CAPÍTULO ONZE
Balançando a chave, Serena caminhou em direção a Mamoru , que estava no estacionamento do motel. Ele acabara de pagar ao motorista do reboque e estava com a mochila nas costas; Serena trazia a bolsa pendurada em um dos ombros. Ao vê-la se aproximar, abaixou para pegar a gaiola do pombo, mas ela chegou primeiro e a segurou.
- Onde vamos dormir? - ele perguntou.
Serena não achava que Mamoru tivesse tido cuidado ao escolher as palavras. Depois do beijo, ficaram meia hora juntos na pequena cabine do caminhão de reboque. Uma das pernas dela ficara prensada sobre a dele, do quadril até a panturrilha.
Embora não tenha encostado um dedo nela, Serena soubera de cada pequeno movimento do corpo dele enquanto o caminhão balançava ao longo da estrada. Ele passara a maior parte da viagem conversando com o motorista sobre o tempo, as estradas. Ela também participou da conversa até o momento em que virou o rosto na direção de Mamoru e os olhos de ambos se encontraram.
Mesmo na cabine escura, Serena vira o que ele pensava: iam a um hotel para fazer amor. E a esse pensamento, uma enorme onda de desejo percorreu-lhe o corpo de tal forma que não teve confiança em si mesma para voltar a falar, com medo de que a voz saísse como um guincho. E, agora, cruzava o estacionamento com Mamoru , em direção ao quarto onde deveriam se entregar. Estava certa de que seria a mais prazerosa relação sexual que tivera na vida.
- Quarto dezesseis. A direita da máquina de gelo - Serena o avisou.
- Vai ser útil se precisarmos nos refrescar - Mamoru comentou.
- Você é bastante persuasivo.
- É preciso ser charmoso quando se está tentando persuadir um cervo machucado a sair da mata.
- Não sou um cervo machucado - Serena comentou e abriu a porta.
- Certamente não. - Mal entraram, ele logo a virou para fitá-lo. - Você é uma mulher sexy, inteligente, excitante. Estou contente que tenha decidido ficar com um quarto em vez de dois - ele murmurou.
Serena percebeu que Mamoru fizera de propósito. Ficara ocupado pagando o motorista enquanto ela reservava o quarto. Queria deixá-la escolher se dormiriam juntos ou não.
- Não eram baratos - Serena comentou e sentiu as bochechas ficarem coradas ao perceber a estupidez que acabara de dizer. Então acrescentou: - Claro que eu poderia comprar o hotel todo se quisesse, hum?
- E o que está ao lado. Nem precisaríamos estar no mesmo prédio se não quisesse.
- Bem, estamos - ela disse e se afastou para observar o quarto. Era decorado em tons de laranja, ao estilo dos anos 70.
E a cama era grande. Aquele era o lugar onde os dois fariam amor. Serena decidira isso assim que o beijou, e resolveu ir ao Maine com ele. Queria fazer amor com Mamoru mais do que qualquer coisa no mundo. Então, por que o nervosismo repentino agora?
Virou-se para Mamoru . Ele colocara a bagagem no chão e estava em pé, observando-a. Continuava de short, tênis e camiseta. E estava excitado.
Um homem sexy. Era tudo com o que Serena sonhara. Sentira medo na academia porque, se dormissem juntos, se apaixonaria por ele.
- Serena? - Mamoru disse, sem fazer nenhum movimento em direção a ela. Estava persuadindo-a como se fosse um cervo machucado.
Ela se endireitou ao perceber isso. Será que Mamoru pensava que ela estava com medo? Em uma calçada de Nova York, resolvera ir para o Maine com ele. E, em uma rodovia do Maine, decidira que não teria medo de nada.
Aquele era o mundo de Mamoru , com cheiro de pinho. Não era o mundo dela. Não ficaria ali, e podia cuidar de si sozinha. E, quando voltasse a Nova York, continuaria de onde parará. Sempre fizera isso.
Serena sorriu. Ia mostrar a ele o quanto estava assustada. Despiu a camiseta.
Os olhos de Mamoru arregalaram-se de tanta excitação. Serena o viu fitá-la, engolir em seco, ficar sem respirar. Percebeu o olhar dele percorrer seus seios.
Sabia que não era linda, mas gostava do próprio corpo. Exercitava-se quase todo dia. Estava em boa forma e saudável. E já tivera amantes suficientes para saber que era atraente.
Mas o jeito como Mamoru a fitava era diferente. Nenhum outro homem a olhara assim. Era como se ela fosse uma deusa.
Mamoru deu apenas um passo em direção a Serena e ela viu o contorno da excitação dele sob o short. Não era uma deusa, mas ele queria muito. E isso a fazia sentir-se poderosa.
Serena tirou os tênis e despiu o short, ficando apenas com o top da ginástica e a calcinha combinando.
- Preciso de uma chuveirada. E você? - ela perguntou. Em seguida, virou-se e foi até o banheiro, sem checar se Mamoru a seguia.
O banheiro não era em tons de laranja, mas tinha peixes pintados nos azulejos brancos. A banheira, com o chuveiro acima, não era muito grande. De qualquer forma, Serena abriu as torneiras e ficou em pé, testando a água com uma das mãos enquanto esta aquecia.
Não o ouviu entrar por causa do som da água. Mas, sentiu as mãos másculas, grandes e quentes ao redor de sua cintura. E a respiração no seu pescoço. Serena sorriu e se encostou em Mamoru , que permanecia vestido.
- Por que demorou tanto? - ela murmurou.
- Estava tentando acreditar na minha sorte. - Beijou-a no pescoço e ela estremeceu. Então, sentiu-o tirar-lhe o top, puxando-o pelos ombros. Os seios eram grandes e os mamilos enrugaram em meio ao vapor.
Mamoru passou as mãos pelas costas nuas de Serena. Em seguida, tirou-lhe a calcinha. Depois, trilhou a parte de trás das pernas com os dedos, o bumbum e os quadris.
Serena estava nua na frente de Mamoru . Sentira-se poderosa. Agora, estava trêmula.
Ela se virou. O desejo estampado no rosto de Mamoru quase a deixou sem ar. Eu quis esse cara no minuto em que o vi e, agora, vou tê-lo, pensou.
- Está muito vestido - ela comentou e despiu-lhe a camiseta. Em seguida, admirou-o e comentou com a voz trêmula: - Lutar com toda essa vida selvagem tem feito bem a você.
- Pular, subindo e descendo daquela coisa de plástico, também tem feito bem a você. É deslumbrante - Mamoru retrucou, o olhar repleto de desejo.
Serena queria tocá-lo. Não fez isso. Olhar já lhe dava prazer suficiente por agora. Tocá-lo poderia ser demais. Em vez disso, começou a tirar-lhe o short.
Mamoru a ajudou. Teve que fazer isso porque, quando Serena o viu nu, não conseguia tirar os olhos dele. Era a visão mais surpreendente que tivera na vida.
Alto, forte, perfeito, músculos definidos. E o que o tornava ainda mais desejável era o fato de os músculos dele não terem sido modelados em uma academia de ginástica, em frente a um espelho. Eram o resultado do trabalho de quem tentava fazer do mundo um lugar melhor.
E que beleza de masculinidade! Perfeita. Devagar, Serena ergueu o olhar, indo até o rosto dele. Ambos se observavam com a mesma intensidade e continuavam sem se tocar. Mas o encontro de olhares foi um choque e um prazer. Era como se ele já estivesse dentro dela.
- Nunca quis outra mulher tanto quanto quero você _ Mamoru disse. E aquelas palavras quase a fizeram gemer.
- Mamoru , você é...
Você é bom demais para mim. E não quero nunca que pare de me olhar da forma como está fazendo agora.
- Pegue o sabonete - Serena disse, a voz rouca, e entrou no chuveiro.
A água quente não substituía o corpo de Mamoru . Entretanto, ainda assim era boa. Não era um alívio, mas uma distração. Os músculos dela estavam tensos e doloridos. Passara horas em um caminhão. Também se mantivera tensa por ficar perto de Mamoru . Serena fechou os olhos, deixando a água cair sobre o corpo. E esperou que Mamoru se juntasse a ela.
O chocalhar da cortina do chuveiro fez com que Serena soubesse que Mamoru entrara na banheira. Ela abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi o sorriso dele.
- Aí vai - Mamoru disse. Ele tinha um daqueles sabonetes pequenos de motel nas mãos, e o partiu ao meio, entregando-lhe uma metade. A banheira era estreita demais para os dois ficarem embaixo do chuveiro.
- Onde quer ser lavado primeiro, escoteiro?
- Todos os lugares.
Ele permaneceu ali, esperando que ela o tocasse. Serena esfregou o sabonete nas mãos, sentindo a fricção, imaginando como seria tocá-lo. Seria muito melhor do que o sabonete nas palmas das mãos.
O que estava esperando? Sabia o porquê de ele estar à espera. Era um cavalheiro, mesmo nu em um chuveiro. E ela estava à espera porque...
- Não está assustada, está?
- É preciso muito mais do que um homem nu e excitado para me assustar - ela respondeu, tocando-o.
O peito dele era sólido e estava quente. As pontas dos dedos, escorregadias por causa do sabonete, acariciavam o peitoral, a clavícula, os ombros. Depois, ela passou as mãos pelo estômago e o umbigo. Em seguida, na parte de trás, explorando os glúteos perfeitos.
Mamoru gemeu e a tocou. Ela quase ronronou conforme as mãos másculas subiam pela cintura, passando pelas costelas, até os seios. Toda a hesitação desaparecera. Serena o puxou para si e ele a beijou.
O beijo dos dois era algo carnal, desesperado, e muito mais quente que o chuveiro. Serena arqueou o corpo na direção de Mamoru e o beijou com todo o desejo que sentia desde o primeiro momento, quando o vira esperando do lado de fora do apartamento de Luna. Ele voltou a gemer e ela intensificou o beijo.
Naquele momento aquele homem perfeito era dela. Quando se separaram, para recuperar o ar, Mamoru sorriu e perguntou:
- Não vai retroceder, vai?
- Não - ela respondeu e o puxou para perto, voltando a beijá-lo.
Mamoru a girou de forma que ela ficou encostada à parede do chuveiro. Serena ergueu um dos joelhos e o passou ao redor do quadril dele. Essa posição permitia um contato mais íntimo, proporcionando-lhe prazer.
Desde que perdera a virgindade, aos 16 anos, não dormira com muitos homens. Porém, tivera sua cota de amantes. Nenhum jamais a fizera sentir-se assim: poderosa e impotente, e desesperada, com um desejo tão intenso que não sabia se poderia ser satisfeito. Serena inclinou os quadris. Mamoru a fitou e disse: - Me diga o que sente.
Ela voltou a se mexer, encostando o corpo ao dele, e Mamoru gemeu de novo. Os olhos estavam dilatados, tornando-os ainda mais escuros. Serena sabia que estavam sentindo a mesma coisa: o mesmo prazer, a mesma paixão, conforme a água quente caía sobre ambos.
Serena o abraçou. Foi tão maravilhoso que quase perdera o controle. E Mamoru se ajustou ao ritmo dela com os quadris. As carícias eram longas e excitantes. Ele cerrava os dentes. O rosto era de um homem tentando manter o êxtase sob controle, tentando fazer com que fosse bom para ela, como um cavaleiro.
- O que sente? - ele indagou. Serena o fitou, observando-lhe a força e a gentileza.
Sabia como era lutar para não perder o controle. Diferentemente dele, não era com o próprio corpo que tinha de se preocupar. Podia experimentar todas as sensações.
- Sinto como se estivesse prestes a alcançar o clímax - disse-lhe, e isso o fez gemer de novo. Ele a segurou com mais força e apressou os movimentos.
Mais duas carícias, três, e Serena arfava conforme a sensação aumentava até se desmanchar em ondas. Enterrou os dedos na pele de Mamoru e agarrou-se a ele.
Depois, jogou a cabeça para trás, fechou bem os olhos e gemeu ao atingir o clímax. Quando abriu os olhos, Mamoru a fitava. Parará de se mexer, continuava encostado nela, mais excitado do que nunca.
- Uau - ele disse.
- Me fale sobre isso - Serena sussurrou e voltou a beijá-lo com paixão. Queria-o por inteiro. - Preciso de você dentro de mim - disse ofegante.
- Acho que preciso de muito mais. Contudo, necessitamos de proteção - Mamoru retrucou.
- Não tenho...
- Tenho alguns na mochila. Esteja preparada.
- Nunca me senti tão agradecida ao slogan dos escoteiros.
Serena soltou a perna que estava enrascada nele. Por um momento, pensou no prazer que sentira e como lhe mostrara o quanto o amava. Abrira-se por completo e fora tão honesta que sentiu um pouco de medo.
Então, voltou a olhá-lo. Rosto molhado, repleto de desejo. Ele estava excitado e ela não ia ficar assustada agora. Então, acariciou-o intimamente e disse:
- Vamos pegar esses preservativos.
Em seguida, saiu da banheira, conduzindo-o ao quarto. Caminharam, molhados, até o local onde estava a mochila. Serena não o largou enquanto ele pegava a caixa de preservativos, notando que suas mãos tremiam.
- Agora - Serena disse e o virou, deixando-o de costas para a cama. Então, sem largá-lo, empurrou-o, caindo por cima dele.
Embora estivesse impaciente para tê-lo dentro de si, Serena voltou a beijá-lo. Ele a acariciou, passando as mãos por todo o seu corpo.
Quando ela não conseguiu mais esperar, esticou-se para pegar os preservativos que Mamoru segurava. Ele entregou-lhe a caixa e disse:
- Você está encarregada. Você manda.
Ela sorriu, pegou a caixa e sentou. Impaciente, tirou um e rasgou a embalagem. Então, com as duas mãos, colocou o preservativo nele.
Deveria saborear a sensação, experimentar cada centímetro daquele corpo caso fosse estar com ele apenas uma vez. Mas não conseguia ir devagar. Queria colocar o preservativo nele o mais rápido possível porque, logo que começara, ouviu-o gemer. E queria ouvir o som que ele faria quando estivesse dentro dela.
Serena ficou de joelhos e se posicionou sobre ele, dizendo:
- Vou lhe dar a viagem da sua vida.
Em seguida, deitou-se sobre Mamoru . Estava tão excitada, molhada e pronta que foi fácil os dois corpos logo se fundirem.
- Você é incrível - ele comentou.
Ele era incrível. Fez com que Serena se sentisse completa. E quando tocou-lhe os seios, ela perdeu o controle.
Ambos se mexiam de forma selvagem e rápida. E quando Mamoru chegou ao clímax, Serena caiu sobre o peito dele. Os dois respiravam forte, os corpos molhados.
Mamoru a beijou. Suspirando de alegria, ele puxou as cobertas e, abraçados, adormeceram. Serena nunca se sentira tão segura.
