N/A: Só os meninos na área mais uma vez... Eu não tinha me dado conta da quantidade de homens no FMA até começar a escrever esta fic...T.T... Depois de me chamar de retardada-desatenta-por-não-perceber-que-no-exército-só-tem-homem, eu fui buscar uma explicação e acho que é pq as figuras femininas, mesmo sendo minoria, são bastante representativas e sempre estão logo ali para servir de contrapeso. Enfim... o público feminino está muito bem representado no anime/mangá.

Alerta: Vai ter alguns palavrões leves. Se vc não suporta esse tipo de coisa, pule a parte do bar. Tentei ser o mais light possível, mas um bando de homens bebendo não são exatamente a imagem da civilidade e cortesia.

Alerta2: Semana que vem é meu aniversário (09.04) e eu estou aceitando presentes e óvos de páscoa tb XD.


9 – Super Nanny

O garoto loiro se agachou perto do cercado, apoiando-se nos calcanhares, para estudar a situação. Depois do que havia acontecido com a luva de Alphonse e com sua cabeça com a coelhada, todo cuidado era pouco.

- Isso vai ser complicado... – anunciou Ed com um tom teatralmente dramático, indo guardar o casaco vermelho no armário como desculpada para espionar as redondezas. Havia uma estante bem a vista, mas ele só identificou títulos medíocres. Se não havia nenhum livro relevante à vista, com certeza havia muitos deles escondidos por ai e o grau de dificuldade na busca era diretamente proporcional ao grau de raridade das obras, imaginou o garoto fazendo o caminho de volta ansioso para terminar sua pequena tarefa antes de começar a caça ao tesouro.

- Pára de chorar, bebezinho. – Alphonse tentava fazer o controle de danos depois de ter assustado o bebê – Eu não vou machucar você – tentando não parecer uma armadura ameaçadora de dois metros, o que era é meio difícil quando se é uma armadura ameaçadora de dois metros, mas se existe alguém que conseguiria esse feito, era o Elric mais jovem que, tomado pelo desespero, improvisou uma pequena cena.

Ele apanhou o martelo de brinquedo que estava por ali e bateu em sua cabeça que se soltou e caiu, sendo amparada pela mão livre do garoto que tratou de fazer alguns sons exagerados durante o processo, para tentar mostrar que ele era fraco e que se despedaçava a toa.

Andy pode até não ter entendido a mensagem que Alphonse queria passar, mas o desempenho teve o efeito esperado e ele parou de chorar, passando a rir da forma decapitada da armadura e depois esticar os bracinhos na direção de Al, abrindo e fechando as mãozinhas.

- O que você quer? – perguntou, colocando sua cabeça de volta no lugar e tentando entender os sinais do pequeno.

Edward voltou para a sala e encontrou o irmão sem cabeça, ajoelhado nas proximidades do cercado enquanto Andy batia com o martelo em seu capacete de onde uma cachoeira de lágrimas de humilhação escorria.

- Por que você fez isso? - perguntou Ed, achando o fim o irmão ser usado como brinquedo do filho do coronel.

- Foi o único jeito que pra ele parar de chorar – respondeu Alphonse – Por que você demorou tanto? Você não estava espiando por ai, estava?

- De jeito nenhum. Só aproveitei para ir ao banheiro... Mas você se virou muito bem sem mim. Acho até que dá conta de cuidar dele sozinho.

- Eu estou sem a minha cabeça! Em que lugar do planeta isso é se sair bem? – disse Al nervoso.

As falas do irmão fizeram todo o sentido para Ed que, apesar do caráter trágico da cena, não pôde deixar de rir do ocorrido. Agora eles teriam que recuperar a cabeça de Alphonse, contudo o adolescente não conseguia abandonar a idéia de que o pirralhinho começaria a se esgoelar assim que seu novo brinquedo fosse retirado. De qualquer forma, ele precisava ajudar o irmão, não importava se ele havia se metido no problema sozinho.

- Tive uma idéia... – disse Ed quando um foco de luz se acendeu em sua mente. Ele correu até a cozinha, sob os protestos de Al que não queria ser deixado sozinho novamente, e usou uma panela qualquer para fazer uma cópia do capacete da armadura.

Al aplaudiu a perspicácia do irmão. Não era a toa que ele era o mais jovem alquimista federal de todos os tempos e o melhor irmão mais velho também.

Ed pegou Andy no colo e mostrou o novo capacete para o bebê que pareceu não comprar a farsa a primeira vista, mas depois de observar por um instante largou o martelo de mão e segurou o objeto de metal que lhe havia sido entregue, passando a mordiscar sua beirada, deixando a marca de seus dentes incrustada no metal.

- Obrigado, nii-san! – disse Al agradecido, colocando suas cabeça de volta encima de seus ombros.

Edward olhou para o irmão com aquele sorriso "eu sou demais" no rosto. Alphonse não podia fazer outra coisa senão concordar.

- Acho que tenho jeito com crianças. – concluiu orgulhoso por descobrir mais um talento. A arrogância tomou conta do jovem que, depois do sucesso da pequena manobra, se sentiu completamente capaz de lidar com o bebê, dispensando até a ajuda do irmão - Melhor você ir arrumar a mamadeira, porque quantos antes a gente der de comer pra ele, mais rápido ele dorme e a gente fica livre.

- Tem certeza, mano? Acho injusto você ficar sozinho com ele. É a tarefa mais difícil!

- Claro que tenho certeza. Eu e o pirralho já nos entendemos, não é mesmo? – dirigindo a pergunta para Andy para ver se ele concordava e como não houve uma negativa direta, ficou por isso mesmo.

Alphonse foi facilmente convencido pela confiança que emanava de Ed e saiu da sala tranqüilo e ainda mais orgulhoso de ter um irmão tão valente que não se deixava intimidar por nenhum desafio.

Longe do coelho azul a criança nem parecia ser tão monstrenga, ou pelo menos foi isso que Ed imaginou.

Andy largou o capacete e começou a explorar por ai com sua curiosidade natural e logo achou o braço mecânico de Ed, que tirou a luva branca e mexeu os dedos para distraí-lo com seu automail. Crianças consumavam mesmo se divertir com aquilo. Elas não eram como adultos que logo começavam a fazer perguntas e formular hipóteses sobre o que havia acontecido e sentir pena do pobre amputado que deve ter sofrido horrores com a cirurgia de instalação do automail. Pra elas a prótese mecânica era quase como um brinquedo. O próprio Edward tinha que admitir que os membros mecânicos eram bastante úteis, caso contrários ele já teria se machucado feio várias vezes, mas, mesmo assim, ele ainda queria seu braço e sua perna de volta.

Quando deu por si, o garoto percebeu que Andy estava com os dentes cravados com força em sua mão, encarando-o com os olhinhos atentos e desafiadores. O pequeno olhava confuso para Edward, esperando alguma reação deste que, como todos os outros, já deveria estar gritando ou chorando de dor. Todavia, Edward não era como os outros e Andrew logo perceberia isso.

- Ficou decepcionado, nanico? – disse Ed satisfeito por encontrar alguém menor do que ele para descontar as ofensas – Vai ter que fazer melhor do que isso!

Os olhos dourados do adolescente se cruzaram com os olhos escuros do bebê que, de repente, pareceu ter encontrado no rosto de Ed algo mais interessante que seu automail. Algo que exerce total fascínio sobre todos os bebês...

Com um puxão, Andy se agarrou a franja de Ed que dessa vez sentiu a dor que deveria ter sentido com a mordida e cerrou os dentes com força:

- Estes são de verdade! – resmungou furioso, mas rindo em seguida. Quem mandou desafia o baixinho? Ele não gostava de ser subestimado por ser uma criança e estava fazendo o mesmo. Agora ele era o adulto ali e ser o adulto responsável não era nada divertido.

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A aventura de Alphonse tomava outro rumo, também parcialmente desconhecido para o público masculino: a cozinha.

O coronel falara que as mamadeiras estavam prontas dentro da geladeira e de fato elas estavam armazenada em uma das prateleiras da porta. Na porta, pregada com um imã, ainda havia algumas instruções de preparo.

Aquela não parecia ser a letra de Mustang a menos que ele tivesse letra de mulher. Alphonse não demorou muito para imaginar quem havia escrito as instruções, já que não havia muitas mulheres no exercito e só uma delas era subordinada direta do coronel. Se Edward visse aquilo com certeza armaria mais uma ceninha. Ainda bem que ele estava na sala.

Al tratou de seguir os passos descritos, reparando que havia uma observação em caixa alta no topo da folha: NÃO USE ALQUIMIA.

Aquilo dificultava um pouco as coisas, mas ferver leite não parecia ser uma tarefa tão desafiante.

Não dava pra colocar a mamadeira diretamente no fogo, então ele usou uma técnica conhecida de todo alquimista: banho-maria (1). Primeiro ele pegou uma caneca grande e a encheu com água até uma parte, depositando a mamadeira com leite lá dentro e acendeu o fogo.

Quando a água começou a borbulhar, Al tirou a mamadeira e adicionou duas colheres do pó esbranquiçado que estava na lata azul (2) encima da pia, com uma etiqueta em letras garrafais indicando a quantidade do produto a ser usado, e um pouco de açúcar. Era um processo a prova de idiotas, com setinha de destaque e esquemas desenhados com todos os detalhes.

Para se certificar de que não estava fazendo nada errado, ele ainda leu as instruções novamente e conferiu no rótulo da lata azul. Depois colocou o bico e a tampa, sacudiu bem a mamadeira até tudo lá dentro se misturar bem. O passo seguinte seria provar para ver se o mingau instantâneo estava bom de doce e se ele testar a temperatura, mas isso teria que ficar a cargo de Edward.

Alphonse voltou para a sala e encontrou o irmão com os cabelos soltos, a cabeça inclinada para trás e braços cruzados sentado no chão enquanto Andy, sentado no sofá logo encima de Ed, fazia a festa com o cabelo do adolescente.

- Nem pergunte... – disse o jovem loiro completamente entediado.

- A mamadeira está pronta, mas você vai ter que experimenta porque não tem como eu saber se está bom e se está quente.

- Eu não vou beber leite! – protestou logo Ed, pulando para o sofá e pegando Andy no colo – Nada pessoal, mas você ainda tem que beber essa gosma nojenta, não eu – segurando o corpo do bebê no ar na altura de sua cabeça e depois o sentando no colo novamente. Edward já havia superado essa fase das papinhas e mingaus e estava satisfeito com seus alimentos sólidos e nem um pouco disposto a voltar atrás na dieta, pelo menos enquanto sua arcada dentária e aparelho digestivo assim o permitissem, já que quando se vai chegando ao fim da vida, as coisas acabam ficando muito parecidas ao que eram no início.

- Não é leite, é mingau de arroz. – explicou Al, que havia lido toda a tabela nutricional estampada no corpo da lata enquanto esperava a água ferver.

- Pior! – voltando a prender o cabelo, mas em um rabo de cavalo simples.

- Você pode testar na sua pele. – achando um jeitinho de contornar as reclamações infantis do irmão.

- Assim pode ser. – concordou por fim.

- Estende a mão.

Edward fez como o irmão havia pedido e Alphonse virou a mamadeira para que ela pingasse nas costas da mão de seu irmão, mas o líquido não pingou.

- Que estranho. – disse Al – Será que isso está entupido? – sacudiu a madeira e a apertou, o que desobstruiu o buraco do bico e fez o conteúdo esguichar com força na mão de Ed.

Os olhos do menino começaram a lacrimejar instantaneamente, mas ele não se mexeu.

- Mano... tudo bem com você?

- Segura.– disse Edward com toda dignidade, entregado Andrew para Alphonse, mas depois saiu pulando e gritando pela sala, segurando a mão queimada.

- Ai ai ai ai ai ! – correndo até a cozinha para lavar a mão e colocar gelo.

- Acho que estava muito quente.

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- TRUCO (3)! – berrou Mustang, batendo com a mão fechada na mesa. O álcool já tinha começado a fazer efeito e deixar o comportamento do coronel ainda mais expansivo.

- Não precisa gritar, senhor. – disse Kain timidamente, segurando suas cartas desajeitado.

- É claro que eu preciso gritar. Gritar é a alma desse jogo – gritou ainda mais alto.

- Tudo bem. Então eu quero Meio-Pau – anunciou o jovem soldado depois de olhar novamente suas cartas.

- Como é que é? – disse Mustang se apoiando com os dois braços na mesa – Eu não escutei.

- Eu pedi meio–pau, senhor. – respondeu Kain ainda mais baixo, ajeitando os óculos e buscando apoio em sua dupla do outro lado da mesa que só deu com os ombros e fez sinal de que aquela jogada era por conta dele. Breda nem deu opinião. Só ficou rindo, porque sabia que aquilo não ia dar em nada mesmo e porque sempre era algo edificante assistir às lições de como jogar cartas de Mustang.

- Você não gritou! Você tem que gritar!

- Eu... prefiro não gritar.

-Grite logo, seu merda!

- Não precisa ofender – disse Maes indo a defesa do Kain. O garoto estava ficando apavorado com os berros de Mustang - Ele ainda está aprendendo.

- E eu estou ensinando da maneira correta. Sobe na mesa e grita logo, porra!

- Você não está ajudando... – comentou Maes, batendo as cartas em leque na mesa de leve.

- Meio-pau... – disse em tom médio.

- Mais alto...

- MEIO-PAU! – gritou Kain por fim, já acuado pelos berros do chefe.

- Bem melhor... – e olhou para o companheiro do outro lado da mesa e juntou suas cartas – A gente corre.

- Você fez tanta questão que ele gritasse para vocês correrem no fim? – reclamou Armstrong, observado o jogo de fora.

- Claro. O Huey não sabe blefar. Para ele pedir meio-pau, no mínimo vão terminar batendo o Zap na minha testa.

- O garoto nem grita... Ele nunca bateria o Zap na sua testa.

- É verdade... – pegando as cartas e tirando o quatro de paus dali do meio – Mas bem que ele poderia... – jogando a carta no meio da mesa.

- Hey... Nós não somos obrigados a mostrar nosso jogo quando vocês correm! – protestou Breda.

- Então não mostrem da próxima vez. – retrucou Maes.

- Não fique nervoso, tenente. Você precisa beber mais. – terminando de virar sua caneca.

- E você não precisa beber tanto. Isso faz mal pra sua saúde. – disse Armstrong segurando seu suco de laranja, única coisa que se permitia beber depois que o resto da mesa vetou seu pedido de leite gelado batido, porque pegava meio mal para um homem adulto. Com o suco de laranja pelo menos os outros podiam imaginar que havia vodca misturada ali no meio.

- Eu não quero mesmo viver pra sempre. – e deu com os ombros.

- É, coronel, mas agora não é mais só você. – apontou Breda.

- Isso mesmo. E sua cria? – perguntou Maes.

- Pode deixar que eu vou cuidar bem do meu afilhado quando você morrer de cirrose. – disse Armstrong.

- Vamos mudar de assunto? – sugeriu Roy com uma cara de poucos amigos, embaralhando as cartas e as entregando para outro cortar o monte. Ele não gostava nem um pouco de ser pressionado, muito menos enquanto estava enchendo a cara na sexta à noite.

- Por que, Roy? Eu gosto deste assunto. – riu Maes.

- Se você quer falar do Andrew, valos falar da mãe dele. O que você já descobriu?

- Nada... – respondeu Maes se inclinando na cadeira.

- Mentiroso. É claro que você já descobriu, mas não quer me contar porque não é boa coisa.

- Não tenho idéia do que você está falando – desconversou Maes.

- Pode dizer. Eu agüento... O pior que poderia acontecer nem é mais tão ruim assim... E provavelmente eu nem vou lembrar de nada amanhã de manhã. – caindo com a cabeça e metade do corpo por sobre a mesa.

- Já ficou tonto, florzinha? – implicou Maes, insinuado que o colega era fraco pra bebida.

- Ainda estou começando... Eu quero mais um. – levantando o braço e fazendo sinal para o garçom.

Havoc voltou contente para a mesa, com um sorriso de orelha a orelha e um guardanapo na mão.

- O que foi tenente? Conseguiu um telefone? – provocou Roy, levantado a cabeça mais ainda ficando meio deitado na mesa.

- É... – olhando desconfiado para Mustang, imaginando qual seria a reação deste.

- E você tem certeza de que é o telefone dela? – olhando para a moça sentada no balcão e dando um tchauzinho para ela que foi bastante amistosa - Ela pode ter dado qualquer conjunto de números só pra se ver livre de você. Quer saber? Eu vou lá e descobrir pra você.

- Ela já está indo embora. – tentou explicar Jean.

- Eu acho que não... – vendo que a moça continuava sentada e olhando de soslaio para a mesa dos rapazes, tentando disfarçar seu interesse, como de praxe.

Roy meneou a cabeça e terminou de beber o chope que o garçom trouxera de uma só fez, mas quando foi se levantar Maes o impediu:

- Senta ai que a gente tem que terminar a partida! – disse Maes, agarrando Roy pela ponta do paletó.

- Você não espera mesmo que eu troque os sorrisos daquela moça bonita pelo mau hálito de vocês.

- Sente e olhe suas cartas! – mandou Maes, quase rosnando e olhando por cima das cartas abertas em leque que ele segurava na altura da boca.

- Ta bom...

A moça respirou desanimada e abandonou sua postura discreta e quando Mustang acabou cedendo ao apelo do amigo e sentou para continuar o jogo. Ela foi embora logo depois e Havoc jogou fora o guardanapo com o número de telefone e pediu outra dose de uísque.

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Edward estava com a mão mergulhada na água que escorria da torneira na pia da cozinha, amaldiçoando os antepassados de todos os membros do exército:

- Machucou muito? – perguntou Al chegando logo atrás com Andy no colo.

- Acho que vai dar bolhas... - resmungou Edward, movimentando os dedos de leve.

- Desculpe... Eu não queria.

- Eu sei que não, Al. – cortou Ed, sem muita paciência para desculpas, mas sem querer deixar o irmão com a consciência pesada.

- Você quer alguma coisa? – tentando ser o mais prestativo possível.

- Não. Ta tudo bem. – tentando disfarçar o quanto estava doendo.

- Será que o coronel tem uma caixinha de primeiros socorros por aqui? Eu vou... – desconcertado pela expressão de dor do irmão - Comprar uma pomada e um analgésico pra você.

- Não precisa Al... - com a voz quase falhando.

- Claro que precisa. Vou deixar o Andy no cercado de novo. Pode deixar que eu não demoro... E não coloquei gelo que é pior.

Alphonse saiu apressado e deixou Edward debruçado sobre a pia, com a cabeça baixa e a franja estrategicamente cobrindo o rosto. Melhor assim, pois o mais novo não pôde ver o sorriso astuto que se formou no rosto de Ed, que fechou a torneira e secou as mãos.

Sua atuação brilhante tinha funcionado exatamente como o previsto e agora ele estava sozinho para fazer o que quisesse no apartamento de Mustang sem ter o juízo limitador do irmão mais novo.

- Viu só? É assim que se faz – disse Edward entregando a mamadeira para Andy, mas não antes de experimentar um pouco e concluir que aquilo não era tão mal assim, apesar de levar leite. Aliás, era muito bom – Hum... Isso é gostoso. Você não vai se importar se eu tomar um pouco também, não é?

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Riza encontrou a porta aberta, pois Alphonse saiu tão apressando que nem se lembrou de trancá-la e Ed... bom, Ed tinha coisas mais importantes para fazer.

- Ed... Al... – ela chamou procurando os meninos que deveriam estar bancando as babás, mas nenhum sinal deles. Só encontrou Andy deitado no cercadinho mordendo uma das orelhas do coelho azul.

Ela pegou o bebê no colo e ainda deu uma olhada na área comum para ver se os meninos estavam no banheiro ou na cozinha, mas não encontrou ninguém. Os únicos vestígios de que eles haviam passado por ali eram a luva de Ed sobre o sofá, seu casaco no armário e a cópia da cabeça de Al feita, nitidamente, com outro material:

- Não acredito que eles deixaram você sozinho. - disse a tenente, cuspindo fogo com a irresponsabilidade dos irmãos. Por mais complicado que fosse cuidar do bebê, a única coisa que eles não poderiam ter feito era deixá-lo sozinho... e muito menos com a porta aberta, porque qualquer sorte de pessoa poderia entrar. E nem havia se passado tanto tempo assim... só umas duas horas desde que Roy havia ligado pedindo para ela render os irmãos. No fim o coronel estava certo em não acreditar na capacidade dos irmãos em cuidar de outro ser vivo.

Mas aquilo não fazia o estilo dos meninos. Provavelmente eles tiveram uma razão importante para sair e voltariam logo, ou Ed teria levado o casaco, então Riza escreveu um bilhete e deixou no lugar mais visível possível: encima da mesinha de centro.

Já que não havia mais ninguém ali, Riza também decidiu que não tinha mais o que fazer no apartamento de Mustang e que não ira esperar mais. Ajeitou algumas coisinhas de Andy em uma bolsa e saiu com a criança, fechando a porta, mas a deixando sem trancar, já que os meninos deveriam voltar a qualquer momento.

– E então, pronto para passar a noite fora? – perguntou para Andy, distraído com seu brinquedo – Vamos embora então.

Seguindo a Lei da Desordem que rege o Universo, uma rajada de vento entrou pela janela e o bilhete encima da mesinha foi apanhado e saiu desenhando espirais no ar até aterrissar embaixo do sofá pouco antes de Alphonse entrar, exasperado, pela porta. Como ele e Riza não se cruzaram nas escadas? Mais uma por conta do Acaso, que ficou rindo contente em um canto escondido imaginado o que aconteceria em seguida.

...continua...

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(1) Pelo menos os alquimistas do lado de cá do portal usavam bastante e os químicos usam até hoje, mas o melhor uso do banho-maria ainda é na cozinha pra fazer pudim ou derreter chocolate pra calda.

(2) É Mucilon de arroz. O que foi? É bem possível que exista uma genérica da Nestlé do lado de lá. Aliás, espero que exista senão a vida do lado de lá deve ser muito triste sem Nescau nem Leite Moça..T.T..

(3) Tem um bocado de regras diferentes pra se jogar truco. O que eu conheço é o Truco Mineiro, mas mesmo assim ainda costumo ter que usar a seqüência de cartas do lado pra lembrar dos valores. Minhas duplas sempre passam raiva.