CAPÍTULO QUATRO
Algumas pessoas se esqueciam dos próprios problemas quando dormiam. Acordavam alegres e podiam ficar assim até se lembrarem das coisas humilhantes que haviam feito na noite anterior.
Serena nunca tivera um momento desses. Antes de abrir os olhos, já tinha o seguinte pensamento: Quase me joguei em cima de um cara que não está nem um pouco interessado em mim!
E o pensamento seguinte foi: Gostaria de saber se ele continua tão bonito essa manhã quanto ontem.
Ela se livrou das cobertas e pulou da cama, vestindo a camiseta e a saia. Tinha uma escova de dentes no apartamento da tia-avó, mas só isso. Deixar roupas ali também sempre parecera pedir demais, como se fosse uma invasão da independência de Luna. Agora, desejava ter algumas peças ali. Serena detestava saias, e aquela lhe dava alergia.
Assim que abriu a porta do quarto, sentiu cheiro de café. Mamoru já se levantara. Descalça, caminhando corredor abaixo, Serena resistiu e não foi ao banheiro para olhar o cabelo e o rosto. A visão dos cabelos e dos olhos embaçados não ia fazer com que se sentisse nem um pouco melhor. E, certamente, Mamoru não dava a mínima para a aparência dela.
Entretanto, ao vê-lo encostado à bancada da cozinha, usando jeans e camiseta, Serena deu meia-volta. Iria ao banheiro e, pelo menos, escovaria os dentes. Mas Mamoru a viu primeiro, sorriu e perguntou:
- Dormiu bem?
Serena se esqueceu de dar meia-volta e acabou indo direto à cozinha. Ele ia pegar uma caneca para ela. Porém, ela chegou primeiro e serviu-se de café, sem olhá-lo.
- Um pouco de ressaca? - Mamoru indagou. Serena olhou ao redor da cozinha e comentou: - Não vejo o sr. Chiba. Isso significa que seu pai não entrou sorrateiramente no apartamento no meio da noite?
- Talvez mais tarde. Não estou com pressa. Tenho esperado há muito tempo para vê-lo de novo.
Serena bateu com a caneca em cima da bancada, derramando café.
- Sim, mas será que já lhe ocorreu que posso estar com pressa? Posso querer voltar à minha vida normal em vez de bancar a babá enquanto você se sente em casa no apartamento da minha tia-avó?
Mamoru pegou um pano da pia para limpar o café derramado. Serena tirou-lhe o pano das mãos.
- Imagino que isso responda à minha pergunta. Você está de ressaca.
- Eu não estava bêbada ontem à noite.
- Se não é ressaca, então, que bicho mordeu você essa manhã?
O problema é estar tão atraída por você que não consigo ver com clareza enquanto tudo o que faz é comentar o quanto pareço rude. Serena abriu o armário da cozinha e viu apenas taças de champanhe e mais bandejas de gelo.
- Não há comida nesse apartamento e preciso de um café-da-manhã.
- Entendo. Pouco açúcar no sangue a deixa irritada. Se quiser, tenho barras de proteína e aquele ensopadinho desidratado na minha mochila.
Serena pegou um pacote de algo chamado Chá Lapsang Souchong.
- Acho que prefiro comer isso - disse, abrindo o pacote e recuando diante do odor das folhas escuras.
- O que geralmente faz para o café-da-manhã quando fica aqui? - Mamoru indagou.
- Pego alguma coisa da delicatessen ao final do quarteirão.
- Então, vamos fazer isso.
Serena jogou o pano na pia e tomou um gole de café, dizendo:
- Não podemos. Você não quer sair, pois seu pai pode aparecer e eu posso trancá-lo do lado de fora. E não quero deixá-lo aqui, pois você pode roubar as antigüidades da minha tia-avó. Estamos em um impasse e presos nesse apartamento até que você recupere o juízo e desista.
- Eu vou.
- O quê?
- Vou à delicatessen e compro alguma coisa para o nosso café-da-manhã. Quando eu voltar você me deixa entrar.
- Mas... E se o seu pai aparecer?
- Tenho certeza de que pode mantê-lo aqui para mim.
- Mas como sabe que vou deixá-lo entrar quando voltar?
- Confio em você.
- Por quê?
- Está certa, estamos em um impasse. Se vamos passar por isso juntos, temos que confiar um no outro. Além disso, embora não pareça acreditar que meu pai tivesse alguma coisa a ver com a sua tia-avó, você sabe o quanto isso é importante para mim. E, embora possa ser mal-humorada de manhã, não acho que seja o tipo de pessoa que se meteria no caminho de alguém para atrapalhar.
- O que o faz pensar isso?
- Vejo o respeito que você tem pela memória da sua tia-avó. Acho que respeita a necessidade de eu ver meu pai.
- Novidade. Nunca fui acusada de ser respeitosa. Sempre disseram que falo muito e alto demais, que sou chata, maçante. Mas não respeitosa e confiável.
- Sempre há uma primeira vez.
- Quero pão de centeio com requeijão e um suco de laranja.
Mamoru acenou com a cabeça, concordando, e sorriu. Serena não conseguia parar de fitar o vazio que ele deixara depois de sair.
Depois do pão e do banho, Serena se sentiu cem por cento melhor. Voltou a vestir a saia feia e foi para a sala, onde Mamoru estava sentado no sofá, ao lado da mochila. Ele arrumara o saco de dormir e todas as outras coisas. Parecia contemplar a serra elétrica na caixa de vidro.
Dessa vez, Serena sentou na poltrona. Mamoru podia confiar nela o suficiente para deixar o apartamento. Porém, Serena não confiava em si mesma a ponto de ficar perto dele.
- Então, o que pretende fazer hoje? Talvez, mais uma espera obsessiva pelo seu pai?
- Estou me perguntando sobre a serra elétrica e a armadilha para urso. Não combinam com Nova York.
- Acha que podem estar relacionadas ao seu pai?
- Bem, ele tinha uma serra elétrica, mas isso é comum no Maine, onde a maioria das pessoas queima madeira para usar como combustível. A dele não era tão boa quanto essa... Sei disso porque eu a usava quando estava na escola.
- Ele pode estar bem de vida.
- Meu pai só mandava vinte ou trinta dólares, de vez em quando. Mas, sim, isso é possível.
- Luna tinha essa serra elétrica há, pelo menos, uns cinco anos.
- Se a serra for dele,- isso significaria que a ligação entre os dois não era nova. Mas não apostaria nisso. Por tudo o que sei, Luna deve ter aprendido a usar essa serra em algum show.
- Sua tia-avó faria isso?
- Ela morreu andando de skate. Tinha 74 anos e havia começado a aprender.
Mamoru riu e, apesar de estar falando sobre a morte da tia-avó, Serena também riu.
- Luna devia querer morrer desse jeito. Ao fazer uma acrobacia, caiu e bateu com a cabeça na calçada.
- Tivemos um guarda-florestal aposentado que também era assim. Na manhã do aniversário de oitenta anos, subiu a montanha Cadillac. Chegou ao topo e teve um ataque do coração quando o sol surgiu no horizonte. Foi a primeira pessoa na América do Norte a ver o nascer do sol ali. E foi a última coisa que viu. - Mamoru esticou as pernas e comentou: - Se eu pudesse escolher onde morrer, escolheria Isle au Haut, uma ilha na costa do Maine, em um verão, ao crepúsculo. De dia, os animais indo dormir. À noite, os animais ganhando vida, e a lua crescendo sobre o oceano Atlântico. E você?
Em meio a um orgasmo com você dentro de mim, sussurrando meu nome ao meu ouvido, Serena pensou, e quase deu um tapa em si mesma, na testa. Será que havia algum tipo de pílula ou remédio que pudesse tomar para se livrar da luxúria?
- Oh, eu iria a qualquer lugar antigo. Ei, não respondeu à minha pergunta: o que planeja fazer hoje?
- O próximo passo é procurar sinais do meu pai aqui, no apartamento da sua tia-avó. Olhar na escrivaninha, procurar cartas e contas para ver se há alguma menção ao nome dele.
- Não. Luna gostava de privacidade. Ela não fazia perguntas a meu respeito e eu também não questionava nada. Não vou começar a vasculhar as coisas dela apenas porque está morta. E se pensa que vou deixá-lo fazer isso, um estranho...
- Tudo bem.
- O quê?
- Entendo que remexer nas coisas da sua tia-avó seja uma invasão à privacidade dela. Vou ter que encontrar um outro jeito de achar qual era a ligação de Luna com o meu pai.
- E aquela frase "farei o que for preciso para encontrar o meu pai"?
- Acho que não vou fazer o que for preciso, "não importa o que seja". Se fosse fazer isso, teria revirado o gabinete de leitura ontem à noite, enquanto você dormia.
Será que Mamoru estava querendo lhe dizer que fizera aquilo? E que não iria começar uma briga agora porque já tinha encontrado o que precisava?
Ainda assim, Serena se lembrou da intuição que tivera à soleira da porta quando pressentiu que ele não a machucaria por mais irritado que estivesse. Lembrou-se também da forma como a distraíra da própria tristeza. E como a derrubara essa manhã com três palavrinhas: "confio em você".
A vida e a cidade fizeram com que Serena passasse a suspeitar de tudo e de todos. Mas Mamoru parecia arrependido. E o instinto lhe dizia que Mamoru não era falso.
- Tudo bem. Obrigada.
- Certo. E você, quais seus planos para hoje? - ele perguntou.
- Quando acordei, meu plano era sentar aqui e fitá-lo até que fosse embora do apartamento. Se necessário, jogaria tudo que fosse cortante em cima de você.
- Mas as coisas mudaram.
- Sim - ela concordou.
Entretanto, mudaram menos do que Mamoru pensava. A revelação de que ambos confiavam um no outro significava que ela precisava se livrar dele o mais rápido possível. E parecia que a única forma de isso acontecer era ajudando-o a encontrar o pai.
- Tenho de me encontrar com o advogado de minha tia-avó daqui a meia hora. Ele vai ler o testamento. Você deveria vir junto para ver se há alguma menção relativa ao seu pai.
- Ótima idéia. Obrigado.
Mamoru se levantou, abriu a mochila e tirou de lá uma roupa azul. Depois, despiu a camiseta.
Serena arfava e, imediatamente, fechou a boca. O tórax dele era espetacular. Pouco antes de desviar o olhar, aquela visão a deslumbrara. Mamoru tinha ombros largos, pele dourada e músculos bem definidos.
- O que é isso, um show de strip-tease?
- Pensei que deveria vestir roupas melhores se vamos ao escritório de um advogado - Mamoru respondeu.
Serena arriscou uma olhada. Ele vestira uma camisa de manga comprida e a estava abotoando. Mesmo através do tecido de algodão, ela era capaz de descrever o peitoral nu de Mamoru . Provavelmente conseguiria fazê-lo pelo resto da vida.
Ele enrolou a camiseta e a colocou de volta na mochila. Depois, tirou de lá uma calça preta. Serena levantou, comentando:
- Vou dar um telefonema.
Em seguida, saiu da sala antes que ele decidisse tirar a calça também.
- Como você lida com tudo isso?
Serena desviou a atenção do jeito sexy como Mamoru andava e deu olhou ao redor de si mesma para ver sobre o que ele estava falando. Os táxis buzinavam, os vendedores ambulantes gritavam, o mendigo resmungava. Tudo era normal.
- Lidar com o quê?
- Com tudo. Para começar, com o cheiro. Serena inspirou fundo e depois soltou o ar, dizendo:
- Cachorro-quente, concreto, gasolina e o perfume de alguém. O que há de errado com isso?
- Não é ar, são gases. Cada vez que inspira, não sente como se os seus pulmões fossem revestidos de fogo?
- O pessoal de Nova York adora isso. A cidade é grande demais para você?
- Parece um planeta diferente. - Mamoru apontou para o outro lado da rua, para as árvores e para a grama do Central Park, explicando: - Aquilo, eu entendo. - Depois, apontou para os prédios e continuou: - Isso aqui é sufocante. Todas essas paredes. Como pode dizer que está ao ar livre?
- Você sabe que está ao ar livre porque o barulho do trânsito se torna ainda mais alto. Vamos lá, o escritório é nesse quarteirão.
- Você nasceu aqui?
- Não, em Nova Jersey.
- Então escolheu se mudar para cá.
- Assim que fiz 18 anos.
- Porquê?
- Porque aqui você pode ser você mesmo. Ninguém se importa com o que você faz.
- Isso é atraente?
- Muito.
- Mas como pode se sentir importante para as outras pessoas se todos estão tão presos às próprias vidas?
- Por que iria querer me sentir importante para as outras pessoas? O escritório dos advogados é aqui - ela comentou, indo em direção à escadaria de pedra antes que Mamoru fizesse mais perguntas. Tinha coisas suficientes para pensar agora. As irmãs já estavam no saguão, à espera do elevador que as levaria até o escritório de Hopper, Stein e Feinberg, advogados.
Serena chegou por trás das duas, louras e magras, e disse:
- Oi.
Jade e Cindy se viraram. Assim como todas as outras mulheres da família Tsukino, com exceção de Serena, as duas eram delicadas e femininas.
- Serena - Jade, a irmã mais velha, disse, e se curvou para abraçá-la. A irmã mais nova fez o mesmo.
- Há quanto tempo! Quando vai a Fairfield nos visitar? Kelsey e Justin iriam adorar ver a tia - Jade comentou, com doçura.
- Vou aparecer da próxima vez que tiver um passageiro para lá - Serena mentiu.
Quando Mamoru se aproximou, as irmãs de Serena ficaram de olhos bem abertos. Jade podia ser feliz, bem casada e com duas crianças pequenas. Cindy podia ter metade da população masculina de Nova York aos seus pés. Porém, nenhuma das duas se importava em dar uma boa olhada em uma obra-prima de homem. Serena. imaginava que se tratava de um traço familiar que herdara, ao menos isso.
- Jade, Cindy, esse é Mamoru - apresentou Serena. Fascinado com a beleza das duas mulheres, ele sorriu e estendeu a mão para cumprimentá-las.
- Mamoru , essas são minhas irmãs - Serena disse. Depois perguntou: - Di já está aqui?
- Lá em cima com a mamãe e o papai - Cindy respondeu, sem desviar os olhos do belo rosto de Mamoru .
O elevador chegou.
- Bem, devemos subir-Serena disse, contendo-se para não ficar de braço dado com Mamoru . Não fazia sentido. Ele não era dela, nem nunca seria. E as irmãs não acreditariam se ela fingisse que era.
Quando entraram no elevador, Serena viu que as irmãs estavam ansiosas para perguntar tudo sobre Mamoru . Entretanto, se contiveram.
- Pobre tia Luna - Cindy comentou.
- Não sei. Morrer andando de skate, em meio a uma acrobacia, foi uma forma de ir embora com classe. Aposto que ela ficou satisfeita - Serena retrucou, irritada. Até onde sabia, Cindy não passara mais do que quatro horas com Luna nos últimos cinco anos.
- Serena - Jade disse.
- Verdade. Aposto que ela está no paraíso e rindo. Estávamos falando sobre isso, não era, Mamoru ?
- Sim, e realmente parece ser uma boa forma de morrer - ele confirmou.
O elevador chegou e todos se dirigiram ao corredor, indo até o escritório dos advogados. Mamoru abriu a porta e as três irmãs entraram.
A mãe, o pai e a outra irmã, Di, estavam na sala de espera, sentados em cadeiras de couro. Todos se levantaram quando os quatro entraram, e começou a sessão obrigatória de abraços. Serena sofria com isso.
- Oh, Jade, você está formidável - a mãe disse, tocando o casaco de caxemira da filha mais velha.
Depois, virou-se para Cindy e comentou:
- E esse terno é lindo, Cynthia. Serena, é tão bom vê-la de saia.
Serena captou o subtexto: Esperávamos vê-la usando jeans velhos, e essa saia não é muito melhor.
- Comprada em uma liquidação. Todos prontos para entrar e ouvir o testamento? - Serena perguntou.
- Quem é o seu amigo, Cindy? - Michael Tsukino perguntou à filha mais nova.
- Oh, papai, eu não... - Cindy respondeu.
- Sr. e sra. Tsukino, sou Mamoru Chiba. Serena me trouxe aqui para ver se há alguma coisa relevante sobre a minha família no testamento da srta. Tsukino - Mamoru disse, aproximando-se e estendendo a mão aos pais de Serena.
- Acha que sua tia Luna tinha alguma coisa a ver, com a família desse rapaz? - o pai perguntou a Serena.
- Vamos encarar, nenhum de nós tinha a menor idéia do que Luna era capaz. Há evidências de que possa ter conhecido o pai de Mamoru . Ele está comigo no apartamento de Luna - Serena respondeu.
Naquele momento, uma porta se abriu. Um homem surgiu e perguntou:
- Sr. e sra. Tsukino, Jade, Diana, Serena, Cynthia? Vocês podem entrar.
O sr. Feinberg apertou as mãos de todos enquanto entravam no escritório. Em seguida, entregou-lhes pastas, dizendo:
- Fiz cópias do testamento. Não é muito complicado. Os desejos da srta. Tsukino são muito claros.
Depois, o sr. Feinberg sentou atrás da escrivaninha e pigarreou.
- Então, se abrirem as pastas...
Ao lado de Serena, Mamoru respirou fundo. Ao erguer o olhar, ela viu que ele fora direto para a última página, apontando para a data embaixo da assinatura de Luna.
- Vinte e três de abril - Mamoru disse.
- E daí?
- Trata-se do mesmo dia em que a carta do meu pai foi postada.
O sr. Feinberg voltou a pigarrear e comentou:
- Vocês podem ir direto para a página dois, onde a srta. Tsukino lega a quantia de dez mil dólares ao sobrinho Michael Tsukino. E estipula que quantias adicionais de dez mil dólares sejam investidas em títulos para cada um dos quatro sobrinhos-bisnetos que já nasceram. Além de uma quantia adicional de cinqüenta mil dólares a ser reservada para as crianças que ainda não nasceram. Esses títulos devem ser mantidos até que os herdeiros completem 18 anos.
O sr. Feinberg continuou:
- Se forem para a página três, vão ver a parte principal do testamento, onde a srta. Tsukino lega todos os seus bens e dinheiro a sua sobrinha-neta Serena Tsukino.
Serena ergueu a cabeça e fitou-o advogado, que explicou:
- Tudo está na faixa de cinqüenta milhões de dólares. Atordoada, Serena levantou e saiu do escritório. Ao final do corredor, empurrou a porta da saída de incêndio e desceu as escadas.
O escritório ficava no 12a andar. Quando Serena chegou ao final da escada, as pernas estavam doendo, mas a respiração ainda tentava permanecer normal. Ela abriu a porta, atravessou o saguão e foi em direção à rua.
Serena queria suar, sentir o corpo em funcionamento. Então, começou a correr assim que chegou à calçada.J Dois quarteirões depois, sentiu a mão pesada em um dos ombros. Virou-se, pronta para se defender. Era Mamoru .
- Você está bem?
- Não ouviu o homem? Sou milionária! - Serena respondeu e começou a chorar.
