N/A: O ficou meio doido na época que eu postei o outro capítulo e eu tenho a impressão de que as pessoas que comentaram não receberam minha resposta. Culpem o site malvado, porque eu respondi um por um... de qualquer forma, vai o agradecimento para todos vocês no corpo da fic, já que p tentou me sabotar: kamila youko, Luh Norton, Madam Spooky, Mitsune S. Black Higurashi, Nielita, Riza Hawkeye, Riza Potter, 9, Yellow Momo e minha chará gabi-sama.
Em especial para a Amanda Geddoe Mustang pq nós perdemos muito tempo conversando no msn enquanto eu estava escrevendo e ela acabou me dando algumas boas idéias que eu vou fingir que são minhas e usar sem nenhum pudor XD
- Boa leitura -
11 – Em família I
Tudo esclarecido, Riza foi liberada com as desculpas mais sinceras de todos, especialmente de Edward já que Alphonse assumiu toda a culpa do irmão e o obrigou a encarar a tenente e se desculpar por ter sido tão descuidado. Hawkeye, por sua vez, se apiedou dos hematomas e curativos que o garoto trazia da surra que havia levado mais cedo e acabou não usando ninguém de alvo para descontar sua raiva, mas ainda ficou com a cara azeda mesmo depois de ser liberada, já que ser acusada de seqüestro, ter sua casa invadida por um esquadrão da polícia e ser vista de pijama por uma dezena de homens desconhecidos não era o tipo de experiência que se esquece depois de um banho quente.
Depois que acordou com aquele humor pós-bebedeira e ficou sabendo do que havia acontecido, Roy brigou com Maes por este não ter contado a verdade logo de cara, o que teria evitado o desfecho trágico envolvendo a tenente Hawkeye... depois aceitou uma carona até sua casa. Sua raiva não era tão grande quanto a distância que teria que andar.
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- Upa! – exclamou o pai coruja quando terminou de ajudar a filhinha a subir o último degrau da escada, o que foi bem demorado já que a garotinha ainda não tinha tamanho para subir um degrau por passada e tinha que parar em cada elevação antes de passar para a próxima. Mas antes de se incomodar com o tempo perdido, Maes estava cheio de orgulho dos passinhos decididos que sua bonequinha risonha dava.
- Deixa eu fazeh ding-dong? – pediu a garotinha se referendo a campainha .
- Claro, princesa. – concordou Maes, pegando a criança no colo e a levantando para que ela apertasse o interruptor. A garotinha foi colocada novamente no chão e seu pai continuou – Agora eu quero que você tampe os ouvidos. O tio Roy está um pouquinho bravo com o papai e pode começar a gritar, mas não precisa se assustar porque é brincadeira, certo?– explicou o homem usando certa lógica de criança, pois Elysia não entenderia a confusão da sexta a noite que ainda trazia alguma seqüelas - Agora fica atrás de mim que nós vamos fazer uma surpresa - com o dedo indicador sobre a boca para pedir discrição.
- Tá ceto, papai! – disse a garotinha repetindo o jeito e depois cobrindo os ouvidos com as mãozinhas gorduchas e se escondendo atrás do pai.
Não deu outra... Roy já tinha disparados os primeiros palavrões quando viu quem era pelo olho mágico, mas não pôde continuar a com seu repertório quando viu que a filhinha do amigo estava ali servindo de escudo para qualquer comportamento mais agressivo e s inadequado para crianças.
- Cuidado com a língua, tio Roy. Tem uma mocinha aqui não precisa aprender esse tipo de vocabulário... – alertou Maes com um sorriso zombeteiro enquanto apontava para a filhinha que olhava para os dois adultos com sua carinha inocente de criança que era capaz de parar qualquer pessoa com metade de um coração.
- Eu odeio quando você faz isso. – resmungou Roy, engolindo sua raiva, já que viu que não poderia soltá-la encima do amigo. Não na presença de Elysia.
Maes riu em resposta. Ele tinha noção exata da arma que tinha em mãos, por isso havia levado a filha de propósito para usá-la como elemento de chantagem. Nenhum adulto sem o devido treino no trato de crianças conseguiria resistir àquela carinha...
- Pode parar, querida. – disse Maes para a filhinha e a garotinha destampou os ouvidos – E o abraço do tio Roy? Ele vai ficar triste se não ganhar um.
O coronel quis bater em Maes, mas, ao invés disso, se abaixou para pegar Elysia no colo e a jogar para cima antes de abraçá-la.
- Mas que mocinha crescida! – comentou com a menininha que ria toda contente em seu colo, jogando para escanteio a raiva de Mustang.
- Cadê o Júnior? – não vendo Andrew em nenhum lugar.
- O Major Armstrong passou aqui mais cedo e levou o guri para passear enquanto eu montava aquilo ali. – apontando para o trenzinho elétrico que estava montado bem na área central da sala, com os desvios armados e a locomotiva e os vagões parados sobre os trilhos.
- Um Ferrorama (1)? – disse Maes com estrelinhas nos olhos, porque ele sempre quis brincar com um daqueles quando era criança e nem pôde descontar essa frustração em Elysia já que ela era uma menina que não entendia a magia dos veículos de transporte e provavelmente acabaria usando o trenzinho para transportar suas bonecas para que uma fosse tomar chá imaginário na casa da outra.
- É. – confirmou Roy, descendo Elysia – Foi presente de um mês. Um mês... Dá pra acreditar?
- Não mesmo. É um ultraje... Onde já se viu dar um brinquedo desses pra uma criancinha que não tem nem um ano. Daqui a pouco ele aparece aqui com um carro antes do guri ter idade pra dirigir. - riu Maes, não deixando de achar engraçada a idéia do presente, já que era muito pouco provável que uma criança daquele tamanho brincasse com o trenzinho elétrico... mas ele tinha idade para brincar, então se sentou perto do comando eletrônico, ligou a alavanca e a maria-fumaça começou a se mover arrastando consigo os outros vagões.
Elysia achou o brinquedo curioso e se aproximou do pai para ganhar a permissão de participar da brincadeira, já que era ele quem estava com o controle.
- O tenzinho anda... - disse ela com o dedo na boca e já tentando ganhar o colo do pai.
- Anda sim. Olha que legal... – contente por ter ganhado a atenção da filha. Quem sabe ele poderia comprar um pra dar de presente pra ela... e brincar com ele por tabela.
- Não é disso que eu estou falando. – continuou Roy, interrompendo o momento pai e filha - Eu nem tinha percebido que o Andrew está comigo há tanto tempo. Acho que já está na hora de eu fazer alguma coisa.
- Você quer dizer uma festa? O normal é esperar até um ano... mas acho que a gente pode organizar alguma coisa.
- Eu estou falando de oficializar a coisa e pedir a guarda dele de uma vez por todas. – disse com um tom sério e meio atabalhoado depois de limpar a garganta - O que você acha?
- Wow... – exclamou Maes, olhando sério para o amigo por um instante e depois voltando sua atenção para o trenzinho – Isso é... bastante sério. Você... tem certeza?
- Nem comece. Eu sei exatamente o que você vai dizer e dispenso os comentários – disse para tentar fugir da chuva de gozações que Maes começaria a qualquer momento, já que fazer um pedido formal de guarda era praticamente uma confissão de culpa de que ele havia se apegado a criança e que queria ficar com ela, contrariando todas as suas falas iniciais – Ele está comigo e a mãe dele desapareceu... – continuou depois de uma pequena pausa - Amanhã eu procuro um advogado.
- ... Eu indico um pra você. – disse Hughes com uma expressão estranha e um forçando um sorriso que não saiu direito.
- Isso é tudo? – estranhando a reação nem um pouco extravagante - Não vai começar a me amolar dizendo que você tinha razão e que eu virei um pai babão igual a você?
- Não... – se levantando – Por que eu faria algo assim?
- Maes... A mãe dele desapareceu mesmo, não é? – desconfiando que o amigo estava escondendo alguma coisa.
- Claro... – respondeu pronto para mudar de assunto – Já estava me esquecendo. A gente veio aqui pra fazer um convite, não é Elysia?
- Xin! – confirmou a garotinha loira.
- Venha almoçar lá em casa hoje.
- Você ainda não desistiu dessa idéia de "almoço de família", não é?
- Não até você aceitar.
- Vamos, tio! – insistiu a garotinha puxando a mão de Mustang que olhou para Hughes com a cara feia. Agora ele teria que dizer não pra ela também, o que não era tão fácil quanto dizer "não" para marmanjo barbudo e de óculos – Por favôh!
- Er... Claro, Elysia. – teve que concordar por fim.
- Não dá pra dizer não pra ela, não é? – cutucando Roy com o cotovelo – Usei a mesma tática para a Hawkeye aceitar.
- A Hawkeye também vai? – perguntou arregalando os olhos. Ele não esperava encontrar com a Primeira Tenente até o dia seguinte e ainda contava com o ambiente de trabalho para ter uma conversa civilizada com ela.
- A gente tinha que se desculpar pelo que aconteceu – explicou Maes que via no almoço uma forma de compensar Riza pela injustiça cometida no outra noite e mais uma chance de tentar incentivar aqueles dois a fazerem algo - Ela ainda está um pouco chateada.
- "Um pouco chateada"? – repetiu Roy, já que Maes não havia expressado a real extensão da raiva de Primeira Tenente – Ela deve estar cuspindo marimbondo!
- Não é pra tanto. E o Edward já assumiu a culpa toda. Aliás, ele vai ser nosso garçom hoje... e o resto do pessoal também vai. – revelando que não seria o mais tradicional dos almoços de família, já que recheado de gente solteira e sem crianças.
- É? Isso sim vai ser interessante. – disse Roy com um sorriso sádico. É claro que ele não sabia que lhe estava incumbida a missão de acender a churrasqueira.
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Toda a tropa estava reunida mais uma vez, só que agora eles tinham um general que colocasse ordem na bagunça já que Gracia estava ali supervisionando todas as atividades e garantindo que sua casa não fosse destruída. E ela ainda contava com o apoio de Riza, a outra figura feminina a que todos estavam acostumados a obedecer prontamente, o que incluía Mustang, pois mesmo a condição de superior do coronel não o escusava de seguir as ordens da tenente.
Como o convite foi feito de última hora, ninguém foi incumbido de levar nenhum prato especial, o que também era um grande alívio, pois assim Gracia teria liberdade para desempenhar o papel completo de anfitriã, principalmente em se considerando que parte significativa dos convidados era de homens e ela não confiava nas habilidades culinárias dos mesmos.
Gracia queria ter feito algo mais elaborado, mas seu bom senso, e conhecimento de causa, a convenceu de que uma refeição sofisticada com vários talheres e pratos diversos não comportaria a mesma casualidade que o bom e velho churrasco de quintal. E, principalmente, aquele era um programa do marido e ela não podia interferir, sob pena de quebrar com a harmonia familiar.
Uma mesa de frios estava posta e o pequeno grupo reunido em uma mesa das mesas armadas no quintal enquanto esperavam a chegada do resto:
- Oi meu bem. - disse Maes chegando por trás de Gracia e roubando duas cerejas do bolo que ela estava terminando de arrumar. Uma ele jogou logo na boca e a outra foi para Elysia que estava em seu colo. Gracia só substituiu as cerejas - O pessoal já está lá fora...
- Vemos recebê-los então...- limpando as mãos – Você vem, Riza?
- Vou terminar com isto primeiro. – respondeu a tenente, picando os tomates.
- Deixa isso pra lá. Já está quase pronto.
- Exatamente por isso. Já estou terminando. Depois eu vou.
- Tudo bem... – concordou Gracia e saiu com o marido - Por que vocês demoraram tanto? – ela perguntou enquanto eles caminhavam para a porta.
- A gente teve que esperar o Andy... que estava com o Major Armstrong. – ele já tinham passado pela porta e Maes apontou pela para o gigante nórdico com o bebezinho no colo que se sobressaia a todos os outros. Mais uma vez eles acabaram forçados a convidar o homem que, a priori, ficaria excluído da lista por ser um pouco mais chato do que o tolerável.
- Que bom que você convidou o major desta vez – cochichou Gracia no ouvido de Maes o mais discretamente possível, enquanto caminhavam. Ela achava que, por fim, seu marido havia amadurecido o suficiente para vencer essa infantilidade boba de querer excluir Armstrong dos eventos sociais como se ainda estivessem no colégio com grupinhos de pessoas que nós se misturavam e nem aceitavam as demais.
- Eu não convidei por bem. Ele estava lá e eu não tive escolha a não ser convidá-lo. – explicou ele, respirando fundo e lamentando sua má sorte.
- Maes! – brigou Gracia, dando uma tapa no braço do marido com tanta força que só acabaria machucando o próprio punho.
- Ai! Isso dói, mulher.
- Ta dodói, papai? – perguntou Elysia, pegando só uma parte do diálogo.
- Nada não, princesinha.
- A mamãe só quer que seu pai se comporte direitinho, amor. – explicou Gracia.
- E eu? – choramingou ela, imaginando que também apanharia se se comportasse mal.
- Você sempre se comporta direitinho, amor. Seu pai que é um desajuizado. – olhando com falsa desaprovação para Maes que acertou os óculos e deu com os ombros.
- Roy... Major... – cumprimentou Gracia dando dois beijinhos em cada (2) – E olhem só esse rapazinho. Ela pegou Andy no colo e tentou brincar com a criança, mas esta nem deu bola para a mulher.
- Ele está um pouco mal humorado hoje. – alertou Mustang, olhando de esguelha para o bebê como que querendo que este mudasse de comportamento... Ou se comportasse direitinho na casa dos outros e mostrasse que tinha, pelo menos na rua, a educação e finesse que lhe havia sido ensinada em casa.
- Mas por quê? – quis saber a mulher, olhando com candura para o infante na tentativa de descobrir alguma coisa.
- Acho que é porque o coelho azul ficou em casa. – explicou o coronel, se penitenciando mentalmente por ter esquecido o tal brinquedo e agora estar sujeito aos destemperos e possíveis pirraças da criança.
- Ah... é por isso, bebê? Então a tia vai arrumar outro brinquedo para você. Vamos escolher um brinquedinho pra você emprestar pra ele, filha?
- Tah bom! – disse a garotinha pulando do colo do pai e acompanhando a mãe.
Os outros se achegaram, menos Havoc que estava inseguro por ter levado sua nova namorada e queria mantê-la longe de Mustang:
- Coronel... que bom que o senhor chegou. – disse Heymans – Senão a gente não iria comer carne hoje.
- Vocês ainda não ascenderam a churrasqueira?
- Deixamos para você fazer as honras... – riu.
- O Edward até tentou... – Kain começou a frase e depois olhou para o garoto loiro que estava com a cara preta de fuligem e as sobrancelhas meio estorricadas. Ele estava emburrado e com os braços cruzados inarredável, enquanto seu irmão mais novo, e mais educado, tentava convencê-lo a se levantar para cumprimentar os outros.
Mustang estourou em risos e estava pronto para ir tirar sarro da cara chamuscada de Ed quando Maes o impediu:
- Roy... churrasqueira... ascender... agora! – deu comandos simples e claros apontando para a churrasqueira – Implique com o FullMetal mais tarde.
- Estraga prazeres – resmungou, enviando a mão no bolso para tirar a luva branca. Um estalar de dedos depois e a missão estava concluído, então Maes passou a colocar os espetos na armação que ficava girando e cuidando de também girar os espetos para que a carne ficasse queimada por igual.
A moça ruiva que acompanhava Havoc estava olhando insistentemente para Roy que, por sua vez, não conseguia se lembrar de jeito nenhum de onde a conhecia, mas concluiu que devia conheça-la de algum lugar.
- Ola Havoc...
- Oi Coronel... Você já conhece a Senhoria Eliade, não é? Ela é enfermeira... – disse com um meio sorriso. Mesmo sabendo que a moça já conhecia Mustang, ele ainda sentia como se o coronel poderia roubá-la como já havia feito antes.
- Jane... não é mesmo? – sorriu Mustang apertando a mão da moça de quem ele havia finalmente se lembrado com a pequena ajuda do subordinado.
- Então você é assim quando está sóbrio... – brincou - Não pensei que você fosse se lembrar do meu nome.
- Lembro sim. É claro que eu também lembro de você com algumas cópias... e com um fundo girando.
Os dois riram. Aquilo não podia ser um bom sinal, já que ninguém havia contado uma piada ou falado algo engraçado. Então Havoc achou que era hora de agir:
- Você quer beber alguma coisa? – interrompeu, chegando mais perto de Jane.
- Quero sim. – respondeu Mustang, se aproveitando da deixa do subordinado - Por que você não vai buscar pra gente?
Jean se levantou desconsolado e foi buscar as bebidas com ar de velório. Olhou para Roy... e depois para Jane... os dois parecendo conversar animadamente e já se entendendo tão bem em sua curta ausência.
- A culpa é sua por ter trazido ela aqui... – riu Breda.
- Não enche!
- Mas é verdade.
- Eles estão só conversando. – disse Kain - Ela já conhecia o coronel e nunca se interessou por ele antes.
- Será que não? – instigou Breda, só pra provocar a discórdia – Acho que o coronel estava inconsciente a maior parte do tempo e eles não tiveram exatamente a chance de se conhecer melhor... até agora. – dando um tapa de congratulação nas costas de Havoc por sua brilhante idéia de deixar a namorada perto de Mustang.
- Ed... Faz o favor de levar isso para os dois. – disse o segundo tenente, já dando a batalha por perdida e sentando com os amigos para chorar as mágoas.
- De jeito nenhum. Tá me achando com cara de garçom? – esquecendo que ele tinha se comprometido a fazer aquilo para compensar seu pequeno deslize.
- Al... faz isso então... – acendendo um cigarro.
- Eu não vou fazer isso... Você que tem que voltar lá e enfrentar o Coronel.
- Valeu pela solidariedade, pessoal. – disse o homem voltando a se levantar, mas quando se virou para voltar, deu de cara com sua parceira que havia vindo ao seu encontro.
- Você estava demorando. – disse ela dando um meio abraço em Jean para pegar o copo.
- Cadê o coronel? – olhando para o lugar antes ocupado pelos dois e não encontrando ninguém.
- Levantou. Ele tinha algo melhor para fazer – puxando Jean de volta para seus antigos lugares – Agora vem comigo.
- Como assim você deixou ele falando sozinho e veio falar comigo? – perguntou Jean incrédulo... quase indignado.
- Qual o problema? Eu vim com você e pretendo ficar com você. – esclarecendo a dúvida do rapaz que parecia ser bastante obvia pra ela.
- Mas... por quê? – a pergunta foi quase reflexa e ele nem se preocupou com o tom. Ele já estava esperando perder mais uma vez, já que não tinha encontrado nenhuma mulher imune ao incompreensível charme de Mustang.
- Eu sei que ele é seu superior... e parece ser uma boa pessoa, mas ele não é meu tipo.
- Não?
- Não. Ele é um pouco... – levando a mão até a altura de sua testa, depois subindo até chegar à altura da testa de Havoc - ...baixo (3). Eu prefiro homens mais altos como você. – confessou por fim. Pena que Ed não escutou essa declaração, ou ele teria munição para devolver quando Mustang o chamasse de baixinho.
- Então você não se interessou nem um pouquinho pelo coronel? - insistiu ainda mais um pouco.
- Não, eu deveria? – a moça disse em tom de ultimado lançando um olhar gelado em Jean e de saco cheio da insegurança do namorado que não tinha motivo nenhum pra ficar se comparando com ninguém.
- Não... Eu vamos mudar de assunto. – disse ele, entendendo o recado.
- Melhor assim.
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Mustang realmente tinha algo melhor para fazer... ou pelo menos queria a companhia de uma certa pessoa. Algumas olhadelas depois, ele sentiu falta de uma figura muito importante cuja presença havia sido confirmada pouco depois de ele aceitar comparecer e resolveu investigar o que havia acontecido:
- Maes... Você não disse que a Hawkeye também estaria aqui?
- É. Ela estava ajudando a Gracia a picar as coisas para o molho vinagrete. Vai lá dentro e chama ela... – sugeriu o guardião da churrasqueira, conferindo o estado dos espetos que estavam assando.
- E ela deixou o coldre em casa?
- Acho que sim.
- Então eu vou com prazer – disse com um sorriso maroto e ajeitando a roupa.
Contudo, no caminho até a cozinha uma questão surgiu na mente de Roy e o fez reduzir o tamanho e a convicção de seus passos. A habilidade de Riza com armas de fogo era tão extraordinária quanto assustadora, o que deixada a pergunta: será que ela também era tão perita com facas? Roy engoliu a covardia que estava presa em sua garganta e entrou na cozinha, pensando no jogo de facas que Maes havia comprado recentemente.
A figura loira estava de costas, com os cabelos soltos e usando saia, bem diferente da versão masculina do uniforme com as calças azuis que ela costumava usar no quartel.
- Hawkeye... Estão convocando a sua presença lá fora. – chamou ele.
- Eu já estou acabando... – respondeu ela com a voz abafada e sem se virar, levando as costas da mão até o rosto para limpar os olhos. Ela estava... chorando? Roy sentiu um peso em seu estômago imaginando o que havia feito sua fiel subordinada ficar tão triste e não pôde se conter.
- Riza você... – ele disse colocando uma das mãos sobre o ombro dela, que se virou instintivamente, fazendo com que ele desse de cara com os olhos vermelhos e irritados da mulher... antes de olhar para baixo e perceber, um pouco tarde demais, o motivo das lágrimas - ... quer ajuda com as cebolas? – ele ainda tentou disfarçar mudando o final da frase, mas o tom de preocupação da primeira metade da fala destoava por completo do final, o que foi facilmente percebido por Riza que só fez achar graça da cara que Mustang fez quando percebeu seu erro.
- Não... – disse ela rindo e chorando ao mesmo tempo. Mustang riu junto, porque não havia nada que ele pudesse fazer a respeito e também porque o sorriso da séria tenente tinha algo de contagiante.
- Eu ofereci ajuda. – prosseguiu ele encostado-se à piada com os braços cruzados - Por que você não aceita?
Riza olhou com o canto do olho para Roy, desconfiando da disposição do coronel em ajudar, mas acabou convencida de sua sinceridade:
- Pega! - estendendo a faca para o coronel que deu um salto para trás.
- Wow...
- O que foi, coronel? Assustei você?
- Foi só... reflexo. – pegando a faca e arregaçando as mangas para começar a picar.
- Tente cortar tudo do mesmo tamanho.
- Sim, senhora. - e começou a picar com o rosto virado para tentar evitar terminar a tarefa chorando também – Então... que confusão o Fullmetal e o Hughes armara, não é? – ele introduziu o assunto com cuidado.
- Sim. – ela respondeu secamente, piscando para aliviar a ardência em seus olhos.
- Deve ter sido um bocado constrangedor. Eu sinto muito. – se desculpou.
- Descobriram o mal-entendido bem rápido. Eu nem cheguei a ser fichada.
- Nenhum policial tentou bancar o engraçadinho com você, não é?
- Não, senhor. Eles foram bem educados.
- É? E como eles foram educados? – desconfiando que a cortesia dos policiais tivesse um motivo torpe.
- Só foram educados... – disse com o mesmo ar de descaso – Não me algemaram e pediram desculpas depois que tudo foi esclarecido. O delegado até se ofereceu para me dar uma carona...
- Quanto atrevimento! E você aceitou? – perguntou em um tom nervoso, já evidenciando o ciúme que estava sentindo.
- Não. O Hughes já tinha chegado e ele me levou pra casa.
- Menos mal.
- E o senhor... se divertiu na noite de folga?
- Eu diria que sim, mas quando o Maes está por perto ele fica no meu pé e é difícil... – Roy não diria na frente de Riza que Maes ficava empatando sua vida no quesito "mulheres", então ele teve que completar a frase de uma forma mais branda - ... conhecer pessoas novas.
- Entendo... – ela respondeu franzindo as sobrancelhas, pois sabia exatamente o conteúdo da frase que o coronel tentara amenizar – Já está bom – pegando a tábua de madeira em que eles estavam picando e empurrando as cebolas para junto do tomate e do pimentão e acrescentando os outros temperos (4).
- Precisa de ajuda com mais alguma coisa? – lavando a mão na pia da cozinha com detergente. É claro que isso não funciona para tirar o cheiro, mas é a primeira reação de todo mundo
- Acho que isso é tudo...– piscando mais um pouco e levando as costas da mão até perto do olho.
- Não deu certo - cheirando as mãos e percebendo que o cheiro não havia saído e que ele teria continuar lavando as mãos por algum tempo até se livrar dele.
- Você tem que passar um pouco de suco de limão – explicou Riza.
- É? – testando a dica que lhe havia sido dada pela tenente e comprovando a efetividade do método – Não é que funciona.
- Claro que funciona... Agora trate de lavar bem as mãos pra tirar o suco de limão, porque ele pode queimar sua pele se você ficar no sol.
- Não sabia que você conhecia todos esses truques cozinha, Hawkeye. – ironizou Roy, pois a tenente havia demonstrado ter dotes que a qualificariam para ser uma ótima esposinha para algum sortudo filho da mãe que ele incineraria com as próprias mãos se tivesse a oportunidade.
- Eu sou mulher, lembra? – devolveu Riza.
- Tem razão... – Mustang só pôde rir sem graça, pois ele havia pedido uma resposta daquelas - Encontro você lá fora. Eu tenho que ver por onde anda o fedelho e o que ele está aprontando.
...continua...
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(1) Quem é mais velho sabe do que eu estou falando... Era um trenzinho elétrico da Estrela. Eu tinha um, mas o maior divertimento era tira da caixa , montar e guardar de novo tanto que nem me lembro de brincar efetivamente com a coisa.
(2) Não é em qualquer lugar do mundo que se usa os "dois beijinhos" (admitindo-se a variante de "três beijinhos – para casar"), mas aperto de mão é tão sem graça.
(3) Não que o Roy seja baixinho, mas o Jean é pelo menos uns 10 centímetros mais alto que ele. Na verdade, acho até maldade do Roy implicar com a altura do Ed, já que ele também não é nenhum jogador de vôlei.
(4) Agora podem confessar... Vocês acharam que alguém ia acabar se cortando, não é? Eu também. Cenas em cozinhas costumam se valer desse argumento pra aproximar personagens, mas eu fiquei com dó do Roy quando vi uma desenho dele descascando cenoura com a mão toda machucada.
Como eu disse no meu profile, a fic está entrando em sua fase final (que pode ser bem longa considerando o tamanho dos últimos capítulos), mas eu estou indecisa quanto ao que vai acontecer. Não se se sigo com o que tinha planejado, ou se faço algo diferente... ou ainda se faço os dois (eu amo a idéia de "final alternativo" – a chance é maior de agradar mais gente) então se vcs quiserem opinar... Vão em frente.
