CAPÍTULO NOVE
Serena o cobiçava. Então, beijou-o como se o devorasse. Mamoru se surpreendeu, emitindo um som de prazer, o que intensificou o desejo feminino.
Ela colocou as mãos para trás, como se empurrasse o espelho. Queria tocá-lo, não apenas com a boca, mas com as mãos e com o corpo. Entretanto, o desejo era poderoso demais apenas com o toque dos lábios, dominando-a.
O beijo era perfeito. Mamoru começou com suavidade, e depois correspondeu ao jeito feroz dela. Serena mordeu-lhe um dos lábios e suavizou a mordida com a ponta da própria língua. Sentiu o gosto e o cheiro irresistíveis dele, a aspereza da barba no queixo, o sal do suor nos lábios.
Mamoru se afastou de Serena e perguntou:
- Acredita agora que eu esteja atraído por você? Serena hesitou.
- E antes que faça alguma piada a meu respeito, sobre o fato de eu ter vindo da floresta e estar desesperado para ter uma mulher, deixe-me lembrá-la de que estou na maior cidade dos Estados Unidos e acabei de recusar duas propostas. É você quem eu quero. Caí algumas vezes durante a aula porque me concentrei em não observar o seu corpo. Sabia que, se fizesse isso, ficaria excitado. E esse short não encobre muito.
Serena abaixou o olhar e quase ficou sem ar. O short não encobria nada. Mamoru estava excitado. E ela logo imaginou como seria senti-lo, quente e vivo.
Ela colocou as mãos no peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a camiseta. Parecia que o olhara um milhão de vezes, querendo tocá-lo, embora algumas dessas vezes podiam ter sido em sonhos. Era melhor do que imaginara. A sólida curva da clavícula, o peitoral, os mamilos tangíveis sob a camiseta. A batida do coração. O som da respiração presa na garganta enquanto o acariciava.
Queria tocar-lhe o estômago, a pele nua e quente, o cabelo suave ao redor do umbigo. Porém, Mamoru agarrou-a, beijando-a de novo.
Dessa vez, o beijo não se iniciou de forma suave. Começou carnal e as mãos de Mamoru estavam por todas as partes de seu corpo. Nos quadris, na cintura, nas costas, no cabelo e, de repente, no seio. Serena enterrou as pontas dos dedos na pele máscula e se curvou àquele homem. Sentiu-o excitado e o ouviu gemer.
- Você é tão sexy - ele murmurou e ela suspirou de prazer quando Mamoru colocou uma das mãos ao redor de um dos seios e acariciou-lhe o mamilo com o polegar. Aquele corpo másculo, grande, forte, se inclinou, prendendo-a junto à parede espelhada. Os dois se tocavam da cabeça aos pés.
Mamoru parou de beijá-la na boca e Serena jogou a cabeça Para trás, encostando-a à parede enquanto ele beijava-lhe o rosto e o pescoço. Sentiu a língua dele saboreando sua pele suada, e estremeceu.
- Você é linda -murmurou Mamoru , excitado. Serena, então, acreditou. Sentiu-se bonita, sexy, desejada. Mas parou ao perceber o perigo. Adorava essa sensação. Desejava-a havia tempo. E, se fizesse amor com Mamoru , seria dele. Pertenceria a Mamoru Chiba, de corpo e alma.
Então, Serena o empurrou.
- Pare - disse ela, ofegante, sem se surpreender com a volta da própria voz.
Mamoru não se afastou. Serena era forte, mas ele era muito mais. O corpo másculo continuava preso ao dela. Ele ergueu a cabeça e a fitou.
- Serena? -As pupilas estavam dilatadas, o cenho franzido, a boca úmida.
- Pare com isso - voltou a dizer, empurrando-o. Mamoru recolheu a mão que tocava o seio de Serena e se aprumou. Um típico cavalheiro, atento aos pedidos dela.
- Qual o problema?
- Eu... - Não quero me apaixonar por você? Não. Não podia dizer isso... - Não acabou de dizer àqueles dois que ia embora em breve?
- Sim, mas porque não estava interessado neles. E sim em você.
- Mas ainda vai embora. Quero dizer, você detesta Nova York. Não vai ficar aqui mais do que o necessário, certo? Não é isso que detesta no seu pai? O fato de ele ter ido embora?
Mamoru se afastou e disse:
- Se é assim que se sente, voltarei com você ao apartamento e arrumarei minhas coisas.
Depois, encaminhou-se à porta. Serena o seguiu.
Mamoru furioso era como uma nuvem de uma tempestade poderosa à espera do momento para explodir. Era o lado negro, oposto à paixão.
Conforme se aproximavam do apartamento, Serena se lembrava da primeira vez em que o vira, com raiva, à procura do pai desaparecido. Agora, aquela raiva estava direcionada a ela. Podia senti-la, um calor que, de certa forma, era sedutor por ser tão imediato e forte.
E justificado. Serena acabara de dizer algo que, no mundo dele, era imperdoável. E isso tudo por medo.
Mas a ira dele era mais segura que a paixão. Serena procurava se convencer disso enquanto abria a porta e o via ir direto ao quarto de hóspedes para arrumar suas coisas. Pelo que conhecia dele, tudo já estaria arrumado. Mamoru era metódico e não deixava rastros.
Serena se perguntava se tinha sido treinado assim por causa da profissão ou se era algo mais profundo, que advinha do fato de ter sido abandonado quando criança. Um esforço para manter tudo nos devidos lugares aos quais pertenciam, mesmo que não pudesse incluir o pai.
Aquele pensamento fez o estômago dela doer. Desculpe, ela pensou em dizer. - Vai levar o pombo também? - Serena indagou.
- Não se preocupe. Vou levá-lo. Não será forçada a nenhuma responsabilidade ou preocupação assim que eu for embora.
- Me fale sobre essa coisa de responsabilidade. Estou interessada. Você veio a Nova York para esfregar na cara do seu pai as obrigações que eram dele e que as renegou. E pensou que, nesse meio-tempo, se divertiria um pouco, fazendo sexo comigo? Só para mostrar o quanto é um homem honrado, cuidadoso?
- Primeiro, decidi que não a tocaria. Não tenho casos nem sou de ficar por uma noite apenas. Há tempos que estou afastado de mulheres, porque meu trabalho me leva para longe das pessoas por semanas. Não vou me comprometer e depois ir embora.
A veemência na voz dele fez o coração de Serena acelerar.
- Mas eu a queria. Se fosse apenas por causa do seu corpo, teria continuado a resistir. Mas não é. Pode negar o quanto quiser, mas há algo dentro de você que quer contato humano mais do que qualquer coisa. Isso me atrai tanto que não consigo resistir.
Serena quase cambaleou para trás. Ele a conhecia. Forçou-se a sorrir, ergueu as sobrancelhas, e comentou:
- Ensinam a ler pensamentos junto com técnicas de primeiros-socorros a pássaros na escola dos guardas-florestais, escoteiro?
Mamoru fechou a mochila. Então respondeu:
- Não deveria ter tocado em você. Vou embora e não posso lhe oferecer nada. Mas não sou como meu pai.
Serena sabia tudo sobre rejeição. Reconhecia-a como uma velha amiga. Sabia como isso fazia com que as pessoas fossem veementes, como insistir tanto porque queria convencer a si mesmo a não encarar a verdade. Se não admitisse que se importava, a vida seria mais fácil.
Ao reconhecer isso em Mamoru , sentiu um calafrio ao perceber o quanto se preocupava com ele. E o quanto não queria que ele fosse embora. Então, claro, escolheu as seguintes palavras para afastá-lo ainda mais rápido:
- Certamente, não é como o sr. Chiba. Você cuida das coisas. Salva causas perdidas. Faz tudo o que pode para mostrar que não é como seu pai. Então, por que tem que provar isso? A menos que, no íntimo, você pense ser como ele.
- Vamos falar sobre a sua família. Não conheceu meu pai, mas conheci o seu e a sua mãe. Podem não saber demonstrar, mas eles a amam. E tudo o que você faz é afastá-los. Não acho que você seja a pessoa adequada para falar sobre família.
Estamos discutindo sobre tudo, exceto sobre o que sentimos um pelo outro, ela pensou. Mas tudo bem. Não pretendia mostrar-lhe o que sentia.
- Engraçado, pensei que achasse que minha família era injusta comigo. Ou talvez tenha sido uma desculpa, assim teria de quem me defender. Então, podia ser recompensado com um beijo de gratidão.
- Eu a beijei porque queria. Ainda quero, mesmo com você fazendo tudo para me destratar. - Mamoru caminhou até a porta do quarto, onde Serena estava, bloqueando a passagem.
- Vai me deixar passar ou vou ter que beijá-la de novo?
Mamoru ali tão perto a fez lembrar-se do corpo másculo junto ao seu na academia. Se o tocasse de novo, não pararia até que os dois estivessem nus e saciados.
Ela se afastou e ele passou. Serena o seguiu. Foram até a sala e Mamoru pegou a caixa com o pombo.
Serena lembrou-se dele procurando o pai pelo apartamento, dos dois rindo no sofá, dividindo uma pizza. Não vá, quis gritar.
Seguiu-o até a porta principal, onde Mamoru parou e disse:
- Bem, obrigado por tudo. Obrigado por tentar me ajudar a encontrar meu pai. Cuide-se.
Serena acenou com a cabeça, concordando, incapaz de fitá-lo. Ele abriu a porta e saiu.
Sim. Cuidar de si mesma. Era o que fazia melhor. Era o que estava fazendo agora. E quando a porta fechou, sentiu como se parte dela tivesse ido embora com ele.
Correu em direção à janela da sala. Como dava vista para a rua, seria capaz de vê-lo sair do edifício. Não sabia qual era o propósito de vê-lo indo embora. Mas sabia que queria vê-lo pela última vez.
O celular, dentro da bolsa da ginástica ainda em um dos ombros, tocou. Ela o procurava, tateando, mantendo ò olhar na rua abaixo.
Ao encontrar o celular, olhou o visor antes de voltar a fitar a rua. Era o advogado de Luna. Não queria falar com o sr. Feinberg. Entretanto, para ser honesta, talvez fosse bom para se distrair agora. Então, atendeu a chamada.
- Olá, sr. Feinberg.
O advogado cumprimentou-a e começou a falar sobre uma reunião para conversarem sobre a herança de Luna. Serena respondia automaticamente, sem prestar atenção. A calçada lá embaixo estava cheia de gente, mas Mamoru ainda não aparecera.
- Tenho quinta-feira à tarde, se for conveniente para você. Como a herança é substancial, nossa reunião deve levar a maior parte da tarde.
- Hum? - As palavras eram um zumbido. Poderia dar uma desculpa e desligar o telefone, mas a voz calma do advogado era a única coisa que a estava impedindo de correr atrás de Mamoru .
De repente, ele estava lá embaixo. Tudo o que Serena sempre quisera. Ela suspirou fundo.
- Srta. Tsukino, você está bem?
- Sim. Por favor, me fale mais. Estava dizendo que a questão da herança é complicada?
Não ouviu as palavras seguintes do advogado. Mamoru estava indo embora.
- Por exemplo, há um condomínio em Napa Valley, uma casa no Maine, e uma propriedade em Cape...
- Maine? - ela perguntou, a voz entrecortada.
- Desculpe, o que disse?
- Luna tinha uma casa no Maine?
- Sim, em... Deixe-me ver...
- Tenho que ir - Serena disse e correu rumo à porta. Alguém acabava de sair do elevador quando ela chegou e entrou, apertando o botão para o térreo com a mão que ainda segurava o celular. As portas se fecharam e ela murmurava para que o elevador andasse rápido. Mas o elevador parou e pegou mais dois passageiros. Quando chegaram ao térreo e as portas se abriram, Serena passou pelas outras pessoas correndo pelo saguão, cruzando as portas de vidro e chegando à rua.
Havia muita gente em Nova York. Serena andava apressada pela calçada, se desviando dos pedestres. Não via Mamoru . De repente, o viu entre um carrinho de cachorro-quente e uma árvore.
- Mamoru ! - Serena gritou e o agarrou por um dos braços. Ele parou. Parecia surpreso e satisfeito ao vê-la. Serena teve que recuperar o fôlego antes de falar. Mamoru permaneceu quieto e esperou.
- Acabei de receber um telefonema do advogado de Luna. Minha tia-avó tinha uma casa no Maine - Serena disse, arfando.
- Acha que Luna conheceu meu pai no Maine? Não soube de ele ter estado lá nos últimos 16 anos - Mamoru comentou.
- Bem, me parece muita coincidência.
- Onde no Maine?
- Não sei. Desliguei antes que ele pudesse me dizer. Então, lembrou que continuava segurando o celular e ligou de volta para o advogado.
- Saul Feinberg.
- Sr. Feinberg? É Serena Tsukino de novo. Desculpe por ter desligado antes. Pode me dizer onde é a casa de Luna no Maine?
- Posso. É em Southwest Harbour.
- Southwest Harbour - Serena disse a Mamoru . - Obrigada - agradeceu ao advogado e voltou a desligar o celular.
- Southwest Harbour é em Mount Desert Island, onde trabalho - Mamoru comentou.
- Isso tem que significar alguma coisa. É o elo entre minha tia-avó e seu pai - Serena disse. Sentia-se animada e excitada. Depois da tortura de forçá-lo a ir embora, a alegria de conversar com ele a dominava por completo.
- Tudo bem. Vou lá e pedirei informações. Obrigado. O tom de voz era de despedida. Ele estava prestes a partir. Serena planejara isso o tempo todo, queria que Mamoru fosse embora. Porém, naquele momento, não podia suportar a idéia de vê-lo ir embora.
- Nós dois vamos juntos - Serena anunciou.
As portas se fecharam e ela murmurava para que o elevador andasse rápido. Mas o elevador parou e pegou mais dois passageiros. Quando chegaram ao térreo e as portas se abriram, Serena passou pelas outras pessoas correndo pelo saguão, cruzando as portas de vidro e chegando à rua.
Havia muita gente em Nova York. Serena andava apressada pela calçada, se desviando dos pedestres. Não via Mamoru . De repente, o viu entre um carrinho de cachorro-quente e uma árvore.
- Mamoru ! - Serena gritou e o agarrou por um dos braços. Ele parou. Parecia surpreso e satisfeito ao vê-la. Serena teve que recuperar o fôlego antes de falar. Mamoru permaneceu quieto e esperou.
- Acabei de receber um telefonema do advogado de Luna. Minha tia-avó tinha uma casa no Maine - Serena disse, arfando.
- Acha que Luna conheceu meu pai no Maine? Não soube de ele ter estado lá nos últimos 16 anos - Mamoru comentou.
- Bem, me parece muita coincidência.
- Onde no Maine?
- Não sei. Desliguei antes que ele pudesse me dizer. Então, lembrou que continuava segurando o celular e ligou de volta para o advogado.
- Saul Feinberg.
- Sr. Feinberg? É Serena Tsukino de novo. Desculpe por ter desligado antes. Pode me dizer onde é a casa de Luna no Maine?
- Posso. É em Southwest Harbour.
- Southwest Harbour - Serena disse a Mamoru . - Obrigada - agradeceu ao advogado e voltou a desligar o celular.
- Southwest Harbour é em Mount Desert Island, onde trabalho - Mamoru comentou.
- Isso tem que significar alguma coisa. É o elo entre minha tia-avó e seu pai - Serena disse. Sentia-se animada e excitada. Depois da tortura de forçá-lo a ir embora, a alegria de conversar com ele a dominava por completo.
- Tudo bem. Vou lá e pedirei informações. Obrigado. O tom de voz era de despedida. Ele estava prestes a partir. Serena planejara isso o tempo todo, queria que Mamoru fosse embora. Porém, naquele momento, não podia suportar a idéia de vê-lo ir embora.
- Nós dois vamos juntos - Serena anunciou.
