O velho depósito tinha as portas entreabertas. Cada criaturinha por ali conhecia o cheiro... Era cheiro de morte. Cettie e Vickie estavam imóveis a alguns minutos, paradas na porta do depósito sem saber o que iriam encontrar.
"C-Cettie..."
"V-Vik..."
Por fim, seguraram a pata uma da outra e se aproximaram bem lentamente. Abriram as portas com certo esforço e quase gritaram. Avistaram algo estranhamente terrível! Munkustrap deitado, abraçando uma gata. Se não fosse o cheiro de morte no ar, jurariam que estavam apenas dormindo.
"N-Não! Não pode ser!" Victoria se jogou no chão, saindo do estado de choque "Estão... mortos?" Ela limpou uma lágrima teimosa e balançou o casal, com esperança de acordarem "Munkustrap... Ei... Acordem... Por favor..." Várias lágrimas teimosas e brilhantes como cristais molharam as faces do casal "Munkustrap..."
"O-O que?!" Era como um milagre ver o gato cinza listrado levantar a cabeça, ainda que parecesse perdido "Vocês duas! O que fazem aqui?"
"Munkustrap!" Vik pulou sobre ele "É um milagre! Está vivo!"
"É..." Ele olhou tristemente para trás, onde o corpo da bela gata alaranjada repousava. Ele sequer havia reparado no belo sorriso que manteve no rosto "Eu estou."
Elas se calaram. Era totalmente penalizante ver aquilo. Ele se levantou caminhou lentamente até a gata morta, se abaixando próximo a ela.
"Sabrina... Está morta! Veneno, diz ela... Como pode saber?" Ele a abraçou " 'Todos tem uma segunda chance.' Meu pai sempre diz isso... Ela não pode morrer sem ter a dela! Ela precisa voltar! Precisa!"
"Ela está em Heavyside Layer agora!" A gata branca tentou abraça-lo, mas ele não permitiu "Sei que está. Foi uma ótima gata!"
"Mas... Ela jamais voltará? Todos precisam de uma segunda chance!" ele arranhou o chão "Ela precisa voltar... Eu preciso dela! Preciso..."
O silêncio reinou uma vez mais. Munku abraçou a pobre morta, desejando profundamente que seu pai estivesse certo sobre a segunda chance. Passos leves e doces foram ouvidos, Redrea se aproximava.
"Vik... Cettie..."Ela suspirou, um tanto penalizada "Temos que ir agora... Skimble estará aqui logo com a sua mãe."
As gatas concordaram com a cabeça, puxando Munkustrap que se separou do corpo de Sabrina com certa dificuldade.
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Um pingente... Um simples pingente conseguia causar um tormento tão grande para alguém que jamais encarou problemas como coisas realmente sérias. Veneno... Pingente... Tudo parecia tão confuso. Maysta se eriçou. Odiava a sensação de não poder controlar alguma coisa.
"Maysta..." Uma cantarolou seu nome "May... Cadê você?"
"Estou aqui, Ellyleck e estou exausta!"
"Calminha..." Os passos leves de Ellyleck faziam pouco barulho "Só vamos conversar um pouquinho, está bem?"
Rapidamente, Maysta se curvou para o lado e bem a tempo. Um garfo foi fincado no chão, ela se virou um pouco assustada.
"Enlouqueceu, Ellyleck?" May se levantou, não estava com paciência "Quer o que? Me matar?"
"Acertou!"
Com um sorriso insano, a gata saltou sobre a princesa de modo sinistro. Num golpe rápido, o garfo foi jogado longe pela vítima irada. Por fim, May empurrou Ellyleck com força para um canto e saiu, bloqueando com dificuldade a porta usando alguns móveis. Suspirou aliviada e impaciente... Este tipo de coisa sempre precisava acontecer?
Limpou um pouco de poeira de seu pelo brilhante e caminhou para longe da porta lentamente. Antes que pudesse chegar a escadaria, avistou alguém que realmente prefiria ver sendo engolida por vários Pollicles.
"Oh... Veja quem ainda não morreu!" May se eriçou e se aproximou da gata, que permanecia imóvel "Isso não há de durar... Respire pela última vez, 'rainha'!"
"Não, Maysta!" Demeter se afastou um pouco, perdendo parte do olhar corajoso "Não vim para brigar com você!"
"É mesmo?" Ela riu "Mas... Está com medo? Eu sei que está!" A rainha puxou a Jellicle a olhou profundamente nos olhos "Está! Está sim!"
"Você é louca!" A gata dourada se soltou e desviou "Todos por aqui são!"
"Está com medo, não está?" May parecia cada vez mais louca "Está não é?"
"O medo é uma besteira! Está apenas em mim!" Ela fechou os olhos, antes de gritar "Pode estragar tudo! Mas medo não é real e... Eu não tenho medo de você!"
"Humpf..." Maysta a jogou no chão "Olhe pra você! Sua imunda! Olhe bem pra você! Criatura repugnante! Pare de chorar!" Ela segurou a face da felina em prantos "Mandei parar!"
"Sai de perto de mim!" Dem a arranhou no face, lágrimas continuavam respingando por toda parte "Não se aproxime de mim!"
"Ousada!" Maysta limpou o sangue rapidamente e Deme logo se levantou "Como pode fazer isso com o meu precioso rosto?"
"Não..." A Jellicle suspirou e se acalmou um pouco "Não vim aqui para brigar. Vim para dizer que Ellyleck quer te matar!"
"Pobre coisinha inocente... Atrasada como sempre!" Ela riu "Eu já reparei."
Muitas coisas deveriam ser esclarecidas, mas nenhuma seria. Ellyleck se aproximava com uma faca afiada e seu sorrisinho insano.
"Duas pelo preço de uma!" Ela gritou, numa gargalhada "Mestre vai adorar!"
Ela se aproximava, Dem ia se afastando, mas Maysta parecia não ter medo de morrer. Elly vinha como louca, pronta para acabar com a vida de ambas num só golpe. Isso era apelar demais para a alma Jellicle que estava lá em algum lugar.
"Maysta!" Dem gritou enquanto pulava entre as duas, por pouco não foi atingida
"Está maluca sua imunda?" May tentava se recuperar da queda enquanto Ellyleck golpeava Dem "Por que fez isso?"
Maysta suspirou impaciente, chutando os joelhos da assassina. Deme fechou os olhos por uns segundos e ao abri-los se surpreendeu... Elly estava morta e May segurava a faca que a atravessava. Era uma visão terrivelmente deliciosa!
"E eu pensando que podia confiar em alguém..." A princesa sorriu cinicamente, tirando a faca ensangüentada "Não posso." Chutou o corpo, jogando-o sobre Deme gritou de nojo "E você, pequena imunda? Pode confiar em alguém?"
"Eu..." Ela suspirou "Eu não sei."
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"... então, com barulho, elas foram embora. E foi assim que nós fomos para o Junkyard!" Mysti terminava sua história, sorridente "Ei, Rumple... É a sua vez!"
"Certo!" A Jellicle laranja pulou, e começou "Minha mãe e meu pai estavam ansiosos com a nossa chegada. Eram bem jovens e nada os faria mais felizes a não ser cuidar de sua nova família ao lado dos Jellicles, sempre tão amigáveis! Tantos planos... Tudo parecia perfeito em todos os detalhes mínimos. Ninguém tem certeza quando, mas dado momento da noite tão esperada, minha mãe gritou e todos foram socorre-la! Ela havia desmaiado e seus filhotes todos haviam desaparecido!" Teazer sorriu e completou "Todos menos uma sapeca que estava brincando dentro de uma grande caixa! Minha mãe não sabe quem levou seus bebes até hoje."
Rumple sorriu para sua platéia. Mungojerrie segurou o choro teimoso, coisa que Mystiara não conseguia fazer. Glaciara e Spyn apenas se abraçaram, como que não quisessem perder um ao outro.
"Teazer!" Mungo saltou de seu lugar com um largo sorriso na face "Está estragando a diversão! Veja essas carinhas... Parecem estar se divertindo?"
"Eu não terminei!" A gata sorriu novamente "Eu cresci muito bem acompanhada, apesar de tudo. Porém, sempre quis ter uma família! Um dia... Eu estava passeando e encontrei um gatinho da minha idade e exatamente como eu. E... Com tanta coisa ruim acontecendo eu só queria dizer: Nunca vamos nos separar de novo, ok?"
Um doce abraço foi se formando com os cinco, de uma só vez.
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Rosabela nunca pareceu tão sinistra... Ele cresceu ali... Por que tanto pavor? Era Dem. Tinha certeza! Algo estava muito... muito errado! Correu pelos corredores sem se importar. Algumas vozes o chamavam, quem liga? Dem! Precisava encontrar Dem de qualquer maneira!
Portas pareciam todas iguais... Paredes também... Janelas eram sempre as mesmas... Corria com a maior velocidade que suas patinhas alcançavam. Correu quase voando por cada cantinho, parou, de súbito, uma porta parecia cintilar. Era ali.
Abriu a porta sem perceber como. Dem estava caída, inconsciente.
"Demeter!" Weestrong gritou, se jogando no chão, abraçando a gatinha "Dem... Acorde! Por favor!"
"Weestrong..." Uma forma feminina e felina se delineou no chão, ele se virou, Maysta estava de pé ao lado de uma xícara "Algum problema, Weestrong?"
"Você!" ela a segurou pelo pescoço, ela mantinha a calma, apesar da situação "O que você fez?! Ela está viva?!"
"É o que eu espero. Ela desmaiou." A princesa se aproximou da pobre rainha caída "Acho que não comeu o bastante. Trouxe um pouco leite, peguei agora... Está quentinho."
A gata vermelha e preta abandonou o leite nas patas de seu companheiro e foi saindo, observando a cena bela, e ao mesmo tempo, cômica.
"Pare, Maysta!" Castally saltou na frente da felina, com os olhinhos lagrimejantes "O que você fez com Dem?
"Castally? Mas como você...?"
"Weestrong... Tive um pressentimento ruim... Sobre a Dem..." A gatinha se jogou no chão, ofegante "está tudo bem com ela?"
"Não se preocupe!" Maysta lançou-lhe um sorrisinho "Eu dei meu 'jeitinho' ela ficará bem."
"C-Como assim?" A jovenzinha levantou os olhos lentamente, um pouco trêmula pela preocupação "Ela está..."
"Apesar de tudo... Bem." May sorriu novamente "Francamente... Nós somos mais parecidas que eu imaginava... E eu fiquei com pena dela."
"Pena..." Wee riu cinicamente "Você... Não sente pena de ninguém... Você é fria... Só se preocupa com Macavity..."
A gata se afastou, soltando um sonoro "Humpf" antes de desaparecer porta afora. A dupla se entreolhou, assustada. Aquilo ia contra qualquer coisa que Maysta já havia feito. Se viraram, tomando um susto ainda maior: Demeter estava acordada, observando Maysta desaparecendo nos corredores.
"Como imãs..." Ela suspirou "Uma vez mais..."
"Dem!" Castally a abraçou "Tudo bem?"
"Tanto que não entendo..." Ela se encolheu "Por que eu tive vir? Por que ela me ajudou? Ela me odeia! Por que eu..." A gata sentiu o coração apertado "O abandonei quando ele... Precisou de mim mais do que nunca?"
"O que?! Mas... Quem?" Weestrong se aproximou "O... Munkustrap?!"
"Esqueça isso, ok? Como chegaram aqui?"
"Como você disse, Dem..." Castally sorriu "Como um imã... Você nos atraiu. Nunca é tarde, Dem... Seja quem você abandonou, sempre há tempo de superar e compensar."
Deme lançou um olhar corajoso pela janela. Sim, ainda havia tempo para compensar... Não muito, mas ainda havia tempo.
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Coricopat observava o luar com desdém. Melina comandava a as precauções e todos participavam, mas ele não. Achava simplesmente idiota aquela bagunça toda, mas não podia deixar de sentir um pouco de medo pelo olhar que a jovem princesa lhe lançava repetidas vezes.
"Coricopat?!" Tantomile se sentou ao lado do irmão "Não acreditou na visão de Melina, não é?"
"Não..." Corico sorriu "Realmente eu... Não acho que tudo seja tão previsível."
"Talvez, meu irmão, você esteja certo."
Melina se aproximou, séria, do casal de irmãos. Estava com uma aparência horrível. Suja e assustada como um rato de esgoto.
"C-Corico... M-Meu bem... Eu..." Melina parou, olhando para ele com uma dor funda no coração "E-Eu... E-Eu... Quero que vá embora... Por favor!"
"O que? Por que?" Coricopat riu "Uma visão?"
"Bem... é... eu..."
O gato teimoso riu uma vez mais e saiu. Estava um pouco agoniado ali preso. Tantomile olhou para os olhinhos preocupados da princesa e suspirou
"É... Muito ruim, princesinha?"
"Eu não..." Mel chorava um pouco, molhando sua pata "Não... Suportaria... Ele... Pode... A... Até... Morrer!"
Tantomile se arrepiou. Não era uma coisa boa, definitivamente não.
