De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.
Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Se fosse meu, não haveria três semanas de hiatus para passar um episódio. Ainda mais fim de temporada.
"RED SECRETS"
By Ligya Ford-Northman
CAPITULO 4 – London Calling
Lisbon e Jane caminhavam no saguão do Aeroporto Heathrow em Londres. Ele espremeu os olhos com força. Uma dor de cabeça incalculável.
- Você está bem? – ela perguntou o encarando. Eles seguiam rumo para pegarem o Heathrow Express.
- Estou. Só com dor de cabeça.
- É viajar no fuso horário. – ela disse, quando percebeu um detalhe importante. – Sua camisa é azul.
- Só agora você percebeu?
- Meu vestido é azul.
- Qual é o problema? Você acha que é exagerado demais?
- Droga! É para parecer que nós combinamos mas não combinamos tanto assim! – ela exclamou. – É um cocktail de boas vindas, não um baile.
- Lisbon, vou te ensinar um truque. – ele parou a frente dela. - Se você olhar as pessoas nos olhos, elas nunca irão notar o que estiver vestindo.
Ela lhe devolveu o olhar intenso. Resolveu testar.
- Ah é? Qual a cor dos meus sapatos?
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Você tá usando sapatos? – ele devolveu, a fazendo rir. Ele sorriu de volta e lhe deu um beijo no rosto.
XxLFNxX
O Heathrow Express acelerava na direção de Londres.
Jane se mantinha em pé ao lado do banheiro, folheando uma Cosmopolitan. Ele conseguia fazer isso sem parecer gay. Ele falava com Lisbon através da porta:
- Eu entendo o quanto isso é importante pra você, mas você é uma mulher linda e você tem tudo no mundo à sua disposição. Eu não me importaria nada com o que estivesse vestindo.
Lisbon saiu do banheiro do trem usando um vestido preto tomara que caia.
- Mas ele irão.
Eles estão claramente fazendo isso há algum tempo.
- Jamais esperei isso de você. Você espera tanta aprovação assim da sua família?
- Não seja condescendente.
- Você é engraçada.
- É, mas ainda me sinto um lixo. E quando você se sente um lixo, a melhor maneira é parecer ótima quando pode. – se virou para ele. – E então?
Ele a fitou dos pés a cabeça. Suspirou. Ela estava linda.
- Missão completa.
- Mesmo? Não quero que fique exagerado. - e voltou para o banheiro, quase esbarrando em um adolescente que estava esperando sua vez.
Jane balançou a cabeça e suspirou.
- Ela fica maravilhosa com o vermelho. – o garoto soltou.
- Vou dizer a ela. - disse Jane com os olhos estreitos, e um sorriso torto nos lábios.
Lisbon, sozinha no banheiro, meticulosamente arrumava o papel higiênico no chão para que pudesse pisar sem sapatos. Ela retirou o primeiro vestido enquanto simultaneamente colocava outro – sem mostrar um centímetro de pele. Ela resmungou quando o trem chacoalhou.
- Aposto que está fazendo aquela coisa de mulher de tirar uma roupa e colocar outra ao mesmo tempo.
Lisbon olhou em volta suspeitamente e fez uma careta.
- Não, não estou! – exclamou. Sempre Jane.
Lisbon emergiu do banheiro usando um novo vestido. Jane deu uma olhada. Era verde e floral. Combinava com os olhos dela perfeitamente.
- Mmmm. – Jane resmungou, tirando os olhos da revista.
- Mmmm. Vestido bonito? Ou... – imitou um sotaque britânico. – "Meu Deus, por que você está solteira?"
- Ambos.
Lisbon olhou para o adolescente pedindo sua opinião.
- Eu... iria te levar pra casa. - e se virou para Jane. - Digo, se estiver tudo bem pra você.
Lisbon abriu um sorriso tímido para o garoto, fazendo Jane sorrir exultante. Ela voltou para o banheiro e Jane, cansado das besteiras dela, se aproximou da porta.
- Sabe, dá para se dizer muito sobre uma pessoa com a maneira que ela age quando está pelada.
- Oh, é? Por acaso você quer saber a minha reação, Jane?
- Talvez. – ele murmurou.
XxLFNxX
Carros de luxos deixavam pessoas luxuosas na porta de um hotel de luxo. Era o hotel Lanesborough. Onde seria o cocktail de boas vindas do casamento de Christine Lisbon e Edward Adams-Fletcher.
Jane pagou o carregador, que levou suas malas. Ele se virou para encontrar Lisbon. Viu ela sair do banheiro. Havia ido se trocar novamente. Ao vê-la Jane engoliu seco, e sentiu seu estomago se contorcer. Ela estava usando o vestido vermelho. Ele sorriu surpreso. O adolescente estava certo. Ela estava realmente maravilhosa.
Lisbon começou a fazer uma respiração de yoga, tentando relaxar enquanto caminhava até Jane. Ele pegou a mão dela e a puxou mais próximo a ele.
- Você está bem, meu amor?
Lisbon confirmou, claramente nenhum pouco bem. Estava em pânico ao encontrar sua família, e ao mesmo tempo Jane a chamando de meu amor. Era demais para a cabeça de uma mulher.
Jane empurrou uma mecha de cabelos para trás da orelha dela. Era uma intimidade tão forte na maneira que ele a tocava que Lisbon sentiu seu estomago vibrar.
- Eu não tenho certeza que consigo fazer isto. – soltou numa voz esganiçada.
Jane se moveu na direção dela como se fosse beijá-la, mas ele apenas sussurrou no ouvido dela.
- Você nunca vai ter certeza de nada se não entrarmos, Theresa.
Então, Joy Lisbon, a madrasta, apareceu.
- "Baby love, my baby love" - ela cantava.
- Por favor, Joy, não é hora de ser você mesma. – soltou Theresa.
Joy estava nos fim dos quarenta, e usava um terno chanel claro ornando com seus cabelos pintados.
- Theris!
Joy puxou Jane e Theresa para um abraço bêbado. Ela deu a Jane um olhar o mirando dos pés a cabeça.
- E quem é este? – soltou com forte sotaque.
Theresa estava mortificada, mas Jane a salvou.
- Eu sou o namorado. - beijando o rosto de Joy. - Patrick Jane. É um prazer conhecê-la.
Joy sorriu para ele e deu a Theresa um olhar "estou impressionada" indiscreto e os levou para a festa.
- Theris? – Jane arqueou as sobrancelhas para ela.
- É. – Lisbon suspirou. – Desde criança.
Joy, Jane e Lisbon emergiram para dentro da multidão de Burberry, cabelos desleixados e julgamentos não ditos. Joy se virou para Jane e Lisbon, toda política.
- Isto é uma maratona, não um sprint. Depois do cocktail de boas vindas, teremos a despedida de solteira. Amanhã, haverá um piquenique e o jantar de ensaio e desde que vocês convenientemente não tiveram tempo para o jet lag... - e ela apertou a bochecha de Lisbon. - ... preciso que você se hidrate, querida.
Jane e Lisbon estavam chocados. Ele segurou um riso, fazendo Lisbon virar para ele furiosa.
- Não tem graça.
- Adorei ela. – ele soltou ainda sorrindo.
- Theris! – alguém gritou, fazendo ela e Jane se virarem.
Um homem alto num terno riscado se aproximou.
- Mike! – ela sorriu, e o abraçou.
- Achei que não viesse. – ele disse, também sorrindo.
- Não vinha. Fui obrigada. – e apontou para Jane.
Jane percebeu que aquele só podia ser irmão de Lisbon. Tinha a mesma pele clara e os mesmos olhos verdes.
- Sou Michael. Irmão mais velho. Você é...?
- Desculpe! – exclamou Theresa. – Esse é Patrick, meu... meu... – ela ainda estava com uma dificuldade gigantesca de interpretar aquele papel.
- Namorado. – emendou Jane.
- Uau! Não sabia que estava namorando. Sou seu segundo parente mais próximo e nunca fico sabendo de nada. Aposto que você conta tudo ao John.
- Claro que não. E as crianças?
- Não trouxe. Muita bagunça para um único fim de semana. Bom, eu tenho que ir. Joy me colocou para ajudá-la.
- Boa sorte.
- É. Patrick, faça Theris te levar em Chicago no verão. Você irá conhecer minhas filhas.
- Vou fazer. – Jane disse, vendo-o sair. Ele a fitou novamente. – Qual é o seu problema?
- O quê?
- Seja natural, Theresa. Você sequer consegue dizer meu nome sem corar.
- Jane!
- Patrick! – a corrigiu. - Não coloque nosso plano a perder.
Ela suspirou, e viu o pai.
- Pai! – exclamou.
- Hey, gatinha. – ele disse se aproximando, e Jane os observou se abraçarem. Matthew Lisbon era alto, com cabelos rareando e enormes olhos verdes.
- Este é Patrick.
- Sr. Lisbon. – Jane esticou a mão e trocaram cumprimentos. E então, a irmã gêmea de Theresa, Christine, vestida num pomposo vestido preto, apareceu gritando na porta.
- Eu vou me casar, Theris! - e abraçou a irmã.
Jane as viu juntas e não conseguiu evitar compará-las. Christine tinha o cabelo mais comprido e mais claro. Era bem obvio que adorava chamar atenção. Não só pelo vestido curto e decotado como pelas ações e gestos. Já Theresa sorria tímida para a irmã no seu vestido vermelho, tentando se esconder de tudo e de todos naquela festa.
Matthew, piscando com os gritos agudos da filha, se virou para Jane.
- Acho que um drinque ajuda. - ele disse.
Jane sorriu e olhou para a taça na mão do pai de Lisbon.
- Quer que lhe traga outro? - Matthew arqueou as sobrancelhas e esticou a taça para Jane.
Jane cheirou o copo e soltou:
- MacCallum, 18 anos. - cheirou de novo. - Puro, e aquecido.
- Existe maneira melhor de pedir?
Jane sorriu e foi até o bar. Matthew se virou para Theresa, que tinha conseguido se soltar dos braços da irmã.
- Onde encontrou esse cara?
Lisbon sorriu, adorando.
- Paginas amarelas.
Matthew gargalhou. Do outro lado da sala, Joy encontrou o microfone. Ela bateu uma faca do lado do vidro da taça para pedir atenção.
- Bem vindos família e amigos.
Lisbon entrou em pânico.
- Deus do céu, quem deu um microfone a essa mulher?
Joy estava bêbada de felicidade.
- Matthew e eu especialmente gostaríamos de agradecer os convidados de fora da cidade por virem celebrar conosco enquanto damos as boas vindas a Edward e os Adams-Fletcher a nossa família.
Todos olharam e aplaudiram Edward e seus pais. Jane, próximo ao bar, também aplaudiu, e pôde ver um homem encarando Lisbon. Ela não percebeu, mas Jane estranhou.
- É engraçado. – Joy continuou. - Nós sempre achamos que casaríamos Theresa primeiro. Chegamos muito perto uma vez, mas sabem como tudo acabou dando errado.
Lisbon fechou os olhos, mascarando a dor. Jane a encarou, vendo a corar. Ele percebeu que o homem que a encarava sorriu para a multidão tentando ser simpático. Aquele devia ser o ex-noivo.
Jeffrey se moveu, e andou até um piano próximo.
- Ainda assim, nós tínhamos esperança. – Joy ainda continuava seu discurso. - Ela sempre foi tão popular com os meninos na Escola Americana, e isso diz muito.
De repente, notas musicais adoráveis do piano foram ouvidas. Joy olhou, surpresa. E então sorriu ao ver Jeffrey sentado no piano tocando.
- Okay, okay. Eu entendi. De qualquer maneira, imagine nossa surpresa quando Eddie se mudou para a casa vizinha e se apaixonou pela... garota da casa vizinha. Nossa Chris. Sorte para nós, nós não tínhamos idéia sobre este clichê imperdoável. – e levantou sua taça. - Um brinde para a noiva e o noivo. Parabéns, queridos.
Todos aplaudiram e Jeffrey tocou um floreio final.
XxLFNxX
Minutos depois, Lisbon estava em pé perto do banheiro feminino quando Jeffrey saiu do banheiro masculino. Seus olhos se encontraram. Ambos pararam um diante do outro, mudos. Nenhum conseguiu encontrar palavras ou sorrir. Lisbon fingiu que vê-lo não é um soco no estômago, e forçou um sorriso.
- Obrigada pelo… sabe… com o piano. Foi mesmo... Hmmm... - ela pausou, quando viu uma mulher sair do banheiro. - Tenho que ir.
Lisbon entrou rapidamente no banheiro o deixando no corredor.
Tentou recompor sua respiração. Ela abriu a torneira como se quisesse lavar as mãos. Então se confrontou diante do espelho e aplicou uma nova camada de batom como se estivesse vestindo uma armadura.
Jeffrey, um britânico espirituoso, não era um homem que gostava de esperar, mas ele esperou. Lisbon saiu do banheiro como se não o tivesse visto antes.
- Hey, Jeffrey, olá.
- Oi, Teriyaki.
Enquanto Jeffrey a beijou no rosto, os olhos de Lisbon se fecharam e ela engoliu seco. Sentiu culpa. Ela não queria sentir, mas algo dentro dela tremeu.
- Você parece ótima, beleza. – ele disse, e ela corou. Como pedir perdão? - Ver você de novo...
E então, TJ, aproximadamente de 30 anos, prima de Lisbon, apareceu, puxando Lisbon para um abraço. A impertinência enérgica de TJ era entrecortada pela sua língua ferina.
- Theris Lisbon. Nós vivemos há 140km uma da outra mas eu tenho que voar até Londres para te ver. Você nunca me visitou em São Francisco. Onde você está? Eu tenho ginecologistas que me vêem com mais freqüência.
- Você tem mais que um ginecologista? – perguntou Theresa.
- Claro. Você tem que fazê-lo um ficar contra o outro. Por outro lado, eles acham que você é fácil.
TJ se vira e encarou Jeffrey como se só agora percebesse que ele estava ali.
- Hey, idiota, já que você não é mais noivo da minha prima, você não se importa se eu roubá-la, certo? Eu tenho coisas interessantes pra dizer a ela. – soltou TJ dando um olhar frio a Jeffrey e levando a prima de lá.
De braços dados, Lisbon e TJ voltaram a festa.
- Você não tinha que fazer isso. – disse Theresa a ela.
- Eu não estava salvando você dele. Estava salvando você de você mesma. Você é legal demais.
- Não se preocupe. Eu já superei isso. – disse tentando parecer forte. Para em seguida, baixar a guarda. - Além disso, você sabe se ele está saindo com alguém?
Elas viram Jane conversando com Joy e um grupo de senhoras. Ele não parecia nenhum pouco deslocado. De fato, o charme dele as deixou encantadas.
- Por que gastar mais que dez segundos com aquele perdedor quando o Sr. Me-amarre-com-força-no-espaldar-da-cama está esperando por você no bar?
Jane ouvia Joy pacientemente enquanto ela se abria de coração.
- Quando me casei com Matt, sempre quis que nossa Theris me amasse. Não que estivesse procurando substituir sua mãe, mas queria que ela me visse como uma grande amiga.
TJ e Lisbon ainda encaravam Jane e Joy.
- O que ele faz afinal? – perguntou curiosa.
- Ele é consultor. Trabalha comigo.
E então, Jane olhou para a multidão e encarou Lisbon. Com um intenso olhar de "vem aqui", fez um gesto com a mão a chamando, com um sorriso estonteante no rosto.
TJ suspirou sonoramente, e soltou extasiada:
- Acho que tive um orgasmo.
Xx TO BE CONTINUED... xX
N/A: E então? O que vocês esperam que vá acontecer agora? Huh? Me digam.
Agradecimentos a: Madam Spooky (pois é, podia não ser gêmea, mas achei que isso seria algo divertido. Ah, Spooky é por causa do Mulder?) Gina Molly Potter (Você colocou o alert de historia e de autor? Porque com eles sempre aparece um email de atualização. E valeu pelo elogio. Tenho medo de exagerar na UST sabe? E estragar a história. Mas um beijo vai ter. Lá pelo capítulo 7, eu acho.) Nayla (acho que já te agradeci no capítulo 3, mas valeu por ser uma leitora ávida de todas minhas histórias. E ai, o que achou da proposta de casamento de Chase e Cameron? Eu cheguei a chorar.)
Hey, garotas, que tal um fórum Jisbon em português no fanfiction? Eu, as vezes, converso com as meninas no em inglês, mas nem posso participar das idéias de fics que elas propõem. Meu inglês não é tão perfeito pra escrever.
Notas:
Cosmopolitan – revista feminina agora internacional, publicada pela primeira vez em 1886 nos Estados Unidos. É o papa das revistas sobre moda, beleza, saúde, sexo, carreiras, celebridades e sucesso pessoal. É traduzida em 34 linguas, tem 58 edições internacionais e distribuída em mais de 100 paises.
Burberry - é uma casa de moda britânica, especializada em roupas e acessórios de luxo. A sua imagem de marca é constituída por um padrão em quadrados. A Burberry é uma das marcas de moda mais famosas do mundo, tendo casas próprias, franchising, venda por catálogo, e uma linha de perfumes.
