CAPITULO 4 – UM DIA COMUM

Quando Kagome saiu do banheiro encontrou Inuyasha sentado na cama lendo alguns papéis, ficou curiosa para saber o que ele lia com tanto interesse, resolveu perguntar.

-O que são esses papéis? – perguntou a jovem enquanto enxugava os cabelos com a toalha.

-Feh – ignorou a pergunta da parceira

Kagome se irritou com a falta de atenção por parte do parceiro.

-Olha aqui Inuyasha, eu não gosto dessa situação tanto quanto você, mas estamos juntos nessa missão.

Inuyasha não esboçava nenhuma reação perante a bronca de Kagome que ficou decepcionada.

-Inuyasha estamos juntos nessa missão? – perguntou num tom choroso

Inuyasha levantou o olhar para a parceira ficou intrigado com a pergunta, Kagome virou as costas e começou a caminhar em direção a porta.

-Bah! É claro que estamos! – respondeu Inuyasha de mau agrado

-Só estaremos juntos nessa missão se você quiser isso.

-Oras Kagome que conversa é essa, o Narak não mandou aqui juntos.

Inuyasha parecia não entender o real significado da pergunta de Kagome, o fato não era o que Narak havia ordenado; era como cada um estava se sentindo. Inuyasha passou pela parceira e se dirigiu ao banheiro. Kagome sentou-se na cama, e colocando os cotovelos no joelho apoiou a cabeça com as mãos, sentiu uma lágrima escorrendo por seu rosto e se alojando entre seus dedos.

-O que eu estou fazendo aqui? – desabafou – Foi um erro ter aceitado essa missão.

Esse não era o único equivoco na vida da jovem do qual ela estava arrependida, agora que estava a quilômetros de distância de sua terra natal percebia que estava errada em acreditar que poderia esquece-lo pelo simples fato de estar longe, não era à distância que curava as feridas, ainda que estivesse pensando cada vez menos nele desde que chegara no país, entretanto, a moça parecia não ter notado esse fato.

A garota se levantou e foi se sentar em frente à penteadeira ficou fitando a sua imagem no espelho, virou a cabeça e viu que a porta do banheiro permanecia fechada, voltou então seus olhos novamente para o espelho, e ficou admirando seu reflexo que já não era o mesmo da menina que decidira se tornar uma espiã, agora no espelho havia o reflexo de uma mulher adulta que mesmo tendo crescido ainda conservava os traços da menina.

Kagome pôs a pensar na sua relação com seu parceiro que não era das melhores, desde que chegaram ao país toda a conversa que tinham não era nada amigável, e quando não estavam discutindo o silêncio imperava entre eles.

-Como estou mudada – disse tristemente – tantas missões sozinhas me tornaram uma pessoa egoísta, talvez a indiferença de Inuyasha seja em parte culpa minha. Acho melhor tentar ser amiga dele – esboçou um sorriso – mas se ele começar a implicar comigo eu juro que não vou me controlar!

Kagome ficou mais algum tempo fitando seu reflexo no espelho, começou a escovar o cabelo, o qual ela ajeitava em várias posições e ficava analisando qual era o melhor penteado; depois começou a fazer caretas para este como se fosse uma criança, e ria com as formas engraçadas que seu rosto tomava a cada careta que fazia. Levantou-se e ao virar teve uma surpresa, Inuyasha estava na porta do quarto a olhando.

-Desde quando está aí? – perguntou surpresa e temerosa de que ele houvesse visto ou ouvido algo constrangedor

-Bah! Acabei de chegar – respondeu o meio-youkai fingindo não ter notado nada de estranho.

Kagome ficou aliviada em escutar aquelas palavras, ainda que pouco gentis, do parceiro; tomando coragem começou a introduzir a questão da amizade.

-Inuyasha amanhã eu vou até o centro de Moscou.

-E o que isso me importa – retrucou o meio-youkai deitando-se na cama.

-"Que grosso!" – pensou a jovem que em nome de sua promessa não retrucou – Queria que você fosse comigo – disse docemente.

Inuyasha ergueu a sobrancelha e a olhou de forma curiosa, estava intrigado com a atitude da moça em convida-lo para um passeio.

-Então Inuyasha quer ir comigo? – insistiu a jovem diante do silêncio do meio-youkai.

-Acho melhor eu ir com você, não é seguro deixar você solta por aí – respondeu dando as costas para a parceira.

-"não é seguro me deixar por aí" – Kagome explodia por dentro – "o que ele pensa que eu sou" – suspirou

Kagome foi até o interruptor a fim de apagar as luzes, Inuyasha mesmo de costas para jovem notou quando esta se deitou na cama. Inuyasha abriu um sorriso ao lembrar da parceira fazendo caretas em frente ao espelho; ela era um mistério sempre séria e implicante, mas capaz de se divertir com as coisas mais simples. E pensando na parceira adormeceu.

Na manhã seguinte eles saíram cedo para conhecer o centro de Moscou que era cercado por belas lojas, Kagome caminhava na frente e Inuyasha estava apenas alguns passos atrás da moça.

-"Desse jeito vai ser difícil me aproximar dele" – pensava Kagome decepcionada com o fato de Inuyasha se manter tão distante dela

Ao virar a cabeça Kagome se deparou com um vestido exposto numa vitrine que lhe chamou a atenção. O vestido era de um tom azul escuro como o mar, o corpete tinha bordados no mesmo tom do vestido e a saia era longa e pregueada, um sonho em termos de vestidos. Kagome não tinha muito da vaidade feminina, não porque não soubesse se arrumar, apenas não o fazia porque não tinha motivos para faze-lo, usava roupas simples e discretas, como espiã era primordial que nunca atraísse muita atenção para si mesma.

Não resistindo a tentação consumista que lhe invadiu entrou na loja para ver o vestido, Inuyasha a seguiu. Ao entrar no estabelecimento logo avistou uma mulher vestindo um avental preto bordado com o emblema da loja, a mulher tinha uma cara esguia e pálida e cabelos negros

-Eu quero ver aquele vestido – disse apontado para o vestido que estava na vitrine.

A vendedora da loja a olhou com desdenho, e virando o rosto pronuncionou algumas palavras em russo para uma outra vendedora mais velha e obesa que a primeira; Kagome não entendeu o que a mulher dissera. Na verdade nem Inuyasha e nem Kagome falavam uma palavra sequer do idioma local, por isso precisavam tanto da ajuda do Mirok e da Sango. A outra vendedora caminhou em direção a Kagome e ao se aproximar dela começou a falar num inglês quase inteligível.

-O que quer americana? – perguntou com indiferença

Kagome torceu o nariz ao escutar a palavra americana.

-Eu quero ver aquele vestido – respondeu altivamente e apontou novamente para o vestido na vitrine.

A mulher com certa dificuldade caminhou até a vitrine e retirou o vestido, depois se aproximou de Kagome e lhe estendeu o vestido, a jovem olhou para a peça na mão da vendedora.

-Aqui esta americana.

Sem tocar na peça Kagome apenas ordenou-lhe.

-Embrulhe que eu vou levar – a vendedora a olhou enviesada pela postura altiva que Kagome ostentava – aliás, eu sou a senhorita Higurashi – a olhou por cima – será que consegue pronunciar isso? – disse debochadamente.

A vendedora virou as costas, Kagome olhou para o parceiro que parecia estar se divertindo com sua atitude perante a vendedora preconceituosa.

-Acho que não! – disse quase que num sussurro para Inuyasha.

Depois seguiu os passos da vendedora. Ao sair da loja carregando uma pequena sacolinha de papel pardo com o emblema da loja, Kagome esboçava um ar de satisfação por ter adquirido tão bela peça de vestuário, ainda que tal luxo que lhe tivesse custado uma pequena fortuninha, mas o que importava certas extravagâncias ocasionalmente. Além disso, respondera a altura para aquela vendedora que a tratara com tamanha indiferença.

Kagome viu ao longe uma pista de patinação, e se aproximou para ver as crianças e adultos se divertindo sobre patins de gelo.

-Se arriscou demais na loja – repreendeu o parceiro

-Ela começou me chamando de americana! – defendeu-se

-Devido à rivalidade internacional que está ocorrendo entre Estados Unidos e União Soviética é comum esse tipo de preconceito, deveria estar preparada para ser discriminada.

-Inuyasha, ninguém gosta de ser discriminado.

-Bah! Devemos nos acostumar a que nos olhem com indiferença, faz parte da natureza humana.

Kagome olhou o parceiro e lhe veio a mente a imagem deles caminhando pelas ruas de Moscou em direção ao apartamento de Mirok e Sango, lembrou da maneira como as pessoas olhavam para Inuyasha; e então entendeu o que ele queria dizer com aquela história de se acostumar com a discriminação.

-Inuyasha, você não gosta de mim por que acha que eu sou como os outros?

Dessa vez foi Inuyasha que a olhou intrigado e desconcertado com a pergunta da moça.

-Bah! Quem disse que eu não gosto de você?

-Está sempre me maltratando, e não é nada gentil comigo.

Inuyasha pegou no pulso de Kagome fazendo-a corar.

-Isso não tem a ver com você Kagome, nunca teve – disse o meio-youkai olhando fundo nos olhos da jovem.

Percebendo o quão constrangedor estava a situação, Inuyasha largou o pulso de Kagome, que voltou seu olhar para a pista de patinação.

-Inuyasha – olhou para o parceiro que também olhava a pista de patinação – quer patinar?

O meio-youkai a olhou espantado com o convite, mas logo em seguida balançou a cabeça em sinal positivo.

Kagome e Inuyasha entraram na pista de patinação e se mostraram ser ótimos patinadores no gelo, ainda que Inuyasha tenha levado alguns tombos o que fez Kagome rir muito do parceiro. Ao sair da pista Kagome pisou sem querer numa falha da pista e sentiu o corpo cair para trás, o choque contra o gelo seria inevitável fechou os olhos, mas sentiu um par de mãos nas suas costas, ao abrir os olhos viu os olhos cor de âmbar do parceiro sobre os dela.

-Tem que ser mais cuidadosa – repreendeu Inuyasha ajudando a ficar em pé.

Quando saíram da pista, eles decidiram retornar para casa, à noite teriam que ir se encontrar com Mirok e Sango; iriam invadir a fábrica para tirar as fotos; eles caminhavam lado a lado quando Kagome adiantando-se alguns passos ficou frente a frente com o parceiro.

-Inuyasha, eu quero te agradecer por ter me salvado – o meio-youkai a olhou intrigado - Se não o fizesse eu poderia ter me machucado ou até mesmo...morrido.

Inuyasha ficou surpreso com as palavras de agradecimento de Kagome, ainda que nem por um momento tivesse pensado nessas possibilidades, a verdade é que apenas a protegera porque sentira que devia faze-lo.

-Bah! Não precisa me agradecer.

O silêncio deu lugar as palavras, e o olhar de ternura que ambos trocavam naquele momento falaram por eles, Kagome é a primeira a quebrar aquele momento ao lembrar o parceiro do compromisso.

-É melhor voltarmos para o apartamento, já são 5 horas.

Os dois continuaram a sua caminhada, algo entre eles estava mudando a cada dia.