De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.
Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Se fosse meu, o presente de aniversário que Jane daria a Lisbon seria um fim de semana na suíte Honeymoon num hotel cinco estrelas com reserva para o casal Sr. e Sra. Jane.
"RED SECRETS"
By Ligya Ford-Northman
Capítulo 5 – Encarando realidades
Jane estava ao lado de Lisbon no bar. O bartender entregou a Lisbon um drinque. Ela viu um sorriso no rosto dele enquanto ele disfarçava não olhar pra ela. Ele tentava não dizer nada para não enfurecê-la, já que ela parecia estar vivendo num verdadeiro inferno.
- Você está se divertindo muito pelo jeito. – ela constatou.
- Ah, estou. Suas tias estavam me contando sobre você quando era pequena.
- Sobre meu casamento também, suponho. – e tomou um gole do seu drinque.
- Também. – e riu.
- Qual foi a versão dessa vez? Que eu fugi subindo num cavalo ou peguei um ônibus vestida de noiva até Heathrow?
- Do ônibus. – e riu de novo. – Por que não consegue levar isso numa boa? Ninguém aqui esta fazendo perguntas ou te atormentando com coisa alguma. Ninguém fez comentários, Theresa.
- Eu sei, mas ainda sinto... sinto uma falsa impressão de segurança. Como se alguém daqui a pouco fosse me apunhalar.
- Que dramática!
- Hey, sua metida! – Theresa reconheceu a voz e se virou sorrindo.
- Oi, John! – se levantou do banco e foi abraçar o irmão mais novo.
- Por que você não me telefonou?
- Você me ligou todos os dias durante as duas ultimas semanas. Ainda precisava que eu ligasse?
- Claro. Precisava saber se você vinha. Queria te apresentar alguém. – e então ele viu Jane, e abriu a boca com afetação como se quisesse deixar o queixo cair. . – Meu Deus do céu! Isso tudo é seu?
Jane sorriu embevecido, e Lisbon corou até a raiz dos cabelos.
- Sou Patrick.
- Oi Patrick. Minha nossa, Theris. Nunca mais duvido do seu charme.
- Na verdade o charme é meu. – soltou Jane sorrindo ainda mais. Theresa sorriu, tentando esconder a vergonha. E odiando Jane por aquilo. Por que ele tinha que fazer isso?
- Tenho que chamar Andre pra ver vocês. Esperem aqui. – e virou as costas.
- Andre é o namorado certo?
- Certo. Bom trabalho, Jane. Todas as opções sexuais estão a seu dispor.
- Ele é seu irmão. Tenho que ser gentil.
Christine apareceu logo atrás deles.
- Hey, Theris, tenho que dizer que este põe Jeffrey no chinelo.
- Chris! – Theresa a censurou.
- Oi, sou Patrick Jane. – e ele esticou a mão para ela.
- Eu soube.
- Tenho que te dizer que quando Theresa me disse que eram gêmeas, achei que fossem parecidas, mas vocês são completamente diferentes.
- Ainda bem. - soltou Lisbon, parecendo amarga.
Christine se virou e o bartender entregou um drinque a ela.
- Sabe o que eu mais amo nisso tudo? – ela perguntou.
- Finalmente há uma razão para que o mundo todo olhe somente para você? – Theresa devolveu ríspida, fazendo Jane fazer uma careta.
- Exatamente! Hoje é o meu dia. Amanhã será o meu dia. E o dia depois de amanhã? Meu dia.
Enquanto Christine engoliu o drinque, Edward apareceu. Ele era um britânico de alta classe sem afetação.
- Como está futura senhora?
Chris o beijou nos lábios.
- Perfeito. Tudo com muito gin.
- Exceto que é scotch. - disse Lisbon, fazendo Jane se virar para ela.
- Mas eu não vou usar seu nome, seu safado. - ignorou a irmã. - Eu sou uma feminista. - chacoalhou o drinque. - Eu preciso de gelo. Sr. Meu-marido, me arranje mais gelo!
- Com certeza, mas então me beije. - ela o beijou. - Deus, sou um desgraçado de sorte.
Edward levantou Chris e a rodopiou. Em seguida, fez uma dança estranha e quase caiu.
- Viu o que acontece quando você desiste das lições de dança dois dias antes do casamento?
Edward olhou Jane por socorro.
- Quem já ouviu falar em lições de dança para um casamento honestamente? - Edward tentou se defender.
- Uh... todo mundo? - emendou Jane.
- Você tá zombando de mim? – agora Edward parecia fora de si.
Edward olhou para Lisbon, que balançou a cabeça.
- Nós iremos com vocês amanhã. Eu também sou terrível. Vai ser divertido. – disse Jane, sorrindo.
Chris deu um beijo no rosto de Jane.
- Eu não te conheço, fofo, mas já te adoro.
Lisbon deu a Chris um olhar fatal, a fazendo rir.
- Lições de dança. Certo. - Edward disse para ninguém, com uma careta triste no rosto.
XxLFNxX
Escapando, Jane saiu para uma varanda que dava acesso as piscinas, para encontrar com quem ele mais queria conversar: o cara do piano que encarava Lisbon.
- Oi.
- Hey, olá. – ele devolveu.
Jeffrey parecia nervoso. Jane tentou quebrar o gelo, apontando para a multidão na festa:
- Um casamento é um sacramento... uma celebração festiva do amor e do compromisso. Em Utopia. No mundo real... é uma desculpa para se beber excessivamente e dizer coisas que não deveriam dizer.
- Ah, um filósofo.
- Não. Só alguém que observa muito. – Jane deu um sorriso estranhamento tímido.
- Cara! – Jeffrey parecia impressionado.
- O quê?
- Nada, nada.
- Não, me diz.
- Vocês Yankees e suas observações. É incrível. – Jeffrey parou e riu. - É um pouco sensível demais pra mim.
Jeffrey observou a festa, e viu Lisbon e Christine com TJ no bar. Devagar se virou para Jane. Com dificuldade, ele começou a se abrir para seu novo amigo.
- É só que, há uma garota que eu... Deus, eu acho que deveria dizer que a amo... e o problema é, é claro, ela está aqui com alguém. Merda!
Jane escondeu sua surpresa enquanto Jeffrey levantou sua taça fazendo um brinde silencioso a sua miséria. Jane acabou de brindar com ele quando Lisbon apareceu com TJ e abraçou Jane pelas costas.
- Aqui está você! – ela exclamou.
E então, ela viu Jeffrey.
- Oh, ótimo. - soltou TJ, percebendo o momento.
Jeffrey estava horrorizado. Olhou para Jane, chocado, e então olhou para ela.
- Hey, Teryaki.
- Oi. – e se virou para Jane. - Vejo que conheceu meu ex.
Os quatro ficaram parados ali, atônitos.
- Eu interrompi alguma coisa? – Theresa perguntou.
Jeffrey olhou desesperadamente para Jane. Ele hesitou, então disfarçou.
- Eu estava dizendo a Jeffrey como nos conhecemos.
Lisbon deu a Jane um olhar em pânico. Jane sorriu.
- O jogo dos Lakers? - ele emendou a história que tinham planejado. - Em Encino?
- Oh, é.
- Eu ia ser apresentado à equipe dela no dia seguinte.
TJ suspirou novamente.
- Você odeia esportes. - afirmou Jeffrey, encarando Lisbon.
Lisbon apertou o braço de Jane, segurando o nervoso.
- Eu odeio críquete.
Jeffrey estava desesperado para sair dali.
- Certo. Eu tenho que ir. Bom conhecê-lo. Talvez eu o vejo na festa de despedida de solteiros. Na minha casa. - e se virou para Lisbon. - Você sabe o endereço.
Jeffrey saiu na direção das piscinas e TJ se virou para Jane, antes de também se reunir à festa:
- Muito bom, Patrick, você foi certeiro.
Jane encarou Lisbon, e sorriu. Ela parecia sem saber o que fazer.
- Teryaki? – ele perguntou com um sorriso malicioso. Lisbon corou e emendou:
- O quê? Você nunca colocou um apelido na sua mulher quando namoravam?
- Bem... coloquei sim.
- Deus, ele parece miserável. – Lisbon suspirou. - Do que vocês estavam falando?
- Amor. – ele disse e voltaram para a festa.
Jane pegou a mão de Lisbon e deu beijo nas costas dela. Depois da confrontação com Jeffrey, Lisbon parecia assustada. Ela tremeu com aquele toque, mas disfarçou. Queria que Jane acreditasse que ela estava levando aquele fingimento sem medo.
- Jeffrey conhece o amor como conhece tricô.
- Ele estava bem bêbado, mas acho que ele é ainda louco por você.
- É claro que é. Estou aqui com um novo namorado. - ela pausou e entrou num semi-desespero. - Oh Deus. O que estou fazendo? Por que trouxe você? Ele está sofrendo.
Jane parou e encarou Lisbon. Ele estava serio e seu olhar parecia mais intenso que antes.
- A única pessoa que está sofrendo aqui é você. Você precisa parar de se preocupar com ele. Você acha que consegue fazer isso?
Lisbon respirou profundamente.
- Não. - ela se virou, olhou a multidão, tentando se acalmar. Jeffrey e Jane ao mesmo tempo. Aquilo era tortura. Então devagar o rosto dela se virou para Jane. - O que ele disse exatamente? Ele me quer de volta?
- Eu não sei.
- O que sua leitura diz?
- Que você é boa demais pra ele.
XxLFNxX
Uma encantadora casa numa fileira de casas idênticas. Você nunca saberia onde os americanos vivem até ver um notável barco à vela estacionado à frente da garagem.
Matt e Joy tentaram ajudar Jane a tirar as malas dele e de Lisbon do táxi. Ele não os deixou. Enquanto Jane andava com as malas pelo caminho até a porta, ele pôde ler o nome, "Maggie Ship", na parte de trás da cabine do barco.
Jane carregou as diversas malas de Lisbon enquanto o pai e a madrasta de Lisbon os escortava escadaria acima. Lisbon parou na porta do seu quarto e não entrou.
- Bem, aqui estamos.
Eles ficaram lá, espremidos como sanduíche num espaço pequeno.
- Obrigado por me receberem. – Jane sorriu político.
- Não seja bobo. - disse Joy. - É maravilhoso finalmente conhecê-lo. Embora não tivesse idéia da sua existência porque quando minha filha fez vinte e um anos parou de falar comigo, exceto quando ela precisava de dinheiro. Então deixe me mudar a frase. Foi ótimo descobrir sua existência e então finalmente conhecê-lo de uma vez. Eu adoro surpresas.
- Okay, Joy. Chega. – pediu o marido.
Lisbon lhes deu um olhar, mas ainda não abre a porta.
- Onde Patrick vai dormir?
- Onde? Com você. – respondeu Joy, tentando ser óbvia. Theresa emendou sem ouvi-la:
- Joy tem um regra de homens e mulheres dormirem no mesmo quarto sem um anel no pacote. Ela acha que... - ela levantou os dedos para fazer o gesto de aspas, quando entende o que a madrasta disse. - Huh?
- Não sou tão provinciana quanto minha filha pensa.
Joy olhou sedutora para o marido e os empurrou para o quarto deles.
- Ela deve ter afogado suas regras naquele Chardonnay.- e com isso, Lisbon abriu a porta.
XxLFNxX
A porta se fechou e o feliz casal se separou. Jane analisou o quarto infantil excessivamente floral de Lisbon.
- "Laura Ashley?" – ele perguntou.
- Totalmente. – e ele riu. – Assustador não é?
- É bonito, mas é assustador sim.
Jane voltou a analisar o quarto. Pilha de discos, livros, fotos dela e dos irmãos crianças. E na mesma estante, encontrou três pacotes de cigarro abandonadas há um tempão.
- Quando parou de fumar?
- Há uns oito anos.
Ele olhou o pôster bem anos 80 de dois caras cabeludos com guitarras em um fundo com luzes a lazer.
- Quem são eles?
- Graham Russell e Russel Hitchcock.
Jane pensou naqueles nomes por um segundo, e então seu rosto se abriu num sorriso surpreso.
- "Air Supply"?
Lisbon corou até a raiz dos cabelos, arrancou o pôster da parede e o enfiou no guarda-roupa.
- Meu pai e Joy tiveram um estudante alemão de intercambio aqui por alguns anos... Ele deve ter deixado aqui.
Jane escondeu um sorriso enquanto Lisbon entrou no banheiro. Ela deixou uma fresta aberta na porta enquanto se aprontava para tomar um banho. Sem o conhecimento dela, Jane assistiu da cama, adorando o ritual.
- Todo mundo conhece seus maiores hits mas algumas das suas baladas menos conhecidas são surpreendentemente intensas. – ela explicou.
Inexplicavelmente, Lisbon ficou na ponta do pé enquanto se olhou no espelho. Era bobagem, talvez o piso estivesse frio, mas deu a ela uma inocência que fez Jane sorrir.
- O quê? – ela perguntou vendo o sorriso dele.
- É uma graça.
- O que é uma graça?
- Você ficar na ponta dos pés.
- Eu fico? – e Lisbon olhou para baixo, sem nunca ter notado antes.
- É um velho habito do balé ou uma adolescência inteira pisando em ovos?
Ela lhe deu um olhar mortal.
- Eu nunca fiz balé. – sorriu e chutou a porta com um dos pés.
Minutos depois, ela estava deitada na cama. O jet lag era gigante. Sua cabeça parecia pesada de tanto cansaço. Ela olhou em volta analisando seu quarto, enquanto Jane tomava banho. Ela havia preparado um lado da cama de casal pra ele descansar.
Fechou os olhos quando lembrou de Jane lhe dando um beijo na mão e ao mesmo tempo lembrou o olhar de choque de Jeffrey ao vê-la com ele. Engoliu seco e suspirou.
Abriu os olhos quando ouviu a porta do banheiro se abrir. Jane apareceu em um pijama azul escuro. Escuro combinando com os olhos dele.
- Não tenho sofá aqui. Tudo bem dormir aqui?
Ele sorriu.
- Nenhum problema... Theris.
Ela riu, enquanto Jane se aconchegou na cama.
Estava escuro, apesar de ser dia. Jane fechou os olhos enquanto Lisbon virada para ele, o observou. Jane não sabia a outra parte do plano dela.
- O quê foi? – ele perguntou.
- Uh?
- O colchão ficou mais pesado. Sabe por quê? Porque está carregando o mundo nas costas. No que está pensando?
- Em Jeffrey. - e ela virou a barriga pra cima. - Como será que ele conseguiu superar isso? Não sei se eu conseguiria.
Jane ficou mudo. Não sabia o que responder.
- Você já se arrependeu de alguma coisa? – ela perguntou em seguida.
- Você se arrepende de ter o deixado no altar?
Ela não respondeu, fazendo Jane abrir os olhos e encará-la. Ele apenas a viu olhando o teto, numa expressão de tristeza. Aquilo era um sim.
- Me arrependo de não ter sido mais coerente naquela época. - e se virou de costas para ele, tentando dormir. Jane pensou naquela resposta, e sentiu seu estômago vibrar novamente. Por que Jeffrey lhe incomodava? Por que ele se importava tanto com o que Lisbon quer?
Xx TO BE CONTINUED... xX
N/A: E ai? O que vocês acham que está passando na cabeça da Lisbon, huh? Quero saber.
Agradecimentos: Madame Spooky – Sim é sim baseada nesse filme. Não vai ficar igual. Se você lembrar do filme, os motivos da... da... Grace são meio que diferentes que os da Lisbon. E sim, concordo com você. Mesmo assistindo diversas séries, e ficando obsessiva com varias delas - como The Mentalist, Lost e House – nada se compara a minha paixão por Arquivo-X. Tenho até fic postada no ff. Gina Molly Potter – A Tj é um barato, e relaxe, ela vai ter alguém pra ela também. E valeu pelo alerta de autor. Tenho outra fic em mente. E uma continuação dessa aqui. E com Red John na historia. Obrigada mesmo. Anis – minha flor (Timão Campeão amanhã, hein?), obrigada por ler, mesmo não acompanhando avidamente a série como eu. O importante é que você tá curtindo minhas viagens jisbonianas de qualquer maneira. Tu sabe que a sua opinião é muito importante pra mim. E em falar na fic, a TJ (como eu disse no comentário anterior) é fantástica. Ela suspira pelo Jane a história inteira. Obrigada Xuxu!!!
Notas:
Laura Ashley – foi uma designer de tecidos para roupas e artigos para casa. Suas peças são femininas, coloridas e grande parte florais.
Air Supply - banda pop australiana formada em 1975 por Graham Russell e Russell Hitchcock. Em julho de 2005 Graham e Russell lançaram o DVD "It Was 30 Years Ago Today" para comemorar os 30 anos da banda. O Brasil teve a chance de rever a banda em Janeiro de 2008, quando Air Supply fez apresentações em São Paulo, Rio, Recife e Fortaleza.
