CAPITULO 15 – UMA GRANDE SURPRESA – MAIS SEGREDOS A SEREM GUARDADOS
Os primeiros raios de sol invadiram o aposento, ao despertar Kagome viu-se sozinha na cama, mas ao percorrer com o olhar o quarto viu o meio-youkai sentando em uma cadeira observando-a dormir, ele vestia apenas uma calça de malha e sorriu ao ver que a parceira finalmente acordara.
-Inuyasha, acho que dormi demais.
Inuyasha se aproximou da cama, colocou o joelho direito sobre o colchão e aproximando o rosto do rosto da jovem deu-lhe um singelo beijo de bom-dia, mas o inocente beijo logo se transformou em um beijo ardente, o meio-youkai ergueu a mão direita da jovem entrelaçando seus dedos, Kagome sentiu uma fina corrente entre seus dedos, e interrompendo o beijo olhou para a sua mão direita viu que entre seus dedos havia uma fina corrente de ouro com um pingente redondo de pedra rosa. O pingente brilhou quando um dos raios de sol que incidiam pelas frestas da janela iluminou-o, Kagome ficou encantada com o presente.
-Inuyasha o que significa isso? – disse a jovem ajeitando-se na cama.
O meio-youkai sentou-se a seu lado.
-Achei que ficaria bonito em você. É uma pedra muito rara, é a pedra de shikon.
-É lindo, mas como conseguiu isso?
-Pertenceu a uma pessoa muito querida.
Kagome emburrou a cara, e ao notar isso Inuyasha percebeu que a parceira entendera errado.
-Hei pertenceu a minha mãe.
-Se era da sua mãe, então não deve ficar comigo – disse estendendo a jóia para Inuyasha.
-Kagome, você é a pessoa certa para ficar com essa jóia.
-Como sabe que eu sou a pessoa certa? – o olhou de soslaio.
-Porque você é a pessoa que eu amo.
A garota se comoveu ao escutar Inuyasha falar que a amava, colocou a jóia em seu pescoço e foi até o espelho ver como ficava.
-É muito linda
-Minha mãe disse que eu tinha que manter essa jóia perto de mim – Inuyasha parecia um pouco constrangido em contar essa história.
-E por que me deu? – perguntou a jovem intrigada com o assunto.
-Tenho que cumprir o que minha mãe me pediu, como a jóia agora está com você...
Inuyasha não precisou terminar a frase para que Kagome entendesse o que meio-youkai tão timidamente tentava dizer. Ele tinha que manter a jóia de shikon perto dele, como a jóia agora estava com Kagome, ele teria que mantê-la perto dele. A jovem esboçou um sorriso ao chegar a essa conclusão tão simples, mas que tinha um significado tão próprio; se aproximou do parceiro e deu-lhe um selinho.
-Obrigada, e pode deixar que a jóia não sairá de perto de você.
-É o que eu mais desejo – desabafou.
- Agora eu tenho que me arrumar.
Inuyasha emburrou ao escutar as palavras de Kagome, novamente os ciúmes tomava conta de seu ser. A jovem fingiu não notar o desagrado do meio-youkai ao fato dela ter que ir trabalhar com Kouga novamente e foi para o banheiro se trocar. Escolheu peças do vestuário o mais discretas possíveis, e Inuyasha vestiu novamente a seu uniforme de segurança não deixaria Kagome ir sozinha para aquele lugar.
Kagome chegou um pouco mais tarde do que costumava a chegar na fábrica, pudera depois da noite que tivera ao lado de Inuyasha. A jovem estava radiante e sorridente, Ayame torceu o nariz ao notar a alegria de Kagome.
Kouga chegou pouco tempo depois de Kagome, e ao ver a moça na recepção logo se dirigiu a ela.
-Minha querida como está?
-Estou ótima – disse Kagome sorridente, mas em seguida se arrependeu do que dissera já que esquecera que na outra noite havia saído do baile porque 'sentira um mal-estar'
No entanto Kouga pareceu não notar o deslize da moça, e apenas esboçou um sorriso, estava feliz pela recuperação da moça. O youkai lobo dirigiu-se a sua sala e fechou a porta, Kagome sentiu-se aliviada, aquela lembrança de sua saída do baile na noite anterior trouxera a tona outra lembrança que parecia ter sido esquecida. As duas pessoas que ela encontrou no baile naquela noite, intrigou-se pelo fato deles estarem lá em meio a tantos militares soviéticos.
-"O que o Mirok e a Sango faziam lá?"
Ficou por algum tempo pensando, no começo acreditou que estavam em uma investigação, mas logo suspeitou disso já que estavam muito bem ambientados, além disso sendo americanos, como Kagome acreditava que eram, não seriam assim tão bem recepcionados em um meio social soviético levando em consideração a atual rivalidade dos países.
Ficou formulando hipóteses e refazendo seus passos até o momento que os vira quando foi desperta de seus devaneios por Ayame que jogou uma pilha de pastas na mesa de Kagome.
-O Kouga precisa revisar esses documentos para amanhã – disse altiva.
Assim que a jovem virou as costas Kagome aproveitou para zombar.
-O Kouga precisa revisar esses documentos – imitou a jovem ex-secretária – que insuportável essa garota!
Levantou-se e foi até a sala de Kouga, bateu três vezes na porta e este ordenou que entrasse.
-Kouga eu trouxe – Kagome interrompeu a frase ao ver o que o chefe fazia naquele momento.
Kouga estava próximo ao cofre no canto da sala e guardava algumas pastas nele.
-"O cofre, eu tinha me esquecido" – kagome mantinha o olhar fixo no cofre aberto.
-O que foi Kagome? – perguntou o youkai lobo fechando a porta do cofre
A jovem balançou a cabeça, e estendeu as pastas para Kouga.
-Tem que assinar esses documentos
-Ponha-os na minha mesa.
Kagome começou a caminhar em direção a mesa, mas antes que a alcançasse numa velocidade incrível Kouga chegou primeiro e guardou um pequeno pedaço de papel branco com alguns números e letras. Kagome pode notar que parecia um código, e logo pensou que se tratava do código para abrir o cofre, viu Kouga guardar o papel dobrado na primeira gaveta, sem deixar Kouga suspeitar a jovem colocou os papéis sobre a mesa.
-Obrigada Kagome – agradeceu Kouga, e Kagome apenas esboçou um sorriso ao deixar a sala.
Sentou-se novamente na mesa da recepção, agora não podia mais perder tempo pensando no que Mirok e Sango faziam no baile, teria que concentrar suas energias para descobrir uma maneira de entrar na sala de Kouga e abrir o cofre.
Kagome saiu mais cedo do que o costume da fábrica, Kouga gentilmente a dispensara mais cedo por ela estar 'cansada' do baile, claro que a jovem não dispensou a oferta já que dessa forma se encontraria com Inuyasha mais cedo. No caminho para o apartamento Kagome passou no parque que havia ali perto, pensou que talvez Inuyasha ainda não houvesse retornado da fábrica. O parque estava vazio naquela hora, começou a caminhar por uma pequena trilha que havia dentro do parque quando sentiu dois braços fortes a puxarem, pensou em gritar, mas uma mão calou-a, não entendia o que estava acontecendo, tentava se desvencilhar quando viu a sua frente a figura esguia de uma jovem garota de cabelos e olhos castanhos, reconheceu-a imediatamente e naquele instante acalmou-se; ao sentir que Kagome não mais se debatia as mãos que a prendiam a soltaram e ao virar para trás encarou novamente aqueles olhos que nunca mais pensara ter que encarar, respirou fundo, não acreditava que eles estavam ali em Moscou, depois de respirar mais uma vez finalmente falou.
-O que fazem aqui? – perguntou ao dono das mãos que a prendiam.
-Agente Kagome que bom que a encontramos! – disse a jovem garota as suas costas.
Kagome sentiu o sangue ferver quando a fina voz da garota entrou por seus ouvidos. Virou-se para a garota.
-Rin, por acaso veio me visitar? – perguntou irônica
-Viemos em missão, assim como você – respondeu Sesshoumauru secamente.
Kagome não suportava quando ele a defendia daquela maneira, a fazia se sentir inferior perante a Rin. Ambas tinham uma rivalidade desde a época que trabalhavam juntas na agência, no entanto, procuravam não demonstrar isso publicamente ainda que certos comentários maldosos trocados por elas fossem inevitáveis, e Kagome odiava quando isso acontencia diante de Sesshoumauru que imediatamente defendia Rin fazendo-a parecer uma tola.
-Muito bom para vocês, espero que disfrutem o clima frio da cidade – respondeu mal-educada.
Normalmente Kagome não responderia dessa forma para Sesshoumauru, mas na atual situação isso pouco importava, ele não era mais o seu chefe.
-Agente Kagome – Sesshoumauru ignorou o comentário mal-educado da jovem – Temos algo importante para lhe dizer.
-Olha Sesshoumauru eu não tenho mais nada a ver com a agência de Nova Iorque, por isso não quero saber – disse virando as costas.
-Estamos aqui investigando o Narak – completou Rin
Kagome parou de andar, e voltou a virar-se para os dois.
-O que sabem sobre a minha missão aqui? – a jovem começava a ficar irritada.
-Essa sua missão é uma farsa – Sesshoumauru era direto e sabia atingir com as palavras.
-O que querem dizer com isso? – gritou.
-Oras Kagome – continuou Rin dispensando formalidades – você está em um jogo de xadrez, e quer saber você é o peão.
-Escuta aqui Rin – ameaçou Kagome, mas recuou diante do olhar de Sesshoumauru – Vão me explicar essa história, ou vamos ficar com joguinhos de adivinhação?
-Narak está passando informações secretas dos Estados Unidos para a União Soviética, o FBI está na investigação e nos contratou para conseguir essas provas.
-Eu sinto muito Sesshoumauru, mas o que está me dizendo não condiz com a minha missão no país.
-Não seja idiota Kagome, está mais envolvida nisso do que pensa – disse Rin num tom de voz firme – trabalha para Narak, se ele for preso por traição você cairá com ele.
A jovem ficou atônica, mas tentou não parecer abalada com as palavras de Rin.
-Eu sei me cuidar sozinha.
-Podemos ajuda-la dizendo que está trabalhando para nós – ofereceu Sesshoumauru
-Em troca de informações que ajudem a prender Narak, estou certa? – Kagome logo imaginou que Sesshoumauru não deixaria essa de graça – Obrigada mas estou em missão com outra pessoa.
-Já sei que é parceira do imprestável do meu meio-irmão – disse Sesshoumauru de pronto.
-Você e Inuyasha são irmãos? – Kagome ficou mais surpresa em saber disso do que em saber que Narak passava informações americanas para os soviéticos.
-Meio-irmãos – repetiu Sesshoumauru – Caso aceite nossa proposta estamos no Hotel Sloktch que fica a duas quadras daqui.
-E Kagome mais uma coisa não confie demais em Inuyasha, pode se arrepender – alertou Rin.
-O que quer dizer com isso?
Rin não respondeu apenas seguiu seu caminho ao lado de Sesshoumauru, Kagome não se importou com as palavras de Rin sabia que ela falara aquilo apenas para atingi-la, nunca gostara dela, pois sabia do amor que ela nutria por Sesshoumauru.
Kagome estava mais preocupada do que nunca, tinha muitos problemas em mente para resolver, ainda que não achasse bsolução para nenhum deles; continuou caminhando até o apartamento.
Inuyasha estava chegando ao prédio onde morava, pelo menos enquanto estivesse em missão, quando ao longe avistou uma mulher trajando roupas vermelhas parada em frente ao prédio; imediatamente reconheceu-a. Ao se aproximar dela antes mesmo de cumprimenta-la já foi direto ao assunto.
-Kikyo o que faz aqui? – perguntou áspero
Ela estava arriscando a missão ao se aproximar assim do prédio, todos ali sabiam que Inuyasha era 'casado' com Kagome, o que diriam se o vissem conversando com outra mulher.
-Já vi que está de péssimo humor. Eu vim apenas passar a informação que me pediu.
-Conseguiu algo sobre o Kouga? – perguntou discretamente.
-Sim, ele é um agente da KGB – disse Kikyo diretamente - Ele trabalha disfarçado na fábrica.
-Sabia que aquele lobo fedido não prestava.
Kagome que já estava bem próxima ao prédio deteve-se ao ver Inuyasha conversando com a mesma mulher que vira naquela noite no clube. Antes que pudesse ser notada por eles escondeu-se atrás de uma árvore e de lá viu quando o meio-youkai despediu-se dela, percebeu que Inuyasha estava feliz com algo, ao ver-lo entrar no prédio pensou em seguir Kikyo, mas logo desanimou e tomou o caminho oposto da mulher que a pouco conversava com seu parceiro.
Kagome não quis voltar para o apartamento, tinha muita coisa na cabeça e não conseguia se concentrar em apenas uma; um dia que começara perfeito agora havia se transformado num pesadelo, e parecia que ela não ia acordar tão cedo desse pesadelo. Caminhou pelas ruas de Moscou, uma fina garoa começou a cair, no entanto, a jovem não se sentiu incomodada por isso, o vento gelado que batia em seu rosto e as suas roupas que começavam a ficar molhadas faziam com que a sensação térmica fosse menor do que a real temperatura.
Inuyasha estava no apartamento esperando por Kagome, o atraso da jovem não era normal, e a cada minuto Inuyasha ficava mais preocupado. O meio-youkai sentou no sofá a fim de esperar o retorno da jovem, a chuva havia aumentando de intensidade, de repente a porta se abriu e Inuyasha sentiu um alivio ao ver Kagome entrando por ela, mas algo o preocupou ao vê-la toda molhada.
-Kagome o que aconteceu? – perguntou o meio-youkai enquanto ia ao seu encontro.
Kagome mantinha um semblante sério e triste, Inuyasha a abraçou, mas essa o empurrou para longe.
-Kagome o que aconteceu? – perguntou novamente dessa vez num tom mais sério.
-Inuyasha quem era aquela mulher que estava conversando com você? – perguntou secamente sem esboçar nenhuma reação.
Inuyasha a olhou firme, não poderia contar de maneira nenhuma para Kagome quem era Kikyo, por isso calou-se. A jovem entendeu o silêncio do parceiro como uma negativa a lhe contar a verdade, e isso a entristeceu mais ainda, pois confiou que Inuyasha não seria capaz de magoá-la daquela forma.
-Pensei que estivéssemos juntos, mas na verdade cada um joga do seu lado.
-Kagome entenda...
Não havia nada que Kagome queria entender, as coisas já estavam o suficientemente confusas sem que houvesse mais mentiras. A jovem apenas virou as costas e foi para o quarto fechando a porta. Inuyasha não teve coragem de segui-la, já que se o fizesse teria que contar a Kagome que ele era um agente duplo, mas como lhe doía vê-la sofrer, foi até próximo a porta do quarto e escutou a parceira soluçando, devia estar chorando, Inuyasha encostou a mão direita sobre a superfície da porta.
-Kagome – sussurrou
Naquele momento ao escutar os soluços da jovem, o meio-youkai sentiu vontade de entrar no quarto e abraça-la, queria contar para Kagome a verdade, não queria mais esconder dela que ele era um agente da CIA, mas não podia fazer isso; virou-se e foi novamente para a sala.
COMENTÁRIO DA AUTORA
Para quem não sabe a diferença entre CIA, FBI e KGB.
KGB -- KGB, acrónimo em russo para Komitet Gosudarstvenno Bezopasnosti (Комите́т Госуда́рственной Безопа́сности; em português, Comitê de Segurança do Estado) era o nome da principal agência de informação e segurança (serviços secretos) da antiga União Soviética, que desempenhava em simultâneo as funções de polícia secreta do governo soviético, entre 13 de Março de 1954 e 6 de Novembro de 1991. O domínio de actuação do KGB, durante a Guerra Fria, pode ser comparado, nos Estados Unidos, à combinação dos serviços secretos da CIA e da segurança interna do FBI.
CIA -- Central Intelligence Agency (em português Agência Central de Inteligência, sigla: CIA) é um serviço de inteligência dos Estados Unidos da América.
Suas atribuições são:
Coletar inteligência através de fontes humanas (HUMINT)
Correlacionar e avaliar inteligência relacionada a segurança nacional americana, divulgando-as de forma apropriada
Fazer outra funções de inteligência ligadas a segurança nacional o que o presidente mandar
A CIA está proibida por lei de coletar informações sobre as atividades domésticas de cidadãos americanos, o que é feito pelo FBI.
FBI -- Federal Bureau of Investigation (em português: Departamento Federal de Investigação ou Escritório Federal de Investigação), ou simplesmente FBI, como é mais conhecido, é o órgão federal dos Estados Unidos que faz o papel da polícia federal daquele país. Sua sede se localiza em Washington, DC.
Não era para explicar isso por enquanto, mas vamos lá.
O FBI tem a sua atuação restrita a nível federal, por isso para investigar o Narak ele não podia fazer isso a nível internacional, por isso contratou Sesshoumauru que tem uma agência de espionagem particular, para ele trazer as informações que precisam sobre o Narak diretamente da União Soviética.
Entretanto, vocês podem me perguntar, mas esse não era o papel da CIA? Exatamente, mas quem disse que o Inuyasha e a Kikyo tem mandado alguma informação decente para eles, e sem provas o Narak não pode ser acusado; como a CIA não está fazendo grande coisa o Sesshoumauru teve que ir lá pessoalmente atrás das informações que o FBI busca, afinal eles não podem ficar esperando as informações chegarem já o Narak pode descobrir que está sendo investigado e acabar indo embora.
E aonde a KGB entra nessa história, bom a KGB é a parte correspondente ao FBI+CIA que existia na União Soviética, ela é era a responsável por investigações nacionais e internacionais, além disso, a KGB teve grande destaque na Guerra Fria onde atuava com investigações de alto nível. Vão entender melhor a KGB mais para a frente.
Vocês entenderam essa primeira parte da história?
Bom essa é a primeira parte do JOGO DE ESPIÕES, eu queria que vocês pudessem entender isso, porque mais para frente a história fica mais complexa a medida que o jogo vai se aprofundando.
Até eu fiquei surpresa com o nó que eu dei na história, mas acredito que vocês vão entender a linha de racicinio.
Daqui pra frente eu vou mostrando a base do jogo.
Prometo que até o final da fic irão entender todo o JOGO DE ESPIÕES que está montado desde o começo da história.
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RESPOSTA DAS REVIEWS
Deixo a resposta das reviews no próximo capítulo. Espero que estejam gostando.
OBRIGADA A TODOS OS LEITORES PELAS REVIEWS, FICO MUITO FELIZ AO RECEBE-LAS
