Capítulo Um:
O professor tentava pela milésima vez pedir atenção a turma. A qual não parecia disposta a ceder aos pedidos quase histéricos do mesmo. Após um berro pedindo silencio todos pareciam notar o professor ali na frente. E instantaneamente calaram-se.
#Entre, por favor.# dizia o professor para um garoto de cabelos prateados e com um par de orelhinhas na cabeça. Era um hanyou como a classe toda pode notar. E antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, o hanyou lança um olhar gélido a turma.
A pedido do professor ele se apresenta. Não que fizesse realmente questão.
#Meu nome é Inuyasha Taisho, e tenho certeza que não nos daremos bem.# disse lançando um olhar de puro ódio a algumas garotas que riam dele pelo fato de ser hanyou. E elas instantaneamente gelaram. Sorriu quando sentiu o cheiro de medo delas e de algumas outras pessoas da turma. Preferia que sentissem medo dele. Não fazia questão nenhuma de amigos. O único que não tinha "medo" dele era seu "amigo" Mirok. Que agora acenava para ele. Inuyasha só revira os olhos. E vai se sentar no fundo, longe de todos.
Antes de começar sua aula é interrompido por uma garota de aparência pálida. Cabelos negros que iam até o meio das costas, olhos castanhos, mas que não expressavam absolutamente nada.
A garota corre os olhos pela turma e se apresenta a pedido do professor.
#Kagome Higurashi, e não faço questão nenhuma de conhece-los.# disse indiferente.
Todos estavam espantados. Era uma garota muito bela, mas extremamente fria.
Sango sua amiga só abafa uma risada conhecia o gênio de sua amiga Kagome.
Kagome ironicamente vai se sentar no fundo da sala, do lado oposto do Inuyasha. Também procurando um lugar afastado de todos.
Inuyasha por um momento encara Kagome. Reconhecia aquele olhar. Ele mesmo era dono de um. Kagome se sentia observada e vira para ver quem a encarava. Da de cara com um par de olhos âmbares tão frios quanto os dela.
As aulas transcorrem lentamente até a hora do recreio.
#K-chan que foi aquilo?# pergunta Sango indo falar com a amiga no fundo da sala.
#Aquilo o que?# pergunta indiferente
#Que tipo de apresentação foi aquela?# pergunta pacientemente.
#O tipo de apresentação que o Inuyasha também daria.# disse Mirok chegando perto da namorada sendo acompanhado por um hanyou mal-humorado.
Sango e Mirok trocam um beijo apaixonado. Deixando Inuyasha e Kagome encarando um ao outro.
Percebendo o clima hostil entre eles Sango resolve apresentar.
#Mirok essa é minha amiga Kagome.# aponta para a garota em questão que continuava a encarar os orbes frios do hanyou.
#Hã...Esse é meu amigo Inuyasha.# aponta para o hanyou. Os olhares por sua vez estavam se tornando cada vez mais agressivos. Assustando, não só o casal de namorados como também, quem estava por perto.
Kagome imaginava como aquele hanyou era teimoso. E Inuyasha pensava como aquela humana conseguia sustentar seu olhar e mais como conseguia lançar um olhar igual ao seu.
#Hanyou...# sussurra Kagome sua voz era fria.
#Humana...# rebatia Inuyasha com um rosnado assustador. Para surpresa do mesmo, em vez de se intimidar a garota ri de lado.
#Quer dizer que o cachorrinho rosna. Mas será que morde?# diz estreitando perigosamente os olhos para um surpreso hanyou.
Antes que pudesse responder o sinal toca anunciando assim o fim do recreio.
As aulas transcorrem normalmente se não fossem as trocas de olhares hostis por parte dos novatos. Parecia que a qualquer hora iriam se agredir fisicamente. O professor estava começando a ficar incomodado com tanta hostilidade por parte de ambos. E ambos já nem faziam questão de fingirem prestar atenção na aula. Se encaravam. Aquilo havia virado um jogo. Quem desviasse o olhar perdia. Quem abrandasse o olhar também perdia. E diante desse confronto visual só um poderia sair vencedor.
#Muito bem o que esta acontecendo?# indaga o professor para o nada. Por que obviamente não obteve resposta alguma.
O professor olhava atordoado a cena. Kagome mantinha os olhos estreitados e frios e uma expressão muito semelhante à de um homicida, mas com um sorriso maldoso nos lábios. Inuyasha parecia que iria avançar na garota a qualquer momento e parecia estar segurando outro rosnado com uma expressão nada amigável.
# Não vê? Por acaso é cego? Ou só se faz?# Perguntou fria Kagome ainda sem encarar o professor que, apesar dessa agressão verbal, continuava nervoso e aparentemente se perturbava cada vez mais com aquilo.
# Garota! Não pense que é superior! Ainda é a ALUNA e tem que me respeitar!# Ela continuou em silêncio, um silêncio realmente assustador, o professor pigarreou.
# E você senhor Inuyasha Taisho?# Esse não fez menção de nem ao menos responder de uma forma bruta ou fria, estava concentrado com aquilo, aquela menina era irritante e havia o chamado de hanyou, um apelido nada adorado por este.
# Se não pararem de ignorância serão postos pra fora de minha aula estão ouvindo?# Enfim Inuyasha indagou.
# Cale-se, não estou perturbando sua aula# O modo frio e claro em que ele dirigiu a palavra foi ignorante e inesperado que a classe olhava o fato intrigada.
# Os dois, se retirem da minha sala!# Eles demoraram um certo tempo, mais lentamente se levantaram e encararam o professor, o pacto havia se quebrado mais o olhar gélido nunca abandonava ambas às partes.
# Que assim seja!# Disse Kagome rindo de canto e saindo da sala, sendo seguida pelo hanyou.
# Você é idiota ou o que?# perguntou Inuyasha friamente.
# Oras, isso não te interessa, além do mais eu não faço a mínima questão de matar a curiosidade de um hanyou feito você# Ele torceu a face.
# Cale-se humana insuportável! Não sei se percebe mais sua opinião não me interessa. Fiz uma pergunta e exijo resposta# Ela lhe lançou um olhar maldoso.
# Então eu sou uma idiota!# Calaram-se instantaneamente como se aquilo tivesse sido um ponto final para uma história, mais continuaram intactos e com o olhar petrificado. Procuravam captar alguma coisa no brilho que os olhares possuíam, mais ainda não procurando entender o objetivo, ela sorriu e desviou o olhar.
# Você realmente é um inútil# Ele também sorriu # Não que eu esperasse mais de você, mas costumo pensar em uma porcentagem mínima# O sorriso irônico aumentou.
# Em pensar que eu não cheguei nem a pensar nessa pequena quantidade# Ele se aproximou perigosamente dela.
# Me faz rir, uma sátira muito boa creio eu!# Ele a encarou em silencio.
# Eu apenas quis te dar uma chance, afinal, á rumores de que os meio-yokais não são tão ignorantes na questão "pensar" # Até o pequeno suspiro que davam era gélido, tinham algo em comum, algo que nem todos teriam orgulho em ter, mais eles tinham.
# Vocês dois, por favor, # Pediu o professor # Queria ter uma conversa com seus pais, apenas para fazer algumas questões do pagamento e claro, sobre o comportamento irregular que tiveram#.
Kagome riu baixo e Inuyasha lançou um olhar hilário.
# Não entendo por que sorriem# Kagome no momento ficou séria e com a voz levemente irritada respondeu.
# Meus pais estão mortos# Um frio percorreu a espinha do professor que agora encarava o outro jovem.
# Quer o telefone do cemitério?# Deboche, apenas deboche estava presente na voz do ser, nenhum pingo de tristeza, tão pouco de harmonia ou angustia, a menina continuava séria, a face inexpressiva chegava a ser invejável e maldoso.
# Perdão, na lista não informava se tinham ou não pais, mais isso não quer dizer que tenham esse direito, algumas coisas terão que ser radicalmente revertidas# Kagome continuou seca.
# Quais? Talvez a mudança de um professor?# Chegava a ser ameaça, petulância, o que eles tanto tinham a esconder?
# Dessa vez basta...Se sintam a vontade para retornar a sala de aula# dizia o professor tenso. Como podiam ser tão frios durante essa revelação? Nenhum remorso, nenhuma lágrima, nenhum indicio de tristeza. Nada.
Os colegiais voltam a sala sob olhares curiosos e medrosos. Muitos perceberam que com eles não poderia haver brincadeira. Que manter uma certa distância seria a forma mais segura de não se meter em enrascada a meio aquele clima que só eles conseguiam passar.
As aulas terminam sem maiores incidentes. Olhares hostis sempre seriam trocados. Cochichos sempre seriam ouvidos por ambos. Mas nenhum dos dois parecia se importar com isso. A verdade é que eles eram superiores a tudo isso.
Sango conseguiu alcançar a amiga antes que ela saísse. Inuyasha e Mirok já haviam partido por insistência do primeiro.
#Kagome por que tem que ser tão agressiva?# perguntava Sango.
Kagome somente a encara com um olhar irritado. Odiava ser questionada. E sempre era a mesma coisa quando algo assim acontecia.
#Não fui agressiva. Pelo menos não ainda# responde maliciosamente.
Sango suspira ao ver que ela nunca mudaria. Se despedem nos portões e cada uma toma seu rumo.
Kagome chega em casa totalmente desanimada, aquilo estava se tornando um jogo entediante, ela mesmo poderia acabar com aquilo, sim, ela sabia que podia. Pensou muito no caso esses últimos meses, na verdade, meses que se tornaram anos e anos que a tornaram fria e sem qualquer emoção aparente.
# Que se foda a realidade, se ela fosse tão importante eu não pisaria nela como vivo pisando# Colocou a chave em um canto qualquer da estante, ela tinha certeza que depois se sufocaria tentando achar a bendita que era o objeto de liberdade, mais não se importava mais com esse motivo tão fútil. Sentou no sofá e deu um sorriso de canto, perceptível, mais sem sentimento. Ela era assim, há anos aprendeu a ser com a própria convivência, era superior a todos, a persuasão que ela tinha sobre isso era inabalável. Precisava descansar, a noite estaria novamente naquela casa noturna servindo a um bando de homens tarados que sentem fascínio em ver mulheres dançando nuas enquanto bebem incontrolavelmente. Não podia deixar de opinar, seu pai era assim, e muitos também eram.
Muitos pensamentos vieram à mente dela, aquele sorriso sem emoção era fruto daquelas lembranças, a lagrima também era. Uma lagrima marcou o rosto da púbere, uma única lagrima, que há meses não caia, achou incrível quando esta escorreu, mais fingiu ignora-la e a deixou cair solitária sobre o grande tapete da sala. Seu pai, seu maldito pai que não lhe abandonava, seu maldito pai que não saia de sua memória.
# Por que não consigo esquece-lo?# Ela se levantou visivelmente atordoada # Que ódio!# gritou pegando um lindo vaso e o despedaçando na parede, segurou com força os próprios cabelos os puxando, ela não suportaria por muito tempo, e ela...sabia que não.
FLASH BACK
# Papai?# Chamou uma voz baixa # papai, onde esteve?# A pequena e inocente menina, que possuía apenas 4 anos abraçava uma barbie recém-comprada.# Onde está a mamãe?# O homem mais velho com expressão seca pediu silêncio.
# Sua mãe foi embora, sabe por que?# Ele cambaleava procurando apoio, a menina estava tremula, nunca tinha visto seu pai daquela maneira. # Por SUA culpa, nada mais que SUA!# Ela se recolheu em um canto escuro tremula # Ela não te aceitava! Você dava muitos gastos! Eu te ODEIO!# Ele se aproximou em meio a tropeços e puxou a criança pelo braço, a colocou no colo e a espancou, ela chorava, se debatia, enquanto a mão pesada do homem bêbado batia variáveis vezes nas suas costas.# SUA culpa# Ele a jogou contra o chão, a menina caiu e a barbie foi parar no outro lado da sala, chorava incontrolavelmente.
# Por que papai? O que foi que eu fiz?# Perguntou baixinho fechando os olhos com força para tentar esquecer da dor que seu corpo ainda possuía.
FIM DO FLASH BACK
# É papai, aquilo doeu# Disse seca encarando a parede. # Os outros também doeram bastante, algumas marcam ficaram no meu corpo ainda, por que raios insistia em beber?# Ela sorriu maldosa # Eu sei que você me odiava por que não conseguia deixar de me amar.#
Ela andava cautelosamente, não sabia ao certo o que fazia da vida. Estava cansada daquele jogo. Quantas vezes algumas simples cartelas de comprimidos vieram a sua mente? Quantas vezes teve que se segurar para não injetar uma injeção completamente vazia no próprio pulso? Não...Nunca desconfiaram, e nunca desconfiariam! Sua insanidade era tampada por uma mascara, ela ironizava, zombava as pessoas com o olhar. Conseguia ser tão convincente que às vezes enganava a si própria. Aquele hanyou lhe era estranho, mais aquilo não importava. E ainda sorrindo ironicamente foi dormir, afinal, teria muito trabalho à noite.
Inuyasha estava deitado em sua cama. Pensava no quão irritante aquela garota era. Hanyou. Odiava esse apelido. Há muito tempo não era chamado assim. Também não dava sequer oportunidade para que o chamassem assim. Metia medo nas pessoas para evitar comentários do tipo.Não sabia o por que não se irritou o bastante a ponto de xinga-la e simplesmente a ignorar por toda uma vida, assim como fazia com todos aqueles que ao menos pensaram em ter alguma aproximação. Hoje iria ao bar, pelo menos ali só lhe atordoavam mocinhas com uma vontade incontrolável por sexo, ou melhor, mulheres que se esbanjavam peladas em cima de uma mesa. Hoje beberia, diferente de todas as noites que ia, sempre ignorando as mulheres que vendiam bebida, as barman, nunca ao menos reparou nelas. Mais aquilo não vinha ao caso. Estava atordoado, tinha ódio, repudio, nem o próprio sabia o que sentia. Aquela menina lhe despertou um pequeno interesse, por sorte nem um pouco significante, mais acabou também despertando um antigo pensamento.
"Mas aquela humana parece não se abalar com nada. Me chamou de hanyou e tudo. Parece não temer as conseqüências".
A odiava com todas as suas forças. Até mais que seu pai. Não ira permitir que o machucassem novamente.
FLASH BACK:
#Inuyasha, meu filho, vou receber visitas, portanto já sabe, não saia do quarto.# dizia um youkai mais velho que Inuyasha. Seu pai.
#Por que papai?# perguntava o menino timidamente. Esse só tinha oito anos.
#Por que é conversa de adultos. Além do mais, você não gostaria que eles te vissem gostaria?# perguntava meigamente o pai.
#E daí se me vissem?# pergunta sem entender.
#Ora Inuyasha já conversamos sobre isso. Você é um hanyou, as pessoas não gostam de hanyous.# disse o adulto.# Mas eu te amo.# apressou-se em dizer ao notar a tristeza no rosto do menino. Este somente sorri tristemente. E sai do quarto logo em seguida.
#Inutaisho, você tem filhos?# pergunta um homem segurando um copo de bebida.
#Sim.# responde o outro.
#Ele deve ser um youkai como você suponho.#
#O que quer dizer?# pergunta Inutaisho.
#Ouvi dizer que teve um caso com uma humana e que ela esteve grávida de você.# disse o outro.
#Ouviu errado. Meu filho é um youkai completo.# disse Inutaisho secamente. #Imagina se teria um caso com uma humana e um filho hanyou.# terminou rindo.
O que Inutaisho não sabia era que seu filho ouvia tudo ao pé da escada. Agora tudo ficava claro na mente do garoto. Pela primeira vez sentira o que era rejeição. Ainda mais pela pessoa que mais amava e o único que sabia que podia contar. Algumas lágrimas escorriam pelo rosto do garoto enquanto este voltava para o quarto.
#Ate você papai?# perguntava para o nada. E naquele momento decidiu que não permitiria que o chamassem de hanyou novamente. Decidiu erguer a cabeça e enfrentar o mundo e tê-lo ao seus pés. Não permitiria que pisassem nele novamente antes, que isso acontecesse, ele pisaria nas pessoas. E nunca mais se permitiria ser fraco e chorar.
# Se quiser viver em uma mentira, eu terei o prazer de te ajudar.#
FIM DO FLASH BACK:
Inuyasha estranhou se lembrar desse dia. Fazia anos que não se lembrava disso. Talvez fosse por causa daquela garota humana. Fazia anos que não o tratavam de igual para igual.
#Estou ficando louco.# dizia para o teto.
"Malditas lembranças. Se pudesse esquece-las. Vão me assombrar pelo resto da vida. Mas antes que isso aconteça eu acabo com tudo." Pensava angustiado. Sabia que não iria conseguir suportar por muito mais tempo. A dor e a culpa acumuladas de anos estava acabando com ele.
#Preciso de uma bebida.# dizia para si mesmo. E caiu no sono logo em seguida. Sendo assaltado pelo maldito passado.
Continua...
Galeraaaaaa parceria com Tmizinha...Menina nossa primeira fic juntas...Que emoção...olhinhos brilhando
O que vocês acharam?
Nós queremos muitas reviews!
Bejokas
SIM, SIM! Parceria com a Sacerdotiza!
Depois de muita demora XP..A postamos! Espero que gostem! Creio que certamente gostaram do final que reservamos para essa fic! Beijos a todos!
