Nata da Autora: Desculpa a demora para postar! Mas o colégio exige muito da gente:D Mas, até que enfim, aqui está o terceiro capítulo de Strawberry Fields Forever. Caso vocês queiram me ajudar no que pode acontecer na história, mandem reviews:D

Beijos, Cellah!

Disclaimer: Infelizmente, Inuyasha não me pertence. Mas eu conheço um. :D

Capítulo 3:

"Pai!" Gritei assim que abri a porta e pus um pé no chão de madeira. Nenhuma resposta. Continuei andando, enquanto a madeira abaixo de meus pés rangia. "Pai!" Tentei de novo, ainda sem nenhuma resposta.

Fui em direção à cozinha, virando uma porta. Levei um susto quando vi um pouco de sangue na madeira velha da mesa, uma mão. Continuei a seguir os pingos de sangue que se espalhavam pelo chão. O medo de virar e encontrar uma cena grotesca era tão grande, que quase parei de andar. Não tinha saída pela cozinha, o que significava que a cena grotesca deveria estar logo virando a porta. Não tinha coragem. Talvez eu tivesse pedido ajuda do Inuyasha, mas ele já estava a caminho do palácio.

Encarando meu medo, botei uma mão no batente da porta para me segurar caso minhas pernas falhassem, e dei um passo em direção à porta aberta. Outro passo, outro passo, e abrindo os olhos, vi uma cena surpresa. Meu pai, deitado no chão, com uma faca no estômago, sangue jorrando de seu corpo.

"Pai.." Sussurrei enquanto ajoelhava perto de meu pai. Ao ver que não tinha respiração, nem pulso, segurei a mão do homem inerte à minha frente e desatei em lágrimas, abraçando o papai, me cobrindo e enlameando de sangue. Suavemente, tirei a faca que estava enfiada na barriga dele. Queria vingança. A única família que me restara estava destruída, e nem sabia por que. O que meu pai tinha feito de tão mal para merecer morrer daquele jeito?

Não poderia deixá-lo ali, a coisa mais inteligente que poderia fazer era chamar os guardas da vila e pedir notícias e ajuda para enterrar meu pai. Dito e feito entrei em casa guiando-os até o corpo, não só os guardas como também vários olheiros curiosos da vila. Nem me importavam mais, eles não eram tão importantes assim.

"Se vocês tiverem algum motivo para isso ter acontecido, me expliquem." Falei, os meus olhos vermelhos encarando os olhos penosos dos guardas.

"Lamento lhe informar isso, criança." Começou o guarda. "Mas seu pai não era um dos homens mais honestos desse vilarejo."

"O que você quer dizer?" Perguntei surpresa, enquanto os guardas retiravam o corpo do meu pai e faziam a avaliação do local para saber detalhes do acontecido.

"Seu pai era parte de um grupo de assaltantes e, pelo visto, eles se rebelaram hoje." O guarda explicou enquanto eu o olhava, atônita. Com mais algumas olhadas no lugar, analisando a situação. "Com certeza foi esse grupo." Ele concordou enquanto botava a mão na mesa para examinar as marcas de sangue deixadas para trás.

"Meu pai.. Como? Não pode ser!" Eu estava atenta ao fato de que eu não falava nada com nada, mas o pai que eu conhecia a minha vida toda, podia ser tudo, menos ladrão!

"Desculpe, querida. Mas é só isso que temos a falar." Falou o guarda enquanto se retirava da pequena casa. Agora mínima sem a presença do papai, e ainda com todo sangue no chão, mas agora sem o corpo.

Não consegui falar nada, nem agradecer, nem pedir ajuda, nem pensara aonde iria e o que iria fazer com essa tragédia. Minha vida se resumia a meu pai, e agora, recentemente, a Inuyasha. Inuyasha! Como ele poderia se casar com a filha de um ladrão!? Com certeza ele já soubera da notícia.

'Quem matou meu pai?' esse erao único pensamento que passava pela minha cabeça vazia. A chuva começava a cair forte, lá fora, e eu dentro da casa cheia de sangue, marcas e sinais de luta. Como poderia continuar ali, naquela casa? Como poderia continuar naquela vila? Cada pergunta sem resposta.

Peguei um papel, uma pena e um tinteiro. Puxei a cadeira, joguei o papel e a pena na mesa, já com o sangue seco, e pousei o tinteiro suavemente, num lugar longe de todas as marcas. Molhei a ponta da pensa na tinta, e comecei a escrever. Mais lágrimas saíam de meus olhos enquanto eu ia escrevendo as palavras cuidadosamente.

'Inuyasha,

Com certeza você já deve saber o que aconteceu aqui. Não posso obrigá-lo a ter um casamento desse tipo, nem você pode me obrigar a causá-lo e envolve-lo em tanto distúrbio. Peço-lhe apenas que nunca se esqueça que eu realmente te amei. Quero que saiba que eu não tenho culpa da profissão de meu pai, que até agora não sabia qual era, para ser mais sincera.

Quero que você se lembre, que eu nunca o esquecerei. E aonde quer que eu vá, a lembrança do nosso primeiro beijo com o gosto de morangos sempre vai estar do meu lado. Prometo-lhe, se ainda me quiser, que volto, assim que der um tempo fora da vila.

Do seu Morango, Kagome.'

Estava aos prantos ao terminar de escrever essa carta, sabia que Inuyasha iria ler cedo ou tarde, ele viria me procurar para o jantar. Pensando nisso, me levantei deixando o papel em cima da mesa subi as escadas da pequena casa, ignorando a tão acostumada poça de sangue no chão da cozinha. Entrei no quarto, abri o armário, achando uma mala marrom velha, que a ultima vez que usara havia sido quando eu e papai viajamos para a vila vizinha, o mais longe que eu fui até hoje. Peguei três vestidos, duas saias e três blusas, jogando-as de qualquer jeito na mala.

Depois de terminar de fechar a mala, fui correndo para o quarto de meu pai, sabia aonde ele guardava o dinheiro, em caso de emergência. Bom, aquilo era uma emergência. Pelo amor de Deus, ele estava morto!

Peguei dinheiro o suficiente para alguns meses. Nunca havia percebido a quantidade excessiva de dinheiro que papai tinha embaixo do colchão, era muito dinheiro para um pobre agricultor. Projetos ilegais e envolvimentos com pessoas erradas, com certeza, davam mais dinheiro que uma vida simples de agricultor, mas o preço a pagar era muito mais caro do que impostos, no caso de meu pai, pegaram-lhe a vida.

'Por causa dessa minha covardia de enfrentar a verdade, e da minha coragem de procurar o assassino. Posso perder a coisa mais importante da minha vida agora.' Pensei enquanto rumava à porta principal da pequena casa. Chegando no batente da porta, olhei para trás pela última vez, e fechei a porta, querendo deixar tudo aquilo para o passado.

'Por que ela ta demorando tanto!?' Eu pensava enquanto andava de um lado para o outro na sala de estar, o chão de mármore fazia barulho agudo devido ao pequeno salto do sapato formal. Estava irritando todos naquela sala com aquele barulho, mas não me importava.

"Inuyasha, sossegue!" Minha mãe ficava repetindo do sofá branco, onde ficara me observado ir de um lado para o outro.

"Vá procurá-la, alguma coisa pode ter acontecido." Meu pai falou com um sorriso sereno, observando minha mãe jogada no sofá agora, exclamando um: 'Graças a Deus, ele parou com o barulho!' Resolvi ignora-la, fiquei mais preocupado com o que papai me disse. 'Será que tinha acontecido alguma coisa?' Começara a aumentar a preocupação. Sai correndo sem dar explicações, passando rápido pela porta, e em seguida pelo grande portão que guardava o castelo.

Uns minutos depois, devido à corrida e a minha condição de meio youkai, já tinha chegado. Reconhecia aquela casa, era a casa de Kagome, e, pelo visto, parecia vazia. A minha preocupação ficava cada vez maior, e se ela tivesse sido raptada por algum maluco? Nunca me perdoaria por tê-la deixado sozinha!

Fui chegando perto da porta, esta estava apenas encostada então, apenas empurrei a porta. "Kagoooome!" Dei um passo para dentro da casa, ainda procurando pela garota, mas a casa parecia estar vazia, com apenas algumas velas acesas no decorrer da pequena casa. Indo mais à frente, seguindo para a cozinha, passando por uma mesa com um papel em cima, mas antes de ler o papel, vi a quantidade de sangue no lugar. Com o papel na mão, sangue na mesa onde este se encontrava e o medo de descobrir o que e de quem era aquele sangue todo. Com medo de saber que era o sangue de Kagome, o que era a mais provável, pelo visto.

Medo me dominava, minhas mãos tremiam enquanto eu segurava o papel com força. Meus olhos passavam pelas palavras escritas com a aplicada letra de Kagome. O medo desaparecia conforme eu ia lendo cada palavra escrita. 'Kagome estava chorando! Ela não queria me deixar!' Apesar desse pensamento ser muito mais animador, não entendia o por que dela ter ido embora. "Com certeza você já deve saber o que aconteceu aqui" ela disse. Maseu não sabia! Como poderia saber? O que ela pensou que eu imaginaria vendo a quantidade de sangue que dominava o lugar?!

Com essas dúvidas, segui o trilho do sangue que infestava todo aquele lugar. Vi o que estava marcado no chão o que era um corpo, mas já tinha sido retirado do local contornado por sangue, voltei para a pequena sala, onde tinha uma escada de madeira. Segui até esta, subindo os degraus rapidamente, seguindo para o segundo andar da pequena casa de campo. Três pequenas portas feitas de madeira eram o único sinal de que aquela casa não era para uma família grande.

Entrei em um dos cômodos, a partir das escadas não havia mais sangue, a casa estava limpa. O primeiro cômodo era um simples banheiro, que devia ser dividido igualmente pelo pai e filha. Saindo do banheiro, entrei na segunda porta, que ficava bem grudada com a primeira. Abrindo a porta, logo senti seu cheiro. 'Kagome...' Pensei enquanto sentia o ainda presente cheiro de morangos. O quarto, que eu bem já conhecia de situações anteriores, a janela, a cama grudada nesta. Corri para o armário, sem motivo nenhum, mais como um sentimento, e uma vontade quase que invencível de obrigá-la a voltar, de ficar a seu lado, de abraçá-la, beijá-la. Nunca sentira isso antes.

Abrindo o armário, o cheiro de morango era maior, infestando os vestidos claros e curtos da garota. Eu a imaginava usando cada um daqueles vestidos só para mim, cada acessório contido nas gavetas que ia abrindo, uma a uma, das quatro pequenas gavetas. Meias, colares, brincos, anéis e...

'CALCINHAS!' Exclamei quando abri a quarta e ultima gaveta do armário. Um sorriso malicioso surgiu no meu rosto, quase que inconscientemente, enquanto minha mão adentrava naquela... Bem, como poderia declarar aquilo? Fortaleza? Intimidade? Melhor! Gaveta de calcinhas da minha amada. Ai, ai, Kagome... Ficaria te devendo uma, não?

Minha mão ia passando pela gaveta, pelas calcinhas brancas de Kagome. No meio delas, qual foi a minha surpresa em achar três calcinhas não normais pra uma garotinha doce e inocente como Kagome. Uma de renda branca, outra vermelha, e a outra preta. 'Caramba, Kagome!' Ia falando em pensamento enquanto me deparava com as calcinhas ousadas. Pelo menos, eu não iria viver na miséria e solidão afetiva enquanto estivesse casado com ela. Afinal, será que ela ainda me aceitaria? Afinal, onde ela estaria?

Ouvi um barulho na porta, quando olhei para ver o que tinha acontecido, um policial estava parado olhando para mim, que ainda segurava o fio dental de Kagome.

'O príncipe aqui? Segurando isso?' Começou ele risonho.

'Não é nada do que está pensando!' Exclamei jogando de volta a calcinha de volta para a gaveta. 'Afinal, você sabe onde ela está? Sabe o que aconteceu aqui?' Mudei de assunto, afinal a curiosidade era maior do que o estado em que aquele policial havia me encontrado.

'O que todos já esperavam que acontecesse, príncipe.' Falou este indo da porta pra única cama vazia, seguido por mim.

'Como assim?' Perguntei sentando me de seu lado.

'Ela descobriu que o pai dela não era uma pessoa tão honesta quanto dizia ser. Mataram o pai dela, ela identificou o corpo, nos deixou levar o corpo, e agora eu voltei pra ver como ela estava, e acho você numa situação constrangedora.' Terminou este rindo.

'Vai falar que você nunca deu uma espiadinha nas calcinhas da sua namorada?' Ri com ele, não era meu normal, mas Kagome havia mudado alguma coisa em mim. Kagome? Onde será que ela estaria?

'É natural de todos os homens isso, não?' Rimos juntos. 'Afinal, você sabe onde ela está?' Perguntou novamente sério, o policial.

'Nem idéia...' Falei abaixando os olhos, a franja cobrindo. 'Era prela ter jantado com meus pais. Ela só deixou uma carta para mim.' Assim falado, levantei da cama e fui direto para porta. A voz do policial interrompeu minha saída.

'Ei..' Parei ao chamado, encostado no vão da porta. 'Segue tua vida, ela vai voltar.' Sorri e saí da casa.

'Inuyasha!' Exclamou a Rainha ao ver o príncipe entrando pelos portões. 'Já sabemos das noticias, e queremos que você saiba, que ainda a escolhemos!' Falou chagando perto, aperto o filho num abraço carinhoso e reconfortante.

'Mãe, ela pode não voltar mais.' O pequeno Hanyou encobriu a cara na roupa da mãe, apesar de que não chorava.

'Se ela não voltar em um ano, você se casará com outra. Mas só se ela não voltar.' Falou a rainha, afastando-o de si, e olhando em seus olhos.

'Tudo bem..' Falando isso, ele subiu as escadas para seu quarto.

'Querido, o prazo vai se esgotar!' Virou para o marido. 'Ela não vai chegar antes dele completar dezoito, o que aconteceu com ela foi muito ruim!'

'Precisamos fazer o possível pra que ele não perca as esperanças!' Eles sentaram no sofá, e ficaram conversando.

'Oi, princesa. Quer carona?' Falou um carroceiro, piscando o olho para a pequena garota que passava pela estrada. Ela simplesmente ignorou, continuando seu caminho a pé. Sabia que estava longe de Inuyasha agora, mas não queria ficar tão longe. Com esses simples pensamentos, mais e mais lembranças do acontecimentos do dia anterior começaram a pertubá-la. Não consegui segurar as lágrimas que caíam de seus olhos redondos.

'Minha querida, você está bem?' Uma mulher idosa, com o rosto enrugado pelos anos perguntou, enquanto Kagome passava por ela com o rosto brilhante e molhado das lágrimas que derramava. Sem receber resposta da garota chorosa, a velha pegou a mão da garota e a guiou, sem receber protestos desta, até sua simples casa.

'Por que você está assim, minha menina?' A velha perguntou enquanto sentava a garota no sofá da cabana de três pequenos cômodos, de um só andar. A construção de tijolos, apesar de tudo, era aconchegante. Uma pequena sala com cozinha, um quarto pequeno, com um colchão no chão, e um banheiro pequeno e simples.

Apesar de não falar nada, Kagome sabia que estava segura lá.