s§sIn The Woodss§s
Um conto/ poesia/ Fanfiction de Cold Case

Por BarbaraCB

Lilly Rush, George Marks e a loucura respectiva a cada um pertencem a Meredith Stiehm.

Artémis, Orion e seus respectivos arcos pertecem a todas as florestas do mundo

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"O que me daria prazer não seria tocar-me ao observá-la do escuro, enquanto ela fazia seu trabalho, como ela mesma sugeriu.

Não.

Minhas fantasias vão além disso. Bem além.

Penso em que cor seu corpo frágil teria, seminu, correndo pela floresta ao ter a Lua batendo em seu dorso, correndo como uma corça de pêlo branco, das mais raras e velozes. Tento escutar como seriam seus pés descalços e feridos tocando as folhas secas no chão, apressadas e fugidias.

Artémis fugindo de Orion.

A Branca Caçadora sendo caçada pelo Grande Caçador. Morreria para ver, apenas por um segundo, seu olhar destituído de toda aquela soberba e altivez; queria vê-lo cheio de lágrimas amargas suplicantes,

pedindo por sua vida."

(Trecho da Fanfiction "Escorpião", por BarbaraCB)

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Ah, Caçadora-mestra… sei que me espreitas. Sei que me persegues e me vigia. Observas com o cinzento característico de tuas íris; passas perto de mim como se não existisse, sentas ao meu lado sem que eu a veja.

Nessa proximidade tão distante então, a suavidade doce e hipnotizante da tua essência manifesta-se em anéis enevoados em minha consciência.

Não me deixando raciocinar.

Não me deixando pensar.

Não me deixando sentir nada além da sensação imaginária da baunilha de tua pele em meu corpo calejado de experiente Caçador...

A floresta escura em minhas fantasias é iluminada pela Lua que te rege e pelo teu corpo que me guia, entrando e saindo de meu campo de visão a cada árvore que deixamos para trás. As horas não mais correm e tuas finas pernas de corça não se cansam jamais. Teus pés feridos - teus cascos de prata – ecoam em meio às folhas secas e à terra que levantas quando passas.

Minha flecha aponta para o teu coração afogueado durante toda a caçada, mas o arco permanece retesado, sem a coragem necessária para lançá-la.

Não ainda...

E à sombra desse pensamento e da vontade que me impelia até você, acelerei meu passo titã e atirei-me sobre o teu corpo.

Apertando-o ao meu. Acariciando-o enquanto os anéis brancos de baunilha dominavam-me, selvagens e puros. Sob o peso da fúria de meus pensamentos, você lutou e chorou com as lágrimas da Lua. Olhava-me com tuas íris cinzentas pinceladas de amarelo que emanavam toda a dor que sentias – a invasão que sofrias. Gritavas de dor sob o êxtase mais poderoso de minha existência. Mais poderoso do que todas as minhas caçadas unidas.

Invadi a mente da Rainha dos Caçadores, sorvendo vagarosamente cada gota daquele prazer vingativo e covarde. Teus lábios finos que nunca falavam agora gritavam para mim e somente para mim, deixando escapar aquilo que nem teu Guerreiro Pintado mais fiel jamais escutou, minha mente roçando a tua.

E em meio à concretização de meu desejo mais cobiçado, você, Habilidosa Caçadora, golpeou-me com a verdade e livrou-se de meus braços. Teu corpo agora exposto desviou de meu abraço e tuas mãos alcançaram teu arco de prata rapidamente.

Apontamos então nossas flechas para o coração que palpitava à nossa frente, no mesmo momento parado no tempo.

Eu não atirei. Você também não. Ao invés disso, você simplesmente olhou-me com olhos carregados de fúria e mágoa...

Formado então em tua mente sedenta por justiça, por vingança, ou por nenhum dos dois, um vermelho Escorpião brotou do gelo de tuas íris. E eu, hipnotizado por teus anéis de baunilha que circulavam em minha consciência e paralisado pelo teu corpo voltado inteiramente para mim, nada fiz ao sentir o ferrão dolorido daquela fera em minha carne.

O veneno correu em mim, derrubando-me, dilacerando-me pela dor.

E caído na terra daquela floresta, vi um pedaço do céu estrelado por entre as folhas e também a Lua que iluminou a invasão que fiz à Deusa da Caça. Vi também tuas íris cinzentas e amarelas me encararem em choque pelo que havia feito. E além de teus sentimentos, finalmente percebi por quê era regido por e impelido até você.

Além do prazer imensurável que buscava em tua mente, buscava também o fim de minha existência. Queria aquele doce veneno em cremosos anéis enevoando e circulando em minha consciência e o amargo entorpecente injetado em meu peito pelas íris mais vingativas e inocentes que já havia visto em toda a minha existência titã.

E foi assim que Orion, um dos maiores Caçadores que já pisou nas florestas, sucumbiu. Sob as vistas prateadas de Ártemis que me velavam.

E aquelas que me mataram.

Por BarbaraCB


N/A: Conto baseado na minha fic de Cold Case, "Escorpião", citada no começo desta.

Lá, sob o ponto de vista do George, eu dizia que ele fantasiava sobre a Lilly, sobre como gostaria de subjugá-la e destruir sua dignidade. Meio que estou dizendo aqui quais são as fantasias dele e como ele as realizou, além de compará-la à lenda de Artémis e Orion, que diz que este a atacou e ela o matou por isso.

Perceba que a parte onde George-Orion ataca Lilly-Artémis foi onde eu deixei a coisa bem ambígua. Por mais que pareça, não é um estupro – não o convencional, eu digo.

Para o George, invadir a mente da Lilly e dominá-la seria o equivalente a isso; forçá-la a falar o que ela mais escondia e ouvir cada palavra é como sexo para ele. E foi exatamente o que ele fez no episodio "The Woods" - muito que quando ele conseguiu finalmente arrancar o que queria escutar da Lilly, ele ficou olhando-a com uma cara de "acabo de sentir o maior prazer do mundo" o_ô.

O "Guerreiro Pintado mais fiel" da Artémis/ Lilly é o Scotty – porque é ele quem cuida dela e pelo significado do nome dele ser exatamente esse.

"Anéis de baunilha", porque em "Escorpião", o perfume da Lilly era essência de baunilha.

Enfim, mais um texto digno de Frued – o velho tarado.