De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.
Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Se fosse meu, não ia prestar. A UST entre Jane e Lisbon seria resolvida selvagemente, e uma das grandes graças da série seria acabada, e a audiência iria pra dois. Talvez três. Ao menos, eu ia assistir.
"RED SECRETS"
By Ligya Ford-Northman
CAPITULO 3 – Histórias de família
- Acabei de avisar Joy que estou indo. – ela disse enquanto despachavam as malas no guichê da British Airways.
- Quem é Joy? – ele perguntou colocando sua mala na esteira.
- Minha madrasta.
- Ela sabe que estou indo?
- Não. Não disse nada.
Jane balançou a cabeça.
- Ninguém precisa saber até chegarmos lá. – ela tentou se explicar. - Não preciso de fofocas neste momento. Já basta o que vai ter quando te verem.
- O que você quer dizer com isso?
- Obrigada. – disse Lisbon a simpática moça no guichê. Jane sorriu fazendo a moça corar, e fazendo Lisbon rolar os olhos. Ela lembrou de algo. – Jane, sei que é um pedido doloroso, mas é necessário e óbvio. Você vai ter que tirar...
-... minha aliança, eu sei. Eu tirei no táxi. – e ele levantou a mão esquerda para ele ver.
- Oh.
Caminharam na direção do terminal de embarque e Jane pode ver melhor a roupa que Lisbon usava: um vestido azul com decote em v, que chegava aos seus joelhos. Jamais tinha visto as pernas de Lisbon antes. E aquilo o fez sorrir.
Era uma outra mulher ali a sua frente.
- Você me perguntou o que quero dizer com isso. Acontece que minha família não é como todas.
- Ainda estou confuso.
- Tenho que te advertir: sabe aquelas famílias que tiram todo mundo do sério, mas no fim do dia, é uma família, então você os ama? – Jane balançou a cabeça entendendo. – A minha não é assim.
- Me conta sobre sua família então.
Lisbon fica muda. Teria que contar?
- Lisbon, eu preciso saber. Um namorado sabe sobre a família da sua namorada.
- Então depois você vai me contar sobre a sua.
- Não é a minha família que tenho que impressionar.
Lisbon bufou.
Eles se sentaram em poltronas enquanto aguardavam para entrar no avião.
- Bem, minha mãe morreu quando eu tinha quatorze anos.
- Sinto muito.
- Eu também. Bom... meu pai quase morreu e quase matou eu e meus irmãos por isso. Ele sofreu muito. Se culpou. Ele até hoje diz que a culpa foi dele. E mesmo sentindo uma falta enorme da minha mãe, eu digo, não foi.
- O que houve?
- Minha mãe adorava ajudar a comunidade, e numa noite ela foi ajudar uma família pobre. Ela queria que meu pai a levasse, mas ele recusou. Ele queria ver um jogo dos Cubs. Eles brigaram e ela foi sozinha. Duas horas depois, um policial apareceu na nossa porta pra dar a noticia que um motorista bêbado tinha a atropelado, e que ela havia morrido na hora.
- Oh Lisbon...
- É, eu sei. Tudo bem, Jane. Eu consigo conversar sobre isso sem chorar. – e soltou uma risada fraca. – Eu tenho uma irmã e dois irmãos: Christine, Michael e John. Michael é divorciado agora, e ele é o único que mora em Chicago. Ele tem três filhas. Minhas três paixões. Ariel, Ruby e Brownie.
- Brownie? – e riu.
- É, minha ex-cunhada é um pouco... incomum. – e também riu.
- Por que Londres?
- Meu tio Philip arranjou um emprego para meu pai em Londres. Ele achava que Chicago só piorava o estado do meu pai, que naquela altura já se aproximava bem do estagio de alcoólatra.
- Sei o que é isso. – ele disse sem sorrir.
- Foi difícil para nós. Eu tinha quinze anos. Apesar de quase carregar toda a família nas costas, eu tinha amigos e raízes em Chicago. Não queria ir para Londres. Mas eu pensei no meu pai, e em todo o sofrimento dele. Então convenci meus irmãos, porque eles também não queriam ir, e fomos.
- Quando eu tinha dezessete anos, meu pai casou com Joy. Ela é completamente diferente da minha mãe. Ainda acredito que ela fez uma lobotomia no meu pai, porque ela é… nem sei explicar. – ela ouviu Jane rir. - Você vai ver com seus próprios olhos. Ele diz que jamais vai amar uma mulher como amou minha mãe, mas Joy faz meu pai feliz. É o que importa. Ele diz que Joy foi sua chance de ser feliz de novo.
Jane sorriu e não evitou ponderar aquelas palavras.
- E então, eu fui para Stanford. – continuou Lisbon. - Nessa altura, eu já namorava Jeffrey. Ele era rico, de boa família, bom nome. Tudo o que um digno inglês é. Eu nunca me importei com isso, mas era importante pra todo mundo. Joy e meu pai o adoravam. Eu me convenci de que Jeffrey era tudo o que eu podia ter. – ela suspirou. – E mesmo quando fui pra Stanford, e voltava pra casa, só nas festas e férias, ele estava lá. Sempre. Ao meu lado.
Jane a fitou firmemente com seus olhos azuis.
- Foi por isso que quando ele me pediu em casamento, eu aceitei. – ela ficou muda, pensativa. Aquele era um tema doloroso demais para ela. – Sabe… eu nunca fui desse jeito que você esta vendo. Em Stanford, eu não me importava que eu tinha noivo na Inglaterra. – e riu.
- Olha só! - ele sorriu malicioso.
- Pra você ver como eu me importava com Jeffrey.
- Você não o amava Lisbon.
- É, mas… deve ser por isso que hoje eu dia eu não consigo ter… - e ficou muda de repente. – Fui punida por trair Jeffrey e abandoná-lo no altar.
- Não consegue ter…? – Jane tentou.
Lisbon corou furiosamente fazendo Jane entender do que ela estava falando.
- Não consigo ter o que eu queria quando deixei Jeffrey.
- Amar alguém?
- É. – e ela suspirou.
Jane se virou para ela. Ele tinha que falar com ela sobre isso. Sobre ele saber que ela o amava. Sobre o que ambos podiam fazer sobre aquilo.
- Lisbon, quanto a isso…
- "Atenção, passageiros do vôo 842 da British Airways com destino a Londres, Inglaterra…" – uma voz saiu dos alto-falantes, interrompendo o que Jane iria dizer.
- É o nosso. – disse Lisbon. – Está preparado? Vai querer encarar minha família e meu ex-noivo, Jane?
- Me diz você. Você está?
- Não.
- Vai dar tudo certo.
- O que você queria me dizer? – ela disse se levantando.
- Depois eu digo. – e sorriu, sentindo seu estomago vibrar. E Lisbon sorriu de volta, andando até o portão que eles embarcariam.
XxLFNxX
Algumas horas depois…
- Há algo que eu esqueci de falar pra você. – começou Jane se virando para ela. Eles estavam em poltronas da primeira classe. Jane fez questão que ela ficasse o mais confortável possível. Por isso escolheu os melhores assentos. Aqueles únicos que viram camas e tem espaço suficiente pra três pessoas.
Jane esticou o pescoço ao ver Lisbon acordada. Ela tinha dormido bastante enquanto Jane assistia aos filmes. Ele não dormia direito longe do seu sofá. E aquele avião era silencioso demais para o gosto dele.
- Diz. – ela pediu.
- Nós vamos fingir que somos namorados…
- Certo.
- Então, quando eu encostar em você, você não pode corar.
- O quê? Mas eu não faço isso.
- Claro que faz.
- Eu não estou acostumada com… com pessoas me tocando. Eu… - e ficou corada em seguida só de imaginar Jane pegando nela.
- Eu sei. Por isso que eu tenho que fazer você se acostumar com isso. – ele disse sorrindo.
- Como?
- Você não consegue adivinhar?
Ele esticou a mão e alcançou o rosto dela. Chocou-se com a própria ousadia. Mas precisava saber, precisava sentir. Lisbon não se moveu. Apenas a viu corar, e não fugir do seu toque e isso apenas o fez continuar. Para deixá-lo mais surpreso, ela fechou os olhos, o fazendo sorrir. Viu ela respirar profundamente e seu rosto suavizar com calma e delicadeza.
Ela respirou fundo.
- Acha que isso vai funcionar?
- Eu acho. – ele murmurou.
- Eu te disse que... Christine e eu somos gêmeas? – perguntou.
- Não disse. – murmurou.
- Mas não somos tão parecidas. Ao menos, não nos confundem. – ela continuou ainda com os olhos fechados. – A ultima vez que eu a vi, ela estava careca.
Jane riu, divertido.
- Por quê?
- Ela nunca disse por quê. Só que olhou pro espelho e sentiu vontade de raspar a cabeça.
Ele passava delicadamente os dedos no maxilar dela indo próximo ao canto da boca, ia até a bochecha corada e voltava, começando tudo de novo.
Lisbon ficou muda apenas sentindo o calor e a maciez da mão de Jane. Ele apenas ficou a observando, como se jamais a tivesse visto antes.
O rosto dela não estava mais vermelho. Estava funcionando.
- Então... repassando. – ela começou. – Estamos seis meses juntos. Começamos a namorar depois de um jantar... após um caso de rotina em... em...
- Encino.
- Encino. – ela repetiu.
- Exato.
- Patrick. Tenho que te chamar de Patrick.
- Uhum.
- Ou um apelido carinhoso. – ela ainda tinha os olhos fechados. – Baby...
Jane abriu o sorriso com proporções épicas.
- Querido... Meu amor...
Ele sentiu seu coração acelerar. O que era aquilo?
- Hey, esse apelido é meu. – ele declarou.
- Você vai me chamar de meu amor?
- Vou sim.
- Não sou chamada de meu amor há tanto tempo.
- Eu também. – ele disse, a fazendo abrir os olhos. Trocaram um olhar cúmplice, e Lisbon voltou a corar com aquilo. As palavras e o carinho dele no seu rosto. Aquilo lhe lembrou de algo. – Você vai conseguir me chamar de meu amor sem corar?
Ela riu.
- É uma questão de treino. – disse ainda o encarando. – Meu amor... meu amor...
Ele devolveu o olhar intenso, com um sorriso nos lábios, quando ela disse rindo:
- Isso é muito estranho.
- Acostume. – ele disse, a fazendo sorrir. – E não core.
- Vou tentar.
- "Estamos começando o procedimento de descida. Peço que coloquem os cintos de segurança..." – disse o piloto nos alto-falantes.
- Acho que vou precisar da minha mão agora. – ele soltou, ainda com os olhos nos dela.
- Está perdoado. – disse o fazendo sorrir. - Estamos chegando.
- Seu pai vai vir nos buscar? – ele lhe perguntou, colocando o cinto.
- Provavelmente não. Joy me disse que iríamos chegar próximo ao cocktail de boas vindas.
- Você nunca levou um namorado pra conhecer sua família?
- Só o Jeffrey.
- Sabe, queria ter tido o prazer de conhecer sua mãe.
- Ela teria adorado você.
- Mesmo?
- É. Ela teria adorado seus truques, suas brincadeiras, seu bom humor. Se ela soubesse que estamos fingindo um namoro, ela teria achado engraçado e estaria nos ajudando. – ela disse, e Jane riu, deliciado. – Ela adorava rir. Tinha o melhor senso de humor que existe. Toda vez que eu assisto Monty Python eu lembro dela.
- Sente falta dela?
- Todo dia. E são quase vinte anos agora. Nunca se esquece. Você segue em frente, mas não se esquece. Como meu pai. Ele é uma prova de que é possível.
- Acho que sim.
- Acho que você chega lá. Um dia.
- Quem sabe. Quem sabe nem demore tanto.
Ela o encarou com um sorriso. Seu coração acelerou. Daria tudo para estar "lá" com ele. Para ser para Jane, o que sua madrasta é para seu pai: um novo porto seguro, uma nova chance de amar novamente.
- Quer saber? Estou nervoso. – ele disse de repente, a fazendo rir.
- Ah não. Não acredito que Patrick Jane esteja nervoso.
- Um pouco. Muito. – e ambos riram.
- Relaxe. Você é expert nisso. Não conheço outra pessoa mais apropriada do que você pra deixar meu pai e meus irmãos enlouquecidos.
- Enlouquecidos? – perguntou com a sobrancelha arqueada. – Gostei disso.
XxTO BE CONTINUED...xX
Agradecimentos a Nayla – e se eu te contar que tá tudo escrito até o capitulo 8?
Cubs – Chicago Cubs, é um time de beiseball.
