CAPÍTULO CATORZE
Serena viu Mamoru se ajoelhar e despir-lhe a calça de moletom. Também não usava calcinha. Assim, permaneceu nua na grama, a céu aberto. E, mais uma vez, ele a olhou por um longo momento antes de dizer ou fazer qualquer coisa.
- Mamoru ?
- Estava pensando no quanto é estranho ter passado boa parte da minha vida ao ar livre e nunca ter feito amor a céu aberto.
- Nunca?
- Estranho, não? Nunca encontrei uma mulher com quem eu quisesse compartilhar isso.
Mamoru fez uma pausa. E, embora Serena não pudesse ver a direção do olhar dele, podia sentir que a observava.
- Adoro vê-la assim, nua, sob o céu.
- Também poderia ficar nu. Poderíamos ser Adão e Eva.
- Ainda não - ele comentou e, com uma das mãos, percorreu a coxa dela. Serena voltou a estremecer.
- Você e eu, todas as árvores e animais, e ninguém mais.
Mamoru se abaixou e beijou-lhe a coxa. Depois, posicionou-se de forma a ficar ajoelhado entre as pernas dela.
Mãos e boca exploravam as pernas de Serena, dos quadris aos dedos dos pés. Cada toque era suave e cuidadoso. E Serena o ouviu, o sentiu e o tocou. Assim como sentiu a brisa e ouviu a coruja a distância, além de outros sons de animais. No mundo de Mamoru Chiba, ela era linda e até o chão era uma cama agradável.
Mamoru beijou-lhe novamente a parte interna da coxa. E, embora Serena estivesse relaxada e tivesse sido paciente, não deu para deixar de erguer os quadris e pedir:
- Me toque, por favor.
Serena o ouviu emitir um som profundo de contentamento e satisfação. Porém, Mamoru a manteve quieta, as mãos másculas em seus quadris. Tudo bem devagar. Um beijo na parte alta da coxa. Em seguida, outro mais embaixo. Depois, com a língua, saboreava aquele corpo perfeito. Então, Serena fechou os olhos em êxtase e sussurrou:
- Mamoru ...
Ele era paciente e não tinha pressa. Teria sido enlouquecedor se não fosse tão bom. Mamoru a beijava intimamente, toques delicados, e Serena sentia-se desfalecer. A respiração dele era uma carícia assim como a língua e os lábios.
- Mamoru - Serena voltou a dizer, mais alto dessa vez. E sentiu, assim como ouviu, o som da satisfação dele. Era um som de conquista. E ela não se incomodou com isso; pertencia a Mamoru Chiba.
Serena segurou o cabelo dele com uma das mãos e enterrou os dedos da outra mão na grama. Na loucura da paixão, parecia que Mamoru estava em todos os lugares.
Ele a acariciou com a boca, e a brisa fria nos seios sensíveis e na pele parecia ser ele também. Bem devagar, beijou-a intimamente.
Embora a tocasse com gentileza, o prazer de Serena foi violento e esmagador. As estrelas não ficaram enevoadas. O mundo parou e ela arqueou as costas, bateu no chão com um dos punhos e ouviu a si mesma dizer, arfando, o nome de Mamoru .
Ele voltou a beijá-la intimamente. Depois disse:
- Adoro quando faz isso.
- Também gosto - respondeu, atordoada e sem ar. Mamoru a beijou e Serena sentiu o gosto de si mesma nele, o que era duplamente erótico. Depois, ele sentou ao lado dela e começou a despir-se.
Serena o observava. Sentia o corpo lânguido e pesado, ainda dormente devido ao clímax. Observou às pernas másculas, longas e perfeitas. Quando ele se mexeu para pegar algo no bolso dos jeans, percebeu que estava muito excitado.
Ela não se mexeu. Nem podia. Mas o desejo a instigava internamente. Não importavam os momentos de clímax que ela tivera. Não importava o quanto estivesse satisfeita. Sempre iria querer mais de Mamoru .
Serena ouviu o amarfanhar de um plástico e soube que Mamoru encontrara um preservativo e o estava colocando. Lembrou-se de como se sentira ao tê-lo dentro dela. Nunca teria o bastante dele, mesmo que tivesse chance. Então, repleta de desejo, mordeu um dos lábios e murmurou:
- Está pronto?
- Mais do que isso.
Então, Mamoru se abaixou e a pegou nos braços. Serena deixou que ele a posicionasse no colo, os dois sentados frente a frente, suas pernas rodeando os quadris dele.
Mamoru voltou a beijá-la. Serena laçou os braços ao redor do pescoço dele, usando os ombros largos e másculos para firmar-se. Segurando-a pelos quadris, guiou-a por cima dele. Então, os dois corpos se fundiram.
Serena podia senti-lo maravilhosamente dentro dela, pulsando, vivo, o coração batendo forte. Parecia que Mamoru estava tendo problemas para respirar, tanto quanto ela.
- Olhe para o céu - ele sussurrou, e foi o passo final em direção à conquista completa do mundo de Serena. Seu corpo estava preso ao dele. Por um segundo, tudo o que ela podia fazer era fitá-lo. - Para o céu - ele voltou a dizer, e Serena olhou para cima. Milhões de estrelas formavam constelações desconhecidas. Cada uma delas um mundo pequenino.
A respiração de Serena ficou presa na garganta. O céu do Maine era fantástico. E nunca mais voltaria a ver aquelas constelações. Mamoru era o mundo dela agora. Porém, depois de amanhã, iria embora. E não havia estrelas como essas em Nova York.
Então, Mamoru se mexeu. O sentimento de perda que tomou conta de Serena não desapareceu. Ficou escondido no pensamento e no coração, enquanto o corpo se divertia com o incrível prazer que Mamoru estava lhe proporcionando.
Ele se mexia devagar, carícias lentas que a excitavam por completo, levando-a ao êxtase, o mesmo de quando a beijara intimamente. Seus mamilos roçavam no peito rígido e as coxas apertavam e tremiam ao redor da cintura dele. Serena o beijava. Perdera o controle.
Não sentiu o clímax surgindo. Apenas aconteceu, como se nunca tivesse parado. Ao estremecer ao redor dele, Mamoru a segurou com mais força, intensificando os movimentos até que, de repente, a ergueu. Depois, a deitou rápido, fazendo com que Serena se sentisse plena.
- Serena - Mamoru murmurou.
Nunca se sentira tão desejada. Ali, nos braços dele, com os corações batendo ao mesmo tempo, Serena tinha um pensamento: amo você.
Parecia seguro dizer isso. E não teria outra chance. Então, Serena abriu a boca. As palavras eram tão importantes e estranhas. Tentou dizer uma, movendo os lábios e a língua sem dar-lhe voz. Amor.
Algo pontudo a espetou em uma das coxas.
- Ai - Serena disse e bateu na própria perna.
- Acho que foi mordida por um borrachudo - Mamoru comentou ao ver um pequeno inchaço na perna.
Serena ainda podia dizer o que pretendia, mas o momento passara. Então, exclamou:
- Insetos!
Mamoru saiu de cima dela, fazendo Serena sentir a perda da ligação entre os dois. Ele a ajudou a levantar-se. Beijou-a e voltou a pegá-la no colo, dizendo:
- Vamos lá para dentro. Há telas para impedir a entrada de insetos.
Serena riu quando Mamoru chutou a porta para abri-la como se imitasse um herói apaixonado, típico dos romances. Ele subiu a escada e foi direto a um dos quartos.
Estavam no meio do caminho até a cama quando Serena percebeu que era o quarto que vira mais cedo, onde tivera visões dos dois dormindo juntos. Mamoru escolhera o mesmo quarto que ela.
- Esse é... - Serena começou a dizer, então parou.
- O que é? - Mamoru perguntou, deitando-a na cama com cuidado.
Uma coincidência.
- Um bom quarto - Serena disse e o puxou para que se deitasse junto dela.
Parecia mais que coincidência. Algum tipo de sinal, como se o futuro que pensara com Mamoru pudesse ser mais que um sonho impossível.
Estava mais escuro dentro da casa do que lá fora. Serena enganchou uma das pernas ao redor da coxa dele. Passou as mãos pelo cabelo e sobre as feições de Mamoru . A textura do cabelo sedoso, do queixo áspero, do maxilar rijo, da pele suave ao redor dos olhos. Quando os dedos de Serena passaram por cima dos lábios dele, Mamoru os beijou.
Um farfalhar distante. Depois, um ruído de algo se quebrando vindo do lado de fora. Serena perguntou:
- O que é isso?
- Quatis. Estão atrás do que sobrou do nosso jantar, agora que estamos dentro de casa. Não me importo. Poderia ficar deitado com você para sempre.
- Me diga uma coisa. Já se apaixonou?
- Acho que não. Já me envolvi com mulheres, e acho que acreditei estar apaixonado uma ou duas vezes. Mas não estava.
Serena sentiu o coração apertado. Mamoru não a amava. Era um homem bom, gentil, apaixonante. E o que havia entre os dois era amizade, amabilidade e paixão. O problema é que isso não era suficiente para ela, não para fazê-la ficar.
- Eu me perguntava se era muito parecido com o meu pai.
- Você não é como seu pai.
- Sou, em alguns aspectos. Talvez em muitos. Tenho um compromisso com o meu trabalho, e acho que poderia assumir um compromisso com uma mulher e uma família. Nunca tentei. Talvez se estivesse na mesma situação que meu pai, também teria ido embora.
- Como se sente sabendo que vai vê-lo amanhã?
- Estou assustado. Minha irmã disse que ele estava bem quando o encontrou. Fico pensando... Se ele não é uma pessoa tão ruim, talvez eu merecesse ser abandonado.
As palavras quase a fizeram soltar um grito sufocado. Eram como uma facada na barriga. Serena planejava ir embora no dia seguinte. E pensara no quanto isso a magoaria.
Pela primeira vez, viu o quanto isso afligiria Mamoru também. Não porque a amasse. Mas porque era parte do padrão que o ferira no passado. Ele lhe pedira para ficar e Serena não permaneceria ali. Assim que pai e filho estivessem juntos, ela partiria.
Serena o puxou para perto. Enroscou-se nele e o manteve ali preso. Apenas por aquele momento.
- Você não merece ser abandonado - ela sussurrou.
Mamoru acordou sozinho. Sentou-se. A luz entrava pela janela e um cálculo rápido lhe disse que já passava das dez da manhã. Sentiu-se renovado. Lembrava-se de ter adormecido com Serena nos braços. Nunca dormira tão bem antes. Também ficara excitado. Sonhara com ela a noite toda.
Você não merece ser abandonado. Era surpreendente o quanto aquelas palavras significavam para ele. Era algo que ninguém lhe dissera antes. Assim como ninguém dissera a Serena o quanto era linda.
E se ela achava que ele não merecia ser abandonado, então, iria ficar. Mamoru sorriu, sentou e espreguiçou-se. A noite anterior tinha sido maravilhosa. Compartilhara algo com Serena que jamais sentira com outra mulher, mas percebera que sempre quisera isso. E hoje, com ela ali, seria ainda melhor.
As roupas usadas na noite anterior estavam dobradas nas costas da cadeira. Serena devia ter ido lá fora naquela manhã e pegara tudo. Então, ele levantou e vestiu-se.
Mamoru cantarolava enquanto descia a escada. Podia sentir o cheiro de café e torrada. O estômago roncou. Parecia uma manhã perfeita. Primeiro, tomaria o café-da-manhã com Serena. Em seguida, faria algo para resolver aquela excitação com a qual acordara.
Serena estava sentada à mesa da cozinha, com uma xícara de café na frente, rodopiando algo em uma das mãos. O pombo na gaiola estava em cima da mesa. Ela não ergueu o olhar quando Mamoru chegou. Parecia perdida nos próprios pensamentos.
- Bom dia - Mamoru disse. Então, cruzou a cozinha e a beijou no rosto.
- Bom dia. Está atrasado. Pensei que os guardas-florestais tinham que estar de pé com o sol nascendo.
- Nunca dormi tão bem na minha vida - Mamoru comentou. Em seguida, serviu-se de café e colocou duas fatias de pão na torradeira. Então, acrescentou: - E eu pensei que as herdeiras não fizessem nada além de se espreguiçar na cama comendo bombons.
- Andei explorando o local. E limpando. Os quatis têm talento para destruição.
- Deveria ver o que acontece quando os ursos aparecem. Não é uma boa idéia deixar que se acostumem a comer comida de gente. Eu deveria ter me levantado e os afastado na noite passada, mas preferi ficar na cama com você - Mamoru disse ao sentar-se ao lado dela.
- Bem, não vão morrer por causa disso. Foi apenas uma noite.
Mamoru percebeu que Serena estava com as chaves de um carro nas mãos e perguntou:
- Que chaves são essas?
- Luna tem uma caminhonete na garagem. Encontrei as chaves no armário da cozinha.
- Bem, isso vai lhe ser útil. As torradas pularam e Mamoru levantou.
- Também encontrei uma trilha pela floresta que vai até o trailer do seu pai. Provavelmente, o sr. Chiba a usa para vir trabalhar - Serena contou.
-Eleja voltou?
- Não estava lá, mas já fui há duas horas.
- Vou daqui a pouco. Fiquei desapontado ao acordar e não vê-la na cama. Havia planejado iniciar o dia fazendo amor com você. Entretanto, não é tarde demais para começar - Mamoru disse, levantou-se e, sorrindo; estendeu-lhe a mão.
Serena também levantou e disse:
- Está me desapontando. Vai desistir da sua obsessão assim? Depois de dirigir tantos quilômetros? Pensei que iria seguir a trilha imediatamente.
- Tudo bem, vamos. Podemos voltar para a cama mais tarde.
Ela não sorriu de volta. E o sorriso dele desapareceu.
- Serena? Há algo errado? -Apenas tensão. Esperando que o seu sonho se torne realidade. Vamos encontrá-lo e acabar com isso. Serena ia na frente. Mamoru a seguia. Então, apressou o passo para alcançá-la e perguntou:
- O que há de errado?
- Já disse. Está tudo bem.
- Você dormiu? - Mamoru perguntou ao notar a palidez dela.
- Não muito bem. É mais rápido ir à casa do seu pai por essa trilha que pela estrada - Serena comentou sem fitá-lo.
- Há quanto tempo está de pé?
- Há um tempinho. Já dei uma corrida.
- Há algo que não está me dizendo. Serena parou e comentou:
- Ouça. Acho que é o seu pai.
Mamoru escutou o som de um carro e continuou seguindo em frente. Então, ouviu o carro parar. Ele também parou e observou.
Aporta do lado do motorista se abriu e de lá saiu um homem. Ele usava jeans e uma camisa de flanela. Ao vê-lo, Mamoru soube que aquele homem era seu pai.
- É ele - Serena disse.
- Sim.
- Estou contente que o tenha encontrado. Assim fica mais fácil - Serena comentou e lhe deu um beijo no rosto. Depois, recuou e acrescentou: - Boa sorte. Foi bom conhecê-lo.
Em seguida, virou-se e foi embora.
