CAPITULO 10 – CIÚMES
Kagome chegou em casa após seu primeiro dia de expediente na fábrica se sentia cansada e arrasada. Ao abrir a porta do apartamento encontrou-o vazio, deduziu que Inuyasha ainda não houvesse retornado da fábrica, sentou-se no sofá, retirou o sapato e encostou a cabeça numa das almofadas que ali estavam. A cena de Inuyasha na porta observando ela e Kouga naquela situação no mínimo constrangedora veio a sua cabeça.
-Maldito, por que ele tinha que estar lá naquele momento? – amaldiçou o parceiro, mas logo mudou seu tom - Inuyasha o que estará pensando de mim? – a garota levantou a cabeça da travesseira – o que me importa o que ele pensa de mim? Eu precisava fazer isso, é parte da missão – afirmou a fim de diminuir a culpa que sentia por ter entrado no jogo de sedução de Kouga.
Kagome levantou-se e foi tomar banho, quando saiu do banheiro e foi para o quarto encontrou Inuyasha terminando de abotoar o pijama. O meio-youkai a olhou surpreso, e Kagome aproveitou a oportunidade para explicar ao parceiro o que havia acontecido.
-Inuyasha sobre o que aconteceu hoje de manhã na sala do Kouga...
-Feh! Não me importa o que você faz – disse com desdenho deixando a garota sem jeito
Inuyasha começou a caminhar em direção a porta carregando um cobertor e uma almofada.
-O que está fazendo?
-Eu vou dormir na sala – respondeu secamente, e parou bem próximo a garota – Você está com um cheiro insuportável de lobo.
Kagome sentiu o sangue ferver com o comentário e não pode evitar retrucar.
-O que foi Inuyasha, por acaso está com ciúmes? – perguntou sarcástica.
Inuyasha parou de caminhar, estava de costas para a garota, seguiu-se o silêncio, o meio-youkai virou-se para Kagome e por fim respondeu a pergunta.
-Bah! Aquele lobo fedido deveria ter contratado-a como concubina ao invés de secretária.
Kagome cerrou os punhos
-Eu te odeio Inuyasha – bateu a porta do quarto com tanta força que o som ecoou por todo o apartamento.
Kagome deitou-se, mas não conseguia dormir pensando na discussão que a pouco tivera com o parceiro. A verdade é que lhe intrigava Inuyasha ter agido daquela maneira só porque ela estava dando em cima de Kouga, afinal eles nem eram casados no papel, apenas fingiam para as pessoas ao redor tinham um laço matrimonial que os unia. E novamente as lembranças da antiga agência invadiram-lhe a mente; e mais uma vez arrependeu-se de ter aceitado a missão, algo em seu interior lhe dizia para abandonar tudo e voltar para Nova Iorque, sabia que seria aceita novamente se pedisse para retornar, no entanto, seu orgulho era maior do que seu sexto sentido.
Na sala Inuyasha também não conseguia pegar no sono, ficava a todo instante lembrando da parceira, virava-se um lado para o outro no pequeno sofá, mas o sono não veio; algo o incomodava o cheiro dela estava em todo o canto daquele apartamento, virou-se novamente e enterrou a cabeça na travesseira, não demorou até que se levantasse e arremessa-se para longe a travesseira que atingiu um vaso que se rompeu no choque contra o chão.
-Maldição, essa era a travesseira dela!
Inuyasha havia pegado por engano a travesseira de Kagome, era por isso que o cheiro dela estava tão próximo a ele. Levantou-se e abriu a janela na tentativa de livrar-se do cheiro dela, o ar frio da noite invadiu o apartamento fazendo se arrepiar. Sentia-se ridículo por tomar aquelas atitudes; fechou a janela e dirigiu-se até o sofá, olhou para chão e viu a travesseira ao lado dos cacos do que um dia fora um vaso, recolheu a travesseira do chão, e voltou a deitar-se usando a travesseira como encosto. Kagome tinha um cheiro de rosas muito agradável, que era ainda mais perceptível por narizes sensíveis como o dele.
Na manhã seguinte quando Kagome se levantou Inuyasha já não estava mais no apartamento, a garota voltou ao quarto e foi arrumar-se; indo até seu guarda-roupas escolheu roupas menos provocativas do que aquelas que usara no dia anterior, mas assim eram peças que tinham seu charme.
A noite que passara em claro rolando de um lado a outro da cama fizera Kagome pensar em muitas coisas, e ao final da noite a garota havia tomado uma importante decisão: completaria a missão a qualquer custo. Isso implicava em não se deixar levar pelas opiniões de seu parceiro a seu respeito, afinal já estava acostumada a deixar os sentimentos de lado a fim de obter sucesso nas missões; não importava o que teria que fazer, mas Kouga cairia em seu jogo de sedução, esse era o meio mais rápido que tinha para obter os dados que confirmassem a existência da bomba. Entretanto tal pensamento lhe trazia certo remorso por passar uma imagem de uma mulher fútil diante do parceiro.
Durante a semana que seguiu Inuyasha e Kagome não se encontravam mais, ainda que continuassem morando sobre o mesmo teto; quando Kagome chegava em casa Inuyasha não estava e pela manhã quando saia Inuyasha já havia deixado o apartamento. Kagome chegara a pensar que o parceiro não estava mais vindo para a casa, mas em uma noite quando se levantou para se certificar de tal teoria viu que ele estava dormindo na sala.
Ao chegar na fábrica encontrou Inuyasha na portaria, o meio-youkai logo desviou os olhos da garota, Kagome fingiu não notar a presença dele naquele lugar, afinal ninguém poderia suspeitar da relação deles. Dirigiu-se até o setor administrativo da fábrica, e sentou-se em sua mesa, Kouga ainda não havia chegado, aproveitou a oportunidade para ler alguns documentos classificados como confidenciais.
-Não sabe ler – disse uma voz as suas costas - esses documentos são confidenciais, não tem autorização para lê-los.
Kagome imediatamente reconheceu a voz da ex-secretária de Kouga: Ayame. Virou-se lentamente para fitar a garota.
-Não pode ficar lendo documentos confidenciais – continuou Ayame retirando a força a pasta das mãos de Kagome.
-Devolva isso para a Kagome – disse Kouga que acabara de entrar na recepção naquele momento – ela agora é a minha secretária particular pode ter acesso a qualquer documento da fábrica.
Kagome abriu um largo sorriso para Ayame que não gostou nada de ter sido repreendida por Kouga.
-Kagome estou lhe esperando na minha sala – disse o youkai lobo entrando na sala e fechando a porta as suas costas.
Kagome puxou a pasta das mãos de Ayame.
-Ouviu isso querida – disse debochada – agora é melhor cuidar da sua vida.
Ayame saiu pisando firme enquanto Kagome explodia de alegria por dentro, Kouga lhe seria um aliado importante para conseguir os documentos que precisava, ainda que esse não soubesse disso. A garota ajeitou a saia e abriu os dois primeiros botões da blusa, deixando parte do colo a mostra, e começou a caminhar em direção a sala de seu chefe.
Inuyasha aproveitou a distração de alguns guardas para caminhar pela fábrica a fim de verificar algo suspeito, depois de andar por diversos corredores que conduziam a depósitos cheios de armamentos bélicos, o meio-youkai constatou que aquela fábrica não abrigava nenhuma bomba nuclear; o que era muito suspeito já que a missão deles consistia em achar provas da existência da tal bomba. Inuyasha viu uma sala que não notara antes que existia, no cartaz branco havia uma inscrição em russo que Inuyasha não conseguira decifrar, tentou abrir a fechadura, mas foi inútil a porta estava trancada, tentou forçar quando escutou passos no longo corredor, procurou esconder-se, não podia ser descoberto ali.
Kagome entrou na sala que ao ver a moça imediatamente fechou uma pasta que estava lendo.
-Kagome, o que deseja?
-Kouga preciso que assine alguns documentos – disse inclinando-se sobre a mesa, notou que Kouga olhou para seu decote nessa hora.
Assim que Kouga assinou os papéis, Kagome recolheu-os e começou a caminhar em direção a porta, quando seu chefe a chamou novamente.
-Kagome daqui a uma semana terei um baile, e precisava de companhia para o baile.
-Oh Kouga – fez cara de surpresa
-Kagome gostaria de me acompanhar?
-Sim – disse abrindo um sorriso forçado e saiu da sala.
Kagome sentou-se na mesa da recepção, apoiou os cotovelos na mesa e segurou a cabeça com as mãos.
- "Um baile com o Kouga, o Inuyasha vai me matar!" – pensou, mas logo se deu que novamente estava se preocupando com o opinião do parceiro a seu respeito – "por que eu me importo tanto com ele?" que boba que eu sou!
A verdade é que de alguma forma estranha não podia deixar de pensar no que Inuyasha pensava a seu respeito, ela tinha consciência que a atitude atirada que estava tomando ultrapassava qualquer limite de moral existente na sociedade tradicionalista da época; muitos a considerariam uma mulher vulgar quase uma prostituta.
Depois de algum tempo ali sentada na mesa da recepção, Kagome levantou-se já que tinha que levar uns papéis num outro departamento da fábrica, ultimamente era a única coisa que vinha fazendo levando documentos de um lado para o outro e separando documentos para o Kouga assinar, não havia descoberto nada a respeito do novo chefe.
A garota caminhava distraída pela fábrica quando esbarrou em alguém, ao olhar para ver quem era ficou surpresa ao ver Inuyasha a sua frente.
-Inuyasha
-Deveria ter mais cuidado por onde anda – disse o meio-youkai que prosseguiu seu caminho quando sentiu Kagome o segurando pela blusa.
-Inuyasha eu preciso falar com você – suplicou Kagome e diante daquele olhar da parceira o meio-youkai não pode negar.
Inuyasha a puxou para uma pequena sala vazia que havia naquele corredor, fecharam a porta com a chave a fim de não serem incomodados, Kagome colocou os documentos sobre a mesa e virou-se para fitar o parceiro.
-O que quer? – perguntou o parceiro indiferente
-Inuyasha, eu sinto a sua falta.
O meio-youkai ficou desconcertado com as palavras doces e sinceras da jovem, ele também sentia a falta dela, havia dias que eles não se encontravam.
-Kagome, eu também
Ao escutar que o parceiro também sentia a sua falta, uma felicidade inexplicável invadiu a garota, e ela não pode evitar de abraça-lo; Inuyasha retribuiu o abraço carinhoso da parceira, queria ficar junto dela para sempre. Kagome desvencilhou do abraço, não podia demorar a voltar.
-Inuyasha eu tenho que ir, o Kouga pode sentir a minha falta.
Inuyasha a puxou para perto de si novamente
-Não gosto de te ver ao lado daquele lobinho!
-Inuyasha, não tem outro jeito – olhou nos olhos do parceiro – é a única maneira de faze-lo confiar em mim e assim eu poderei ter acesso aos documentos confidenciais.
-E para isso precisar ficar dando em cima dele!
-Inuyasha, está com ciúmes? – perguntou debochadamente.
Inuyasha não gostou da pergunta da parceira, estava com ciúmes sim e daí, era normal sentir isso quando se ...gosta? estava mesmo gostando dela ao ponto de sentir ciúmes?
-Não se preocupe – continuou Kagome recolhendo os documentos que estavam sobre a mesa – eu não gosto dele nem um pouquinho – disse abrindo um sorriso para o parceiro.
Kagome saiu da sala, deixando Inuyasha para trás. O meio-youkai não podia negar que algo entre ele e Kagome estava mudando, melhor havia mudado, e essa mudança era cada vez mais clara; mal esperava para se encontrar com ela a noite, poderiam ficar juntos mais uma vez.
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COMENTÁRIO DA AUTORAAntes de mais nada gostaria de responder uma dúvida que sempre surge: O CASAMENTO DE INUYASHA E KAGOME. Primeiro o que eu gostaria de esclarecer é que Inuyasha e Kagome não são casados oficialmente. Sim, eles apenas estão "fingindo" que estão casados para as pessoas ao redor deles; tanto que ele nem se quer viajaram juntos para a União Soviética já que naquela época uma moça viajar com sozinha com um homem era algo muito incomum e imoral. No entanto assim que chegou no país fingiu ser a 'esposa' de Inuyasha a fim de justificar o fato de que ela e ele moravam juntos, eles não iam casar de verdade só para cumprirem a missão!
Outra dúvida é relacionada ao EMPREGO DE INUYASHA E KAGOME NA FÁBRICA. Nesse assunto o ponto é como contrataram a Kagome sendo que ela era 'casada' com Inuyasha, e os documentos dela eram americanos...e por aí vai. A contratação da Kagome e do Inuyasha foi feita através de Kouga e Myuga respectivamente, eles foram os responsáveis pela entrada dos dois na fábrica. Myuga apresentou Inuyasha como o novo guarda da fábrica, e Kouga se encarregou da Kagome; como puderam perceber o cargo que eles ocupavam eram cargos simples e sem importância, uma secretária e um guarda, dessa maneira passavam desapercebidos pelos demais.
Como puderam notar a história está entrelaçada e bem fundamentada, não há contradições apenas detalhes que acabam passando desapercebidos ao longo da história. As contradições são na verdade ocasionadas por falta de informações, mas acreditem que até o final dessa emocionante história irão saber de todos os detalhes.
QUANDO TIVEREM DÚVIDA É SÓ ESCREVER QUE EU RESPONDO!!!
RESPOSTA DAS REVIEWSQuero agradecer aqueles que vem acompanhando fielmente a história, e espero que estejam gostando dessa trama que promete muito.
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No próximo capítulo todos têm SEGREDOS A SEREM GUARDADOS, mas parece que Kagome é a que mais sofre com isso. Finalmente vamos conhecer o grande amor do passado de Kagome.
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