CAPITULO 16 – O COFRE SECRETO

Quando Kagome acordou Inuyasha não estava mais no apartamento, a jovem se vestiu com roupas discretas e confortáveis, foi até o espelho; os olhos ainda estavam inchados, sinal de uma noite de muitas lágrimas, elevou a mão até o pescoço onde ali estava a jóia de shikon que Inuyasha lhe dera no dia anterior, e ao lembrar do fato não pode conter novamente as lágrimas. Delicadamente retirou a corrente com a jóia de shikon do pescoço e deixou-a sobre a penteadeira. Saiu cedo para a fábrica; naquela noite executaria uma perigosa missão.

Kagome entraria na sala de Kouga para pegar os documentos que estavam guardados no cofre, já havia arquitetado todo o plano e analisado todos os perigos; era a única maneira de não continuar pensando naquilo que a vinha atormentando.

O dia passara tranqüilo, a jovem havia revisado vários documentos de exportação de armamentos bélicos para países aliados, além de ter datilografado algumas cartas a alguns clientes muito importantes e influentes. Ao final do expediente como de costume a moça se despediu de seu chefe e de alguns colegas de trabalho, no caminho para a saída da fábrica aproveitou que ninguém a seguia, e sorrateiramente entrou em um corredor escuro; no final do corredor havia uma pequena sala que servia de depósito para documentos antigos, a fez de esconderijo até que a fábrica fosse fechada. Terminou de repassar mentalmente o plano desde como chegaria a sala de seu chefe até como faria para abrir o velho cofre; claro que seria melhor se pudesse contar com ajuda de um parceiro, principalmete para o quesito fuga, mas como ela e Inuyasha haviam brigado novamente pedir a ajuda dele na atual situação estava fora de questão, sabia que na hora pensaria em algo.

Inuyasha havia chegado no apartamento primeiro naquele dia, normalmente era Kagome a primeira a voltar do serviço, no entanto, o meio-youkai não se importou com o fato, ao ver que a parceira ainda não havia chegado apenas resmungou consigo mesmo.

-Deve estar fazendo hora extra para aquele lobinho – desdenhou

Não sabia explicar bem o motivo, mas tal pensamento fazia seu sangue ferver; tinha vontade de voltar até a fábrica e arrancar Kagome das garras daquele youkai lobo. Decidiu que não a esperaria, afnal tinha um compromisso para aquela noite, prometeu se encontrar com Kikyo.

Quando percebeu que a fábrica estava quieta, Kagome saiu de seu esconderijo direto para a sala de Kouga, antes disso tirou os sapatos a fim de amenizar o barulho de passos deixando-os na sala dos documentos. Silenciosamente se esgueirou pelas sombras da fábrica até chegar a escada de acesso a sala, subiu as escadas o mais rápido que podia, já que escutou que os guardas faziam a ronda pelo interior da fábrica estavam se aproximando. Chegou até a sua mesa da recepção, e abrindo a primeira gaveta pegou a chave da sala de seu chefe, estava sossegada, pois aquele trajeto da sala não fazia parte da ronda dos guardas.

Entrou na sala de Kouga, e com uma pequena lanterna iluminou o cofre; agora precisava apenas abri-lo, mas isso não seria problema para ela, era uma especialista em decifrar códigos de segurança, buscou iniciar a tentativa com senhas fáceis, pelo o que conhecia o chefe ele não usaria senhas complexas, frustrada nas primeiras tentativas, sentou-se no chão de frente para o cofre e começou a pensar, num flash de memória, lembrou-se de Kouga certa vez guardara um papelzinho dobrado em sua primeira gaveta da mesa.

Levantou-se e foi até a mesa, testou a primeira gaveta, e não era surpresa que estivesse trancada, afnal se ele guardava alguma coisa de importante ali não ia deixar a gaveta aberta. Tentou abrir a fechadura utilizando um grampo de cabelo, mas a gaveta não abriu; sem suceso resolveu desmontar a fechadura, era a maneira mais rápida, no entanto, se o fizesse deixaria pistas que alguém estivera na sala, e não era isso que ela pretendia; além disso não tinha ferramentas para tal ação.

-Que droga! O que eu vou fazer? – sussurrou para si mesma

Inuyasha estava no clube sentando ao lado de Kikyo. Desde que a mulher lhe contara sobre Kouga, ele não tivera tempo de conversar melhor sobre esse assunto.

-Então Kouga é um agente da KGB!

-Oras Inuyasha, ao tempo que a sua parceira está trabalhando com ele estranho que ela não tenha percebido isso – desdenhou.

-Kagome não me disse nada

-Ela nunca lhe conta não é verdade? Por acaso ela te contou da transferência para a agência em Washington?

-Kagome apenas me contou que pediu transferência de uma outra agência.

-E sabe qual era essa agência? – antes que o meio-youkai pudesse responder Kikyo antecipou a resposta – ela veio transferida da agência em Nova Iorque, sim, a agência de seu meio-irmão Sesshoumauru – disse abrindo um sorriso malicioso.

-O que está dizendo?

-Inuyasha, não sabia então que ela pediu transferência de lá? – alfinetou - E tem algo mais que eu descobri – deu uma risadinha discreta - se o seu meio-irmão fosse mais perceptivo, Kagome poderia ser sua cunhada.

Inuyasha ficou atônico ao escutar as palavras de Kikyo, não deixou de acreditar no que a parceira da CIA dissera já que a própria Kagome certa vez lhe contara que havia se apaixonado por seu ex-chefe, só não imaginava que o ex-chefe da garota era seu odiado meio-irmão Sesshoumauru.

-Kagome tinha tudo nas mãos e deixou tudo para trás e veio trabalhar para o Narak – continuou Kikyo – Ou ela é muito burra ou estava desesperada para se afastar de Sesshoumauru. Ela era uma espiã de elite na agência em Nova Iorque, trabalhava resolvendo assassinatos de pessoas importantes no meio político e social, mas de repente ela largou tudo e veio para Washington, aceitando uma missão tão simples: tirar fotos de uma fábrica na União Soviética. Achei que ela fosse mais esperta e ágil para missões tão básicas quanto essa! – desdenhou.

Era nítido que Inuyasha não gostara de saber que fora Sesshoumauru que partira o coração de Kagome.

Kagome estava diante da gaveta trancada, não sabia o que iria fazer para conseguir abri-la. A jovem olhou para o chão e viu que na ponta do tapete havia uma barra de ferro que servia como peso para que a ponta do tapete não levantasse; sem pensar muito a respeito pegou a barra de ferro que apesar de fina era bem pesada, a usaria para abrir a gaveta. Introduziu-a pela fresta que havia entre a gaveta e a mesa, e forçou para quebrar a fechadura pelo lado interno, o barulho da gaveta se partindo com a força aplicada em tal movimento eccou pela sala vazia. Kagome praguejou algo baixinho, era notável que os guardas teriam percebido o eco, e por isso agora ela tinha que correr contra o tempo se não quisesse ser descoberta. Pegou o papel branco que estava dobrado e como suspeitava era mesmo uma possível senha para abrir o cofre, foi em direção ao cofre e começou a colocar a senha.

-3 para a direita...2 para a esquerda...

Escutava os passos dos guardas cada vez mais próximos da sala, imaginou que eram os guardas vindo verificar a origem do eco; deixou o cofre de lado e empurrou a poltrona para trancar a porta, isso os seguraria por algum tempo até que ela conseguisse escapar. Voltou para o cofre e terminou de colocar a senha

-5 para a esquerda...abriu!

Os guardas a haviam alcançado, e começaram a forçar a porta para entrar, Kagome pegou os documentos que estavam no cofre. Viu que a poltrona estava escorregando para a lateral da porta, e se sentiu acuada, não havia como escapar, olhou para a grande janela, pegando novamente a barra de ferro arrebentou o trinco da janela. Essa era a única maneira dela escapar, teria que pular, mesmo estando no segundo andar acreditava que podia faze-lo, se pôs de pé na janela pronta pular, quando escutou a porta sendo escancarada e um dos guardas apontou a arma em sua direção, esse era o momento; pulou ao mesmo tempo que o guarda disparava contra ela. Agarrou-se ao para peito da janela, com uma mão mantinha-se agarrada e com a outra segurava os documentos que havia retirado do cofre, sentiu uma forte dor do lado esquerdo do abdômen, e quando olhou viu sangue tingindo suas roupas, ela havia sido atingida, mas não desistiria, não fracassaria nessa missão.

Não mais conseguindo sustentar o corpo pendurado caiu de costas no chão, o ferimento doía muito, nunca havia sido baleada antes, esquecendo-se da dor levantou-se rapidamente e correu para entre as árvores do bosque que havia no fundo da fábrica, ouvia os gritos distantes dos guardas que cada vez se aproximavam mais, com muito esforço subiu em uma árvore e se aninhou entre seus galhos, rezou para que não a descobrissem ali.

COMENTÁRIO DA AUTORA

Inuyasha descobre sobre o amor do passado de Kagome, enquanto isso a garota se arrisca numa missão muito perigosa em busca dos papéis que estavam no cofre de Kouga. Que informações tão importantes podem conter esses papéis? E como Kagome conseguirá escapar dessa vez sem a ajuda de Inuyasha?

Fico feliz em saber que estão gostando. Obrigada pelas reviews!!