N/A: Oi de novo. Brigada pelo apoio de vcs...n.n...
- Boa leitura -
12 – Em família II
O sentido-paterno de Roy deu sinais de que estava funcionando, pois ele mal acabou a frase e já pôde escutar um choro de criança seguido de outro choro ainda mais forte... o que também foi escutado por Maes e os dois chegaram até o quarto cor de rosa de Elysia quase ao mesmo tempo.
Elysia, a primeira vista, gostou da idéia de dividir seus brinquedos, mas quando viu Andrew agarrar um ursinho marrom com barriga mais clara se lembrou do quanto gostava daquele brinquedo específico que passou a ser instantaneamente seu favorito e isso o tirava do acervo de brinquedos "emprestáveis".
A garotinha começou a pegar pirraça e acabou por tomar o brinquedo de volta quando sua mãe se descuidou um pouco, o que fez com que o menorzinho começasse a chorar. O passo seguinte foi Gracia repreender a filha enquanto tentava consolar Andy com outra coisa, o problema é que Elysia não estava acostumada a ser repreendida e bastou um tom mais firme de sua mãe para que ela também começasse a chorar.
- Que foi filhinha? – perguntou Maes consolando a garotinha.
- Mamãe... bigo comigo – disse interrompida pelos soluços.
- Mas por que ela brigou com você, anjinho?
- Poque... poque eu queria o meu ursinho e a mamãe deu ele pra ele brinca. - e desabou a chorar ainda mais alto já que o pai estava ali e a danadinha sabia usar bem suas armas.
- Você tomou o ursinho do neném e a mamãe já ensinou que não se pode fazer isso. Ele é menorzinho e você fez ele chorar. Agora você vai ter que ficar de castigo três minutos para aprender a não fazer isso de novo – disse Gracia com autoridade de mãe que consegue ser doce ao mesmo tempo em que disciplina. O olhar de comando se dirigiu a Maes que já estava compadecido com as lágrimas da filha e faria qualquer coisa para que ela parasse de chorar, inclusive pular essa parte desagradável de ter que ensinar lições e partir para os mimos. Todavia, era em momentos como este que o tenente coronel se limitava a bater continência e dizer "sim, senhora".
- Mas o ursinho é meu! – choramingou.
- Não fique triste, amorzinho – afagando os cabelos da menina. - Ela precisa mesmo ficar de castigo? – argumentou Maes angustiado por ter que lidar com o sofrimento da filha, usando um meio tom para não desautorizar a esposa. O homem estava prestes a dizer que compraria outros dez ursinhos para que a filha parasse de chorar, entretanto, nesse caso, a garotinha não aprenderia algumas importantes lições, o problema era que ensinar essas lições não eram nada fácil.
A mulher nem respondeu, porque eles já haviam conversado e discutido absolutamente tudo sobre como educar a Elysia e, mesmo relutante, Maes sabia o que tinha que fazer.
- Ta certo... – se conformando com a decisão da esposa e voltando a atenção para a filha – Então o papai vai ficar o castigo aqui com você, está bem? – olhando para o relógio para marcar o tempo.
- Tah bem... – disse esfregando as mãozinhas nos olhos, bem mais calma, mas ainda com algumas lágrimas.
Roy, que já havia pegado Andrew do colo de Gracia desde que chegou ao quarto e terminado de fazer o bebê parar de chorar, ficou olhando embasbacado Maes, o pai mais babão de todos os tempos, corrigir a filha sem acreditar que o amigo tinha tanta fibra moral para resistir à tentação de passar a mão na cabeça da filha e deixar o incidente passar com uma simples advertência de "não faça mais isso". Ele mesmo ficou tentado a ir consolar a garotinha e deixar o que quer que fosse pra lá, mesmo sabendo que não seria o mais indicado a fazer.
Fora do quarto:
- Desculpe o que aconteceu. A Elysia nem sempre é fácil... – disse Gracia chateada por Andy ter chorado quando estava sob seus cuidados.
- Que é isso, Gracia... Não foi nada. E este daqui é um exagerado. – ajeitando o bebê – Chora por qualquer coisa e por coisa nenhuma.
- Se o Maes vai ficar de castigo, melhor eu ir ver como estão os outros convidados.
Gracia foi à frente. Roy encontrou Riza perto da escada e os dois seguiram juntos:
- O que foi que aconteceu? – perguntou ela, pois também havia escutado o choro.
- Nada. Coisa de criança. – generalizou sem explicar nada.
- Quer que eu tome conta dele pra você? – quase tomando a criança de Mustang que foi obrigado a concordar para que o garotinho não fosse feito de cabo de guerra.
- Já que você insiste...
- Ele já comeu? – perguntou, porque já estava um pouco tarde e criançinhas são bastante sensíveis aos seus horários de comer, além de não poderem comer qualquer coisa, diferente dos adultos que podem atrasar refeições ou até mesmo pulá-las sem qualquer prejuízo.
- Sim. Antes de sair de casa. – riu da desconfiança de Riza, o que deixou a mulher um pouco sem graça. Ela ficou com a impressão de que estava sobrando, já que agora o homem não parecia precisar mais de suas instruções para saber como cuidar do bebê.
- Desculpe. Só perguntei para ter certeza.
- E faz muito bem. Você sabe como eu sou desatento. Pra deixar o moleque sem comer, pouco custa.
- Não se menospreze assim, porque não é verdade. Você está cuidado muito bem dele... por mais incrível que pareça. – ela teve que admitir por fim, não deixando de ressalvar sua descrença inicial.
- Bom... eu tive muita ajuda. – concordou com um sorriso - Aliás, ainda tenho.
Riza e Roy se juntaram ao restante do pessoal que estava lá fora e Edward e Alphonse tiveram que voltar até a cozinha para pegar os molhos e a salada de batatas que não haviam sido trazidos para fora.
Não demorou para que Maes voltasse com Elysia, que trazia o objeto de toda contenda nas mãos. A garotinha foi segurança na calça do pai até chegar perto de Andrew, que ainda estava no colo da Primeira Tenente:
- Pode ir lá, benzinho. – encorajou Maes, mas Elysia continuou escondida atrás de suas pernas, então ele tomou a iniciativa pela filha – Ela veio pedir desculpas, tia Riza.
- Verdade? – perguntou Riza, participando da brincadeira.
A garotinha fez que fim com a cabeça e saiu de seu esconderijo para entregar o ursinho de volta para Andy que não perdeu tempo em agarrar o brinquedo e aceitar as desculpas sem a menor restrição.
- Podi ficah com ele. – acrescentou Elysia.
- Obrigada, Elysia. Você é uma menina muito boazinha. – agradeceu a mulher, dando ares de muita importância ao que acabara de acontecer, e a garotinha voltou toda encabulada para o lado do pai.
- Viu só? – confirmando sua fala anterior de que ela não precisava ter medo que ninguém lhe faria nada – Agora vai contar pra mamãe o que você fez que ela vai ficar contente.
- Ta bem, papai. – a garotinha jogou um beijo que foi agarrado no ar pelo homem e guardado em seu coração.
- Peguei! – a garotinha riu e foi correndo para sua mãe. Maes se sentou com um sorriso bobo numa cadeira vazia por ali mesmo.
- Você vai comprar quantos ursinhos pra ela? – perguntou Roy que, por estar sentado ali do lado, acompanhou toda a cena e não pôde evitar imaginar que o comportamento da garotinha era produto de alguma chantagem.
- Nenhum. Ela não precisou de suborno pra fazer isso. Foi idéia dela mesmo. E sozinha! – disse todo orgulhoso.
- Sério? – perguntou incrédulo com a roupagem de maturidade do ato da garotinha.
- Sim. É fantástico, não é? - também estupefato com o comportamento da filha – Pior que eles já nascem assim... – abrindo mão de qualquer crédito pelo comportamento da filha - Na maioria das vezes, já sabem exatamente o que fazer. É só você não estragar tudo.
- Pois eu fiquei bastante impressionado com o que você fez lá encima. Não achei que você pudesse ser duro com a Ely-chan. Ele a colocou de castigo por três minutos. – explicou para Riza, dando uma ênfase especial ao número três, já que é algo extremamente difícil fazer uma criança pequena ficar parada por tanto tempo. Ela também duvidou a princípio, só acreditando mesmo quando o tenente coronel confirmou em seguida.
- É... – disse com tom de lamento - Essa é a pior parte de ser pai. Nem se compara com ter que trocar fralda ou acordar durante a noite.
- Bastante animador... – resmungou Roy entendendo o recado do amigo como um alerta do que o esperava pela frente.
- Eu não estou falando por mal – explicou-se – Corrigir é desagradável, mas é uma parte muito pequena. Mas e vocês, vão comer ou não? – reparando que os dois eram os únicos que ainda não haviam se servido.
- Bom... – começou o Coronel.
- Vai você primeiro enquanto eu fico com ele. Depois a gente troca. – Riza definiu a estratégia de ataque e Roy concordou e levantou para se servir, deixando Maes em uma oportunidade perfeita para continuar suas provocações favoritas. Claro, porque se ele queria que os dois mal-resolvidos se entendessem logo e celebrassem o fato em uma igreja – ou cartório, dependendo das tendências religiosas de cada um – o jeito era insistir com ambos, porque quando um não quer, dois não casam.
Ajeitou os óculos e ficou olhando com uma expressão gozada para Riza que, como esperado, se incomodou com a atenção e acabou perguntando qual era o problema, o que foi logo revelado pelo Tenente Coronel:
- A Elysia perguntou quem era a mãe do Andy, já que o tio Roy mora sozinho. – contou com uma risada.
- E o que isso tem de engraçado? – era esperado que uma criança, curiosa como todas as outras, fizesse esse tipo de pergunta.
- Ela achava que era você e queria saber por que vocês não moravam juntos.
Aquela também era um comportamento típico de crianças... chegar facilmente a conclusões obvias, mas que colocam os adultos em saias justas.
- E o que você respondeu? – perguntou sem graça.
- Ela ainda acredita na Cegonha. Foi fácil inventar alguma coisa, mas se até ela chegou a essa conclusão sozinha...
- Já que você falou na mãe do Andrew, alguma novidade sobre a busca ? – perguntou Riza para mudar de assunto.
- Saiu pela tangente... e ainda me colocou em uma situação difícil. Boa estratégia – riu Maes que percebeu a manobra da Tenente –Eu acabei descobrindo alguma coisa, mas isso pode esperar até segunda.
- Tem certeza de que você vai lembra de voltar ao assunto amanhã? – insistiu Riza.
- Claro. Mas se eu esquecer, é só alguém me lembrar. – coçando a cabeça.
- Posso pegar meu afilhado? – perguntou Armstrong aparecendo do nada na frente dos dois e fazendo Maes recuar de susto ao encarar enorme figura nórdica sem aviso prévio.
- Pelo amor de Deus, major! Não faça isso! – reclamou e piorou muito de humor por causa do atributo de "padrinho" que o alquimista ostentava.
- Acho que não tem problema.
Pouco tempo depois foi a vez dos outros militares que não perderam a chance de mexer com o pequeno mascote que foi passando de pessoa em pessoa até Alphonse pedir pra brincar com ele um pouquinho. Edward também foi chegando perto, meio relutante, até que Andrew, que estava mais alto por ocupar o colo do Elric mais novo, conseguiu alcançar a mexa de cabelo que Ed usa espetada para parecer mais alto e puxou, saindo sorridente com os fios de cabelo na mão.
- AAAHHHH... Que droga! Você não gosta de mim mesmo, não é moleque idiota? – concluiu entre os gritos e resmungos enquanto arrumava o cabelo novamente – Igual ao cretino do Coronel.
- Olha a língua, nii-san! – alertou Al - Ele é só uma criancinha. Não fez pra provocar você.
- Não tire os créditos dele! – reivindicou Roy rindo, orgulhoso do pequeno que também havia encontrado divertimento em perturbar o Alquimista de Aço – Esse é meu garoto.
- Tá vendo? – apontando para Mustang – É claro que ele só quer me provocar.
- Isso é coisa do Coronel. Ele está brincando com você. Não tem como ele combinar com o bebê para fazer algo assim.
- E nem precisa. Sendo filho de quem é, não dava pra esperar outra coisa do pestinha.
- Então isso também vale pra você... ou está esquecendo de quem você é filho?
- Mas nós não somos nem um pouco parecidos. – respondeu Edward que jamais admitiria que era uma cópia mais jovem de seu pai, inclusive com o mesmo jeito para a alquimia. O que o adolescente não queria de jeito nenhum era ter talento para abandonar as pessoas, pois aquilo ele jamais conseguiria perdoar no pai.
- Minha vez. Posso segurar o bebê um pouquinho? – pediu Jane, querendo pegar a criaturinha no colo para lembrar-se dos tempos em que brincava de boneca.
- Claro. – passando o bebê e indo atrás do irmão que saiu mal humorado, dizendo que queria ir embora.
Entretanto, assim que Andrew foi para o colo da moça, abriu o maior berreiro. Ele já estava cansado de passar de colo pra colo durante o dia inteiro e ir para os braços de mais uma desconhecida que iria apertar sua bochecha gordinha foi a gota d' água. A moça ficou sem graça por não ter caído nas graças do bebezinho e ainda tentou insistiu um pouco para ver se conseguia fazê-lo parar de chorar, mas não teve jeito e Andy foi vermelho de tanto espernear para o colo de Roy.
- Calminha, Andy... Shh.. – tentando acalmar o bebê.
- Não sei o que aconteceu... Acho que ele me estranhou – explicou sem esconder sua frustração, já que ela costumava tem mais jeito com bebês.
- Deve ser. Dá licença...
Riza, que estava num lugar mais calmo conversando com Gracia, viu Roy sair apressado com Andy e entrar na casa e seguiu atrás para ver o que havia acontecido e tentar ser útil de alguma forma. A dona da casa quase foi atrás também, mas seu esposo foi mais rápido e a impediu dizendo que "os dois conseguiriam se virar sozinhos".
- Maes Hughes, você não pode manipular as situação desse jeito – repreendeu a mulher, tentando colocar um pouco de juízo na cabeça de seu marido teimoso.
- Não, mas eu posso dar uma forcinha pro acaso sempre que tive a chance. Nem todo mundo tem a sorte de reconhece a sua alma gêmea assim que a vê... – dando um beijo rápido da esposa – Algumas pessoas precisam de uma ajudinha.
- Mamãe, cadê o Ed e o Al? – perguntou Elysia olhando para os lados, mas sem encontrar os irmãos.
- Não sei. Devem estar por ai. Vamos procurá-los. – disse o mulher pegando na mão da menininha e saindo.
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A Primeira Tenente encontrou os dois na sala, o homem caminhando pra frente e pra trás para acalentar o bebê:
- Coronel?
- Está tudo bem, Riza. Pode voltar lá fora para ficar com os outros.
- Ele deve estar cansado de ficar trocando de colos. – ignorando completamente a última parte da fala do seu superior.
- Pode ser, mas ele está mesmo é com sono. – disse Roy – Já passou da hora do cochilo da tarde dele.
- Você vai fazer ele dormir agora?
- Que jeito? – limpando a garganta – Quer fazer um dueto?
- Perdão?
- Cantar é o único jeito que eu conheço pra fazer criança dormirem e já que você não quis ir lá pra fora... Então, qual música vai ser?
- Não conheço nenhuma canção de ninar que seja um dueto. – respondeu séria, não achando muita graça da idéia de cantar.
- Eu estava brincando. Você não tem que cantar... e nem eu. Tem um jeito melhor de fazer isso... – ele mexeu nos discos de Maes até que escolhe um e o colocou na vitrola (1).
- Você vai fazer o Andy dormir com Frank Sinatra (2)? – sentando no sofá com uma expressão desaprovação.
- É. A gente desistiu das canções de ninar, não é guri? – pedindo a confirmação do bebê, depois que observou com atenção as letras das canções de ninar e viu que elas não eram tão infantis assim – Você não gosta?
- Gosto... mas isso não é música de criança.
- Pelo menos não fala de monstros que vêm matar as criancinhas se elas não dormires logo – sentando no sofá também.
Riza sorriu. Não era uma idéia tão ruim assim fazer a criança dormir com uma música não fizesse os pais dormirem antes e também estava evidente a mudança de comportamento em Mustang que agora se referia a criança com carinho e não ficava repetindo que não era o pai. Pensando nisso suas preocupações migraram para o outro extremo já que o Coronel havia se apegado bastante ao garotinho. O problema não era mais como Roy conseguiria se virar com o bebê, mas o que aconteceria se não mais pudesse ficar com ele.
A mulher ficou meditando até que Roy interrompeu para quebrar o silêncio. Não que o ambiente estivesse realmente silencioso, já que havia uma musica de fundo, mas isso não impedia que certo embaraço surgisse da falta de diálogo:
- Então, Hawkeye... Você gosta de crianças, não é?
- Gosto. Claro.
- Então você planeja ter filhos algum dia? – perguntou só por perguntar, já esperando um respeitoso "não é da sua conta, senhor" como resposta, razão pela qual ficou tão surpreso quando a mulher respondeu afirmativamente sem qualquer hesitação.
- Claro que sim.
- É mesmo? – franziu a sobrancelha e depois continuou, feliz pela Primeira Tenente não ter matado o assunto logo de cara – Quantos?
Ela mostrou os dedos da mão, com exceção do polegar e do indicador que ficaram encolhidos:
- Um menino e duas meninas. – completou.
- Já escolheu até o sexo?! Um planejamento sério. Presumo que também já tenha pensado nos nomes... – continuou só para verificar se Riza realmente estava falando sério e já havia pensando em tudo aquilo ou só estava inventando tudo na hora por chacota.
- Presumiu certo. – continuou com o mesmo tom sério - Os nomes já estão escolhidos: Lewis, Amy e Katherine.
- E seu marido não vai ter nem o direito de opinar? – apertando as sobrancelhas.
- Se ele dividir os nove meses de gestação comigo...
- Ah... – protestou, defendendo o direito do marido potencial de Riza – Dê pelo menos uma chance para o coitado. Ele vai ter que suportar seus desejos de grávida por nove meses e ainda vai ter que dividir as noites não dormidas com você.
- Eu posso até deixá-lo opinar... mas não vou mudar de idéia. – continuou ela, sem arredar o pé.
- Certo... Eu não me importo com essa questão de nomes, mas não gosto da idéia de ser pai de meninas. Se eu me casasse e minha esposa insistisse nessa idéia, seria um problema.
- Por quê? – foi a vez de Hawkeye ficar curiosa quanto às preferências e planos familiares de Mustang.
- Porque sim. – respondeu genericamente por achar muito óbvio o motivo pelo qual ele, mulherengo assumido, não queria ter uma filha para servir de vítima potencial para outros tipinhos como ele - Eu teria muito ciúme. Não a deixaria namorar até completar... Pensando bem, nunca a deixaria namorar. E ai do garoto que tentasse se aproximar!
- Então é melhor nós nunca nos casarmos. – concluiu ela com pragmatismo.
- Você não está falando sério... Você deixaria de casar com o amor da sua vida só por causa de um detalhe tão pequeno?
- Com o amor da minha vida, não. Com o senhor, é bem provável que sim.
- Ai! Essa doeu. Pode usar sua arma da próxima vez, Tenente.
- É claro que eu não estou falando sério, Coronel. Esse é o tipo de coisa que não se pode planejar com certeza. – olhando diretamente para Andy que já estava terminando de dormir.
- Acredito que não.
- E o senhor... Já sabe o que vai fazer com o bebê?
- Pensei e colocar ele no berço da Elysia. Ele ainda está no quarto dela perto da cama.
- O que você vai fazer quando a mãe dele aparecer.
- Se ela aparecer... Nós vamos ter que conversar e esclarecer as coisas. Pra ser sincero eu não tenho a menor idéia do que ela pode querer.
- Um pai para o filho dela? – sugeriu Riza.
- Se ela fosse exigir que eu registrasse a criança, teria me procurando antes dele nascer. Não teria abandonado o coitadinho na porta da minha casa.
- Não estou falando de registrar a criança. – brava com a falta de objetividade de Mustang não enxergou logo a hipótese mais obvia - Estou falando de casamento. Ela pode querer que você se case com ela.
- Isso? – tocando o ponto nefrálgico do assunto - Se fosse algo assim, ela também teria me procurando enquanto ainda esta grávida, porque seria uma moeda de chantagem mais forte. Também não acho que seja por dinheiro. Já tem algum tempo que eu conheci a Diana, mas ela não parecia ser esse tipo de pessoa.
- Ela também não devia parecer com o tipo de pessoa que abandona criancinhas.
- Você tem razão. Eu não sei o que esperar. Mas eu... gostaria de ficar com ele.
- Você acabou se apegando bastante a ele, não é Coronel?
- É... – confirmou com ar contemplativo enquanto mirava o bebê em seu colo, depois resolveu restringir a amplitude da resposta para não parecer sentimental demais – Um pouco.
- E você tem certeza mesmo de que ele é seu? Porque se eu bem me lembro, antes o senhor tinha certeza que ele não era seu.
- Para falar a verdade, eu não sei dizer.
- E eu nem quero explicações detalhadas.
- Ótimo, porque eu não lembro de coisa alguma.
- Você tem que parar de beber tanto.
- Eu posso até pensar nisso daqui pra frente, mas não vai me ajudar em nada com o que já aconteceu.
- Aqui estão vocês. – disse Maes, interrompendo depois de dar um tempo para o casal ficar sozinho.
- Fala baixo que ele está dormindo. – avisou Roy com uma carranca, pois o amigo não tinha que ter aparecido naquela hora coisa nenhuma.
- Que pena... – resmungou o homem de óculos – Eu queria tirar uma foto – mostrando a máquina fotográfica.
- Pode tirar. – disse Riza, se arrastando para mais perto e encostando-se ao braço de Roy que parou com a boca aberta antes de começar a reclamar que não queria tirar foto nenhuma – Espera um pouco... – ela passou arrumou os cabelos atrás das orelhas e depois acertou/ desarrumou a franja de Roy - ... pronto.
- Xisss! – só faltou Maes pedir o sorriso antes que o feixe de luz sobre o filme fotossensível capturasse o momento.
Depois disso Riza se levantou e saiu, deixando Roy sem entender direito de onde aquilo havia saído. De qualquer forma, ele pediu logo uma cópia da foto para guardar.
... continua...
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(1) Por que uma vitrola neste capítulo se eu coloquei uma churrasqueira elétrica no outro? Isso se chama incoerência e acontece sempre que a pessoa é descuidada na hora de escrever e não pesquisa direitinho nas fontes adequadas.
(2) Fantasia da escritora. Eu sempre quis uma cena Royia com trilha sonora do Frank. Tá certo que era pra ser num ambiente mais romântico ...T.T... e sem criança por perto.
