Eu quero você

Bleach e seus personagens pertecem à Tite Kubo.

Hisagi está disposto a conquistar o coração da severa capitã do 2º Esquadrão. Para isso ele usará todo seu charme e persistência. Será que Soifon cederá aos encantos do belo tenente do 9º Esquadrão?

Capítulo 5: Decisões

– Com licença, Yoruichi-san, mas você tem mais uma visita. ­– Ela disse do outro lado da porta.

– Pode mandar entrar, Ururu! – Gritou Yoruichi.

Qual não foi a surpresa das duas mulheres ao ver quem adentrava a porta.

– Você! – Soifon disse espantada, levantando-se e corando. – O que você está fazendo aqui?

Hisagi Shuuhei apenas encarava a capitã do 2º Esquadrão, também espantado. De todos os lugares, jamais imaginou que encontraria a razão de seus problemas naquele lugar, naquela hora.

Yoruichi apenas observava os dois, achando a situação divertida.

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– Ah, Shuuhei! Que bom você apareceu! Estávamos justamente falando de você! Sente-se e tome um chá com a gente. Ou você prefere saquê? Ururu!! – Disse Yoruichi, recebendo um olhar do tipo o que a senhora está fazendo, Yoruichi-sama? de Soifon, que corou mais ainda (se é que isso era possível).

Hisagi também corou ao ouvir que era o assunto da conversa das duas mulheres.

Desculpe, Yoruichi-san, mas eu não sabia que já tinha visitas. Devia ter marcado um horário. Eu acho melhor... Hisagi tentava recusar o convite porque percebeu que Soifon estava muito constrangida com a sua presença, mas foi interrompido pela mulher-gata.

Eu acho melhor você sentar e descansar um pouco. Além do mais, eu não sou dentista para você ficar marcando horário. Ah, Ururu, traga mais uma xícara e uma garrafa de saquê. Disse Yoruichi ao ver a garota aparecer na porta. – E diga para o Kisuke vir aqui tomar chá também e sair daquele laboratório abafado. E você sente-se também, Soifon.

Ururu curvou-se e saiu logo em seguida. Yoruichi não era idiota, ela sabia que ambos estavam constrangidos, mas os deixava naquela situação por mal. Ela queria ajudar sua discípula. Talvez passar um tempo com o tenente, mas não completamente sozinha com ele, a fizesse ficar mais confortável e descontraída.

Hisagi, por outro lado, não viu escolha a não ser sentar-se e aceitar o convite da ex-capitã. O mesmo fez Soifon, muito brava com Yoruichi.

Logo Ururu voltou trazendo duas xícaras de chá limpas, mais um bule de chá e uma garrafa de saquê. Hisagi queria beber saquê, mas não achou uma ideia muito boa. Soifon poderia achar que ele era um bebum como Kyouraku e ficar mais arisca com ele ainda. Por isso, ficou na xícara de chá mesmo. Yoruichi e Urahara, que chegou logo em seguida, escolheram o saquê.

A conversa iniciou-se com apenas Yoruichi e Urahara conversando, já que Hisagi estava mudo e Soifon parecia que tinha perdido a fala e engolido um pote de pimenta, de tão vermelha que estava. Mas ao poucos, Hisagi foi entrando na conversa, fazendo perguntas sobre alguns capitães antigos da Sereitei e respondendo alguma coisa também quando o outro casal perguntava.

– Pelo visto a burocracia nunca muda no Gotei 13. – Comentou Yoruichi. – Preencher aqueles relatórios era uma coisa muito chata. Aff.... E por falar em burocracia, o Kyouraku ainda foge do trabalho como antes?

– Bem... acho que sim... Volta e meia eu ouço Ise-san reclamar que o seu capitão não faz nada no esquadrão e que a papelada vive atrasada porque há algumas coisas que apenas o Kyouraku-taicho pode fazer. – Disse Hisagi, coçando a cabeça. Na realidade, nas reuniões de tenentes, boa parte das reclamações de Nanao eram dirigidas ao seu capitão, que segundo ela era "um preguiçoso, bêbado, vadio, mulherengo e safado".

– Viu só! Realmente algumas coisas não mudam! – Rui Yoruichi ao lembrar-se de que Kyouraku já era assim na época em que ainda era capitã.

Depois disso, a conversa seguiu tranquila, com o clima menos pesado, apesar de Soifon pouco (na realidade, quase nada) participar. Urahara contou como desenvolveu a técnica para conseguir a bankai, recebendo atenção dos atuais shinigamis. Afinal de contas não é todo dia que se consegue um método de adquirir a bankai assim em tão pouco tempo.

Hisagi contou porque tinha decidido tornar-se shinigami e o motivo de ter o número 69 tatuado no rosto. Soifon surpreendeu-se ao saber que ele tinha quase sido devorado por um hollow quando era pequeno e que tinha sido salvo por Kensei Mugurama, que na época era o capitão do 9º Esquadrão. Surpreendeu-a a coragem e a determinação de Hisagi. Ele realmente é um homem incrível, pegou-se pensando Soifon, corando mais uma vez.

Quando Hisagi decidiu que era hora de ir embora, visto que ele não conseguiria ter a conversa que pretendia com Yoruichi e também porque já tinha se ausentado tempo demais do seu esquadrão, que realmente não tinha um capitão, Yoruichi sugeriu que Soifon o acompanhasse para que portão para a Sereitei não fosse aberto duas vezes desnecessariamente.

Mais uma vez Soifon lançou um olhar desesperado para Yoruichi, mas ela não teve escapatória, já que o próprio Urahara foi quem abriu uma passagem para os dois voltarem para a Soul Society.

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Na Terra, Urahara e Yoruichi viram o portal se fechar.

– Você não tem jeito mesmo... – Disse Urahara na sua voz cantada e sorrindo sarcasticamente por de trás do leque.

– Se eu não fizer alguma coisa, Soifon vai continuar virgem. A única coisa que ela fez em toda sua vida como shinigami foi lutar, treinar e seguir as regras. Acho que nesse aspecto ela é pior do que o Byakuya. – Comentou Yoruichi.

– Muito diferente de você, não é, Yoruichi? – Sorriu Urahara aproximando-se da mulher e enlaçando-a pela cintura.

– Você sabe que eu sempre soube aproveitar as coisas boas, Kisuke. – Ela respondeu, enroscando seus braços no pescoço de Urahara. Usando uma velocidade incrível, Urahara levou Yoruichi para seu quarto, já que havia crianças na casa.

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O caminho de volta foi silencioso e constrangedor. Soifon mal olhava para os lados e Hisagi tentava achar as palavras certas para não afugentar a capitã. Quando chegaram à Soul Society e passaram pelo portão, Hisagi viu que era hora de falar alguma coisa, caso contrário a capitã iria escapar-lhe novamente.

– Soifon-taicho... – Começou Hisagi, mas foi interrompido por Kira que se aproximava.

– Oi, Hisagi-san. Não sabia que tinha ido com a capitã para uma missão na Terra. Bem, vamos tomar saquê? A Matsumoto-san e o Abarai-taicho estão nos esperando.

O coitado foi praticamente arrastado por Kira. Quando ia protestar, viu que Soifon não estava mais lá. Não vendo outro jeito, foi afogar suas mágoas na bebida.

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Soifon estava sentada no seu futon, abraçando os joelhos, pensando em tudo que tinha escutado de Yoruichi. Sua cabeça estava confusa. Por um lado ela queria muito ficar com Hisagi, mas isso ia contra todos seus princípios. Quando soube que Abarai estava namorando Matsumoto, ela ficou indignada, mas de certa forma, não ficou surpresa. Talvez já esperasse um comportamento assim de Renji. Mas quando ficou sabendo do romance de Hitsugaya com Hinamori, ela achou aquilo foi o cúmulo. Ela jamais pensaria que um capitão tão rígido e sério como o do 10º Esquadrão faria uma coisa dessas. E quando recebeu o convite de casamento de Byakuya e Unohana, ela quase teve um ataque! Bom, eles pelo menos ambos tinham postos de capitães. Menos mal. Ao comentar isso com Yoruichi, esta disse não estar surpresa com o fato de o cupido parecer estar à solta no Gotei 13. Era natural que romances enrustidos (ou não) aflorassem num período de paz, depois de uma época de tensão, batalhas e incertezas. Numa época de guerra, a vitória é incerta e gera medo do futuro tenebroso que pode vir. Mas com um caminho cheio de paz e tranquilidade que aparentemente a Soul Society tinha agora pela frente, era natural as pessoas fazerem planos para o futuro, relaxarem e se entregarem aos seus sentimentos.

Soifon estava pensando nisso tudo quando percebeu que começava a chover. Vestindo ainda seu uniforme de capitã, sentiu frio quando o vento entrou pela janela. Perguntou-se o que Hisagi estava fazendo, se já tinha voltado do encontro com os amigos ou se estava com alguma garota. Ao pensar nisso, mordeu o lábio inferior com raiva e apoiou a cabeça nos joelhos. Lembrou-se que Matsumoto iria estar com ele. Mesmo sabendo que ela tinha namorado (e que ele estaria junto também), não conseguiu deixar de sentir ciúmes. A tenente do 10º Esquadrão era tão bonita, tão elegante e divertida, que todos os homens babavam por ela. Soifon desejou ser tão bonita quanto Matsumoto. Mas o que ela tinha de bonito? Nada! Seu cabelo curto era feio e de uma cor horrível. Seu corpo era magro e sem curvas. A única roupa que usava era seu uniforme de capitã e nem maquiar-se sabia! Tinha medo de se entregar ao romance com Hisagi e ser rejeitada por ele por não ser bonita ou ter um corpo legal. Sentiu os olhos arderem e a garganta apertar com o surgimento da vontade de chorar. Balançou a cabeça, tentando controlar as emoções. Poucas vezes chorou na sua vida, e nunca tinha feito isso por casa de um homem, e não ia ser agora que ia começar. Foi quando uma coisa que Yoruichi lhe disse veio à mente: Até no amor um capitão deve ter uma atitude de capitão. Não titubear, não fugir e encarar o medo.

Lembrar-se disso, se não lhe deu ânimo, pelo menos lhe deu coragem. Levantando-se, calçou os sapatos e saiu rapidamente pela janela, esquecendo-se de que estava chovendo (e muito) e deixando Suzumebachi para trás.

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Deitando no futon do seu quarto, Hisagi pensava na vida. Estava tão aborrecido que nem beber para esquecer suas mágoas tinha conseguido.

Ao ver seus amigos alegres e já meio bêbados, resolveu ir embora. Chegando à sua casa, tomou um banho, comeu alguma coisa e deitou-se para tentar dormir. Mas em vão. Além de ser um pouco cedo ainda, a capitã do 2º Esquadrão não lhe saia da cabeça. Lembrou-se daquele dia no bosque, quando quase perdeu o controle ao ter o corpo da pequena capitã junto ao seu. Com essa lembrava, vieram-lhe à mente todos os sonhos que teve com ela. Tudo isso, somado ao vento frio que entro pela janela, fazendo seu corpo arrepiar-se, deixou-o um pouco excitado.

Virou o rosto para contemplar a chuva torrencial que caía lá fora e tentar esquecer os pensamentos pervertidos que lhe vinham à cabeça. Qual não foi sua surpresa ao ver uma silhueta conhecida parar agachada sobre o peitoral da janela para logo depois entrar no quarto. Quando a silhueta aproximou-se mais, a água da chuva caindo do corpo e molhando o chão, Hisagi não pode deixar de ficar boquiaberto e exclamar:

– Soifon!

Lá estava ela, a rígida e fria Soifon-taicho, deliciosamente molhada, com o rosto corado, no seu quarto! Nem nos seus mais loucos sonhos ele imaginou uma cena dessas!

Continua...