CAPITULO 2 – O PARCEIRO

Kagome chegou no aeroporto principal da cidade de Moscou com a certeza de qual seria a sua primeira missão no país: encontrar seu parceiro. Novamente a idéia de parceiro lhe pareceu péssima, uma vez que nem sequer o conhecia.

O local estava cheio, Kagome detestava multidões preferia bem mais a solidão. Viu um homem com orelhas (??)trajando uma capa preta vindo em sua direção, tudo bem que com o local cheio do jeito que estava o que não faltava eram pessoas vindo na sua direção, mas este homem lhe chamou a atenção por ter cabelos pratas e olhos cor de mel, além disso ostentava um par de orelhas no topo da cabeça; notava-se que não era humano. O homem, se assim poderia ser chamado alguém com orelhas, pegou uma de suas malas que estava no chão e começou a andar carregando-a.

-Oras seu ladrãozinho! – disse Kagome abaixando-se e num movimento rápido passou uma rasteira no rapaz que caiu de costas no chão.

Várias pessoas pararam e ficaram olhando, algumas cochivavam entre si e apontavam para os dois. Kagome logo se colocou de pé, e o rapaz num impulso se levantou também pegando no braço da jovem e cochichando no pé do ouvido.

-Não poderia ser mais discreta! Quer que todos suspeitem de nós.

O rapaz parecia bem irritado pelo tom de voz agressivo com o qual se dirigia a ela, mas Kagome puxou o braço e começou a falar num tom de voz normal, não se importando se alguém a estava escutando.

-Por acaso nos conhecemos? – disse cruzando os braços

-Uma esposa que não conhece o marido é um tanto incomum – desdenhou.

Kagome sentiu uma pontada de raiva, mas tentou manter-se calma.

-"Ele é o meu parceiro, enfim o encontrei" Missão cumprida – disse batendo as mãos.

-O que disse? – perguntou o rapaz intrigado.

-Nada. Leve as minhas malas.

-E eu tenho cara de carregador? – disse irritado

-Um marido que não é cavalheiro com sua esposa é um tanto incomum, não acha? – disse caminhando em direção a saída.

Ao chegar ao lado externo do aeroporto, Kagome viu uma cidade maravilhosa que se estendia a sua frente; virou-se para trás e viu que seu novo parceiro estava tendo uma certa dificuldade em carregar as suas malas; colocou discretamente a mão sobre a boca e riu.

Inuyasha se aproximou da jovem, e apontou um carro preto estacionado próximo a saída principal do aeroporto.

-Aquele é o nosso carro.

O carro era um modelo novo, muito bonito e aparentava ser muito caro.

-Uau, não economizou querido. – desdenhou

-Tudo não é o suficiente para a minha esposinha – disse irônico.

-Olha aqui seu...

No entanto a rapaz continuou caminhando sem se importar com o próximo comentário da parceira.

Inuyasha dirigia rápido pelas ruas desertas da capital soviética.

-Onde está me levando? – perguntou rispidamente.

-Não se preocupe, isso não é um seqüestro!

-Se fosse eu o mataria antes de se aproximar de mim – disse secamente.

-Uh! Acho que essa noite eu não dormirei sobre o mesmo teto que você – zombou

-E que quem disse que dormiríamos sobre o mesmo teto.

-Por acaso esqueceram de mencionar que nessa missão somos marido e mulher, não que eu tenha concordado com isso...

-Eu tampouco – agilizou em concordar.

Inuyasha a olhou com uma expressão divertida.

-Acho que começamos a nos entender – disse a garota virando o rosto para olhar a paisagem através da janela lateral do carro.

No restante do trajeto ambos permaneceram calados. Quando finalmente chegaram a um modesto prédio de classe média, Inuyasha voltou a se dirigir a Kagome.

-É aqui que iremos ficar, enquanto permanecermos no país. Foi tudo o que deu para pagar com o que recebemos.

Kagome balançou a cabeça em sinal de desaprovação.

-Você é mesmo um espião?

-O que disse?!

-Devo estar com a pessoa errada, não é possível – virou-se para o rapaz – Seu idiota! O que as pessoas vão pensar se nos virem com um carro tão chique desses morando numa espelunca!

-E o que queria que eu fizesse?

Kagome saiu do carro, e Inuyasha fez o mesmo movimento pegando as malas da garota que estavam no porta-malas.

Kagome entrou no apartamento, que apesar de não ser muito grande era confortável e tinha uma bonita vista da cidade; a garota soltou um longo suspiro.

-Não está TÃO ruim – disse virando-se para o parceiro que permanecia parado na soleira da porta com as malas na mão.

-Gostando ou não é aqui que iremos ficar! – passou pela garota deixando cair as malas dela no meio da sala.

Kagome fez menção de reclamar, mas não queria ter mais aborrecimentos naquele dia, estava exausta da longa viagem que fizera, pegou as malas e se dirigiu para o quarto. Inuyasha deitou-se no sofá, mal encostara a cabeça no apoio deste quando ouviu um grito de sua parceira, foi correndo até o quarto verificar. Ao entrar no aposento viu as malas da parceira jogadas no chão e esta olhava fixamente para a cama, no entanto, o rapaz não notara nada de extraordinário no quarto.

-O que foi sua maluca? – perguntou o rapaz afoito

-Esta espelunca que você escolheu para ficarmos só tem um quarto – disse calma, mas logo alterou seu tom de voz e começou a gritar – E o quarto só tem uma cama de casal!

-Sua idiota, quer levantar suspeita. Um casal não dorme separado – falou com calma e naturalidade.

Kagome começou a pegar a travesseira e um cobertor que estava sobre a cama.

-Aqui está! Espero que o sofá seja confortável!

-Eu não vou dormir no sofá! – disse irritado

-Os céus me castigaram, me mandaram numa missão com completo IDIOTA!

Kagome balançava os braços e gesticulava, no entanto isso parecia não surtir nenhum efeito sobre o rapaz que estava irredutível quanto fazer do sofá sua cama.

Vencida pelo cansaço e pela falta de gentileza por parte do parceiro Kagome acabou aceitando o fato de dividirem a mesma cama, no entanto, a garota fez questão de erguer uma barreira de almofadas entre eles.

Kagome colocou uma calça de malha e uma blusa de manga comprida, o frio que fazia na cidade não permitia que ela trajasse roupas mais finas como sua maravilhosa camisola de seda vermelha que comprara uns dias atrás; Kagome não ostentava certos luxos femininos, sempre se vestia de maneira discreta, ainda que algumas vezes fazia alguma extravagância e comprava roupas não tão comportadas assim. O rapaz também colocou um pijama de malha e deitou-se do seu lado da cama, ambos evitavam ao máximo manter qualquer tipo de comunicação, ainda que a troca de olhares entre eles fosse inevitável.

Na manhã seguinte Kagome acordou cedo e preparou um café preto bem forte, e foi sentar-se na sala; mal conseguira dormir a noite pensando em sua nova missão. Inuyasha acordou com o cheiro forte de café invandindo-lhe as narinas; ao abrir os olhos notou que Kagome já não estava mais na cama, decidiu levantar-se e ir tomar um banho.

O telefone soou alto no apartamento que acabou por despertar Kagome de seus devaneios.

-alô – disse a jovem atendendo

-Bom dia, minha cara. Como foi a viagem? – perguntou uma voz grossa do outro lado da linha, Kagome logo reconheceu o dono da voz.

-Narak, que surpresa nos ligar tão cedo.- disse falsa.

-Tenho informações sobre a missão. Devem se encontrar com um casal que mora em Moscou, eles serão os seus informantes enquanto estiverem no país.

-Está certo – concordou a contragosto.

-Anote o endereço deles em Moscou.

A garota pegou um pedaço de papel e uma caneta que estavam ao lado do aparelho. Kagome não estava habituada a trabalhar ao lado de muitas pessoas, quando estava na agência em Nova Iorque suas missões eram realizadas na sua maioria de forma individual e discreta, segundo seu antigo chefe, Sesshoumaru quanto mais pessoas estivessem envolvidas mais difícil seria manter sigilo e discrição. No entanto, parece que Narak não era adepto dessa teoria, e estava usando muitas pessoas para atingir resultados nessa missão.

Inuyasha apareceu na sala no momento que Kagome colocava o telefone no gancho.

-O que Narak queria?

-Como sabe que era ele? – perguntou curiosa

-Quem mais nos ligaria aqui.

-Temos que nos encontrar com um casal que mora em Moscou, eles serão nossos informantes.

-Que ocasional, Narak nunca faz o trabalho pessoalmente.

-Parece que está acostumado com o jeito dele.

Inuyasha, no entanto, nada respondeu e foi caminhando até a cozinha.

-Não costuma a tomar café da manhã? – disse o rapaz vendo o bule de café sobre a pia.

-Eu apenas tomo café puro pela manhã, se quiser algo mais que faça você mesmo – disse a garota indo para o quarto se arrumar.

Inuyasha veio até a porta da cozinha para ver a garota caminhar em direção ao quarto e fechar a porta as suas costas.