N/A: Quebrando um pouco o protocolo, antes do texto eu tenho uma coisa pra dizer/escrever.

A fic vinha caminhando normalmente até que chegou ao capítulo 6. Aquele capítulo me deixou deprimida pq ele ficou arrastado, viscoso e sem ritmo... e eu simplesmente odiei. Mas o pior foi que eu tive que admitir que aquilo, mesmo não tendo ficado bom, era o melhor que eu conseguia fazer e a solução foi posatr como estava.

Foi meio difícil sentar pra escrever depois disso e o resultado foi o que vocês viram: o capítulo 7 demorou (MUITO) pra sair e, definitivamente, não ficou lá muito inspirado, porque eu só queria sair daquela situação logo e pular para a próxima página.

Então desculpe qualquer coisa.

E obrigada a todo mundo que comentou até agora: Analu-san, Amande Hiromu-Chan, Ayami-chan, Barbara Lee Hawkeye, Charlotte Blackloke, Dany, Dê, Diana Heaven Mustang, Dóris Bennington, Ghata Granger, Harumi, Hell's Angel-Heaven's Demon, Hinata Himura, Kk-chan, Lady0Kagura, Mademoiselle DeVille, Mandy Lua, Mariah-chan17, Mary Ogawara, Miyu, Mizuki, Nielita, Lara Djaba, Lanelle, Lyriath Eowyn, Mizinha Cristopher, Miss Mousse, Misao Kinomoto, nodoka-chan, Pami, Priscila, pSiCotiK, PYTA-CHAN, Riza Hawkeye 9, Riza Potter, Rodrigo DeMolay, Senf, Shakinha, Sinara e Telpë.


8 – Noite dos meninos

- Agora eu aprendi. Você nunca mais vai me molhar! – disse Roy triunfante ao verificar que seu plano para dar banho em Andrew sem que este também lhe desse um banho ao mesmo tempo havia funcionado. O coronel estava vestido com uma capa impermeável por cima da roupa e usava uma máscara de mergulho com direito até a snorkel. Uma mistura estranha de pescador e mergulhador que não fazia sentido a primeira vista, mas que servia para manter Roy seco ao mesmo tempo em que distraía Andrew e tornava o evento o mais indolor para ambos.

A voz do coronel saia diferente, um pouco mais abafada, pois seu nariz estava dentro da máscara de mergulho, o que lhe dava a impressão de estar gripado. Era bastante incômodo não poder respirar pelo nariz, mas a máscara funcionava melhor que o patinho de borracha para ocupar a criança.

- Eu sou muito bom! – orgulhoso pela idéia de como não terminar o banho encharcado. Mustang respirou aliviado quando empurrou a máscara para cima e o snorkel para o lado. Ele foi pendurar a capa por ali e quase escorregou em uma das poças que havia se formado no chão do banheiro, mas o esforço que o coronel fez para não perder o equilíbrio e cair já fez Andrew gargalhar.

– Agora o próximo passo é tentar deixar o banheiro seco também. – comentou Roy antes de embrulhar Andrew em sua toalha e o levar para o quarto.

Com a presença da criança, Mustang acabou adquirindo o habito de conversar sozinho. Não sozinho-sozinho, porque as falas eram dirigidas a outro ser distinto do interlocutor, mas um receptor incapaz de processar a mensagem e formular uma resposta, o que devolvia para o próprio interlocutor a tarefa de atribuir sentido às lacunas dentro do diálogo.

- Não olhe pra mim deste jeito. A idéia foi do Hughes, não minha. – deduzindo que Andrew estava fazendo beicinho porque seria abandonado – Você vai ficar bem. Vai se divertir com o Edward e o Alphonse. Só não tenho certeza se eles sabem como cuidar de bebês, mas eu também não sei, então não tem problema... – tentando afastar todas as idéias de coisas ruins que poderiam acontecer enquanto ele estava fora – Pensando bem, talvez não seja uma idéia muito boa. – disse Roy enquanto prendia a fralda com o alfinete.

O coronel não tinha gostado tanto da idéia do amigo, mas por orgulho não daria o braço a torcer. Hughes estava comentando para quem quisesse ouvir que Mustang tinha tomado jeito. Dentro da ótica comum, ser acusado de ter abandonado a vagabundagem e se integrado de forma positiva a sociedade não era exatamente uma ofensa, mas para o coronel, libertino por convicção e com um nome a zela na praça, aquilo era a pior das ofensas. Havia uma grande parcela de sacrifício pessoal na conquista aquele status e ele não colocaria tudo a perder por causa de um acidente de percurso.

Ele nem se importava em achar uma babá, mas beirava a irresponsabilidade completa deixar Andrew com os irmãos Elric, porque nada que envolvesse a dupla conseguia se resolver de forma fácil e tranqüila. Eles só se metiam em confusão depois de confusão e poderia ser perigoso para uma criança, que não conseguia nem andar ou gritar por socorro, estar sob a guarda dos mesmos.

Não havia dúvida de que a insistência de Maes para deixar Edward e Alphonse como babás era uma espécie de vingança por causa da história do Major Armstrong ser o padrinho do menino... e provavelmente também pelas vezes que ele ligou no meio da madrugada e pelo bolo que levou da última vez.

A expressão de Roy ficou bastante carrancuda enquanto ele pensava e quando ele olhou para Andrew, a criança estava imitando a mesma careta.

- Quero ver o que você vai aprontar com os dois! – disse para quebrar o clima, fazendo cócegas na barriga da criança que se derreteu em gargalhadas.

Não adiantava ficar resmungando com Andrew, pois acabaria passando sua própria ansiedade para o garoto e este começaria a chorar e berrar ou coisa que valha. Edward até merecia uma meia hora de gritos e choro, mas parecia bastante cruel submeter o bebê àquilo.

De qualquer modo, a criança já estava acostumada a passar as manhãs com sua avó-emprestada e não costumava estranhar ninguém. Provavelmente ela nem perceberia que seu pai substituto havia saído, enquanto a recíproca não era verdadeira.

- Além do mais, isso pode ser bom pra você também... "Como?" você me pergunta – e pegou duas roupinhas dentro da gaveta – A azul ou a verde? – olhou para Andrew e escolheu a verde.

- É uma oportunidade pra eu achar uma mãe pra você. – empurrando o braçoinho para dentro da blusa - O Hughes tem razão neste ponto. Você precisa de uma mãe mesmo. E não se faça de desentendido porque eu sei que você prefere muito mais o colo da Riza ao meu... e eu não posso culpá-lo por isso. Não que eu esteja dizendo que a primeira tenente vá ser sua mãe. Ela não aceitou casar comigo.

O bebê riu e agitou os bracinhos, emitindo uns sons embolados, como se quisesse participar.

- Se você pedisse, eu também acho que ela aceitaria. – riu. O garotinho era fofo demais para que qualquer um resistisse a ele – Mas fique sabendo que isso não seria correto. – dando uma de moralista no maior estilo de "faça o que eu falo, mas não o que eu faço".

- Eu confesso que também me beneficiaria se você tivesse uma mãe oficial, pois poderia dormir sem ter que acordar a cada meia hora, não ia precisa me ocupar de uma série de tarefas desagradáveis e poderia sair à noite sem precisar me preocupar com nada, mas em compensação... – pensou por um instante nas outras implicações do casamento como "monogamia", "sogra" e ter que "discutir a relação" – É, vai ser um sacrifício e tanto, mas toda criança precisa de uma mãe, senão em quem elas vão colocar a culpa por tudo de errado que acontecer em suas vidas? Vai acabar sobrando pra mim e isso não é bom. - falou o homem que almejava chegar a uma posição confortável no exército para não poder ser cobrado por suas atitudes, mas que não fazia questão de levar junto com as promoções o maior grau de responsabilidade inerente às mesmas.

Andrew já estava com sua roupinha verde e olhava com atenção para Mustang enquanto este continuava a expor suas razões.

Coçou mais uma ver a garganta antes de continuar:

- Eu sei que a sua experiência com "mães" não é das melhores, já que a sua abandonou você comigo, mas eu tenho um conhecimento de mundo maior e posso dizer que na maioria das vezes as mães são criaturas bondosas e agradáveis que gostam de fazer coisas por você. Na verdade a maioria das mulheres é assim, mas as mães fazem tudo sem esperar nada em troca. Eu sei que isso vai contra a Lei da Troca Equivalente... – continuou, imaginando que o bebê, se já pudesse falar, faria essa pergunta... o que não seria tão impossível uma vez que, na condição de filho de alquimista, a pobre criança estava sendo ninada com tratados de alquimista ao invés de contos de fadas – Mas você vai acabar percebendo que não é uma lei absoluta. Se isso é bom ou ruim acho que você vai ter que descobrir por você mesmo quando tiver idade pra responder. - terminando de calçar as meias e entregando um coelho azul de pelúcia (1) com que Andrew havia se agarrado desde que ganhou de presente de seu padrinho.

- Por que será que você gostou tanto dessa coisa? – deixando o bebê no cercado e indo se arrumar. Mal sabia o coronel que aquele coelho azul detinha propriedades especiais...

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A noite já havia caído, mas o movimento na cidade estava longe de morrer. Carros rodavam ruidosos pelas ruas e pessoas passeavam de um lado para o outro sem olharem umas para as outras. Normal, já que não nos espantamos com o comum, mas ver uma armadura antiga com mais de dois metros circulando por ai não era exatamente "ordinário" e obrigava todos a uma segunda olhadela.

Alphonse já não se incomodava mais com os olhares dos outros e estava acostumado a chamar atenção, mas desta vez era em Ed que todos reparavam porque o garoto teve que ser empurrado, aos gritos e berros, todo o caminho até o apartamento de Mustang:

- Vamos lá, nii-san. Você prometeu!

- Prometi coisa nenhuma. – protestou o garoto loiro - O Hughes apareceu do nada e nem me deu tempo para recusar!

- Mas agora você tem que ir, porque senão vai estragar a diversão do resto do pessoal.

- E o que eu tenho com isso? Não é problema meu!

- Por que você é tão teimoso?

- Eu não quero fazer nada para aquele inútil preguiçoso do Mustang. Aposto como aquele cretino está armando alguma... só pra rir da minha cara. Ele deve ter pedido ao Hughes para pedir pra gente, porque sabia que um pedido direto dele seria recusado.

- Eu não recusaria.

O jovem alquimista mirou o irmão com seus olhos dourados depois da última afirmação, como se tivesse sido traído.

- Você o que?

- Eu... não me importo em fazer favores para as pessoas. E o Coronel não é tão mal assim. – o grau de convicção de Alphonse foi aumentando a medida que ele falava e terminou de uma forma que não deixou espaço para Ed retrucar, porque seria perda de tempo tentar fazer o irmão mudar de idéia.

O adolescente loiro respirou fundo. O que ele havia feito para ter um irmão mais novo tão ajuizado e razoável? Ele deve ter puxado a mãe, porque bom senso era um atributo estranho ao restante da família.

- Isso vai ter volta... – resmungou Ed, sempre apegado a idéia de Troca Exata.

- O que foi? – perguntou Alphonse que não havia escutado direito o resmungo do irmão.

- Nada não. Só que nós chegamos. – esticando o braço para apertar a campainha e depois voltando com as mãos para o bolso da calça.

Dizem por ai que o tempo é relativo. Para Alphonse com sua boa vontade de sempre, o Coronel não demorou a atender. Em compensação, para Ed os 30 segundos de espera foram multiplicados por sua má vontade e pontecializados por seu mal humor... por fim, o menino loiro já estava quase tendo um ataque com a espera quando a porta foi finalmente aberta.

- Boa noite, Coronel. – cumprimentou Alphonse, se abaixando para passar pela porta. Edward entrou com sua cara de quem chupou limão, o que já era suficiente para Roy ganhar a noite, porque ele realmente adorava implicar com o baixinho.

- Boa noite, garotos.

- E o que é que tem de boa?

- Pra você, nada. Mas pra mim... a noite promete. Um dia você vai crescer e entender do que eu estou falando. Crescer talvez não, mas pelo menos ficar mais velho.

- Você está me chamando de baixinho seu... – mas antes que Ed pudesse fazer seu famoso número "me chamaram de baixinho", Al entrou na frente e atirou o irmão para trás.

- Cadê o bebê? – perguntou o mais novo dos irmãos animado com a idéia ver a criança... uma coisa bem comum entre aquelas almas inocentes que se iludem com a aparência inofensiva, sorrisos inocentes e bochechas rosadas dos bebês e acham algo de extraordinário nos pequeninos.

Entrementes, esse fascínio inato pelos bebês é algo facilmente explicado pela ciência: nada mais nada menos que um produto genético da evolução a fim de garantir a perpetuação da espécie com a conservação dos mais jovens, argumento que também serve para justificar a maior proteção que é dedicada às crianças em geral por elas serem pequenas e indefesas. Essa é a função evolucionária do atributo "fofura".

Mas essa determinação genética às vezes é vencida por uma minoria de indivíduos que conseguem ver os bebês em seu estado bruto, destituídos de toda a carga emocional que os acompanha: um monte molenga de pele que cheira esquisito, chora alto e não conseguem fazer nada sozinhos. Desnecessário dizer que este grupo sofre as mais severas censuras sociais...

Edward Elrich não se inseria propriamente no segundo grupo, dos que odeiam crianças, mas as conjecturas daquela situação específica fizeram com que ele ficasse bastante resistente àquele bebê em particular. Ele não estava nem um pouco curioso para ver a versão mirim da besta a que ele respondia como subordinado... Talvez uma pequena curiosidade, mas bem pequena. Será que o molequinho se parecia com Mustang?

- No cercadinho. – disse Roy apontando para um ponto da sala e depois caminhando até lá para pegar o bebê no colo – Este aqui é o Andy. Aqueles são o Ed e o Al.

- Que coisinha fofa – disse Ed sarcástico - E o coelhinho de pelúcia dele também. Será que ele não tem um briquedinho mais gay não?

- Pelo menos ele não usa trancinha de colegial. – retrucou Mustang – E espero que ele não chegue a sua idade sem ter beijado uma garota. Isso sim preocuparia qualquer pai.

- Ora seu... – mas antes que Ed pudesse xingar a mãe de Mustang, Andy girou o coelho azul e acertou um golpe na cabeça de Ed que caiu estatelado no chão em um baque surdo.

- Você começou, nii-san – disse Alphonse, entendendo o braço para brincar com a criança – Ele é tão pequeno... – Al estava meio sem jeito para brincar com a criança que era menor que seu antebraço. Ele levou o dedo perto do queixo do bebê que fincou os dentes incisivos protuberantes na luva de metal e logo soltou o dedo.

Alphonse arregalou os olhos assustado. Ele não sentia dor, mas o garotinho tinha conseguido amassado a luva de metal (2).

- Esqueci de dizer que ele está nesta fase de morder tudo. – disse Mustang, orgulhoso de seu garotinho. Ele tornaria a noite inesquecível para os Elric.

Os dois irmãos se entreolharam com medo do que teriam que enfrentar, enquanto Andy continuava a sorrir inocentemente no colo de Roy:

- Eu não vou ficar a noite toda com esse monstrinho! – Ed foi o primeiro a se manifestar.

- É uma pena que vocês tenham medo de um garotinho. Mas então vou ter que ligar para o Maes e avisar que fiquei sem babá na última hora e que ... – Roy estava aliviado, Nem tinha pensado na hipótese de espantar os meninos, mas se tinha dado certo...

- Não, não, não. – disse Alphonse e agarrou Ed, tampando-lhe a boca. O menino loiro ficou esperneando querendo ir à forra, mas seu irmão não estava nem ai para suas infantilidades – Pode ir sem problemas que nós cuidados dele.

- Tem certeza?

- Claro!

- Eu vou colocar ele no cercadinho de novo – fazendo o caminho de volta até o cercado e colocando a criança lá dentro - As mamadeira estão prontas na geladeira. É só esquentar... e depois podem colocar ele pra dormir.

- O senhor não vai deixar o telefone do lugar para onde você vai? No caso de acontecer alguma emergência... – sugeriu Alphonse, seguindo o manual padrão das babás, enquanto ainda segurava o irmão.

- De jeito nenhum! Assim vocês vão me achar muito fácil e já era – e se abaixou um pouco para falar diretamente para Ed - E como eu sei que você não precisa do pagamento de babá, então eu não vou pagar nada.

Alphonse segurou com mais força, sem importar para os apelos do irmão que já estava ficando sem ar na posição em que havia sido preso. Mas o pior... o que realmente estava matando o pequeno prodígio era não poder responder o coronel e esmurrá-lo com seu auto-mail.

- Eu já estou atrasado, então boa sorte pra vocês. – fazendo com que ia sair - Ah... e é claro. Não mexam em nada. Não quero encontrar tudo fora do lugar quando eu voltar, entendido? – aquela era exatamente a pista que Edward estava esperando para voltar a acreditar na justiça do mundo. Ele continuou a fazer seu papel de injustiçado, mas agora já sabia como teria sua vingança.

- Claro, senhor!.

- Então até logo.

Só depois de passado um tempo seguro depois que Mustang saiu e fechou a porta foi que Alphonse soltou Ed, que caiu no chão recuperando o fôlego. O garoto esfregou o braço natural e olhou para o irmão com uma cara feia:

- Desculpa, nii-san. Eu machuquei você?

- Não. – respondeu mal humorado.

- Você ainda está com raiva? – perguntou Alphonse com seu característico tom calmo que sempre servia para aplacar a ira do irmão ou pelo menos para fazê-lo refletir.

- Agora não. Pensei melhor e... acho que vai ser interessante. – disse olhando para o apartamento de Mustang com um olhar maléfico. Era a primeira vez que ele estava no lar doce lar do idiota e era claro que ele não perderia a oportunidade de mexer e revirar todas as coisas do Coronel e, é claro, de espionar todo o material sobre alquimia que ele provavelmente tinha guardado em algum lugar.

- Eu conheço essa cara. O que você está pensando em aprontar, Ed? Pode saber que eu não vou deixar você fazer nada com o bebê!

- E eu lá sou do tipo que machuca criancinhas? Eu quero é sacanear com o Mustang. – Ed riu maquiavélico. Como é que o coronel havia dado um mole tão grande dizendo para ele exatamente como irritá-lo?

- No que você está pensando? Você não quer quebrar nada, não é?

- Talvez... – "mas só quando você não estiver olhando".

- Nii-san!

- Eu só quero tirar o melhor proveito da situação. Imagina os livros raros de alquimia que o egoísta do Mustang deve ter guardado por aqui e não quer dividir com ninguém?

- Não sei não. O Coronel foi bastante direto em dizer pra gente não ficar se metendo por ai...

- Qual é, Al! – protestou Edward. Ele já estava decidido e faria tudo de qualquer jeito, mas tudo ficaria muito mais fácil se convencesse o irmão a participar - É a troca equivalente: nós fazemos um favor, ele faz um favor em troca.

- Bom... acho que não faz mal a gente dar uma olhadinha. – concordou Alphonse. Ele tinha consciência que era melhor sempre estar por perto para vigiar o irmão, ou este acabaria se metendo em encrenca – Mas só depois que o bebê dormir!

- Eu acho justo. Agora vamos ver esse moleque... Qual era mesmo o nome dele?

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O Coronel se despediu e saiu rápido, antes que tivesse tempo de se arrepender, mas quando olhou da rua a janela com a luz acesa, pensou em voltar rapidinho só para dar uma olhada em como os meninos estavam se saído... talvez fingir que havia esquecido alguma coisa, mas se segurou.

Aquilo seria humilhante demais.

Ainda bem que, como todo bom estrategista, Mustang tinha um plano alternativo que garantiria sua paz de espírito, mas ele teria que fazer mais uma parada antes de ir encontrar o resto do pessoal.

Parou na primeira cabine telefônica:

- Alô?

- Riza?

- Coronel? O que o senhor quer?

- Preciso pedir um favor...

Agora conte uma novidade? - era o que a mulher loira deveria responder, mas ela se controlou e só ficou escutando até que, como sempre, concordou em prestar mais um último favor de vida ou morte para seu superior.

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Os outros já tinham começado a beber quando Roy se juntou ao grupo e pediu logo sua dose de álcool para não perder tempo e consegui alcançar os outros:

- E então, Coronel... Como é se separar da cria? – troçou Maes, confirmando todas as hipóteses que Roy havia imaginado. Ele realmente queria fazer hora com a cara de Mustang por estar se tornando o que este sempre criticava o amigo de ser: um pai coruja. Mas Roy já havia se preparado para não cair nas provocações. E os Elric também teriam sua dose de castigo por terem concordado em participar do motim.

- Melhor impossível. E eu nem vou ligar para casa de 5 em 5 minutos como faz um certo amigo meu depois que a filha nasceu...

- Eu quero saber se a minha esposa esta bem. Preocupação normal de um chefe de família cuidadoso. – Maes admitiu a culpa com um tom sério, o que só deixou mais engraçado o que ele disse.

- Sei... Foi muito inteligente a sua idéia de usar os Elric como escravos particulares. – erguendo sua bebida para um brinde - De volta a vida boêmia!

- Eu não sei se confiaria nele pra tomar conta de um filho meu. – observou Havoc - O Ed é meio esquentado demais e o Al não tem exatamente a anatomia certa para segurar um bebê.

- Você nunca vai achar alguém que queria ter um filho com você. – disse Breda, no que Jean se escondeu em um canto com uma nuvem carregada sobre sua cabeça.

- Preocupações vazias – disse Mustang – Eles vieram com as mais altas recomendações, não é mesmo Hughes?

- Claro... – o tenente coronel confirmou sem tanta convicção. Ele mesmo nunca havia deixado sua filha por conta dos dois e não achava que Roy fosse concordar com a proposta, mas também não via tanto problema assim afinal de contas qual seria a grande dificuldade em se tomar contar de uma criatura que só sabe dormir?

- Ai meu Deus! – disse Roy, deslizando para tentar não ser visto.

- Ficou religioso de repente? – brincou Maes.

- Olha aquilo ali... – escondendo o rosto e apontando para o meu do bar com a outra mão. Bem ali estava ninguém mais ninguém menos que o Major Alex Louis Armstrong, com a mão sobre a testa e olhando de um lado para o outro, procurando seus companheiros – Vocês convidaram ele?

- Eu não. – respondeu Maes, também escondido debaixo da mesa – Mas ele descobriu, então eu dei o endereço errado.

- Parece que não adiantou muito. – disse Roy entre os dentes.

- Então vocês estão ai! – disse o homem todo feliz caminhando até eles e abraçando a todos de uma só vez.

- Nós estamos... – disse Roy querendo matar Maes que mexia os lábios dizendo "a culpa não é minha".

- Você foi muito desatento Tenente Coronel Hughes. Me deu o endereço errado! Ainda bem que eu consegui encontrá-los.

- Sim... A noite não seria a mesma sem você.

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Alphonse e Edward pararam perto do cercadinho. Andy estava distraído brincando com seu coelho, mas quando eles se aproximaram mais, o garotinho se virou para os dois e deu uma dentada de aviso no ar, voltando a brincar logo em seguida.

NHAC

Os dois pularam para trás:

- Você não achou ele uma gracinha? – disse Ed empurrando Al - Agora vai lá e pega ele!

- Eu estou com medo, nii-san. – choramingou Alphonse que, apesar da altura, ainda era o mais novo.

- Mas alguém precisa pegar o moleque... ou a gente pode só esquecer ele e ir olhar por ai. – sugeriu Ed, levantando as sobrancelhas.

- Não! Eu pego. - e se inclinou por cima do cercado para pega Andrew que, quando viu aquelas mãos enormes se aproximando, começou a chorar. Desta vez ele não estava seguro no colo de seu protetor e estranhou a figura de Al.

- AAAHHH – recuou Alphonse, desesperado mexendo os braços pra cima e pra baixo – Por que ele começou a chorar? Eu não fiz nada.

- Viu o que dá querer ajudar os outros? Agora se vira! – disse Ed cruzando os braços.

- Mas eu não sei o que fazer. Talvez se você o segurasse...

- De jeito nenhum. Eu vou explorar por ai... – disse Ed tentando sair de fininho.

- Se você não me ajudar a colocar ele pra dormir, não vou deixar você fazer isso. – retrucou Al, segurando o irmão pelas costas do sobretudo vermelho.

Edward pensou por um instante. Aquilo era... justo. Além do mais, simplesmente não dava para ignorar o choro de Andrew por muito tempo. Era alto demais.

...continua...

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(1) Mistério resolvido! Agora está explicada a super força do moleque: ele é filho do Maurício de Souza.

(2) Além da superforça da Mônica, o Andy tem a habilidade de morder tudo da Sunny do filme/livro Desventuras em Série. Pois é... já dizem por ai que copiar de uma pessoa só é plágio, de várias é pesquisa.

O Andrew é novinho demais para representar uma ameaça real aos irmãos Elric, já que ele não sabe andar, não está na idade de começar a falar e sequer consegue engatinhar por canteiros de obras de prédios em construção. Por isso tive que acrescentar características fantásticas a ele, senão a participação do Ed e do Al ficaria muito sem graça e ninguém (principalmente eu) queria isso.