N/A: Gostaram do momento em que o capítulo 14 foi interrompido? Por mais que pareça, eu não queria matar ninguém do coração. Era só pra fazer crescer a expectativa mesmo...

Tentei fazer a continuação o mais rápido possível. Acho que não foi rápido o bastante, mas está dentro do tolerável, né?

Boa leitura...n.n..

15 – Ex adverso

- Não. – respondeu, desviando o olhar. A voz saiu decidida, mas alguma coisa ficou presa na garganta da tenente,

- Não? – ele se assustou com a falta de cerimônia com que o pedido foi recusado. Nem um momento de reflexão... Nem a escolha de um conjunto de palavras mais delicadas. Nada. Não era novidade que Riza costumava ser bem direta em suas respostas, mas tinha que haver algo escondido por trás daquele simples "não."

- Não. – ela repetiu. Apesar de demonstrar certa agitação que poderia ser tomada como insegurança, o coronel não parecia estar esperando a negativa, então Riza tratou de explicar para que o superior entendesse e também porque queria desentalar o que estava preso em sua garganta - Você só quer se casar porque isso facilitaria as coisas para você ganhar a guarda do bebê e, por mais que eu queria ajudar o senhor, não posso fazer isso. Melhor escolha outra pessoa. – acrescentou, por fim, com uma dose extra de acidez.

- E eu nunca pediria se esse fosse o motivo! – ele replicou imediatamente, imaginando de onde Riza havia tirado uma idéia tão absurda - Eu sei que eu estar casado ajudaria, mas eu não faria isso com você pra enganar um tribunal. Estou pedindo você em casamento porque... eu amo você e não por qualquer outro motivo estúpido que você possa estar imaginando. – depois de confessar seus sentimentos, não havia muito mais que poderia dizer, mas ele continuou mesmo assim para completar toda a verdade – Eu... esperei até agora por motivos estúpidos...

O motivo estúpido que os separava era o plano romântico e idealista de Roy se tornar Führer e, alcançando tal posto, mudar o governo do país e parar com o militarismo. Entretanto, esse mesmo motivo que impedia qualquer manifestação sentimento além dos rígidos limites do permitido entre colegas oficiais no exército, foi o que os uniu desde o princípio, já que o vínculo de cumplicidade entre eles só se formou quando Riza aceitou a tarefa de trabalhar nos bastidores, tal como Hughes e também os outros.

Entretanto, o rumo que o caso da criança tomou funcionou como ultimato para Roy, pois, mesmo que ele já tivesse reconhecido os sentimentos que tinha por Riza, contentava-se em continuar esperando, porque havia esse pacto silencioso entre eles envolvendo o plano de alcançar o topo do governo.

Mustang tinha consciência de seus sentimentos e queria Riza como sua esposa, o que casava perfeitamente com as conveniências, já que o casamento funcionava como promessa de caminho mais fácil para a guarda de Andy. Ou pelo menos essa era a esperança em que Roy se agarrava depois da conversa nem um pouco animadora com a advogada recomendada por Hughes. Se era assim, o Coronel se perguntou por que esperar e, não pensando em resposta convincente, seguiu em frente com a idéia, sem saber que trombaria de frente com alguém que estava disposto a encontrar tais respostas.

Era bastante óbvio que, depois de todos os últimos acontecimentos, Mustang não estava mais pensando nas conseqüências de seus atos e isso Hawkeye conseguia ver com muita clareza na declaração apressada que acabara de escutar. Roy estava completamente atabalhoado, mas isso não tirava a sinceridade de suas palavras. Riza ficou feliz com a declaração, entretanto não estava tão contaminada pela situação a ponto de silenciar as palavras que seu lado racional lhe dizia.

- Coronel, eu... – Riza começou a falar e depois parou, pois também não sabia como continuar. Agora todas as cartas estavam na mesa. Sem tangentes... Sem olhares de soslaio nem indiretas – Eu sei que você está abalado com o que está acontecendo, mas não eram motivos estúpidos, Roy. É um sonho que você dividiu com todos nós. – fez uma pequena pausa antes de continuar com um tom mais firme – Típico de alquimistas pensar que tudo é uma "troca equivalente", mas não estamos no terrenos das leis da conservação aqui, pois não há certezas. O sacrifício de uma idéia não resulta na satisfação de outra. Você pode conseguir o que quer, ou pode sair com as mãos abanando. Quero dizer, isso só mostra o que você estaria disposto a fazer para ficar com o Andrew e não que você vai poder ficar com ele por fazer isso.

O homem não se manifestou. Só ficou quieto escutando. Era mais fácil pensar que tudo não passava de uma simples troca.

- Além do que, – continuou Riza - Se nós nos casássemos, eu não poderia mais ser sua subordinada direta e não poderia continuar a proteger você – e essa missão ela não entregaria essa tarefa a mais ninguém (1). Pensando friamente, o casamento, apesar de aproximá-los de certa forma, acabaria por afastá-los, pois Riza seria carta fora do baralho e não mais poderia participar da caminhada até o topo do governo. Ela seria a "esposa" e não o "braço-direito" e teria que deixar seu papel ao lado do coronel na fronte de batalha.

- Então a resposta ainda é não? – perguntou Mustang.

- É a única resposta que eu posso dar por enquanto... – respondeu Riza.

- Acho que era a única resposta que eu merecia depois de fazer o pedido sem nem trazer um anel. – disse tentando usar um tom conformado. Não tinha mais nada para dizer nem motivo para ficar ali parado, os dois em silêncio, então abriu a porta do carro para buscar a criança.

- Coronel... – chamou Riza novamente.

- Que foi, tenente? – respondeu, parado à porta do carro.

- Essa... Não era a resposta que eu queria dar.

- Também não era a resposta que eu queria escutar, mas, como sempre, você tem razão. Não há nada que nós possamos fazer a respeito.

- ... – Riza deu um sorriso sem graça, confirmando a sentença.

Ele saiu do carro, fechou a porta e chegou a dar alguns passos, antes de voltar e colocar a cabeça para dentro da janela:

- Quando eu for Führer, você casa comigo?

- Você... – Riza pretendia mesmo desviar o assunto, dizendo para ele parar de brincadeira, mas Roy insistiu.

- É uma pergunta simples de sim ou não. Só responde.

- Então... "sim".

- Sim?

Ela confirmou mexendo a cabeça pra cima e pra baixo. Era uma promessa distante, mas serviu para dar uma nova cor para a noite.

Só depois disso o coronel foi, finalmente, buscar a criança.

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A audiência preliminar foi requerida com pedido de urgência e, depois de mexidos alguns pauzinhos, marcada para a semana seguinte. Tirando a tensão de ter sua vida colocada nas mãos de um juiz, tudo estava correndo dentro dos conformes até uma tarde a sala de Roy foi visitada por um homem de cabelo preto e sobrancelhas enormes. Era o Sr. Cohen (2),figura benemérita que, comovido com as lágrimas de arrependimento da mãe, aceitou o caso de Diana e passou a orientá-la.

O experiente advogado manifestou interesse em agendar uma reunião entre as partes, antes da audiência, para que eles estudassem a possibilidade de um acordo, todavia não havia acordo a ser feito. Mesmo assim, ele foi recebido e todos os outros oficiais saíram da sala e, graças a Riza, não ficaram encostados na porta escutando o que se passava lá dentro.

- Eu não tenho certeza se minha advogada aprovaria essa conversa...

- Eu não estou aqui para fazer nada demais. Só uma conversa entre cavalheiros. Eu ainda não sei que postura assumir no caso e gostaria de saber qual a sua posição. Talvez exista um ponto de denominador comum.

- Tudo bem, senhor Cohen. Pode falar.

- Primeiramente, eu acho que não há motivo para agressões gratuitas. Vocês dois se importam com a criança e, a priori, eu não vejo motivo para que ela não possa desfrutar da companhia dos dois. o ideal pra ela é ter os dois. Entretanto, dependendo do rumo que o julgamento tomar, existe uma grande chance de um não querer mais olhar para a cara do outro, se é que você me entende. Eu não vejo motivo para chegar a tanto... Alem do que, o senhor também é uma figura pública e não acho certo fazer alarde.

- Eu não sei se entendi direito o que você acabou de dizer... – revelou Roy, pois acreditava que uma exposição pública era a melhor arma de pressão de que Diana dispunha, ou pelo menos a que causaria maior estrago.

- Eu sei que minha classe não tem a melhor fama, mas eu sou advogado e não um palhaço de circo.

- Então o senhor me desculpe, porque eu realmente estava esperando algo bem diferente.

- Tudo bem. Isso é perfeitamente compreensível. Outra coisa... Minha cliente gostaria de ver o filho. Não acredito que o senhor vá se opor a isso...

- De maneira alguma, mas isso vai ter que acontecer sob alguma vigilância. Baseado no último encontro que tive com a Diana, não sei o que ela faria com o bebê.

- Isso é um exagero. Você acha que a mãe vai seqüestrar ou fazer algum mal ao próprio filho?

- Ela já o abandonou, não é verdade? – devolvendo a pedrada.

- Em um contexto completamente diferente. – emendou em seguida do advogado, cumprindo seu papel de defesa.

- Isso foi há um mês atrás. Não há como o contexto ter mudado tanto assim, se é que existe um contexto que justifique o que ela fez.

- Vamos ser sinceros... O senhor sabe muito bem que a vida não é em preto e branco e que, em momentos de fraqueza, pessoas fazem escolhas estúpidas e depois se arrependem. Eu acho razoável dar uma segunda chance para essas pessoas.

Era um argumento forte, mas nada que Maes já não houvesse ponderado e que Roy não tivesse remoído.

- Ela abandonou o bebê na minha porta e me fez pensar que eu era o pai...

- Mas o senhor não é o pai. – continuou a argumentar – Ela me contou do encontro que vocês tiveram meses atrás, mas ela já estava grávida na época. Se você pegar a data de nascimento dele, vai poder ver isso. – percebendo que havia uma brecha, o advogado perseguiu - A senhora Diana só deixou a criança porque ficou arrasada com a morte do marido e teve o estado agravado com a depressão pós-parto. Ela só abandonou o filho porque estava pensando em se matar e ela até tento suicídio e ficou internada durante quase um mês. Durante esse tempo ela se arrependeu do que fez e assim que teve alta, ela foi buscar o bebê.

- Só que ela não deu nem sinal de vida durante todo esse tempo. E saiba o senhor que eu me esforcei bastante em localizá-la.

- Eu imagino que sim, entretanto foi um momento difícil, senhor Mustang. Ela estava realmente fragilizada pelo que fez e ainda o está. Não pense que é fácil pra uma mãe abandonar o filho.

- Não, não é.

- E você vai insistir em querer tirar o bebê da mãe mesmo assim?

- Mas é exatamente por isso que eu não posse entregar o bebê. Porque não é nada fácil abandonar um filho e é assim que eu me sinto com relação ao... Paul. – teve que pensar para usar o nome certo da criança.

- Se é assim, eu acho que não tenho alternativa. O senhor não se importe, mas vou ter que tomar minhas providências. Foi um prazer de qualquer maneira. – se levantando e estendendo o braço para um aperto de mão.

- Eu digo o mesmo.

Depois que o homem saiu, Riza entrou perguntando se eles já podiam voltar para seu lugar, no que Mustang respondeu que sim, mas saiu para dar uma volta.

A conversa foi tão civilizada que Roy acabou desconfiando da boa-fé do advogado e foi tirar a prova com Hughes. Só que como não queria usar o telefone do quartel, acabou aproveitando para esticar as pernas e foi até o escritório do amigo.

- Maes... O que você me dizer do tal de Sandy Cohen?

- Ele trabalhou na defensoria pública por um tempo e agora voltou a advogar. Por que você está perguntando?

- Porque ele me procurou hoje. Ele é o advogado da Diana.

- Eu imaginei. O sujeito adora uma obra social e está sempre aceitando causas pro bono.

- Então ele não vai tentar nenhum golpe baixo?

- Eu não disse isso. Não existe isso de "golpe baixo" para advogados. Eles jogam com as armas que têm, mas você pode esperar um jogo limpo. Ele não gosta de escândalos.

- Foi o que ele me disse.

- Então parece que sua carreira não vai ser prejudicada, afinal de contas.

- É... Mas você sabe que eu não estava pensando nisso.

- Sei sim, mas já que veio na sua mão, não precisa reclamar. Só não se engane com o jeito de bom moço do Cohen. Quando você for prestar seu depoimento, ele vai fazer você querer chorar por estar tirando a criança dos braços da mãe.

- Eu não tirei criança do colo de mãe nenhuma!

- Eu sei, só que ele vai fazer você sentir como se tivesse tirado. Mas tudo bem, porque a Rita com certeza vai fazer a mãe do Andrew querer de jogar de uma ponte por ter abandonado o filhinho indefeso... – deixando em aberto o dramalhão que se seguiria.

- Você não está tentando me animar, não é?

- Só estou preparando seu espírito... E por falar nisso... – ninguém havia falado em absolutamente nada, mas Maes tinha mesmo esse talento nato para inventar ganchos e introduzir novos assuntos – Olha que linda a foto a Elysia no churrasco de domingo!

- Ninguém estava falando de fotos a Ely-chan... – resmungou Roy.

- Eu tenho outra foto aqui que você vai querer ver... – balançando uma outra foto com o verso virado para o Coronel para manter o suspense.

- Bom... – começou Roy, já mudando de idéia – Mas falando mesmo em fotos...

- Ta aqui sua cópia... – e entregou a foto e mais um envelope branco – E a cópia da Hawkeye. É mais fácil pra você entregar.

- Tem certeza que ela pediu uma cópia?

- Não, mas achei que ela também gostaria de uma.

- Eu entrego. – pegando o envelope. Na hora, Roy se lembrou da outra noite e teve que rir, pensando em qual seria a reação de Maes se este soubesse o que aconteceu.

- Do que você está rindo? – perguntou o outro, com cara de quem tinha sido excluído da piada.

- De uma coisa que eu fiz... – mas ao invés de ficar só imaginando, resolveu ver mesmo qual seria a reação do amigo - Mas me diz uma coisa, você quer ser meu padrinho de casamento?

... continua...

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(1) SPOILER CH.52/ MANGA: Não voluntariamente, o que não impede Homúnculos malvados que dominam as redes de poder por detrás do país de fazê-lo. Mas foram tantos momentos royias fofinhos depois disso que eu quase acho que tenho que agradecer ao King Bradley por isso. Quase pq eu ainda tenho esse sentimento estranho que algo ruim vai acontecer com a Riza.

(2) Mais um convidado especial, agora o Sandy Cohen do seriado The O.C. Mais um pouco e vou ter que deslocar a fic da seção de FMA colocar a fic seção dos Crossovers.