N/A.: Aleluia, irmãos! Ela postou um capítulo novo.
Eu demorei MUITO mais do que o previsto, mas finalmente vamos ter RoyRiza.
Presente de Natal para vocês ho-ho-ho
6 – Dor de Cabeça
O trabalho no quartel estava se multiplicando.
A paz dava trabalho... Muito trabalho. Montanhas de trabalho.
Mas não se deixem enganar. Não era mais trabalho do que se tinha durante as guerras. E nem estou tratando das atividades bélicas, com fuzis e metralhadores, mas sim do pedante trabalho de escritório.
Ninguém que vê as nações rivais se digladiando no campo de batalha, com cidades e vidas destruídas, pensa que tudo aquilo começa dentro de um escritório com atividades burocráticas sem qualquer glamour – se é que se pode classificar as guerras desse modo, por maior apelo que elas tenham, principalmente quando transformadas para o formato das telinhas (1).
E, atolado em meio às pilhas de relatórios, estava o entediado Coronel Mustang.
Era de conhecimento geral que ele cultivada o péssimo hábito de esperar até o último minuto para, ai sim, terminar seu trabalho, sempre no último instante do prazo, isso quando ele não tinha que ficar até mais tarde e também obrigava seus subordinados a fazer serão junto com ele.
Poucos acreditavam da teoria de que o Coronel gostava da adrenalina de viver sempre por um triz, já que seu trabalho, cercado por papeis, era um tédio insuportável pra alguém que havia feito sua fama durante os turbulentos tempos de guerra.
Mas a grande maioria o acusava de ser um preguiçoso folgado e exatamente essa parcela de pessoas ficaria boquiaberta ao ver o Coronel levando o trabalho restante para fazer em casa.
Aquilo era algo inédito.
Normalmente o trabalho sempre poderia esperar até o dia seguinte... ou até o outro... ou o outro.
Às vezes, muito raramente, Mustang ficava até tarde no quartel, sendo que uma ou duas vezes ele chegou a dormir sobre os relatórios que deveria examinar e só acordou na manhã seguinte quando o pessoal estava chegando para o trabalho e começou a assinar tudo que via pela frente sem nem se dar ao trabalho de ler.
Mas levar trabalho para casa... Era a primeira vez.
É claro que o Coronel só foi obrigado a apelar para tal recurso, pois agora não mais poderia ficar até tarde no quartel em razão de sua nova função de pai... Mas vamos nos concentrar somente no aspecto positivo de tal iniciativa, pois foi somente nisso que Riza reparou quando viu Mustang olhar para o relógio com uma expressão de espanto e sair apressado, apanhando tudo que tinha por cima de sua mesa e dizendo que terminaria o resto em casa.
- Hawkeye, você se importaria de me dar uma carona?
- De maneira nenhuma. – respondeu a jovem loira se levantando e seguindo atrás de seu superior.
Depois do expediente Roy ia buscar Andrew na casa de sua babá: a Senhora Wilson. Ela era a única pessoa de quem Roy não desconfiava das segundas intenções e que também não levantaria nenhuma falsa suspeita. Mais um grande favor acrescentado a lista de coisas que Riza já havia feito por Roy e pelas quais ele deveria agradecer algum dia.
Mustang pegou Andrew como de costume, prometeu ficar para um chá da próxima vez e ainda levou consigo uma porção dos biscoitinhos amanteigados que Marta havia preparado e separado para ele.
O alquimista federal foi calado todo o caminho, mesmo com toda a insistência de Andrew que tentava contar como havia sido seu dia na estranha língua dos bebês.
Ele queria contar sobre a borboleta alaranjada que havia visto enquanto tomava sol no jardim e que quase havia conseguido alcançá-la antes que ela voasse para longe e também que tia Marta havia deixado que ele segurasse sua mamadeira sozinho, mas Roy não estava muito interessado, olhando pela janela.
Alguém mais distraído poderia imaginar que ele estava pensando em alguma coisa importante, mas vez ou outra ele deixava escapar uma respiração pesada que permitir a Riza saber que seu superior estava aborrecido:
- Alguma coisa errada, senhor? – perguntou Riza.
- Nada. – disse ele se esforçando para adivinhar o motivo da pergunta da tenente, já que sempre havia uma impressão errada por trás de perguntas como essa, quando acabou por se lembrar que havia esquecido de fazer compras. Se antes a expressão do Coronel não era das mais amistosas, agora sim parecia que ele havia chupado limão.
- Droga! Eu esqueci que tinha que passar na mercearia. – disse Mustang com uma dor peculiar. Ele não gostava de lembrar que precisava comprar comida, mas gostava menos ainda quando esquecia de fazê-lo, porque desde que Andrew chegara aquela havia se tornando uma obrigação que ele não mais podia deixar para o dia seguinte.
- Eu posso ir para o senhor. – ofereceu-se Riza acrescentando em seguida para que não houvesse razão para seu favor ser rejeitado – Eu preciso fazer compras pra mim de maneira que não seria um incomodo.
- Seria ótimo. Fico devendo mais esta. – disse Roy, pouco antes de chegar até sua casa.
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Roy estava usando a mesinha de centro da sala para armazenas as pastas que havia trazido consigo. Ele sentou no sofá e deitou Andrew ao seu lado, perpendicularmente a si, para que pudesse prestar atenção na criança enquanto trabalhava.
Pegou a primeira pasta da pilha, encostou-se o mais confortavelmente que podia no sofá e começou a ler as letrinhas miúdas, mas Andrew estava agitado demais para ficar deitado. Ele queria brincar. A criança rolava de um lado para o outro e conseguia se arrastar e já estava ansioso para começar a engatinhar e poder ir sozinho de um canto ao outro, mas Mustang ainda não estava pronto para isso (2). Ele queria um bebê que só comia e dormia, pois era essa sua idéia sobre os bebês.
Eles eram pessoinhas pequenas e indefesas que não tinham capacidade de fazer nada por conta própria e não podiam sair da vista do responsável por nenhum instante ou algo terrível aconteceria. Mães tinham um instinto que lhes permitia ter maiores liberdades com suas crias, mas como ele não sabia nada de bebês, o melhor era não arriscar.
- Nem pensar que eu vou deixar você no chão. – resmungou o Coronel - É sujo e perigoso.
Sujeira nunca foi problema para os bebês, logo aquilo não foi suficiente para convencer o pequeno que continuou resmungando e choramingando e fazendo beicinho e todas as suas outras artimanhas sentimentais para conseguir o que queria.
- Desta vez você não vai conseguir me enganar. – disse ele tentando ler o relatório que segurava com uma das mãos, enquanto impedia Andy de rolar com a outra.
O Coronel já estava quase acostumado com o choramingo de Andy de modo que ele só tentou se concentrar em sua leitura enfadonha. Aquela letrinha minúscula e o espaçamento diminuto estavam se embolando na vista cansada do Coronel que não conseguiu avançar muito no serviço, mas em compensação acabou com uma tremenda dor de cabeça quando escutou alguém bater na porta.
Era o momento ideal para uma pequena pausa.
Riza entrou sem cerimônias, com a sacola de compras firme em seu braço.
Depois da chegada de Andrew, ela passou a freqüentar o apartamento de seu superior com uma habitualidade, de certo modo, desconcertante para ajudar com o bebê. Nem sempre era planejado, quando ela dava por si já estava na sala de estar de Mustang outra vez.
É claro que mais ninguém no quartel sabia disso, apesar de todos desconfiarem. Apenas Hughes já havia cruzado com Riza algumas vezes, mas não havia problema, pois o Tenente Coronel era bastante discreto.
Bom, pelo menos na maioria das vezes...
::::Flash Back::::
- Diga whisky ! – disse Maes com uma câmera fotográfica na mão, tirando uma foto da pessoa que foi abrir a porta. A fonética da palavra deveria fazer a pessoa alongar a boca e mostrar os dentes em algo parecido com um sorriso, mas a tática nem sempre funcionava quando a pessoa era pega de surpresa e não funcionou desta vez, porque o homem de olhos verdes só conseguiu uma careta assustada do amigo.
- O que você... – disse Roy, momentaneamente cego pelo flash.
- Tirando fotos para o álbum do Royzinho . – disse todo contente, já que um dos seus passatempos favoritos era tirar fotos de sua filhinha e mostrar para todos como ela era linda e fofa – Eu queria tirar a primeira foto dele já que o pai desnaturado do pobrezinho ainda não tirou nenhuma.
- O que foi? – disse Riza, desavisada, chegando até a porta com Andrew no colo.
- Só o Maes que resolveu me deixar cego!!! – disse Roy quase gritando enquanto esfregava os olhos. Mais uma vez ele estava irritado com o amigo que, para o bem da amizade dos dois, já havia aprendido a lidar com o temperamento quase explosivo do Coronel.
- É por uma boa causa. Sorria! – disse Maes tirando uma foto rápida da tenente que tinha uma expressão séria e um pouco confusa – Você não sorriu! Vou ter que tirar outra. Com mais emoção desta vez.
- Não acho que seja uma boa idéia, senhor. – recusou-se Riza bloqueando a lente da câmera com a mão desocupada.
- Mas por que não?
- Não acredito que seja adequado eu aparecer em fotos com o bebê na casa do Coronel dando a entender que eu estou sozinha aqui com ele. – largando a câmera que Maes automaticamente abaixou junto com a posição de descanso do braço.
- Eu não tinha pensado nisso... – disse Maes maliciosamente, como se estivesse maquinando algo – Então quer dizer que eu posso usar essa foto par alguma chantagem futura, certo Mustang?
- Agora você tem com o que chantagear a Hawkeye, você quis dizer. Acho que eu posso ter fotos na minha própria casa, então pode mostrar a foto pra quem você quiser – disse Roy com indiferença, sentando no sofá com os braços cruzados.
Riza, por sua vez, apesar de saber que tudo não passava de uma brincadeira de Maes, ficou um pouco nervosa. Não com a ameaça em si, mas com o tipo de reflexão que ela provocou.
E se todos no quartel soubessem que ela estava freqüentando a casa de Mustang? A idéia de que sua vida acabasse sendo assunto de fofoca não a agradava. Ela não se preocupava com seus colegas mais próximos, porque não identificava nenhum criador de intrigas entre eles, mas não podia dizer o mesmo dos outros. Sempre existe uma língua maldosa em todo lugar, pronta para rastrear suas vítimas e destilar seu veneno.
Já havia repassado o assunto diversas vezes e sempre caia na mesma armadilha de tentar definir sua relação com o Coronel. Imaginava o que os outros pensavam e o que os outros pensariam e tentava formular uma síntese de seus próprios sentimentos, mas sempre ficava faltando saber o que pensava o Coronel e isso era o que mais lhe angustiava.
Ela poderia até fazer uma boa idéia, mas não podia saber com certeza, pois os dois cuidavam de ser sempre tangenciais quando tratavam de assuntos pessoais. Apesar de ir direito ao ponto ser a especialidade da Tenente, ela não era assim quando se tratava de Mustang.
- Quanta gentileza â sua em defender a honra a tenente com tanto entusiasmo.- ironizou Maes.
- Ela sabe se defender sozinha, Maes.
- Com certeza, mas você pode pelo menos fingir que se importa também, afinal de contas, ela é uma dama e você deveria ser cortez.
- Cuidado, Hughes! – disse o coronel em meio a uma risada - A primeira tenente fica bastante aborrecida quando lembrada de sua condição especial.
- Qual condição especial, senhor? – perguntou Riza séria. Era fácil perceber que ela não estava gostando da brincadeira.
- De sexo frágil, oras. Lembra do dia em que eu levei o guri para o quartel? Você ficou bastante alterada. – troçou ele, como se quisesse colocar a primeira tenente em posição inferior, quando na verdade sabia que o contrário seria mais verdadeiro.
Não havia muitas mulheres no exército e um número ainda menor delas não estava preso em atividades puramente burocráticas. O serviço era pesado até para os homens que, em tese, deveriam demonstrar, pelo menos, maior força física, mas Riza nunca teve problemas.
Ela sempre conseguiu se manter no mesmo nível de seus companheiros e, o que mais impressionava Mustang, sem perder sua candura natural. Ela conseguia ser feminina mesmo ao desempenhar funções essencialmente masculinas e sem que nada se perdesse no caminho.
Isso sem mencionar o obvio: ela era linda. Não linda em comparação com as outras mulheres do exército, mas sim linda sobre todas as demais. Seus traços delicados e o tom claro de sua pele de porcelana, emoldurados pelos cabelos loiros, constantemente presos numa tentativa inútil de igualá-la ao resto.
- Eu me ofendi porque o senhor foi muito machista no seu comentário. – contestou Riza.
- E isso quer dizer que você não se importa de ser tratada como mulher quando isso não é exclusivamente para atender às conveniências dos outros?
- Eu poderia dizer que sim.
– Será que o casalzinho poderia parar com isso? – interferiu Maes que ainda queria tirar algumas fotos - Agora segura seu filho que eu quero umas fotos de vocês dois.
- Dá um tempo Hughes...
- Quanta má vontade! Eu já trouxe a câmera e comprei o filme. Você só tem que ficar parado com o Andy no colo. Não precisa nem sorrir.
- Qualquer coisa pra você ficar quieto. – disse Roy ficando de pé novamente para pegar o bebê. Agora ela já o fazia com mais segurança, dando o suporte apropriado para o corpinho da criança – Me dá ele aqui, tenente.
::::Fim do Flash Back::::
- Boa noite, Tenente. – Roy disse ainda à porta.
- Boa noite. – disse Riza - Oi Andy-gracinha! Que bonitinha a sua roupinha verde. – brincando com o bebê que abriu um sorriso barulhento e escondeu o rostinho no ombro de Mustang.
Como era a diferente a reação da criança quando se tratava de Riza. Era estranho como ele cooperava com ela enquanto sempre estava a medir forças com Mustang.
Assim que entrou Riza pôde ver a papelada de Mustang espalhada na mesinha de centro. Ou o Coronel tinha um jeito caótico de organizar as coisas ou ele ficaria ali a noite inteira. Coitado. Ela até já tinha esquecia que estava um pouco brava com ele mais cedo, mas não havia apagado da memória a conversa que tivera com Maes no horário de almoço. Na ocasião ela manteve a compostura, mas pensar nas ponderações do Tenente Coronel na presença de Mustang parecia ser um pouco demais para a tenente.
Com medo de se trair, ela tratou logo de ganhar algum tempo sozinha:
- Vou guardar isto aqui.
- Pode deixar em qualquer lugar que depois eu guardo.
- Eu já sei onde as coisas ficam. Pode deixar. – disse Riza partindo com passos rápidos para a cozinha.
- Tudo bem. - concordou Mustang dando meia volta. Uma coisa que ele havia aprendido era que quando a Primeira Tenente falava "pode deixar" era mais uma ordem do que uma sugestão amigável e ele não estava no humor certo para iniciar uma pequena discussão.
Concordar era sempre a melhor opção...
- Obrigado mais uma vez. – ele falou mais algo para que Riza pudesse escutar do outro cômodo, tentando descobrir alguma pista sobre o porquê do comportamento da Tenente - Eu odeio fazer compras.
- Não é um dos meus passatempos favoritos, mas eu não me importo em fazer.
Ele e sua subordina sempre passaram muito tempo juntos e em boa parte dele eles estavam sozinhos, mas sempre fora em um ambiente de trabalho que impedia qualquer tipo de interação que não fosse puramente profissional, mas agora eles não estavam no quartel e as coisas tinham mudado um pouco.
– O que será desta vez... – murmurou sentando-se no sofá e ainda tentando adivinhar uma razão oculta na conduta da Tenente, já que sua tentativa em descobrir restou estéril. Sempre havia algo mais em seus gestos e falas. Antes eles conseguiam se comunicar facilmente por meios das entrelinhas quando o assunto era o trabalho, mas agora Riza, às vezes, parecia um quebra-cabeça e Roy tinha que checar sua bola de cristal para adivinhar o que tinha feito para deixá-la indisposta.
Ele sempre soube que a tenente ficava para morrer com alguns de seus maus hábitos pelo jeito como ela o encarava, mas antes ela pelo menos fingia que não ficava pessoalmente ofendida quando Roy aprontava alguma.
As discussões sempre terminavam depois de meia dúzia de frases, mas agora eles estavam discutindo de verdade. Até parecia que eles estavam casados...
Esta idéia prendeu a atenção do jovem alquimista.
Uma dorzinha de cabeça chata o estava acompanhando durante todo o dia, mas agora as pontadas estavam incomodando de verdade.
Andrew não faria mal seu papel de anjinho com Riza por perto, então ele passou a se comportar direito. Roy voltou com a criança para a mesma posição e entregou-lhe um brinquedo qualquer para que ele se distraísse um pouco.
O Coronel desistiu momentaneamente de seus papeis e só descansou a cabeça para trás no encosto do sofá, movendo o pescoço de um lado para o outro para tentar relaxar a musculatura da área. Depois apoiou a mão sobre a testa e fechou os olhos que estavam ardendo de sono.
Casados...
A idéia de se unir para sempre a uma pessoa causava certo pânico no corajoso militar. Mas não era a idéia de fidelidade que assustava o coronel e sim o medo de ter que olhar para si mesmo. Se ele não conseguia aceitar boa parte de seu passado, como poderia esperar que oura pessoa aceitasse? Por isso ele não se envolvia seriamente com ninguém. Para evitar constrangimento e sofrimento para todos.
Entretanto, Riza era diferente de todas as outras. Ela já sabia de tudo. Conhecia cada pedacinho pútrido de seu caminho rumo ao topo da carreira militar e mesmo assim o seguia sem reservas e ainda o apoiava.
Talvez com ela as coisas pudessem ser...
Roy relaxou por um instante, não sabendo precisar exatamente por quanto tempo. Ele estava tão fatigado que nem percebeu quando Riza voltou para a sala e só deu por si quando ela estava lhe oferecendo um copo com água e dois comprimidos brancos com formato de feijão, mas menores:
- Toma.
- Obrigado. Minha cabeça estava mesmo me incomodando. – jogando os comprimidos na boca e engolindo com um gole de água.
- Imaginei.
Ela nem precisou que ele falasse que estava com dor de cabeça para saber. Essa era mais uma prova de quanto ela o conhecia para saber ler e interpretar seus comportamentos com tanta facilidade, se bem que aquele já era quase um procedimento padrão, pois Mustang simplesmente não sabia se automedicar e sempre esperava que a Tenente chegasse com uma pílula mágica de Tylenol, como sua mãe costumava fazer antigamente.
Riza pegou Andrew no colo e começou a brincar com ele:
- Parece que o Coronel tem muito trabalho, não é Andy? Você quer ajudar?
- Se ele parasse de se remexe tanto, já seria de grande ajuda. – respondeu Mustang.
- Mas isso porque ele não tem espaço aqui. Por que você...
- Ele vai ficar onde eu possa ficar de olho nele. – respondeu Mustang antes mesmo que Hawkeye pudesse completar sua pergunta.
- É só arrumar um chiqueirinho e colocar na sala. Então ele vai poder ficar mais livre e brincar enquanto o senhor o vigia.
- Você está falando daquelas jaulinhas para crianças?
- Não são jaulas, são cercadinhos. E não há nada de errado com eles. As crianças têm seu espaço para brincar e ainda ficam seguras lá dentro.
- E os pais seguros do lado de fora.
Riza deu uma pequena risada e logo emendou uma fala qualquer para disfarçar:
- O Tenente Coronel Hughes reclamou que senhor não saiu com ele na última sexta-feira.
- Eu sou um homem de família agora. Não posso mais sair para bebedeiras com o Maes. – zombou Roy se fingindo de sério no início, mas depois rindo, porque nem ele mesmo acreditava no que estava falando – Eu nunca imaginei que essa frase fosse sair da minha boca algum dia. É que eu não tinha ninguém com quem deixar o bebê.
- O senhor poderia tê-lo deixado comigo. Afinal de contas, eu estou aqui o tempo todo e poderia ter ficado com o bebê algumas horas se o problema era arrumar uma babá. – ajeitando Andrew em seu colo.
- Melhor não. Não quero ofender você novamente. – insistiu Mustang. Ele lembraria para sempre das falas de Riza e de sua expressão no dia em que ele apareceu no quartel com o bebê. No dia ele estava bastante preocupado, mas agora chegava a achar graça da seqüência de acontecimentos.
- O senhor está se repetindo. Eu já expliquei o motivo pelo qual eu me irritei naquele dia. Agora é diferente.
- Diferente como, Hawkeye? – perguntou Roy só para provocar a Primeira Tenente, pois sabia muito bem o que a estava incomodando da outra vez. Ele estava tentando empurrar para a criança para poder ir a um encontro sem importância e aquilo afetava sua subordinada de alguma forma. Não que a orgulhosa tenente fosse dar o braço a torcer, mas era divertido provocar.
- O Hughes é seu amigo há vários anos... – justificou Riza – Ele merece um pouco de consideração. Além do mais, sem a cooperação dele, o senhor nunca vai encontrar a mãe do bebê.
- Bem pensado. Eu vou combinar alguma coisa com ele. Aliás, sei de uma coisa que ele quer fazer... – disse meio enigmático de modo que Riza só pôde imaginar o tipo de entretenimento seria. Primeiro ela pensou em algo que seria bem a cara de Mustang e quase corou de vergonha, mas depois lembrou que Hughes era o outro extremo oposto e ficou mais calma.
- Quer ver as fotos que o Maes tirou? – continuou Mustang enquanto Riza ainda estava se recuperando do que acabara de imaginar.
- Desculpe… O que o senhor disse?
- As fotos. O Maes montou um álbum ao invés de se ocupar procurando a mãe do guri. – repetiu Roy caminhando até a estante e pegando um livro de capa preta e entregando para Riza. Depois ele fez o caminho de volta para a mesma posição que ocupava anteriormente – Ele está muito enganado se acha que eu vou sair por ai com fotos de bebê na carteira.
- Não um hábito tão ruim assim, Coronel.
- Imagino que não... Mas prefiro meus velhos hábitos. – ele deu um meio sorriso forçado.
- Sua cabeça ainda não melhorou?
- Na verdade acho que está ficando pior. – disse Roy desanimado. Sua cabeça estava latejando - Talvez esteja na hora de eu tomar algo mais forte... – comentou, fazendo menção a beber alguma coisa por cima do remédio só para irritar Riza, porque nada melhor para aliviar a tensão de uma situação do que uma boa dose de sarcasmo.
- Faça isso e você vai ganhar uma úlcera de presente – disse Riza, repreendendo a idéia de Mustang.
- Desde que minha cabeça pare de doer, eu não me importo.
- Eu não duvido que o senhor não se importa... Talvez você pudesse experimentar deitar e ficar quieto um pouco. O remédio já faz efeito. Enquanto isso eu coloco este rapazinho na cama que já passou da hora dele dormir. – disse ela se levantando com Andrew e deixando o álbum na mesinha de centro.
- Não está ficando tarde para você ir embora?
- Eu posso ficar mais meia hora.
Roy seguiu a sugestão e aproveitou o sofá vazio para arrumar umas almofadas e se deitar. Seus olhos estavam tão pesada que ele acabou dormindo em questão de segundos depois que recostou sua cabeça. No fim das contas aquilo era tudo que ele precisava.
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(1) Guerras são ruins, eu sei, mas eu gosto tanto de filme de guerra. Aliás, outro dia eu fui assistir "Flyboys" e por dois segundos eu achei que tinha encontrado a versão do Mustang da lado de cá do portão. O cara estava com um uniforme azul e tinha o cabelo preto penteado para trás (mais ou menos como o cabelo do Roy no dia do funeral do Maes), mas as semelhanças paravam por ai. Mas o filme é divertido...
(2) Só pra ficar claro, não se passou muito tempo entre o primeiro capítulo e este. Pode até ter passado pq eu demorei para atualizar, mas o Andrew está do mesmo tamanho... o que é uma pena pq queria que ele começasse a andar logo. Ai sim ele deixaria o Roy maluco!
