N/A: Não sei porque vocês reclamaram tanto da demora. A fic acabou no cap passado. Isso aqui é só fanservice-qualificado, pq está dentro de uma fanfic, que já é coisa de fã por excelência, e ainda só vai trazer elementos supérfluos à história principal. Mas de qualquer modo, lá vai a Família Mustang.
Epílogo
Fidelidade.
Roy acreditou ter jogado uma pá de cal na questão quando, depois de muitas andanças, finalmente encontrou a mulher de sua vida. E se casou com ela. O que ele não sabia era que apareceriam outras mulheres a quem ele amaria tanto quanto Riza e de quem esta não teria o menor ciúme: suas filhas.
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Parecia que uma manada de animais selvagens estava passando por ali, mas ao invés de um bando de mamutes, foi uma garotinha loira que cruzou a porta a toda velocidade e caiu sentada na cadeira de costume bem ao lado da irmã um pouco mais velha que continuou impassível tomando seu chá com o dedo mindinho levantando enquanto segurava a xícara.
- Bom dia! – disse a garotinha cheia de entusiasmo em seus olhos claros de criança que tem todo o fim de semana pela frente. Ela não tinha mais de oito anos e estava terminando de prender o cabelo loiro-claro em suas trancinhas curtas completamente tortas do lado da cabeça.
- Bom dia, Lílian. – respondeu a outra garota, esta de cabelo escuro e olhos dum verde folha-seca que lembravam muito os de sua mãe, não fosse a cor.
- Me passa o mel...? – perguntou a mais nova, já se inclinando por cima da mesa para o pote, mas a outra foi mais rápida e agarrou o pote de vidro e o afastou ainda mais com a mão para forçar Lílian a se sentar direito e esperar.
- Aqui. – entregou Katherine. Lílian suspirou para diminuir o ritmo e depois agradeceu.
Riza parou atrás da filha caçula, que lambrecava a fatia de pão com mel e lambia as bordas, cantarolando, e soltou as tranças da menina para arrumá-las do jeito certo.
Pouco depois, Roy também apareceu se arrastando na cozinha. Não dava pra continuar dormindo depois da barulheira enorme que Lílian havia arrumado, mas era cedo demais para acordar em um sábado de manhã. Ele resmungou uma saudação e foi direto para o bule de café terminar de acordar.
A última a se juntar à mesa foi Amy, a filha mais velha e a única razão de todos os tormentos de Roy desde que seu bebê acordou um dia sem as marias-chiquinhas de criança e vestidos cheios de laços e fitas. Ela já havia feito dezesseis anos, mas para o pai ainda era uma criança que, sem sombra de dúvidas, deveria estar brincando de bonecas, mas a verdade é que a adolescente chamava sua parcela de atenção do público masculino e se destacava entre as colegas da mesma idade.
A garota, ciente de seus encantos, adorava receber atenção e seu pai odiava o fato de ela ter herdado esse magnetismo inato que não fica nada bem em mocinhas de família.
- Bom dia família! – veio cantarolando a primogênita e espalhando sorrisos e flores para todos os lados.
As meninas terminaram de tomar café e foram cada uma para seu canto.
- Você reparou na Amy? – soltou Roy, enquanto ajudava com a louça (1), desconfiando do bom-humor da filha nos últimos tempos.
- Não. No que eu deveria reparar?
- Ela está contende demais.
- E desde quando isso é um problema?
- Que eu acho que essa felicidade toda tem um motivo e que eu vou descobrir o que é.
- Roy, você é muito ciumento. A Amy já é uma mocinha. Ela já tem idade para...
- Nem diga essa palavra, Riza. – interrompeu com calafrios - Lembra anos atrás quando você disse que fazia questão de ter uma menininha? Você não estava brincando sobre escolher os nomes e eu não estava brincando quanto ao assunto n-a-m-o-r-a-d-o. – soletrou a última palavra.
- Você é impossível, sabia?
- É. Você sempre me lembra uma ou duas vezes por semana. Você não vai me contar nada, não é?
- Não tenho nada pra contar. – sacudiu os ombros.
- Não acredito, mas também não tem problema. Eu tenho meus métodos para descobrir...
Riza olhou com o canto do olho para o marido e depois foi tira a história a limpo com a filha. Se havia algo para saber, ela tinha que saber primeiro para pode ajudar a conter os danos mais tarde.
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- Papai vai esganar você quando descobrir, Kate! – alertou a garota loira torcendo o nariz em reprovação e olhando pelo reflexo do espelho a outra garota um pouco mais nova que estava sentada na cama.
- Não se ele estiver ocupado esganando você... – retrucou a morena sem alterar o tom de voz e nem desviar a atenção do livro de alquimia que foi recortado e colado dentro da capa de um romance qualquer.
- Eu nem queria contar nada...
- Eu sei que não, mas seu boyfriend tinha que ser uma droga de escoteiro.
- Você acha que papai vai ficar muito bravo? – perguntou a mais velha se virando no banco da penteadeira para olhar na direção da irmã que, com certeza, lhe daria uma resposta reconfortante. Ou pelo menos era isso que ela queria escutar quando fez a pergunta, mas sabia muito bem que não conseguiria nada menos que a verdade, crua e sem enfeites da irmã que estava se divertindo muito em torturá-la desde que lhe foi confidenciado o grande segredo.
- A água é molhada? – soltou uma risadinha sarcástica que deixou a outra apreensiva quanto ao que aconteceria.
O silêncio pensativo da outra respondeu tudo, mas ela sacudiu a cabeça para encontrar outra resposta.
- Sem chance. Papai adora ele.
- É... E Júlio César também adorava o Brutus. Até ser apunhalado covardemente pelas costas. – e abaixou o livro - Tadinho do papai... quer dizer, do César. Eu posso até ver a cena: Et tu, Brute (2)! – finalizou cheia de drama e voltou para o próximo parágrafo.
- Muito engraçado... – resmungou a outra com ironia.
- Eu pelo menos vou rir à beça.
A garota lançou um olhar assassino para o sarcasmo da irmã egoísta que não era nada solidária e nem estava minimamente preocupada com sua angustia, pensando em como seria mais divertido dividir o quarto com uma pessoa menos aborrecida. A outra, por sua vez, achava muita graça, mas sem poder rir, da reação exagerada da irmã que sempre conseguia fazer tempestade em copo d' água.
No fim, tudo se resolveria... De um jeito ou de outro.
Foi quando escutaram o barulho da campainha.
- Ele chegou! - disse Amy apreensiva, olhando para a irmã.
- É isso ai. – disse a outra fechando o livro – A sorte está lançada (3)!
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Parou enfrente à porta e respirou fundo. Nunca achou de poderia se sentir tão desconfortável em um lugar tão familiar, mas também nunca havia imaginado outros sentimentos que agora tampouco poderia negar. Limpou as mãos suadas na roupa. Qualquer um poderia ler a palavra "culpado" carimbada em sua testa. Contorceu o rosto em algumas caretas para encontrar uma expressão que se passasse por inocente antes de tocar a campainha.
Ding-dong
- Deixa comigo! – a voz estridente e aguda de Lílian ecoou pela casa inteira enquanto a garotinha de tranças passava por cima de tudo que estava a sua frente para chegar até a porta antes de qualquer um.
- Nii-san! – vibrou a loirinha e o nervosismo do outro se dissolveu no sorriso infantil dela.
- Vem cá, bonequinha! – levantou-a no ar para dar-lhe um beijo na bochecha. Os anos passaram e agora o bebezinho fofo tinha crescido e estava estudando engenharia civil na Universidade Central e morando em uma república perto do campus e vinha visitar a família-emprestada sempre que tinha tempo entre uma monitoria e outra. Ele continuou morando com os avós no interior depois que a mãe se matou (4) quando ele tinha pouco mais de treze anos, mas acabou mudando-se alguns anos depois para continuar os estudos em um colégio melhor.
- Me solta, seu bobo. – resmungou, limpando o rosto - Por que você tocou a campainha?
- Eu... Esqueci minha chave. – as chaves estavam no bolso, mas ele realmente havia esquecido delas.
- É você, Paul? – estranhou Roy, chegando até a sala - Achei que fosse outra pessoa. Por que você tocou a campainha?
Pronto! O rapaz engoliu seco, certo de que já havia sido descoberto e que seria enxotado a qualquer momento.
- Ele esqueceu as chaves! – por sorte Lílian se adiantou em repetir a explicação.
- Eh... – confirmou meio sem graça.
- Esqueceu? – achando estranho, mas não relevante o suficiente para merecer maior atenção - Não tem problema... Lily, por que você não vai chamar as suas irmãs?
A garotinha tomou fôlego para dar um grito que chegasse até os quartos sem que ela precisasse sair do lugar, já que era o jeito mais rápido e fácil de cumprir a tarefa.
- Mas sem deixar a gente surdo. – completou depois.
- Está bem, papai.
Mas antes que Lílian saísse, Amy apareceu na escada, seguida por Katherine.
- Bom tarde, meninas.
- Bom tarde – disse a menina com a voz cheia de mel.
- Oi Paulus. – respondeu Kate, errando o nome de propósito e com um sorrisinho malvado no canto da boca que dizia 'eu sei de tudo'.
- Oi, querido – disse Riza, chegando também na sala com ar de cúmplice - Você já comeu? Quer que eu prepare alguma coisa?
- Não, tia... pode deixar.
- Mas então... - Roy olhou para os lados: estavam cercados – Vamos conversar na biblioteca?
- Er... Claro.
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Sabendo que estavam em franca desvantagem, os dois se refugiaram num lugar seguro e fecharam a porta para evitarem ataques surpresas da ala feminina da família.
- E então, quem é o patifezinho? – perguntou sem mais delongas, cobrando os resultados da missão de espionagem que havia dado ao rapaz para garantir que nenhum garoto mal intencionado se aproximasse de sua princesinha espevitada.
As idéias de mandar a menina para um convento ou de trancá-la no quarto até completar trinta anos, apesar de hediondas e medievais, pareciam bastante sedutoras para o pai ciumento que, entretanto, depois de muitas discussões, acabou encontrando outro método de manter guarda constante sobre a filha e dar um tiquinho de liberdade para ela: condicionou a permissão para sair da menina à companhia de um responsável e conferiu tal incumbência a Paul, o único a quem poderia confiar a tarefa. Era o plano perfeito, pois assim nenhum garoto se aproximaria de Amy por ela estar sempre acompanhada e se algum deles ainda assim tentasse, bom... azar do infeliz. Assim, todos ficavam pelo menos parcialmente satisfeitos, já que Roy ainda preferia trancar a filha em casa e Amy queria sair sozinha.
- "Patifezinho"? – repetiu o rapaz tentando disfarçar o nervosismo e fingindo não entender a pergunta que lhe fora feita.
- É. Você sabe. A Amy está com aquela feliz cara de menina-boba-preste-a-ser-enganada-por-algum-crápula. Eu vou ter que matar o infeliz e sumir com o corpo.
- Bom, sobre isso...
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- Meninas, não façam isso. – repreendeu Riza, pois as duas filhas mais velhas estavam com o ouvido escorado na porta para escutar a conversa.
- Não adianta mesmo. Não dá pra escutar nada. – desistiu Kate, se endireitando, quando todas as três puderam escutar o berro que Roy deu de dentro da biblioteca e, em dois tempos, já estavam lá dentro também:
- Como é que você pôde fazer uma coisa dessas? – segurando o rapaz pelo colarinho - Justo você?
- Pare com isso, Roy! – mandou Riza, fazendo o marido soltar o garoto que saiu de marcha-ré, esbarrando em tudo até chegar na estante que estava atrás de si.
- Eu tinha que ter percebido quando ela parou de reclamar que você a acompanhasse. Como eu fui cego!
Paul estava encurralado no canto com os olhos esbugalhados e Amy havia se jogado na frente dele, perguntando se estava tudo bem ao mesmo tempo em que gritava que seu pai era um bruto irracional que não sabe conversar e parte logo pra violência.
- Mas tio, eu não fiz nada. Primeiro eu vim conversar com o senhor. – tentou explicar.
- Não quero saber. Eu falei pra você proteger a minha filha, não se aproveitar dela.
- Ele não fez nada, pai. Fui eu que...
- Eu não tenho que escutar isso. Pro seu quarto Amy Mustang. – ordenou Roy – E amanhã a gente conversa sobre o internato. E você, rua. – apontando para a direção da porta.
Kate estava parada na porta, querendo um saquinho de pipocas para acompanhar a cena. Foi ela quem segurou Lílian que, atraída pelos gritos, não custou a também aparecer por ali sem saber pra onde olhar no meio da confusão.
- Mamãe! – suplicou Amy.
Foi a vez de Riza colocar ordem na casa usando sua voz de comando:
- Paul, Amy, Katherine e Lílian, os quatro pra sala. E nada de ficar escutando. E você, quieto ai que nós vamos conversar.
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- Eu bem que avisei que essa sua idéia de contar tudo não era a melhor alternativa, gênio. – implicou Kate que foi a primeira a saber de tudo e dar opinião também, já que tinha a prerrogativa-da-irmã-que-divide-o-quarto. Ela havia arquitetado um plano simples: antes de contar a verdade, era só inventar uma mentira muito pior que fizesse a verdade parecer uma coisa muito boa. Afinal de contas, tudo é uma questão de perspectiva.
- Eu não ia falar mentira.
- E quem foi que falou em mentira, rapaz-politicamente-correto? Eu só queria afofar o terreno pra verdade não cair tão seca.
- Em outras palavras: contar uma mentira.
- Você é muito certinho!
Lílian ainda não tinha idéia de nada e pulou para o colo de Paul que estava sentando ao lado de Amy no sofá:
- O que está acontecendo? – perguntou a garotinha, sem entender o porquê dos gritos e assustada com a confusão.
- Papai ficou uma fera porque o Paulus e a Amy estão namorando. – revelou Kate quando viu que nenhum dos dois encontrou palavras para explicar para a garotinha o problema.
- Verdade? – buscou a confirmação dos outros dois.
- É sim.
- Isso quer dizer que... – continuou fazendo dengo – Você gosta mais dela do que da gente?
- Claro que não, bonequinha. Só que quer dizer que eu gosto dela de um jeito diferente. Não que eu goste mais. – e cochichou no ouvido da menorzinha – Você ainda é a minha preferida.
- Mas por que papai ficou bravo com isso?
- Porque ele é um ciumento, possessivo, controlador que não... – Amy foi cuspindo sua raiva, até ser interrompida.
- Amy! Não é nada disso, Lily. É que seu pai ama muito vocês três e não quer que nada de ruim aconteça. Ele só... quer proteger vocês de pessoas que podem magoá-las.
- E você ainda fica do lado dele? – protestou Amy, retesando-se no sofá indignada.
- Eu era o espião dele, não era?
- Você não precisava me lembrar disso, seu pau-mandado.
- Eu também não gosto de lembrar. Não era nada fácil ficar perto de você nos seus bailes de debutante.
- Só porque eu tinha uma sombra ambulante me seguindo por todos os cantos. Não tinha como ficar de bom humor nessas circunstâncias.
Katherine, vendo que aquilo também iria longe, pegou a irmã caçula pela mão e a levou para a cozinha para fazer pipoca.
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- Roy Mustang, o que você pensa que está fazendo? – brigou Riza com os braços cruzados.
- Agora não, Riza. Eu estou com muita raiva. – a voz rouca e a mandíbula travada.
- Pois eu também. Você acabou de expulsar o Paul da nossa casa! – voltando para o absurdo que havia assistido – O Paul! Como você teve coragem de fazer uma coisa dessas?
- E ele acabou de me apunhalar pelas costas. – gesticulando com as mãos, como se estivesse estrangulando uma vítima invisível.
- Ele teria apunhalado você pelas costas se não tivesse contato tudo e vindo pedir permissão. – explicou Riza com uma voz calma - Na verdade, era exatamente isso que a Amy queria que ele fizesse.
- E por isso ela vai pra um internato só com meninas. – caminhando para o outro lado do cômodo.
- E esse é exatamente o motivo pelo qual ela não queria contar! – bufou Riza e sacudiu os braços, pedindo auxilio aos céus para fazer o marido entender.
- Espera ai... – percebendo um detalhe escondido na fala da esposa - Você sabia e não me contou?
- Sabia e eu não contei porque o Paul disse que era ele quem tinha que enfrentar o pai da moça.
- E eu nem desconfiei... Eu sabia que esse dia ia chegar, mas sempre achei que... – as idéias iam se sobrepondo antes que ele pudesse concluí-las - Justo o Paul? – disse por fim, sentando desiludido na cadeira, todas as esperanças desfeitas, pois o golpe veio exatamente do único lugar que não esperava.
- A culpa é sua. - colocando as mãos nos ombros dele - Foi você que não deixou nenhum outro garoto chegar perto da Amy. Ela não tinha muitas opções.
- Mas eles são praticamente irmãos!
- Só que eles não são irmãos. – dando a volta na cadeira.
- Não, mas é como se fossem e eu só não me preocupei com ele por causa disso. – confessando seu terrível engano de achar que os dois jovens também se viam como irmãos.
- Só me responde uma coisa. - e fez uma pequena pausa até ganhar toda a atenção do marido - É tão ruim assim? Você conhece o Paul desde que ele era bebê e sabe que ele é um rapaz sério e responsável que se importa nossa família inteira, respeita você e ama muito nossa filha... Por que a Amy não pode namora ele?
- Não é tão simples assim... – disse só para manter sua posição.
- E qual o "grande" problema?
- Vários. – voltou a se levantar e deus uns passos - Ele é mais velho...
- Você também é mais velho que eu.
- Mas depois dos vinte e cinco essa diferença não conta.
- E você quer que eles desistam do grande amor da vida deles por causa de um detalhe tão pequeno? – riu.
- Não é um detalhe pequeno. Ela é quase uma criança e ele está na faculdade. São fases diferentes.
- Eles vão ter eu dar um jeito nisso.
- E quando eles terminarem, e eu sei que isso vai acontecer mais cedo do que você imagina, como é que a gente vai fazer? Dividir a casa? Metade toma o partido da Amy e a outra metade do Paul?
- Se eles brigarem vai ser problema deles e não nosso e a gente não tem que tomar o partido de ninguém.
- Eu sei, mas...
- É a vidinha deles, amor. – pegando na mão dele - Deixa eles aproveitarem.
- Vou pensar a respeito... – respondeu para não ter que voltar atrás.
- Então você vai conversar direito com o Paul agora?
- Não.
- Eu vou chamar ele. - continuou fingindo que não escutava o que o marido disse.
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A briga na sala já tinha terminado e agora os dois estavam trocando desculpas ao invés de ofensas. Paul se levantou logo do sofá assim que viu Riza e ficou tenso, lembrando-se novamente de sua delicada nova situação dentro da família:
- O Roy está esperando você na biblioteca, Paul.
- De jeito nenhum que eu vou deixar ele entrar lá sozinho de novo! – protestou Amy – Papai é doido!
- Seu pai prometeu se comportar e o Paul quer fazer isso, não é?
- É sim. – soltando a mão da menina que estava segurando seu braço
- Mas...
- Pode deixar, Amy. – dando um sorriso de "tudo vai ficar bem" que não convenceu a garota.
- Perdemos alguma coisa? – disse Kate, voltando para a sala com uma tigela de pipocas e irmã caçula a tiracolo.
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Foi Roy quem quebrou o silêncio. Ele não sabia por onde começar e pensou em pedir desculpas por sua reação, mas depois concluiu que voltar atrás só pioraria a situação e seguiu em frente:
- Eu nunca imaginei que fosse ter esse tipo e conversa com você.
- Eu... entendo. Isso é muito esquisito, porque eu também nunca imaginei que fosse gostar da Amy, porque até pouco tempo ela era só uma garotinha
Roy escutou atentamente a declaração sem gostar nem um pouco. Aquilo não ia prestar...
- E então... quando foi que... vocês... – começou a ensaia perguntar que demonstrassem algum interesse pelo relacionamento dos dois, mas a verdade era que não queria nenhuma das respostas - Eu não quero saber de nada disso. Vamos logo para a parte que interessa, não é? Quais as suas intenções para com minha filha? – vez logo a pergunta de práxis para reduzir o período de tortura.
- E-eu não sei. – gaguejou - A gente ainda não fez nenhum plano, mas a gente conversou e...
- Meu Deus! Que tipo de planos vocês teriam? – ficando preocupado com a resposta – Eu não estou falando de casamento não. Quer dizer... Espero que vocês se casem um dia no futuro, porque se você enganar minha filha te mato de verdade, mas isso em um futuro muito, muito distante.
- Eu não estava falando de casamento... – o outro acompanhou o mesmo estado de nervos de Roy, porque aquela palavra era mesmo assustadora.
- Minha filha tem dezesseis anos... e eu não quero ser avô tão cedo. - ainda tentando enganar o cérebro para não imaginar nenhuma cena que o traumatizasse para sempre.
- Eu - – limpou a garganta para se acalmar - Eu refleti muito antes de vir aqui porque eu queria ter certeza de que era o certo a fazer e eu só posso dizer que eu amo a Amy e que ela vale à pena.
- E você vai a fazer ela feliz?
- Claro. Sim.
- Isso é suficiente pra mim. Vocês têm minha permissão.
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Amy abraçou o rapaz, feliz em receber a notícia de que agora era oficial e ela a abraçou de volta, apoiando a o queixo na cabeça dela. Mão acima da cintura nada de beijos, porque eles também não queriam abusar da sorte.
Roy chegou atrás e encontrou com Riza que veio a seu encontro. Ele, inspirado pelo casal mais novo ou querendo algo que o sustentasse nesse momento difícil, passou o braço ao redor dela que o abraçou e encostou a cabeça no peito do marido.
- É, não teve jeito.
- Olha só pra eles... – regozijando-se na felicidade dos dois e aconchegando-se melhor.
- É... olha só pra eles. – tendo uma imagem real de seus piores pesadelos.
Kate assistia a tudo sem surpresa nenhuma e jogou uma pipoca na boca, satisfeita por ter acertado todas as suas previsões e também porque se o pai tinha evoluído a ponto de deixar a irmã namorar, quem sabe um dia ele não a ensinasse a explodir coisas estalando os dedos.
- Nee-san, no que você está pensando?
- Nada não, Lily. Isso já é assunto pra outro dia...
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(1) Claro, porque o homem perfeito ajuda com a louça, abaixa a tampa da privada e não espreme a pasta de dente pelo meio.
(2) Até tu, Brutus? – Da cena I do ato III da peça Júlio César do titio Will. Muito engraçado, depois do assassinato, ver como o povo é volúvel e muda de opinião assim que muda o palestrante.
(3)Fala atribuída à Julio César quando desobedeceu o Senado e deu início à guerra civil.
(4) Demorou, mas a vaca morreu. Agora eu estou feliz.
Nota: É uma pena que já vai acabar aqui, porque eu gostei das filhinhas do Mustang. A Lílian acabou parecendo muito com a Nina (criança pequena não muda muito). A Katherine saiu um poço de sarcasmo, sem falar que ela ficou meio sádica também. E a Amy foi a única em que não errei a mão. Ela ficou como eu tinha planejado... não se metamorfoseou em outra coisa quando foi para o papel.
Agora é um "tchau" de verdade. Até a próxima fic.
Gabi
