CAPITULO DEZ
-Vai comigo?
- Claro. Como espera entrar na casa da minha tia-avó sem mim?
- Como espera entrar na casa da sua tia-avó sozinha? Boa pergunta. Serena voltou a ligar para o advogado.
- Saul Feinberg.
- Sr. Feinberg, é Serena de novo. Onde fica essa casa em Southwest Harbour? E como faço para entrar lá?
- Por que não vem ao escritório agora? Vemos isso para você.
- Maravilha. - Desligou o celular e olhou para Mamoru , que continuava parado. Não dava para saber em quê estava pensando.
- Temos que ir ao escritório do advogado. Presumo que ele possa me dar as chaves.
Mamoru permaneceu calado.
- O que é? - Serena perguntou.
- Há cinco minutos, discutíamos. E agora você diz que vai ao Maine comigo. Parece que pulamos uma ou duas etapas aqui.
Serena pensou no que estava fazendo, jogando-se de volta ao fogo com Mamoru Chiba. Mas não pensaria nisso ainda. Sofrerá, e agora não sofria mais. E isso bastava no momento.
- Quero ver a casa da minha tia-avó. E quero que encontre o seu pai. Podemos matar dois coelhos com uma cajadada só.
- Há algo mais que queira que eu faça?
Serena respirou fundo. Queria agarrá-lo, levá-lo de volta ao apartamento e fazer amor com ele até que nenhum dos dois pudesse se mexer. Mas não era sensato. Além disso, não queria tê-lo machucado.
- Sim. Peço desculpas por dizer que era como o seu pai. Não é. Você é uma boa pessoa. Não o conheço há muito tempo, mas sei disso.
- Obrigado.
- Tudo bem. Agora, vamos ao escritório do advogado.
- Não acha que ainda há algo a falar?
- Desculpe por expulsar o pombo também. Podemos ir?
- Isso basta por agora - Mamoru disse e os dois seguiram juntos.
- Dirigiu do Maine até aqui nisso?
- Certamente - Mamoru respondeu, abrindo a porta detrás do caminhão e colocando a mochila lá. Estendeu uma das mãos para pegar a bolsa de Serena, mas ela mesma a colocou junto à sua.
- Uau, é mais corajoso do que pensei. - Serena recuou e observou o caminhão, abrindo um largo sorriso ao notar os salpicos de lama, os entalhes, os arranhões na pintura. - E eu que pensava que o trânsito de Nova York acabava com os carros.
Mamoru riu. Desde que soubera da casa de Luna rio Maine, Serena ficara de bom humor. Ria, contava piadas, assobiava durante o trajeto do apartamento até o estacionamento onde ele deixara o caminhão nos últimos dias.
Não sabia por que Serena deixara de discutir e passara a ajudá-lo. Ou por que deixara de ficar irritada e estava feliz. Antes, sabia o motivo da briga. Assim que deixou o apartamento, deu-se conta de que ela estava tentando afastá-lo, da mesma forma como a vira fazer com a própria família.
Não que isso melhorasse a situação. Não gostava de ser enxotado. Mas aceitou as desculpas dela. Gostava de vê-la feliz.
- Esse caminhão me viu deslizar na lama, atravessar tempestades e estradas, completamente exausto. Já foi atacado por alces duas vezes e carregou um bando inteiro de papagaios-do-mar cobertos de óleo. Um pouco de trânsito de Nova York não significa nada.
Mamoru pegou uma gaiola para transporte de animais, tamanho médio. Era grande para um pombo, mas teria de servir.
O pombo tentou fugir quando Mamoru o tirou de dentro da caixa de papelão. Era bom sinal. Com cuidado, transferiu a ave para a gaiola.
- Ele vai ficar bem aí? - Para surpresa de Mamoru , Serena o observava.
- Sim. Isso é próprio para transportar animais - respondeu.
- Mas será que o caminhão não vai aborrecê-lo? O barulho e o sacolejo?
- É um pombo de Nova York. Sempre viveu perto do trânsito. Não acho que uma viagem na parte de trás de um caminhão vá perturbá-lo tanto. E desde quando se importa com pragas? - Mamoru perguntou, fechando a porta.
- Estou apenas sendo humana. Detestaria que todo o seu trabalho de salvamento fosse em vão. Bem, vamos indo. Me dê as chaves - ela pediu e estendeu-lhe a mão.
- Quer dirigir meu caminhão?
- Sim.
- Pensei que tivesse dito que estava em ruínas.
- Isso foi até eu saber que podia resistir a alces.
- Já dirigiu um caminhão antes?
- Ouça, a escolha é sua. Quer lidar com o trânsito de Nova York? Ou quer que uma garota que ganha a vida como taxista faça isso?
- Boa questão - Mamoru comentou, jogando-lhe as chaves.
- Vou levá-lo pela rota pitoresca e dar-lhe algumas boas lembranças do lugar.
Mamoru observou-a entrar na cabine. Como isso acontecera? Ele se perguntava enquanto dava a volta até a porta do carona. Como passara a percebê-la como a mulher mais sexy que conhecera? Tão sexy que Mamoru contrariara o próprio bom senso e a tocara mesmo não podendo ficar com ela? Tão sexy que ele mesmo duvidava da própria capacidade de sentar-se na cabine de um caminhão com ela e manter-se quieto?
- A embreagem é um pouco difícil - Mamoru comentou ao entrar e colocar o cinto de segurança.
- Sem problemas - Serena disse ao virar a chave na ignição.
- Quero dizer... Já a consertei um milhão de vezes, mas ainda emperra. Você tem de...
- Sem problemas - ela repetiu, engrenou a marcha e desceu a rampa do estacionamento.
Serena era boa. Ele relaxou.
- Realmente dirige esse troço por aí? Como consegue namoradas?
- Tenho uma Harley-Davidson. E qualquer garota por quem eu estivesse interessado teria que olhar além do caminhão para ver minhas outras qualidades.
- Hum - Serena brincou.
Mamoru pagou o estacionamento e ela se dirigiu ao trânsito.
- Há quanto tempo é taxista?
- Há cinco anos. Estou pensando em parar, me dedicar mais à ginástica, a essa questão de boa saúde. Personal, aulas particulares, algo assim. Você tem que lidar com menos gente estranha.
Ela tirou um pacote de pastilhas para garganta de dentro de um dos bolsos do moletom e colocou uma na boca. Depois, comentou:
- Chega de falar sobre o meu trabalho. Vamos ver Nova York. Do lado direito, Dakota, onde John Lennon viveu e foi assassinado.
- O Bebê de Rosemary foi filmado ali - Mamoru comentou.
- Sim, como sabe?
- O marido da minha irmã tem um cinema em Portland. É obcecado por filmes. - Mamoru fitou Serena e continuou: - Você é uma excelente professora de ginástica. Até eu, que sou ruim, aprendi alguma coisa.
- Você não foi tão ruim assim. Aqui estamos em Columbus Circle, indo rumo à Broadway. Há uma delicatessen lá embaixo que faz os melhores sanduíches de pastrami que já comi na vida.
- Não foi tão ruim, hein? Está falando sobre os exercícios ou sobre o beijo?
- Os exercícios. Está vendo aquele vão, da porta? Em uma noite fria, é um dos lugares mais quentes da vizinhança. Tem aquecedores ali perto.
- Como sabe?
- Oh, fugi de casa aos 16 anos.
- E acabou dormindo nas ruas de Nova York?
- Pretendia ir para a casa de Luna. Mas, claro, não liguei antes e ela não estava em casa. Então, perambulei por Nova York algumas semanas.
- Sozinha? Aos 16 anos?
- Foi um grande aprendizado - ela respondeu, sorrindo. Em seguida, estendeu-lhe a mão direita na qual usava um anel de prata no polegar. - Vê esse anel? Na minha segunda noite, encontrei-o a um quarteirão a leste daqui, jogado em uma esquina. Eu o uso desde então.
- Quer uma lembrança da época em que foi uma fugitiva?
- Queria uma lembrança do fato de que posso cuidar de mim mesma.
- Por que fugiu de casa?
- Ouvi, por acaso, meus pais falando a meu respeito. Não gostei do que ouvi. Então, fui embora.
- O que a fez ir para casa?
- Luna. Eu passava pelo apartamento todo dia para ver se ela havia voltado. E, um dia, ela estava lá. Não fez perguntas. Me deu um banho e me levou para comer. Passei uma noite lá. Depois, voltei para casa. Ela não disse nada. Apenas senti que devia voltar para casa depois que a vi.
- Aposto que Luna sabia - Mamoru disse.
- Agora, acho que sim - Serena comentou. Então apontou para o pára-brisa, dizendo: - O Radio City Music Hall e o Rockefeller Center ficam a alguns quarteirões daqui. E, em um minuto, estaremos indo rumo à Times Square.
Mamoru não dava importância aos pontos turísticos. Só tinha olhos para Serena. Então, indagou:
- Como foi viver nas ruas?
- Assustador. Havia muita gente estranha, pervertida, drogada. Mas, ao mesmo tempo, era divertido, sabe? Não havia regras. Acho que eu precisava provar para mim mesma que podia fazer o que quisesse.
- Sei o que quer dizer sobre precisar provar coisas para si mesmo. Estava certa sobre o fato de eu tentar provar que não sou como meu pai. Realmente gosto de animais e me preocupo com o meio ambiente. Mas eu tentava provar que era responsável.
Por alguns momentos, Serena nada respondeu. E, embora Mamoru quisesse observá-la, olhou para fora da janela. Finalmente, via todos os prédios, as luzes, os carros e as pessoas.
- Também estava certo. Eu afasto as pessoas. É mais fácil. Aqui está o túnel Lincoln.
Mamoru continuou olhando para fora da janela enquanto entravam e atravessam o túnel. Não era segredo o motivo de estar tão atraído por Serena. Primeiro, comparou-a ao tipo de mulher de que gostava. Sempre se interessara por mulheres delicadas, femininas, que gostavam de ser protegidas e cuidadas, que apreciavam que lhes abrissem a porta, que as escutassem, que as ajudassem. Gostava de cuidar e de sentir-se forte e confiável.
E ainda tinha que admitir que os últimos relacionamentos fracassaram porque ser forte e confiável não era suficiente. Depois de um tempo, queria mais do que confiança. Queria algo em troca. Algum tipo de excitação, alguma paixão. Um pouco da mesma coisa que sentia quando estava na floresta rodeado de plantas e de animais que lutavam pela sobrevivência. Queria aquela conexão, tão profunda quanto a sua alma.
Havia algum tempo que evitava relacionamentos. Receava ser como o pai, indo embora quando as coisas ficassem difíceis. E sentia-se atraído por Serena porque era diferente das namoradas que tivera.
E estava tão atraído que corria o risco de perder a cabeça. Na pequena cabine do caminhão, Mamoru sentia o cheiro de Serena. Ambos trocaram as camisetas suadas mas ele ainda podia sentir o calor da pele. Quando a beijara, Serena reagira com uma paixão que ele nunca experimentara.
- Até a vista, Manhattan! - gritou, e Mamoru ergueu os olhos para ver que estavam saindo do túnel. Ela voltara a sorrir. Pelo que conhecia dela, Serena decidira que bastava de tanta seriedade. - Tem alguma música aqui? -perguntou, tirando uma fita K-7 do toca-fitas. - AC/DC?! Você parece estar na idade da pedra!
- Isso me mantém acordado - Mamoru comentou, e tirou-lhe a fita das mãos. Depois, voltou a colocá-la no toca-fitas e aumentou bastante o volume.
Serena gritou assim que a música começou. Abaixou o vidro da janela e cantou, esquecendo-se da dor de garganta e deixando de lado as mágoas e os problemas. Mamoru riu e cantou também.
- Abaixe o vidro da janela - ele disse, sentado ao volante. Serena abriu os olhos. Não adormecera por completo, mas o barulho do motor do caminhão e a escuridão lá fora lhe causaram sonolência. A viagem de Nova York até o Maine era longa, e começaram já quase no fim da tarde. Mamoru assumiu a direção depois. A conversa foi diminuindo até chegar a um silêncio confortável. De olhos fechados, ela relaxou.
- Onde estamos? - perguntou.
- Abaixe o vidro da janela e vai descobrir.
Não dava para ver nada lá fora. A rodovia estava iluminada, mas os arredores eram um breu. Serena abaixou o vidro da janela e Mamoru fez o mesmo.
- Agora, respire - ele disse.
Serena respirou fundo. O ar era tão frio quanto a água na primavera. E o cheiro era de pinho. Não o que vinha em purificadores de ar ou detergentes. Era um cheiro de frescor que a fez pensar em lugares amplos, florestas, vitalidade. E Mamoru carregava aquele cheiro consigo.
- Estamos no Maine - ela disse.
Mamoru respirou fundo e acenou com a cabeça, concordando.
- Não estamos longe de Kittery. É bom estar em casa _ ele comentou, voltando a respirar fundo.
De repente, um estrondo repentino lançou o caminhão para a esquerda. Serena segurou-se à porta enquanto ele lutava com o volante.
- Pneu furado - murmurou e xingou. Porém, em alguns segundos, recuperou o controle do caminhão e o recolocou à direita.
- Você está bem? - Mamoru logo perguntou.
- Sim e você?
- Também - respondeu, desligando o motor.
- Acha que o pombo está bem?
- Vou checar.
Mamoru pegou uma lanterna que estava no porta-luvas e os dois saíram do caminhão. Ele foi na carroceria ver como estava o pombo. Serena andou ao redor para inspecionar o estrago. O ar estava frio e, ao olhar para cima, viu que o céu estava repleto de estrelas.
- O pombo está bem - Mamoru gritou.
- O seu pneu não. Está mais achatado que uma panqueca - ela retrucou.
Mamoru deu a volta e foi ao encontro dela, iluminando o pneu com a lanterna. Voltou a xingar.
- Sem problemas. Podemos trocá-lo em um instante. Onde está o macaco?
- Não é tão simples assim.
- Qual o problema? Não sabe como trocar um pneu? Não se preocupe. Sou profissional. Pegue o estepe e eu faço isso.
- Esse é o estepe.
- O único?
- Sim.
- O que aconteceu com o seu slogan "sempre preparado", escoteiro?
- Furei um pneu em uma pedra na estrada, na manhã antes de ir para Cranberry Island. Deixei o estepe para ser consertado e ia buscá-lo na volta. Entretanto, ao regressar, havia a carta do meu pai e não quis esperar. Então, dirigi com o estepe.
- Isso foi uma estupidez.
- Eu sei.
- Embora talvez eu tivesse feito a mesma coisa.
- Isso me faz sentir melhor.
- Tem o número do serviço de reboque?
- Sim - disse, apontando para a frente do caminhão. Os faróis dianteiros iluminavam o telefone de emergência em uma pilastra a uns cem metros dali.
- Fique a uma distância segura do caminhão. Volto já. Serena o viu se encaminhar até o telefone. Os faróis iluminavam o corpo másculo perfeito. Ele era magnífico.
Ela voltou para a parte detrás do caminhão e, com um grunhido, tirou a gaiola onde estava o pombo. Não haveria razão para ter transportado a ave por centenas de quilômetros se ia acabar sendo morta por alguém que batesse na traseira do veículo. Então, sentou na grama e colocou a gaiola a seu lado.
Pensou na conversa que tivera com Mamoru enquanto atravessavam Nova York. Nunca contara a ninguém sobre a época em que fugira de casa. Os pais se desesperaram tentando encontrá-la. Chegaram a chamar a polícia quando ela foi embora.
Mas, no dia seguinte, quando ela ligou de um telefone público na Estação Central, aceitaram a história de que estava com Luna. Ela nunca perguntara, embora também tenha precisado ouvir um sermão dos pais de Serena. Ela manteve em segredo a prova de que, o que quer que fosse que a vida lhe reservasse, estaria bem.
Entretanto, contara sua história a Mamoru . Abrira-se para ele de uma forma que não fazia com ninguém há muito tempo. Confiava nele, não tivera medo. E foi bom.
Serena olhava as estrelas. Nunca vira tantas de uma só vez. Era como se estivesse em um planeta novo. A única coisa que a fazia lembrar-se de que estava na Terra era o barulho ocasional de um carro passando a cem quilômetros por hora.
Ouviu Mamoru se aproximar e dizer:
- Estamos com sorte. Há um caminhão-reboque que acabou de atender a um chamado perto daqui. Virão em dez minutos e vão nos rebocar para uma oficina em Kittery.
- Isso é bom. Venha aqui e veja essas estrelas - Serena disse.
Mamoru sentou na grama ao lado dela.
- Não imaginava que existissem tantas - ela comentou.
- Há menos poluição aqui do que em Nova York. Serena não pensou. Apenas fez o que teve vontade.
Rolou na grama, ficando em cima de Mamoru , e o beijou. Ele a abraçou e retribuiu o beijo.
Um desejo forte tomou conta dela. Sentiu os mamilos enrijecerem e uma onda de calor nos quadris. Também podia senti-lo excitado. Ainda assim, beijava-o devagar. Ambos queriam um ao outro. Tudo estava sob controle.
- Isso é muito romântico - ele sussurrou.
- Ninguém nunca me acusou de...
Serena foi interrompida pelo motor do caminhão-reboque. Ambos riram e ficaram ainda mais próximos. A excitação de Mamoru a inundava de prazer.
-Eua quero tanto. Não me afaste dessa vez. Por favor - ele pediu.
- Precisam de reboque ou estão se divertindo? Serena continuou onde estava, mas olhou por cima de um dos ombros. O reboque parará atrás do caminhão de Mamoru , e havia um homem ali.
- O reboque chegou. Seja paciente - ela murmurou, deu-lhe um beijo e levantou. - Vamos aceitar o reboque. O Senhor Idéias Brilhantes decidiu que seria divertido ir a Nova York e voltar usando o estepe.
- Subam na cabine. Vou deixar o caminhão de vocês na oficina de Maddie, em Kittery. É o lugar mais perto, mas não está aberto a essa hora. Só vão ter o pneu consertado amanhã de manhã.
Mamoru havia levantado e se juntado a Serena. Colocou a mão nas costas dela, um toque possessivo que a fez estremecer.
- Parece que vamos passar a noite em Kittery. Há algum hotel onde possa nos deixar?
- Sim, há vários.
- Isso é bom. Um hotel é muito mais confortável do que o acostamento - disse em voz baixa junto ao ouvido de Serena.
- Entretanto, não podemos ver as estrelas - Serena retrucou.
- E quem disse que quero ver as estrelas? - Mamoru disse, tocando-lhe os lábios com um dos dedos, um convite e uma promessa. Depois, juntou-se ao homem.
Serena podia se juntar aos dois. Sabia tudo sobre carros. Não tinha que esperar na cabine do caminhão como uma mulher indefesa. Porém, o sangue estava quente, o coração acelerado. Isso tudo porque fazer amor com Mamoru Chiba seria a melhor experiência de uma vida inteira. E ela queria se acalmar, fazer direito. Não queria se apressar e estragar tudo.
Pegou a gaiola, subiu no caminhão-reboque e a colocou no colo. Respire, Serena, dizia a si mesma. Então, passou a se concentrar apenas na respiração. E em nada mais. Porque, se começasse a pensar, não voltaria a tocar em Mamoru Chiba.
