Capítulo VI: Miranda Lotto

O relógio que transcende o tempo

Miranda, Miranda. Miranda azarada. Não seja tão melancólica, sua maluca idiota! Procurando emprego hoje? Você logo será demitida mesmo. Miranda, Miranda. Miranda azarada.

Todos os dias a mesma canção, a que começara na boca dos outros e parara em seus pensamentos. Como era doloroso tirar forças da própria desgraça. Azarada e idiota.

Miranda fitou o relógio imponente, ou pelo menos o que restara dele.

A única coisa que lhe era importante, o relógio que apenas marca as horas para Miranda, só para ela. Agarrou-se à madeira velha, sabendo que o poder do relógio estava em seu pulso, cortesia dos exorcistas. Ela era uma exorcista? Nunca admitiria isso, por mais que lutasse com o casaco da ordem. Ela nunca fazia nada certo.

Miranda, Miranda. Miranda azarada. Acordou em seu quarto, sua arma em cima do criado-mudo, seu relógio. Ela nunca fazia nada certo, mas o relógio que era apenas dela deu-lhe a chance de mudar, o poder de transcender o tempo e trazer dias melhores.