N/A: Desculpa a demora, mas o Fanfiction net não me deixou postar antes.
3 – Conhecendo a Senhora Wilson
Marta Wilson fez questão de que seus convidados entrassem para tomar um chá com os bolinhos que ela acabara de tirar do forno. Nada mais que desculpas para ter alguma companhia naquela casa que parecia maior a cada dia desde que seus filhos cresceram e seu marido morreu.
Os três se sentaram no sofá. Marta estava com Andrew sentado em seu colo e Riza, que era de casa, serviu o chá.
- Eu queria agradecer a senhora por ter tomado conta dele.
- Não foi nada. Eu já estava com saudades de ter um bebê em casa e ele é um amorzinho, não é meu bem? – sorrindo para Andrew – Não deu nenhum trabalho. E finalmente eu tenho a chance de conhecer o chefe da Iza. – disse a velha senhora, já tratando a tenente com apelidos.
- É? Ela fala muito de mim? – perguntou Roy cheio de segunda intenções, querendo saber mais da vida da tenente fora do quartel e já certo de que descobriria algo revelador. Esta, por sua vez, continuou a servir o chá como se estivessem falando de outra pessoa.
- Não. Ela quase não fala do trabalho. Por isso eu fico tão curiosa. – disse Marta inocentemente com o mesmo tom amistoso. Mal sabia ela que havia dado uma facada no ego de Mustang que caiu agonizante no chão enquanto Riza se divertia ao ver a mudança súbita na expressão do coronel.
- Eu sei que o trabalho de vocês é cansativo e que a Riza tem bons motivos para não querer falar em exército nas horas de folga, mas ela poderia ter pelo menos me falado que trabalhava com um homem tão bem apessoado. Por que você não fez isso, Iza? – foi a vez de Riza ficar encabulada com a pergunta. Roy olhou para Riza e lançou-lhe um sorriso zombeteiro, reiterando a pergunta.
O ego de Mustang começou a se recuperar depois da declaração, mas ele ainda estava magoado por não ser assunto fora do quartel.
- Eu devo ter esquecido. – respondeu Riza com toda indiferença do mundo
- Essa menina... Assim você nunca vai se casar. – repreendeu Marta.
- Eu não tenho tempo. Meu trabalho é de tempo integral. – olhando com o canto do olho para Mustang, já que ele representava a parte mais significativa e trabalhosa de suas tarefas.
- Se você estivesse interessada, tenho certeza de que arrumaria algum tempo – advertiu Marta.
- Está certo, Marta. Eu vou arrumar tempo. – concordou Riza só para matar o assunto.
- Faz muito bem. Ah... Eu vi o garotinho que foi aprovado como alquimista nacional. A Riza me disse o nome. Como era mesmo? ... – olhou para cima para tentar ativar sua memória - Full Meta!l – lembrou vitoriosa - Ele não parece ter mais de dez anos.
- A tenente Hawkeye falou do Full Metal? – questionou com uma careta enquanto se perguntava a razão pela qual Riza falava sobre o fedelho loiro e não falava sobre ele.
- Falou sim. Eu fico imaginando o tipo de pessoa que aceitar crianças no exército. É muita irresponsabilidade. – disse ela sem saber da parte da história de que foi o coronel quem convidou Edward para fazer a prova para receber o título de alquimista do Estado.
- Tem toda razão, senhora. – concordou Roy com a cara mais limpa de todas e depois soltou um elogio aos biscoitos que a anciã havia servido. É verdade que o elogio serviu como isca para substituir o assunto, mas nem por isso foi um elogio falso, porque há tempos Roy não comia desses biscoitinhos amanteigados com gosto mimo de avó.
- Gostou? Eu vou separar alguns para você levar depois.
Passado o impacto inicial de encontrar uma senhora idosa ao invés de uma mocinha, Roy estava começando ver o lado bom disso: ele tinha acabado de ganhar uma vovó com todos os bônus que isso representa.
- Não precisa. – interrompeu Riza – Você estava com um pouco de pressa, não se lembra coronel?
- Não, tenente. Eu já desmarquei o compromisso que tinha para hoje. – disse Roy frisando que havia cancelado o encontro porque nenhum de seus colegas foi solidário a ponto de ficar com o bebê.
- Desmarcou, é? – Riza não estava dando a mínima para a chantagem de Roy, diferente da senhora Wilson que de pronto se ofereceu para ficar por mais algum tempo com a criança, pois, diferente dos dois jovens, ela não tinha qualquer compromisso.
- De maneira nenhuma Marta. – recusou Riza para não dar a Roy a chance de aceitar – O coronel desmarcou o compromisso dele para ter mais tempo para ficar com o Andrew. E seria abusar da sua boa vontade se ele aceitasse a oferta.
- É... – Roy só podia concordar, mesmo que contrariado.
- Tudo bem então.
- Eu realmente tenho que ir. – disse Riza se levantando.
- Então eu acho que já vou também.
- Jovens... Sempre apressados. – Marta se levantou e entregou o bebê para Mustang para poder se despedir de Riza e acompanhá-los até a porta.
Roy saiu primeiro e foi esperar no carro enquanto Riza terminava de se despedir.
- Obrigada mais uma vez, Marta.
- Não foi nada, querida. Mas você tem certeza que ele vai saber o que fazer? Ele não prece ter muita experiência com crianças. – perguntou Marta olhando por cima do ombro de Riza para ver o coronel todo atrapalhado segurando Andrew meio sem jeito.
Nenhum dos dois parecia estar muito a vontade com a situação: Andrew estava agitado e parecia que ia começar a chorar a qualquer momento e Roy fazia uma careta estranha de desespero de quem não sabe o que fazer e que também estava com vontade de chorar, mas estava velhinho demais para se valer desse recurso.
- Ele vai ter que aprender de um jeito ou de outro.
- Vai ser mais fácil se ele tiver alguma ajuda...
- Não precisa tentar me convencer. Segurar a barra daquele traste faz parte das minhas obrigações. – em tom de desabafo, porque toda a estória da cestinha ainda estava entalada na garganta de Riza e às vezes até mesmo a compenetrada tenente cometia pequenas indiscrições.
- Que coisa mais indelicada de se dizer! Mas pelo menos assim eu fico mais tranqüila.
- Até logo Marta.
- Vai com Deus, querida.
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Andrew não parava de chorar e isso estava enlouquecendo Roy. Ele já havia andado por todo o apartamento com a criança no colo várias vezes, mas isso não tinha funcionado, talvez porque o coronel sacudia a criança como se fosse um saco de batatas ao invés de embalá-la. (1)
- Pára de chorar, por favor! Você está chorando sem parar deve ter mais de três horas. Como uma coisa tão pequena consegue ter tanto fôlego?
Agora ele havia improvisado um cercado no sofá da sala com outras duas cadeiras da mesa com as costas servindo de grades e colocado e colocado a criança lá dentro para pelo menos dar uma folga para seus braços já que os ouvidos estavam sofrendo há tanto tempo.
Roy apoiou a mão nos quadris analisando a situação. Andrew estava sentado e continuava com um choro nervoso, mordendo a mão e olhando para as paredes e móveis estranhos.
O coronel esfregou o rosto com a mão. Precisava chegar em um acordo com o pequeno ditador na sua frente, então ajoelhou-se no chão e segurou as grades da cadeira para ficar na mesma altura dos olhos de Andrew:
- Por que você não pára de chorar? Todo mundo só sabia dizer o quanto você era um bebê bonzinho e quietinho. O problema é comigo? Quer me castigar por alguma coisa? Deus do céu! Aposto como você se comportou direito até com o bicho-papão do Führer. O que você tem contra mim? Eu não fiz nada. – começando a achar que o choro era um problema pessoal que Andrew já tinha com ele.
- Tão pequenininho e já me odeia. – lamentou, certo de que estava interpretando corretamente o choro - Eu pelo menos esperei até a adolescência para odiar meu pai. Mas o que é que eu estou dizendo. Você nem é meu filho. – deixando a cabeça encostar desanimadamente nas grades da cadeira por alguns instantes até perceber algo.
Andrew continuou resmungando incomodado com algo, mas parou de chorar para prestar atenção em Roy.
- Espera um pouco... É por isso que você está chorando? Você está se sentindo rejeitado? – já se colocando no lugar da criança e imaginando como se sentiria se tivesse sido abandonado pela mãe na porta de um estranho... é claro que partindo do pressuposto de que ele entendia tudo o que tinha acontecido - Não é nada disso. Eu só não sei ... – começou a se explicar, mas parou no meio – Desculpa, amiguinho. Você é o único que não tem culpa nenhuma.
DING-DONG (2)
- Não sai daí que eu vou atender a porta.
Ele abriu a porta e se deparou com uma figura loira com o cabelo solto e roupas comuns. Roy poderia jurar que havia visto, mesmo que de relance, as asas de anjo...
- Riza! – abandonando qualquer formalidade.
- Coronel... Posso entrar? – perguntou Riza tentando localizar a criança por trás do ombro de Mustang.
- Claro. – dando um passo para o lado e indo logo depois da tenente que avançou pelo apartamento.
- O que foi que você fez com esta criança? – perguntou Riza resgatando o pobrezinho do cercado com o rosto vermelho e melado com as lágrimas secas.
- Nada. Não fiz nada. – com os olhos arregalados e o mais puro pânico estampado no rosto.
Riza que Roy estava realmente preocupado, então sua consciência deu uma pequena fisgada porque achou que talvez tivesse exagerado no tom acusador. Ela olhou mais detidamente para o bebê que estava mordendo a mãozinha e olhando de volta para ela.
- Tudo bem, coronel. Não deve ser nada. Ele provavelmente está estranhando o senhor e o apartamento.
- Eu já dei a mamadeira, mas ele não para de morder a mão. Parece que ainda está com fome.
"O que?" – pensou Riza olhando incrédula para Roy – "E até lembrou de alimentar o bebê? Ora... ora... O senhor ultrapassou minhas expectativas, Roy Mustang. Mas pelo visto você também não fez muita coisa desde que voltou pra casa" – completou reparando que o coronel ainda estava com o uniforme e que só havia tirado o casaco azul. Pelo menos dava pra perceber que ele estava se esforçando.
- Hum... Acho que sei o que é. O senhor lembra que eu disse que os dentinhos dele estão nascendo? – explicou com toda paciência como se faz com uma criança - Ele deve estar irritado desse jeito porque a gengiva está incomodando. Ele só precisa de alguma coisa para aliviar a dor.
- Eu... não sabia. – desapontado por não ter percebido antes.
- Você tem conhaque (3) em casa?
- Tenho. Você vai dar conhaque pra um bebê? – horrorizado com a idéia.
- Só umas gotinhas. E ele também precisa de um mordedor. Onde está o brinquedinho que o tenente Havoc comprou pra ele hoje cedo?
- Eu vou buscar.
- Gostei da idéia do cercadinho. – comentou Riza olhando a invenção de Roy.
- É? Gostei da idéia do conhaque. – e voltou para sala com o brinquedo – Minha mãe também deve ter usado isso comigo.
- Onde isto estava? – perguntou Riza com o molho de chaves na mão antes de entregar para o bebê.
- Está limpo, se é o que você quer saber. – retrucou Roy entendendo a pergunta escondida na pergunta de Riza. Os dois já tinham aprendido a conversar por linhas transversas e sabiam identificar o significado oculto na fala um do outro.
- Depois você também pode colocar o mordedor na geladeira porque o frio ajuda a aliviar o incomodo dos dentinhos nascendo.
- Eu vou lembrar.
- Pode ir tomar banho e se trocar que eu fico com ele.
- Tudo bem, mas vê se não faz o moleque chorar de novo. – brincou o coronel caminhando para o banheiro.
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Riza achou a cozinha e foi preparar a mamadeira.
Ela abriu alguns armários e logo achou uma caneca para ferver o leite. A mamadeira estava por ali também e ela resolveu que deveria ferver o copo e o bico também só por garantia.
Andrew ficou na sala brincando com seu mordedor e vez ou outra ela esticava o pescoço para ver se estava tudo bem.
Hawkeye também aproveitou o tempo de espera para ficar reparando. A cozinha estava bem limpinha comparando com o que ela estava esperando, mas não tinha comida em lugar nenhum. Só leite. Bom... pelo menos tinha leite.
Em menos de cinco minutos Roy estava de volta e foi investigar o que se passava na cozinha. Ele estava descalço e com o cabelo ainda escorrendo enquanto terminava de abotoar a blusa:
- Você encontrou o conhaque?
- Não procurei ainda.
- Eu vou pegar.
Roy voltou com a garrafa e Andrew no colo.
- Aqui. – colocando a garrafa encima da pia.
- Obrigada.
- E você? Quer beber alguma coisa? Eu esqueci de oferecer antes. – disse Roy tentando puxar conversa, mas isso era uma tarefa bastante complicada em se tratando da séria tenente, mestre na arte de cortar os engraçadinhos.
- Isso não é uma visita social, senhor. Eu só vim ver se o bebê estava bem. – sem nem olhar para trás, enquanto montava a mamadeira.
- Imaginei, mas ainda tinha esperança de que fosse por minha causa. – avançando para dentro da cozinha - Se você não quer, eu quero.
Roy abriu a porta do congelador e pegou as forminhas de gelo.
- Você não deveria fica parado com a cabeça molhada dentro da geladeira. Muito menos descalço. Assim vai acabar se resfriando. – disse Riza terminando de apertar a mamadeira.
- Tudo bem, mamãe. – brincou Roy que se distraiu um pouco e olhou para o lado para ver a tenente e esqueceu metade da cabeça dentro do congelador. Era a oportunidade que Andrew precisava: ele esticou o bracinho e puxou a porta da geladeira cuja quina pegou em cheio o olho de Mustang que ficou vendo estrelinhas e pensando em qual palavrão era mais apropriado para a situação.
Riza apressou-se em pegar a criança que, depois da arte feita, deu uma de vítima e começou a fazer beicinho:
- Não faça tanto escândalo que ele vai começar a chorar.
- Eu tenho motivo para chorar. Não ele. – resmungou Roy com a mão sobre o olho atingido.
- Não é pra tanto. Ele nem tem força para pode machucar alguém. Me deixa ver.
Roy tirou a mão do olho hesitante e Riza viu que a área estava bastante vermelha e começando a inchar. Ela olhou de soslaio para Andrew perguntando como ele havia conseguido fazer aquilo depois se voltou para o coronel admitindo que estava enganada quanto a gravidade da lesão:
- Melhor colocar gelo.
- Eu sei disso.
- Quer ajuda?
- Não precisa. – respondeu irritado.
Riza entendeu a mensagem, pegou a mamadeira e foi para a sala com Andrew para deixar Roy ter espaço para reclamar o quando quisesse.
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A mulher loira sentou-se no sofá e acomodou a criança em seu colo para dar a mamadeira.
- Você não deveria ter feito aquilo com o coronel, apesar dele merecer às vezes...
Andrew só continuava a olhar atentamente para a tenente Hawkeye enquanto sugava o leite. Quase parecia que ele estava entendendo o que ela dizia, mas provavelmente ele só estava prestando atenção em alguma outra coisa.
Roy apareceu na sala com um copo em uma mão e a outra segurando a compressa de gelo no rosto:
- E o olho?
- O que você acha? Vai ficar roxo.
Ele se sentou no sofá ao lado de Riza e a raiva pela pancada foi morrendo aos pouquinhos e sendo substituída por um pensamento sério, pois agora ele estava bastante calmo. Parecia até mesmo meio desanimado e reflexivo olhando para um ponto indefinido no tapete.
- Coronel?... Coronel?... Roy!
- Eu! – respondeu ele finalmente.
- Qual o problema?
- Nada. Eu só estava pensando...
Riza continuou olhando para Roy com uma interrogação então este acabou revelando um pouco mais sobre o que se passava em sua cabeça.
- Eu estava pensado que tenho que localizar logo a mãe dele e desfazer este mal-entendido.
- E se ele for seu mesmo? – Riza arriscou a pergunta aproveitando-se do momento de sinceridade.
- Ai então...– respirou pesadamente - Eu não sei. Isso estragaria meus planos.
- Não necessariamente. O Führer é casado e tem um filho. - tentando contornar o impulso pessimista do superior. Roy nunca estava muito sério, era folgado, implicante, reclamava mais do que deveria e usava um humor malvado como válvula de escape, mas sempre estava a um passo de cair em seu abismo de culpa.
- Hum... é algo inusitado, mas pode funcionar. Eu aceito casar com você.
- De onde você tirou essa idéia? - disse ela indignada e sentindo o rosto queimar de vergonha.
- Foi você que sugeriu que eu me casasse.
- Não comigo!
- Pelo menos eu tentei. – dando de ombros com ar de zombaria e tomando mais um gole generoso.
- Francamente, coronel... – desabafou ela, pois não havia gostado da brincadeira - O assunto é sério.
- E você acha que não sei? – terminando de matar a dose de uísque e colocando o copo na mesinha de centro – Você me conhece. Eu não tenho a menor condição de fazer papel de pai.
- A vida não é uma peça de teatro. Não se pode fazer papel de pai. – ele estava tentando fugir de novo e isso não era algo que Riza permitiria facilmente.
- Você deve ter razão... – disse Mustang sem muita convicção, afundando no sofá. Ele, mais que ninguém, sabia que a guerra, e a vida de uma madeira geral, na maior parte das vezes, nos obrigam a assumir papeis sem nos dar muito tempo para compor o personagem. A fazer coisas e lidar com situações com as quais não estamos preparados, então acabamos nos adequando a uma expectativa. Colocando uma máscara. Moldamos-nos a estereótipos intuitivos mesmo antes de sabermos se era isso que queríamos e quando percebemos já nos tornamos uma caricatura de nós mesmos.
- Olha o Hughes... Ele é um homem de família. Eu não. Nem sei se eu consigo fazer isso. – finalmente conseguiu desengasgar o que estava preso em seu peito.
Riza sorriu com ternura, depois se esforçou para ficar séria novamente. Ás vezes era difícil ser muito severa com o coronel. Principalmente quando ele fazia aquela cara...Ali estava Mustang, reconhecendo ter se deparado com um desafio maior que ele. O que mais Riza poderia fazer senão ir a seu socorro?
- Você não vai estar sozinho, coronel. – disse ela olhando para o outro lado – E eu não estou insinuando que você vai se casar ou algo assim. O que eu quero dizer é que...
- Eu entendi. – interrompeu – Obrigado, tenente.
Os dois ficaram se olhando e poderiam ter continuado a conversar se não tivessem sido interrompidos pela porta da sala que veio ao chão em um estrondo surdo que chamou a atenção de todos.
Os invasores ficaram presos na porta, tentando entra ao mesmo tempo: um homem enorme branco com bigode e uma mecha de cabelo loiro na cabeça e outro de cabelos escuros penteados para traz e olhos verdes:
- Não empurra! – resmungou Maes, se espremendo mais um pouco e conseguindo resvalar para dentro.
- Foi você quem começou a correr no meio da escada! Eu não poderia deixar alguém vencer do monumento humano que sou eu. – arrancando a blusa e fazendo poses de fisiculturista.
- Ninguém quer ver seus peitorais ondulantes! – reclamou Maes tampando os olhos - Agora onde está meu afilhado? – olhando para um lado e depois para o outro.
- Por que seu? Eu tenho um perfil muito mais adequado para ser padrinho.
- Eu sou o melhor amigo. – argumentou Maes.
- E eu trouxe presentes. – contra-argumentou Armstrong erguendo as várias sacolas e caixas que tinha trazido e que estava escondendo não sei onde.
- Ohhhhhh... Mas isso é trapaça! – reclamou Maes se fazendo de traído e depois olhando para as caras atônitas de Roy e Riza, que tinham se colocado de pé com o barulho da porta caindo – Boa noite.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Roy.
- Viemos para ver seu rebento. – chegando perto de Riza e brincando com a criança – Oi Roy Júnior.
- Parabéns, coronel! – disse o enorme major com lágrimas nos olhos agarrando Mustang pelo meio e o apertando até que seus ossos fizessem um barulho engraçado – A paternidade deve ser algo emocionante.
- Não consigo... respirar...
- Mas onde está? Ali! - Alex Louis (4) largou o coronel e achou a criança no colo de Riza e foi com todo o seu tamanho e seus músculos para cima da criancinha.
Todos olharam em pânico para Armstrong correndo em câmera lenta pensando em como poderiam parar o homem:
- Naummmmmmmm... – gritaram os três em uníssono.
Roy, que estava no chão tentando recuperar o fôlego, agarrou a perna de Armstrong, que puxou o coronel pela sala como se não fosse nada. No mesmo instante Maes agarrou a criança e deu uma cambalhota por cima do sofá, enquanto Riza sacava e destravava sua arma para evitar que o major esmagasse a pobre criancinha inocente:
- Mais devagar, major. – determinou Riza.
- Eu só queria pegar ele. – choramingou. Quem diria que um homem daquele tamanho poderia ser tão sensível?
- Tudo bem. Mas tenha cuidado. – disse Riza pegando a criança do colo de Maes e entregando para Armstrong que a aconchegou com todo esmero. Ninguém também diria que ele poderia ser tão delicado.
- Ele também viu você passeando pelo quartel? – perguntou Roy um pouco bravo em razão do major já saber de seu pequeno segredinho.
- Não. – respondeu Riza.
- Dessa vez fui eu. Sabe como é... É que me escapuliu. (5) – confessou Mães, já voltando para seu antigo posto ao lado de Armstrong - Depois é minha vez! Aliás... Por que você nunca ficou tão interessado assim pela Elysia?
- Porque você já a mima o suficiente. Não sobra espaço pra mais ninguém paparicar.
- Isso não é desculpa. – puxando o coronel para o meio da briga - Roy... Diz logo pra ele que eu sou o padrinho!
- Eu não vou dizer nada. Já disse que não é meu filho.
- Como não? É a sua cara! – foi logo dizendo Maes sem nem ter comparados as fisionomias.
- Não diz isso na frente dele. O coitadinho pode ficar traumatizado! – protestou Louis.
- Já vou embora. – disse Riza pegando sua bolsa, pois vislumbrava que aquela discussão inútil ainda ia longe.
- Nós interrompemos alguma coisa? – perguntou Maes com um sorriso cheio de insinuações revezando em olhar para Roy e para Riza.
- Eu já estava de saída. Boa noite. – indo embora sem maiores delongas e sem dar tempo para que ninguém a impedisse.
- Até amanhã então, tenente.
- Até amanhã...
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(1) Eu não tenho idéia de onde o Roy mora. Tem aquele episódio em que o Hughes vai fazer uma visitinha levando uma torta de presente, mas aquele lugar era muito apertado. Eles nem moram no Japão! Então eu coloquei a cena em um lugar diferente.
(2) Isso representa o mais tradicional barulho da campainha.
(3) Tirei a idéia do filme "Entrando numa fria maior ainda". Mamãe não me deu conhaque quando eu era bebê. Pelo menos eu acho que não.
(4) Que nomezinho ingrato o do major Armstrong. Ou Alex ou Louis. Os dois ao mesmo tempo não dá certo. Aliás... Tirando o "Alex" o nome dele fica igualzinho ao do trompetista e cantor da nossa dimensão. Eu fico me perguntando se existe alguma mensagem/ significado que a autora queria passar com isso ou se ela só gostou do nome mesmo...X.x..
(5) Acho que eles não assistiam "Chaves" em Amestris...O.o... então não teria muito sentido o "é que me escapuliu", mas acho que todos nós estamos familiarizados com a expressão.
