CAPI TULO 1 – A NOVA AGÊNCIA

Era um dia chuvoso na capital norte-americana, a agência estava vazia. Kagome olhava fixamente para a rua através da cortina do escritório de seu chefe, ele e o tal rapaz o qual ela deveria embarcar para a União Soviética estavam atrasados.

O clima tempestuoso aumentava ainda mais a tensão da moça, sabia que em seu serviço ser discreta e não chamar a atenção era o que realmente contava para o sucesso da missão, mas estava preocupada com o rapaz o qual Narak, seu novo chefe, havia contratado; se este não fosse esperto o suficiente poderia colocar em risco a missão, estava acostumada a trabalhar sozinha; outra preocupação era com o fato de ter que entrar em território estranho.

Enquanto aguardava seu chefe e o rapaz chegarem, começou a se lembrar da conversa que tivera na noite passada, ali naquela mesma sala, onde seu chefe lhe comunicara sobre a sua nova missão

FLASHBACK

-Boa noite agente Kagome – o homem a olhava de cima a baixo - Então veio transferida de Nova Iorque

-Sim, senhor – respondeu

Kagome estava de pé e olhava fixamente o homem que estava sentado a sua frente. O homem aparentava ser uns 10 anos mais velho do que ela, e usava uma pele de babuíno que encobria o rosto e lhe dava um ar sombrio. A todo instante Kagome percorria com o canto dos olhos a sala, estava desconfiada do local, mas tentava não deixar que isso transparecesse para aquele que era agora o seu novo chefe.

-Então pediu sua transferência para essa agência em Washington. Seu antigo chefe Sesshoumaru deu boas referências suas – disse o homem abrindo um sorriso sarcástico.

Kagome permaneceu muda, não falaria o que realmente acontecera e o seu real motivo em pedir a transferência. Além disso, não gostava de comentar nada a respeito do antigo chefe Sesshoumaru.

-Vejo que está aborrecida minha cara – disse o homem abrindo um sorriso sarcástico; aliás, a boca era a única do rosto que conseguia ver-se perfeitamente.

-Me desculpe senhor, mas vim aqui para ser informada da próxima da missão; e até agora não obtive nenhuma informação. – disse séria e inexpressiva.

-Bem, se é isto que tanto lhe interessa. Você deverá viajar para União Soviética dentro de uma semana; ninguém deverá saber da sua missão, nem mesmo seus amigos.

Amigos! Kagome não tinha amigos na cidade, havia se mudado há pouco tempo e não conhecia ninguém; tampouco tinha amigos em Nova Iorque, as suas missões para a agência lhe tomavam tempo demasiado para essas coisas superficiais e sem valor como amizade. Não podia confiar em ninguém que tentasse se aproximar dela, sua profissão assim o exigia; um amigo poderia muito bem ser um inimigo disfarçado.

Diante do silêncio irredutível da garota, Narak continuou

-Quando chegar no país deve se encontrar com dois agentes meus que já estão no país aguardando a sua chegada, eles irão lhe passar a missão com maiores detalhes. O que deve saber por enquanto é que não deve confiar nenhum maldito soviético.

-Pensei que fossem nossos antigos aliados.

-Esses equívocos são freqüentes em pessoas ingênuas.

Kagome sentiu vontade de revidar, mas calou-se; virando as costas começou a caminhar em direção à porta.

-Ainda não terminei – disse Narak cruzando as mãos em cima da mesa.

Kagome virou-se novamente para o seu chefe.

-Pensei que já houvesse terminado.

-Costuma-se a equivocar com frequência, minha cara – novamente Kagome buscou forças interiores para não revidar – Tem algo mais – fez uma breve pausa – Irá acompanhada nessa missão.

-O que?! – disse espantada.

-Inuyasha virá aqui amanhã para conhece-la. Serão casados diante dos olhos soviéticos.

-Eu não...

-Minhas decisões não são questionáveis, minha cara – cortou Narak – Aliás, não se assuste porque ele é um meio-youkai.

-Meio-youkai! – repetiu com incredulidade

-É só isso, amanhã irá conhece-lo esteja aqui ao final da tarde.

Kagome saiu arrancando o taco da sala, e bateu a porta com força.

FIM DO FLASHBACK

Foi isso que havia acontecido na noite anterior, e agora ela estava ali na agência sozinha esperando seu chefe e o tal rapaz que a acompanharia. A secretária de seu chefe, a misteriosa Kana, havia pedido que o aguardasse, pois ele e o meio-youkai que a acompanharia na missão, ambos haviam ido até um bar que ficava ali perto. Por um momento a jovem pensou em ir até o local, mas a chuva a fez recuar; estava mais confortável naquela sala quente do que estaria andando nas ruas molhadas e frias.

Kagome começou a caminhar em círculos pela sala estava impaciente. Enquanto caminhava começou a pensar em seu novo parceiro.

-"Aquele maldito Narak vai me enviar para terras inimigas com um meio-youkai!"

A idéia de ser casada com um meio-youkai não a agradava muito, no entanto não tinha escolha à não ser acatar as ordens de seu chefe. Outra coisa que não gostara na missão é ter que executa-la em terreno soviético.

Os Estados Unidos e a União Soviética viviam em meio a uma Paz Armada, ambos os países tinham ideais opostos, de um lado a União Soviética comunista contrária à democracia propagada pelos Estados Unidos. As duas potências estavam envolvidas numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armamentos em seus territórios e nos países aliados. Enquanto houvesse um equilíbrio bélico entre as duas potências, a paz estaria garantida, pois haveria o medo do ataque inimigo. Isso tornava a missão arriscada, o menor deslize poderia acarretar em fracasso da missão, e a garota sabia que por ser uma espiã americana os soviéticos não hesitariam em mata-la. Além disso, Narak não se mostrava muito confiável, parecia ser estar escondendo suas intenções embaixo daquela pele de babuíno; por um momento Kagome pensou não ter fundamento suspeitar de seu chefe, como o conhecia há pouco tempo era normal não confiar nele, mas seu sexto sentido lhe dizia o contrário.

De repente a porta se abre e Narak entra por ela. Ele estava sozinho.

-Que bom que resolveu me deixar ir nessa missão sozinha! – abriu um sorriso

-Mudanças de planos, irão se encontrar em Moscou.

-Mudanças de planos!!! Me diz isso com essa calma!

-Viajará amanhã – continuou ignorando os protestos da garota

-Amanhã! Sabe o quanto isso poderá prejudicar a missão? Um casal que viaja separado!

Narak deu a volta na mesa e sentou-se de frente para Kagome.

-Já disse anteriormente que minhas decisões não são questionáveis. É melhor ir preparar as suas malas, seu vôo está marcado para as 8:00h.

Kagome saiu furiosa da sala, batendo a porta.

Na manhã seguinte, logo cedo Kagome já estava no aeroporto a fim de embarcar para União Soviética, enquanto aguardava a chamada de seu vôo, ficava pensando na missão, qual seria?

-"Aquele maldito do Narak, gosta de fazer as coisas à maneira dele. Eu não gosto nada disso, antes tudo era diferente; Sesshoumaru se preocupava se corríamos algum risco na missão, mas esse Narak nem se importa, além do mais me arrumou um parceiro que eu nem conheço, pode ser qualquer um..." – parou por um tempo e fez uma cara de espanto – Eu não conheço o Inuyasha – disse em voz alta chamando a atenção de algumas pessoas que estavam sentadas.

Kagome pegou a sua mala de mão e começou a caminhar pela sala de espera, estava envergonhada por ter atraído a atenção de tantas pessoas; o fato é que apenas agora se dera conta que Narak lhe havia mandado se encontrar com um rapaz que ela nunca vira na vida.

-Acho que ele pensa que Moscou é um vilarejo onde todos se conhecem! Que impertinente, maldito – ia falando sozinha enquanto se dirigia ao portão de embarque.