N/A.: Obrigada por todos os comentários gentis...n.n...

Eu tinha planejado colocar algumas cenas Royia, mas estava demorando demais, então vai ficar para o próximo capítulo, mas dele não passa. Eu prometo!

Tem tem o Ed e o Al que ainda não deram as caras, mas não posso deixá-los de fora da brincadeira, não é mesmo?

Espero que gostem

5 – Lullaby

Boa noite, meu bem!

Dorme um sono tranqüilo

Boa noite, meu amor

Meu filhinho encantador!

Que uma santa visão

Venha a mente encantar

E uma doce canção

Venha o sono embalar.

(Johannes Brahms)

Depois de esgotar seus parcos recursos no trato com bebês, Mustang não teve alternativa, ou pelo menos não conseguiu pensar em outra, que não fosse se valer da ajuda alheia:

- Alô... – disse uma voz sonolenta do outro lado da linha.

- Maes, o pirralho acordou e não quer dormir! – desabafou Roy para dividir sua angustia das últimas horas.

- Você tem idéia de que horas são? Já passa das duas da madrugada!

- Eu sei, mas a sua idéia de balança-e-canta não funcionou. – disse sentado no sofá e com a mão desocupada cercando Andrew que estava deitado ao seu lado. Mais uma vez Mustang havia se cansado de ficar com ele no colo tinha a impressão de que a recíproca também era verdadeira.

- Então tente ler um livro de alquimia pra ele. Isso sempre me faz dormir.

- Pára de brincadeira, Maes!

- Brincadeira é você me acordar as duas da madrugada! – e ele ia continuar a reclamar se o telefone não tivesse sido tomado de sua mão.

- Alô, Roy... É você? – disse Gracia do outro lado da linha.

- Er... – articulou meio constrangido por incomodar também a esposa do amigo - Sou. Desculpa estar incomodando tão tarde. Eu não acordei a Elysia, acordei?

- Não. Ela está dormindo. Qual é o problema? Tem a ver como bebê, não é? Eu queria ter ido com o Maes vê-lo hoje, mas meu marido esqueceu que tinha uma esposa. – disse com uma pontinha de raiva por não ter sido incluída na atividade.

- Bom... Ele acordou. – disse mesmo acreditando que aquilo era bastante obvio.

- Você já checou a fralda dele?

- Sim. – respondeu Roy querendo morrer. Homens não deveriam ser submetidos a esse tipo de tarefa!

- Ele está com cólica ou alguma coisa assim?

- Não sei. – confessou Roy que até aquele instante só tinha imaginado que o bebê estava com uma crise de insônia e queria companhia.

- Quanto tempo ele tem?

- Não tenho nem idéia. A Riza falou algo em torno de quatro meses.

- Então ele está muito crescidinho pra ter cólica. E também esse horário seria um pouco incomum (1).

- Incomum do tipo que eu tenho que correr para um hospital ou incomum do tipo que eu posso desistir de dormir?

- Acho que está mais para o segundo tipo. – riu Gracia, sentando-se na poltrona perto do telefone – Ele está chorando ou só está resmungando?

- Só resmungando. Às vezes começa a choramingar também. Na verdade, parece que ele está com sono, mas que não quer dormir. Toda vez que eu acho que ele dormiu e o coloco no berço, ele acorda de novo e começa a chorar.

- Hum... Por que você não tenta colocá-lo na cama e deitar do lado? Parece que ele só está fazendo manha. Crianças fazem isso mesmo.

- Não custa tentar. – disse Roy, olhando contrariado para Andrew porque aquele montinho rosado de carne e pele o obrigaria a dividir sua cama. – Obrigado e desculpe mais uma vez.

- Sem problemas, Roy. A propósito, pode ajudar se você cantar alguma coisa pra ele. Mas me faça um favor e não cante o hino nacional (2). Eu já peguei o Maes ninando a Elysia com músicas de exército várias vezes. – balançou a cabeça lamentando a falta de tato do marido para certas questões.

- Ele fez isso?! – disse Roy como se não tivesse feito o mesmo há pouco tempo atrás, pois não conseguia se de nenhuma outra música.

- É verdade.

- Eu jamais faria uma coisa dessas. – negou com veemência. Mas não havia nada de errado com o hino nacional. Era uma música forte... de personalidade... e nunca era cedo demais para fomentar o espírito nacionalista!

- Qualquer problema pode ligar de novo.

- Obrigado. – e desligou o telefone.

Roy encarou o bebê. Andrew continuava ao seu lado com os olhinhos vacilantes, mas ainda firme em seu propósito de não dormir. Era quase como se ele estivesse provocando o coronel de propósito.

- O que você está olhando? Você venceu! – disse enquanto pegava o bebê no colo e caminhava até o quarto.

Arrastou a cama até a parede e colocou um lençol dobrado no vão entre a cama e a parede para evitar que a criança caísse ali, ficasse presa e começasse a chorar de novo.

Olhou mais uma vez para a cama e para o bebê e voltou até a sala, mas Armstrong havia usado todos os jornais da casa em sua alquimia de berço, então revirou mais um pouco as coisas até achar um pedaço grande plástico que usou para por baixo do lençol na parte do bebê da cama. Sabe como é... Cuidado nunca é demais.

Depois pegou mais alguns travesseiros e vez uma divisória exagerada, como se fossem barricadas em um campo de guerra... se bem que aquilo não deixava de ser uma pequena batalha.

- Não acredito que estou fazendo isso. – repetiu ele depois de ver o cenário todo armado. Pegou Andrew o colocou no lado da cama mais perto da parede, depois foi para a sua metade resmungando.

- Isso é patético! – arrumando seu travesseiro e a colcha - Pois fique sabendo que você é o primeiro e último homem que eu vou deixar ficar na minha cama.

- E agora eu ainda tenho que pensar em uma música. Bem que você poderia fazer um desconto hoje e dormir sem trilha sonora, o que você acha? – tentou negociar, mas viu que não chegaria a lugar nenhum e estava cansado demais para pensar em outra coisa.

- Está bem. Está bem... – limpou a garganta e apoiou o cotovelo nos travesseiros da divisória – Eu acho que lembro de algumas. Como era mesmo...

::Boi, boi, boi, boi da cara preta,

pega esse menino que tem medo de careta...

Enquanto cantava a música, Roy parou para pensar sobre a letra. Aquilo não podia ser uma canção de ninar, pois a pobre criancinha estava sendo ameaçada pela figura horrenda de um boi feio se não dormisse logo.

Parou por ali e tentou outra musica.

::Nana, neném

Que a Cuca vai pegar

Papai foi pra roça

Mamãe foi passear

Não conseguiu ver nada de tranqüilizante na imagem de um jacaré gigante. Por que uma criança se sentiria segura para dormir se seu pai e sua mãe não estivesse por perto para a proteger do jacaré malvado?

Isso provavelmente só faria Andrew chorar mais.

Melhor escolher outra.

::A canoa virou,

Quem deixou ela virar?

Foi por causa do Andrew que não soube remar

Ops! Pulou essa. Quase havia morrido afogado um vez quando era criança e se a música não fizesse Andrew ter pesadelos, com certeza o faria com que ele tivesse.

:: Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho... – Uma menina que perdeu seu bichinho de estimação. Próxima...

:: Faz três noites que eu não durmo, pois perdi o meu galinho... – Mais casos de animais desaparecidos.

:: As plantas não crescem mais, até o alecrim murchou – Um habitat natural devastando pelo homem. Definitivamente isso não é muito bom pra consciência ambiental da criança.

::Vento que balança as paias do coqueiro... – Muito sombria. Melhor não.

::O Cravo brigou com a rosa... – Não. Essa não. Muito violenta.

::Eu sou pobre, pobre, pobre... – Diferenças sociais. Má distribuição de rendo... Isso não é tema de criança.

Violência – Ameaças – Brigas – Desapontamentos. Será que esses eram os tema de todas as canções de ninar?

Credo! Como as mães têm coram de cantar musicas assim para seus filhos dormirem? Aquilo era muito pior do que o Hino Nacional com seus elogios à pátria misturados com imagens de guerra, sangue, liberdade... Não, não. Aquilo também não era uma boa idéia (3).

- Eu não posso cantar nenhuma dessas músicas pra você! – disse Roy já nervoso por ter esgotado seu repertório, mas não ter encontrado nenhuma canção de ninar que realmente obedecesse a censura livre.

Mas não seria mais preciso, porque Andrew acabou dormindo com os fragmentos de canções que Roy tentou cantar.

- Até que você é bonitinho... – comentou Roy quando foi acertar o cobertor de Andrew que estava adorável respirando tranquilamente com a boca meio aberta. O coronel olhou para os lados para checar se não havia nenhum intruso por ali que pudesse ver o que ele estava prestes a fazer então se inclinou sobre a criança e deu um beijinho rápido da desta dela.

- Boa noite, guri. – e apagou a luz do abajur.

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Alguns dias se passaram e Mustang ainda não tinha se adaptado a acordar várias vezes durante a noite e muito menos a ter que dividir sua cama. Isso por que Andrew se recusava a dormir sozinho em um berço, mesmo no berço entalhado em mogno pelas mãos habilidosas do major Armstrong que chegou ao apartamento de Roy para substituir o berço quebra-galho.

- Boa tarde! – disse Maes sentando-se animadamente ao lado de Roy no refeitório.

Mustang, que estava coma cabeça enfiada entre os braços e apoiada na mesa, ao lado de seu almoço, nem se deu ao trabalho de responder, apenas murmurou algumas palavras incompreensíveis.

- O que foi que ele disse? – perguntou Hughes.

- Deve estar pedindo silêncio de novo. – respondeu Fuery antes de tomar um pouco de suco e voltar sua atenção para a comida novamente.

- Cuidar de uma criança deve ser mesmo uma tarefa exaustiva. O coronel está acabado e não tem nem uma semana que o guri apareceu. – comentou Havoc.

- Não fale de mim como se eu não estivesse aqui.– respondeu Mustang desistindo temporariamente de tirar seu cochilo e se levantando com a cara amassada e o cabelo bagunçado.

- Desculpe, Coronel.

- Qual é o problema, Roy? O tenente está falando a verdade. Suas olheiras estão medonhas. Você está com uma aparência de doente! Acho até que você perdeu peso. – disse com tom de zombaria enquanto limpava seus óculos com um lencinho – Difícil a vida de pai solteiro? Por que você não arruma uma esposa?

- Muito engraçado, Maes. Porque você não vai... – Mustang estava prestes a soltar palavrão em plena mesa do refeitório quando Hawkeye coçou a garganta e o interrompeu - ... terminar seu almoço?

- O senhor já conseguiu alguma informação sobre a mãe da criança, tenente coronel Hughes? – perguntou a primeira tenente olhando rapidamente para Maes, voltando-se novamente para seu almoço.

- Pra falar a verdade... – Mustang olhou para o amigo com olhos assassinos, já procurando a luva no bolso. Se ele aparecesse com mais uma desculpa estúpida, o refeitório inteiro iria pelos ares – Eu já pesquisei em todos os hospitais da capital e das cidades vizinhas e ele não nasceu em nenhum deles.

- Ela deve ter usado uma parteira. Não há registros para isso. – observou Riza.

- Também pensei nisso. Agora vou ter que começar tudo de novo. – disse saboreando cada palavra mais do que saboreava o pedaço de bife que havia acabado de colocar na boca – É uma pena, mas isso vai levar pelo menos mais uma semana.

- Você!!! – disse Mustang a ponto de explodir ou ofender a mãe de alguém. Ele se levantou sem nem encostar na comida.

- Aonde o senhor vai, Coronel? – perguntou Riza.

- Terminar de assinar a papelada que está me esperando na minha sala! Com licença... – e saiu pisando alto e esbarrando em umas três pessoas antes de passar pela porta.

- Ele vai trabalhar de verdade? – perguntou Fuery para o colega que estava ao seu lado.

- Isso é grave! – disse Havoc – Acho que o Coronel está doente.

- Nada. Ele vai procurar um canto pra tirar um cochilo. – disse Hughes.

- Não sei qual de vocês dois é mais imaturo. - disse Riza, farta dos diálogos inúteis entre os colegas, se levantando também e caminhando para a saída – Com lincença.

- Perdão, tenente. – engasgou Maes indo atrás de Riza – Como é que é?

- O senhor e o Coronel parecem duas crianças testando os limites uma da outra. – Riza parou no corredor e olhou diretamente para Maes.

- Não é verdade! – protestou.

- Não?! Então o senhor vai me dizer que não passou os últimos dias emburrado, porque o Coronel Mustang escolheu o Major Armstrong como padrinho?

- O major trapaceou! Ele fez aquele berço e... - ele disse com raiva, provando que Riza estava certa.

- Está vendo só? Igual a um garotinho de oito anos. Você não acha que está grandinho pra fazer esse tipo de coisa? – e continuou a caminhar devagar.

- Pode ser... – refletindo um pouco - Talvez eu pudesse parar de implicar um pouco, mas o Mustang é uma presa tão fácil. – justificou-se.

- Ele não "é" uma presa fácil. Ele "está" uma presa fácil porque está sem dormir direito e dependendo da sua ajuda para encontrar a mãe do bebê e o senhor está se aproveitando da situação para tirar vantagem de alguém que não está em condições de reagir adequadamente.

- Quando você coloca nesses termos tudo parece terrível. – disse Maes que sentia como se tivesse levado um soco depois da fala de Riza. Mustang tinha uma defensora e tanto – Eu vou parar com as piadinhas.

- Ótimo. E o senhor poderia se mostrar mais solidário também, a final de contas, o senhor é o melhor amigo do coronel e a pessoa que ele mais confia no exército.

- Eu já estou arrependido, ok? – com novos pesos sendo acrescidos à sua consciência - Não precisa fazer eu me sentir pior ainda.

- Fazer o senhor se sentir mal não era a intenção. Eu só quis expor a situação de forma clara.

- Eu sei. – riu - Você realmente sabe como manter as pessoas na linha.

– Sabe, eu realmente estou tentando encontrar a tal mulher o mais rápido possível, mas ela deve ter trabalhado para alguma agência de espionagem ou coisa assim porque ela desapareceu do mapa. Eu só falo assim para aborrecer o Roy, mas ele está um pouquinho sensível com esse assunto. Deve ser a falta de tempo pra dormir.

A essa altura os dois já haviam voltado a caminhar: Riza com os braços ao longo do corpo e Hughes segurando as mãos nas costas.

- É. Mas não dá pra negar que o coronel está se esforçando.

- Isso é verdade. E eu não estou gostando disso. Ele fica ligando pra minha casa para perguntar o que fazer pra minha esposa. Isso quando ela não liga pra ele para perguntar como vai o Royzinho. - disse sem disfarçar uma ponta de ciúmes da atenção que o amigo e a esposa estavam deixando de dar pra ele, mas deixando sempre uma ponta de zombaria em sua voz que não permitia que atestasse estar ele falando sério.

- Isso é um pouco exagerado, senhor.

- Meu amigo está virando uma mulher! – disse gesticulando de forma exagerada para refletir bem sua indignação - Ele nem quis ir beber comigo na sexta! Eu nem sou muito de beber, mas eu ia só pra fazer companhia praquele cretino mal agradecido e agora ela me dispensa assim.

- Sexta? – perguntou Riza meditando sobre o dia - Ele poderia ter contratado uma babá.

- Minha esposa colocou minhocas na cabeça dele contando umas lendas sobre babás malvadas que maltratam as crianças e eu acabei levando bolo. Aliás, já que o Roy está tão amiguinho da Gracia, bem que nós poderíamos nos socializar mais – olhando por cima dos óculos – O que você acha de sair para beber comigo?

- Eu acredito que não seja a companhia mais adequada para o senhor e nem para a ocasião – disse Riza.

- Qual é o problema? Você á tão colega de trabalho quanto qualquer outro, mas tem a vantagem de não ser um marmanjo mal cheiroso e barbudo. E assim eu mato dois coelhos com uma só cajadada: vou estar com uma mulher, o que vai chatear minha esposa, e vou estar com o homem de confiança do Roy, o que também não vai deixá-lo muito contente. Talvez três coelhos se nós nos divertirmos.

- O senhor só quer se vingar dos dois!

- Claro. - riu Maes deixando bem claro que tudo não passava de uma piada e que Riza poderia relaxar porque ele não a estava assediando nem nada - O Roy é meu amigo e a Gracia minha mulher. Eles deveriam pertencer a universos distintos e não ficar trocando receitas de bolo pelo telefone.

- Não posso aceitar.

- É uma pena. Mas eu tenho certeza de que essa situação não dura muito. Logo o Roy vai cansar da vida de pai solteiro e vai seguir meu conselho e arrumar uma parceira pra dividir a carga.

- O senhor não desiste mesmo.

- Não. – deu um sorriso bobo e ao mesmo tempo sugestivo – Eu achei que a mulherada fosse fugir daquele sacana depois que ele começasse a desfilar por ai com um bebê no colo, mas não foi bem assim. Acho que só os homens fogem da responsabilidade mesmo...– comentou Maes pensando que não era nada fácil para uma mãe solteira encontrar um namorado que também se dispusesse a ser um pai para a criança - Você não imagina a quantidade de mulheres se oferecendo para ser a mãe do filho do Roy.

Riza escutou Maes em silêncio. Já sabia que o assédio das mulheres solteiras das redondezas havia aumentado, porque passava tanto tempo que Mustang que, nem se ela quisesse, não conseguiria não saber de coisas assim. Sabia também o que Maes estava tentando fazer: que ela ficasse com ciúmes. O pior é que, por mais que ela controlasse suas reações e tentasse se convencer do contrário, no fundo ela podia identificar um desconforto fora do comum que identificava como sendo o tal sentimento.

- Imagino que muitas. – disse em tom vago.

- Mas aquele idiota se recusa a escolher uma...

- É realmente uma pena. – Riza continuava com frases curtas, só concordando com o que Maes falava sem expressar um juízo de valor mais aprofundado só para ver aonde o homem de olhos verdes queria chegar.

- Na verdade eu acho que ele já tem uma escolhida em mente e é por isso que não quer nada sério com nenhuma outra.

- Verdade?! - ela disse com tom de desdém, respondendo automaticamente por achar o assunto desinteressante.

- Você sabe que sim. - e se aproximou mais de Riza para que só ela escutasse sua próxima fala – Não finja que você ainda não entendeu o que eu estou falando.

- Hughes! O senhor está sendo inconveniente. – protestou Riza corando de leve.

- Não precisa ficar brava. – desconversou ele apoiando a mão no ombro da tenente para aliviar a tensão - Era só um comentário. Fica entre nós dois.

- Prefiro que o senhor não faça esse tipo de comentário.

- Tudo bem, Riza. Eu entendo sua posição. Só lamento que... – parou no meio da frase porque o diálogo estava ficando comprometedor demais para os corredores de um quartel – ... que eu tenha que ir trabalhar e nós não possamos conversar mais. Tchau. – e saiu apressado.

Hawkeye ficou olhando Hughes se afastar enquanto pensava no que ele havia falado. Será que estava tão na cara assim? Era lógico que sim. Os outros só não faziam comentários indiscretos porque ela não dava abertura para tanto e também porque respeitavam o Coronel... ou temiam que ele explodisse tudo com sua alquimia. Por mais obvio que fosse que havia algo mais entre os dois, era obvio também que não havia espaço para dar vazão a tal sentimento. Pelo menos não na atual conjuntura e talvez não por muito tempo.

Entrou na sala e deu de cara com Mustang dormindo encima da papelada que deveria estar examinando. Ele acordou com o barulho da porta:

- Coronel...

- A leitura desses relatórios não estava muito interessante... – e bocejou.

- O senhor não acha que está exagerando? O senhor é um militar. Deveria estar acostumado a dormir pouco. O senhor já foi em uma guerra! Não é possível que tenha conseguido dormir com tranqüilidade por lá e o senhor não estaria vivo se acabasse nesse estado depois de algumas noites mal dormidas.

- Tem razão, tenente. Não dá pra dormir direito mesmo em guerras. – meditou Mustang - Mas foi lá que eu aprendi a conseguir cochilar em qualquer lugar sempre que sobrava um tempinho – esfregando os olhos – O problema é que eu fiquei com o sono meio leve e toda vez que ele se mexe... eu acordo.

- Que exagero!

- Deve ser, mas eu não tenho dormido nada desde que o pestinha chegou... E aqui não é como nas guerras que tem o barulho dos tiros para me motivarem a ficar acordado. A menos que você queira me fazer esse favor.

- Eu vou buscar café. – disse Riza saindo da sala. Não valia a pena discutir com Roy naquele momento, mas ele não escaparia de um sermão mais tarde.

...continua...

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(1) Pequena pesquisa bibliográfica: cólicas em bebês costumam durar até o terceiro mês e são geradas pela ingestão de ar. Pois é, fanfic tb é cultura.

(2) Meu pai cantava o Hino da Independência (Já podeis da Pátria filhos) e o Hino à Bandeira Nacional (Salve, lindo pendão da esperança) pra me fazer dormir. Ela achou isso o cúmulo e contou pra minha tia que disse que o marido dela fazia o mesmo, só que com o Hino Nacional (Ouviram do Ipiranga). Como o Maes e o Roy são do exército e devem ter que passar por todas essas cerimônias com a bandeira, juramentos e tudo mais, achei que essa mania do meu pai e do meu tio era perfeita pra eles.

(3) Ainda bem que as criancinhas não entendem as letras, senão ela ficariam um pouco assustadas e começariam a chorar.