De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.

Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Bem que eu queria, uma grana de direitos autorais seriam bem vinda.

"RED SECRETS"

By Ligya Ford-Northman

Capítulo 2 – Confissão

Era quarta feira, Lisbon e sua equipe celebravam a folga que teriam no feriado a partir do dia seguinte.

Os rapazes estavam em volta de uma mesa de sinuca. Riam, bebiam cerveja e reparava nas garotas que tentavam se mostrar para eles, principalmente para Jane.

Engoliu um gole da sua cerveja e se lembrou do casamento. Balançou a cabeça e suspirou. Van Pelt sentada a sua frente estreitou a testa, e sorriu.

Sentimentos contraditórios rodeavam a cabeça de Lisbon. Queria ir. Queria ver seu pai, Michael, John, Chris e as crianças. Mas tremia só de pensar em encarar Jeffrey.

Ela percebeu o olhar inquisidor de Van Pelt, balançou novamente a cabeça e tomou mais cerveja.

- E com você? Como tão as coisas? – Van Pelt perguntou subitamente e Lisbon estreitou a testa confusa. – Com Jane.

Lisbon arregalou os olhos, em choque.

- O quê? Jane?

- Chefe... pra mim você pode falar. Eu sei que você gosta dele.

- Oh Deus...

- Relaxe. Nem ele, Cho ou Rigsby não sabem de nada. Ao menos eu acho que não. Fui eu que prestei atenção em alguns detalhes. Eu tenho olho pra isso. – Lisbon a olhou, rindo. Não parecia que Van Pelt era tão perspicaz assim. E quanto a Rigbsy e sua paixão platônica? Van Pelt entendeu e devolveu. – Sim, eu sei. Mas Rigsby é outra coisa.

- Van Pelt, isso é bobagem. – confessando que sentia mais que amizade e admiração por seu consultor. - Jane é só... ele não me vê assim. Eu sou a chefe dele.

A ruiva apenas arqueou as sobrancelhas. Aquilo parecia uma desculpa bem esfarrapada. Uma proibição não faria diferença nenhuma quando duas pessoas querem ficar juntas. Ela sabe o que era aquilo.

- Eu não faço mesmo o tipo dele. Eu vi fotos. A mulher dele era loira e alta. O tipo mulherão atraente e irresistível. – ela balançou a cabeça, e Van Pelt riu. – Eu sou só uma baixinha de cabelos pretos, que a única atração é carregar uma arma.

- Você deveria se dar mais crédito.

- Na verdade, só estou falando por falar. Jane sequer pensa em algo assim. Ele não está pronto pra nenhum tipo de relacionamento. Muito menos com a chefe dele.

- Jane nos surpreende todos os dias. Ele pode... não sei, um dia... superar isso e tentar uma nova chance. Acho que você tem uma boa vantagem.

- Não acredito que ser chefe e ameaçar prendê-lo, se ele chegar perto de Red John, seja uma vantagem.

- Chefe, Jane sabe diferenciar isso, como ninguém. Duvido que ele teria outro tipo de opinião sobre você, com o fim de Red John ou não.

- Sim, eu sei. Mas... não acredito que para ele eu seja mais do que a chefe dele. Aquela que confia nele até demais.

- Como eu disse, eu não me surpreenderia se ele um dia tivesse um arroubo de paixão por alguém. – ela engoliu um gole de cerveja, enquanto encarava o trio gargalhando em volta da mesa de sinuca. – As pessoas mudam. Os tempos mudam.

- Espero que essa conversa não saia dessa mesa. – disse firmemente ao ver os rapazes vindo na direção delas.

- Não sairá. – Van Pelt afirmou.

Os três visivelmente alterados se aproximaram da mesa.

- Vocês estavam dividindo segredos? – afirmou Jane.

- Por que você acha isso? – Lisbon lhe perguntou.

- Vocês estavam cochichando.

- A chefe estava me falando do nosso fim de semana de folga. – Van Pelt emendou, fazendo todos balançarem as cabeças felizes.

- Ela te falou o que vai fazer no fim de semana? – perguntou Jane.

- Não. – Lisbon soltou, antes que Van Pelt tentasse inventar qualquer coisa. Jane sabia e ele era o único. E ele também sabia que elas estavam mentindo. – Não disse nada.

- Por que chefe? Vai pra onde? – perguntou Rigsby.

- Londres. – respondeu Jane.

- Seu pai está exigindo um oi pessoalmente? – Cho brincou.

- Quase isso. – Jane se intrometeu, e se virou para Cho. – Você sabia que o pai dela vive em Londres?

- Claro. Todo mundo sabe. – Jane sorriu. Ele não sabia.

Um celular encheu o ambiente, e Lisbon puxou-o do bolso. Viu quem era pelo identificador de chamadas e suspirou.

- Ótimo... – e se levantou. – Oi, John...

Todos a seguiram com os olhos.

- Não, já falei com papai, eu não vou... – ela disse, e Jane ouviu. Ele queria que ela fosse, nem que a obrigasse. -...Chris não irá me matar. Não vai fazer diferença se eu não for... Mike disse que eu ia levar alguém?... Isso não é da conta do Mike, ou da Chris, ou de ninguém... Tenho que ir, John, estou trabalhando... É claro que estou trabalhando... Este barulho são de outros agentes trabalhando... Faça o que quiser... Fala pra ela me ligar então. Tchau. – e desligou.

Se virou e viu oito olhos a encarando.

- O que? Vocês não têm irmãos?

- Você disse para seu irmão que você não vai? – perguntou Van Pelt.

- Disse. E não vou.

- Claro que vai. – Jane afirmou, fazendo Lisbon o encarar. – Nem que eu tenha que te enfiar num avião.

- Você é insuportável. – ela fingiu um sorriso. Por mais tentadora que fosse a proposta dele, era tudo inviável. Por mais que o amasse, como poderia fingir? E se ele descobrisse o que ela sentia por ele? Como iria olhar nos olhos dele depois disso?

- Não sou não.

- Eu vou pra casa. – ela disse, engolindo o resto da sua garrafa de cerveja. Se virou para Jane. – Quer que eu te leve ou vai ficar?

- Não, eu vou. Está todo mundo bêbado. – ele disse, se levantando. Quem estava bêbado era ele.

- Eu não estou. – sorriu Van Pelt. – Mas não iria te levar de qualquer jeito.

Ela trocou um olhar cúmplice com Lisbon, que rolou os olhos. Jane viu aquilo e sorriu. Lisbon sabia que Van Pelt sabia. E a ruiva queria ser o Cupido agora.

Jane e Lisbon seguiram na direção da porta, sendo seguidos pelos olhos de Van Pelt, Cho e Rigsby.

- Será que estou vendo o que eu acho que estou vendo? – perguntou Cho.

- Provavelmente não. – Van Pelt respondeu. Não poderia dar asas a imaginação deles. Por mais verdadeira que a "visão" fosse. Além do mais, prometeu a chefe que não diria nada.

- Vai dizer que não acha que esses dois estão muito... – Cho tentou.

- Muito...? – Rigsby o encarou, visivelmente bêbado.

- Não vou negar que eles são legais juntos, mas...

- Não viaje, Cho. Além do mais, você está bêbado, você está vendo demais. – Van Pelt completou, levantando da mesa. – Vamos embora. Vai sobrar pra mim dirigir pra vocês mesmo.

No carro, Jane a encarava com os olhos estreitos numa linha.

Lisbon o olhava, balançava a cabeça e voltava os olhos para a direção.

- Hoje é quarta feira. – ele constatou.

- Muito bom. Assim como ontem foi terça, e amanhã é quinta.

- Hoje é quarta feira, e nosso vôo é pra amanhã a noite. – ele informou.

O quê?

- O quê? – ela o encarou.

- Eu comprei passagens para Londres para nós para amanhã. Quando eu disse que ia te colocar no avião, eu falei sério.

- Ah meu Deus, Jane!

- Ah meu Deus, Jane! – ele repetiu, tentando imitá-la. – Você repete muito isso.

- Por que fez isso? Eu não vou há lugar nenhum. Muito menos com você.

- Vai, Lisbon. É só um fim de semana. Depois disso, você diz que nós terminamos. Que não deu certo. – ela suspirou, mantendo a boca numa linha. – Vai dar certo. Nós nem precisamos fingir de verdade. Você me apresenta como namorado e só. Nós ficamos de mãos dadas e sorrimos pra eles. É tudo.

- O casamento é em Londres.

- Eu nunca estive em Londres.

- São quase 12 horas de viagem.

- Tranqüilo. Tempo suficiente para planejarmos tudo e você me contar tudo sobre sua família.

- Londres é muito frio.

- Estamos na primavera.

- Chove o tempo todo.

- Vou levar uma capa de chuva.

- Eles dirigem do lado direito.

- Vou deixar você dirigir.

Ela suspirou. Nada funcionava para fazê-lo desistir.

- Por favor, Jane...

- Por que você não quer ir?

- Porque não posso. Não quero.

- Por que não pode?

Ela freou o carro à frente da casa suntuosa de Jane.

- Me diz, Lisbon. Isso é muito mais do que levar um namorado e fingir para sua família. O que você não quer me contar?

Ela sentiu sua garganta fechar. Parecia que não conseguia respirar.

Abriu a porta do carro e saiu, respirando profundamente o ar fresco da Califórnia.

- Lisbon... – pediu também saindo do carro, e andando até ela.

- Por favor, Jane, não faça isso. – soltou com os olhos fechados.

- Me diz. Quem você não quer encarar?

Ela voltou os olhos verdes para ele.

- Ninguém.

- Você está com os nervos a flor da pele. Alguma coisa te incomoda muito em Londres. Não é alguém da sua família. Só pode ser alguém de fora. Um ex-namorado? Me diz o que foi que ele fez pra você.

- Por que você quer saber?

- Porque quero saber o porque que eu tenho que quebrar a cara dele.

Ela sorriu. O cavalheirismo dele era encantador.

- Meu cavaleiro numa armadura brilhante.

Jane sorriu ao ver sorriso dela. Depois de saber que ela o amava, parecia que estava vendo uma nova Lisbon. Uma mulher radiante. Algo que ele jamais tinha visto antes.

Lisbon o encarou fechando o sorriso.O que Jane pensaria dela se soubesse da verdade.

- Jeffrey. – disse.

- Jeffrey... – ele repetiu.

- Jeffrey foi meu noivo.

- Noivo? – ele arqueou as sobrancelhas.

Lisbon odiou aquela expressão. O que ela achava? Que ela nunca tinha tido uma vida antes do CBI? Antes de conhecê-lo?

Respirou fundo para tentar não começar a gritar com ele.

- É, nós éramos noivos. Ele não fez nada pra mim, eu fiz pra ele.

Jane pausou pensando nas possibilidades. Aquela era Lisbon. O que podia ser? Chutou alto.

- Você o traiu?

- Não é isso. Eu... eu o abandonei no altar.

Jane não repetiu aquilo em voz alta, mas queria. Abandonou no altar? Lisbon, a super controladora chefe da seção de crimes violentos do CBI, abandonou um noivo no altar?

- Por quê? – ele perguntou num sussurro.

Ela balançou a cabeça novamente.

- Porque eu nunca o amei. Sei que foi tarde demais para perceber isso, mas eu não podia casar com ele sem amá-lo de verdade.

- Nunca é tarde pra isso, Lisbon.

- Foi sim. Foi tarde. Eu fiz isso no dia do nosso casamento. Á frente da família dele, da minha, de todos nossos amigos... Meu pai até hoje reclama da fortuna que ele gastou com aquele casamento. E eu... e eu sequer amava alguém naquela época.

Jane ficou apenas a olhando desabafar.

- Se eu tivesse alguém... um caso, alguém para amar naquela época, todos teriam compreendido, até Jeffrey, mas... fiz por pura... – e chacoalhou a cabeça. Nem sabia mais o que estava dizendo. – Não podia casar com ele sem ter amado alguém ao menos uma vez na vida.

- Eu concordo com você.

- E ele estará naquele casamento, Jane. O noivo da minha irmã é melhor amigo dele. Foi assim que ela conheceu Edward. Por ele, por mim. – respirou fundo. – Não posso ir lá. Como vou olhar nos olhos dele?

- Você nunca o viu depois?

- Não. Toda vez que vou a Londres, eu evito encontrá-lo. Só que dessa vez não vou poder evitar, ele é o padrinho. E eu...

-... irmã da noiva. – Jane terminou por ela.

- Minha irmã fez de propósito.

- Talvez não. – ele disse. – Lisbon, eu acredito que você deva ir. Você tem que mostrar a ele e a sua família que superou isso. Que você não é mais aquela garota que o deixou no altar. Que é esta mulher linda e de sucesso que esta aqui a minha frente.

Ela o encarava muda. Precisava ouvir algo para fazer seu coração se acalmar.

- Vamos seguir com nossos planos. Eu vou com você. Vou estar ao seu lado para não deixar você perder as forças. Vamos mostrar a todos que você está em outra. Que importa aquele passado.

- Por que quer fazer isso, Jane? – ela lhe perguntou com uma voz que foi quase um sussurro.

- Porque eu quero fazer algo por você. – disse, e foi sincero.

Lisbon suspirou e balançou a cabeça. Não acreditava que estava fazendo isso.

- O que eu faria sem você? – perguntou achando que tinha dito só para si mesma.

Jane sorriu, e ela sorriu de volta, corando.

Por que eu ainda tento resistir?

XxTO BE CONTINUED...xX