De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.

Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Se fosse meu, na cena do apartamento de Lisbon em "Red Badge", Jane teria a abraçado quando ela começou a chorar. E não simplesmente ter falado um "you're gonna be fine" e ter ido embora.

CAPITULO 11 - Perdão

Após a chegada conturbada, Lisbon correu para o chuveiro. Ela não havia tomado banho no barco. Aquilo havia sido apenas um pretexto para mais um momento intimo com Jane sem a família inteira no seu pé. Ela precisava daquilo mais um pouco antes de voltarem a Sacramento.

Jane andou pelo gramado, com um sorriso no rosto e as mãos nos bolsos. Ele se sentia tranqüilo e feliz como há muito não se sentia. Suspirou fundo e levantou a cabeça na direção do sol, deixando o calor invadi-lo mais um pouco.

Há alguns metros a sua frente, encontrou o Sr. Lisbon sentado a uma mesa de madeira, diante de um suntuoso brunch, com um jornal e uma caneta nas mãos.

- Bom dia! – ele disse se aproximando.

- Patrick, bom dia! Quer um café? – ofereceu.

- Sim, senhor. – respondeu se sentando.

Matthew serviu Jane, e não tirou os olhos dele, o vendo beber da porcelana.

Ele voltou os olhos para o jornal e se perguntou alto:

- Qual é a palavra de sete letras para corruptor de filhas? – ele pausou e soltou de repente. – Oh: Patrick.

Jane arqueou as sobrancelhas com um meio sorriso no rosto. Matthew Lisbon possuía um humor que ele desconhecia. Antes que pudesse se defender da acusação, Matthew perguntou:

- Você gosta de barcos, Patrick? – e o olhou novamente.

- Agora eu gosto, senhor. – disse honestamente. Cresceu em Dallas, com cavalos e muita terra. Ansiou a vida inteira por água, e mesmo com uma casa em Malibu, descobriu que mar e barcos eram só uma fantasia.

- Ao menos, alguém tá usando ele. – ele riu, e Jane sorriu. – Nós usávamos muito quando eles eram crianças. Agora... a única que gosta de velejar é Teresa. Ela veleja na Califórnia?

- Não senhor, nem sabia que ela velejava.

- É uma pena.

- Não é verdade! – Teresa apareceu atrás deles. – Nós sempre velejamos quando venho a Londres. – e beijou o rosto do pai. – Bom dia, pai!

- Bom dia!

- Bom dia, querida! – disse Jane, e seu sorriso abriu como Theresa nunca viu. Ela se abaixou e o beijou nos lábios.

- Bom dia.

- Hey, alerta de pai aqui! – Matthew exclamou. – O que vocês fazem naquele barco não é da minha conta, mas na minha frente?

- Pai! – ela exclamou corada fazendo Jane rir. – Eu tenho que encontrar Joy e Christine e me vestir.

- Te levo até lá. - disse Jane.

O pai arqueou as sobrancelhas, balançou a cabeça e voltou ao seu jornal.

Jane se levantou e ele e Lisbon caminharam de mãos dadas pelo caminho jardinado com toldo de árvores. Assim que Jane viu que Sr. Lisbon não podia mais vê-los, empurrou Teresa na direção de um muro coberto por plantas. A beijou apaixonadamente. Foi tão intenso que a fez perder a força das pernas.

- Acho que nunca vou me enjoar disto. – ela sussurrou.

- Bom mesmo. – e a beijou novamente.

XxLFNxX

Jane viu Lisbon caminhar com passos delicados pela casa. Ele já estava vestindo seu smoking novamente, e queria beijá-la mais uma vez, antes deles irem para a igreja. Ela andava graciosamente em saltos altíssimos escondidos num longo vestido prateado frente única com pedrarias brilhantes.

Seguiu-a, e a viu andar na direção da varanda, na parte de trás da casa. Uma gigantesca varanda panorâmica com vista para o lago.

Viu-a encontrar Jeffrey. Ele estava encostado sentado em um das dezenas de poltronas espalhadas pelos cantos. Pela fumaça, ele fumava.

- Precisava falar com você. – ela disse. Jane continuou de longe, os ouvindo. Sabia que não devia ouvir, mas seu ego, seu ciúme o impediu de se afastar. Tinha que ouvi-la falar para ele.

Jeffrey se levantou e a encarou. Lisbon percebeu que Jeffrey parecia estar num imenso conflito. Achou melhor falar de uma vez.

- Jeffrey, eu queria lhe pedir perdão. Perdão por ter sido tão fraca há oito anos. Eu devia ter sido honesta com você. Você tinha que saber... Eu peço perdão por ter te magoado tanto.

Jeffrey sorriu amargo. Um sorriso amarelo, culpado.

Ela sabia que ele tinha tentando lhe dizer algo antes, mas que não havia conseguido.

- Você me perdoa? – ela precisava saber.
- Theris, é que... eu...

Ela perdeu a paciência:

- Okay, vamos logo. Qual é a grande confissão?

Ele a olhou em choque. Lisbon, no seu vestido prateado de madrinha, colocou as mãos na cintura e o encarou, curiosa.

- De alguma maneira, você estava certa. – ele disse olhando para o lago e não para ela. - Quando disse que amava você, não amava. Nunca amei. Se eu tivesse confessado, não teria havido nenhuma história de casamento. Como se tivesse feito para você me deixar. Mas a verdade é que você pediu perdão, mas eu não mereço seu perdão.

Lisbon ainda se sentia confusa.

- O que você fez? – ela perguntou. Aquele era Jeffrey. Não podia ser algo tão atordoante assim.

- Merda, desculpe. Não achei que seria tão difícil.

- Relaxe. Respire fundo e apenas diga. Não é grande coisa. Eu prometo.

- Ótimo. – ele ironizou.

- Bem, acho que é grande coisa. Provavelmente não tão grande quando a minha noite passada... ou manhã.

Jane ouvindo sorriu.

- Eu não quis trazer Patrick para magoá-lo ou algo parecido. Espero que não tenha magoado seus sentimentos, já que agora nós superamos essa historia, você e eu. Eu amo Patrick e estou tão feliz que estou com medo.

Jane, reluzente de felicidade, se moveu e voltou a entrar na casa. Sentou-se em algum sofá fofo e aguardou Teresa para irem para a igreja.

- É passado. - Lisbon pegou a mão de Jeffrey. – Não há nada além do que fantasmas. Só tire isso do seu peito e vamos voltar pra dentro e comer Tiramisú.

- Eu dormi com sua irmã.

Silêncio.

- Não entendi. – ela disse com as sobrancelhas juntas.

- Eu trepei com Christine há oito anos atrás. – ele explicou. - E continuei com o nossos planos de casamento ainda assim. E então, você me deixou, e eu e Christine continuamos como coelhos, até percebermos que era errado. Então, rompemos. Mas continuávamos indo e voltando.

Teresa continuou ouvindo, atônita.

- No ultimo Natal quando Ed a pediu em casamento, eu percebi... estou apaixonado por ela. Eu não posso perdê-la.

Ela achou que estava presa em um filme de terror. Ela tinha que sair dali. Ela apenas se virou e foi na direção da casa, a tempo de ouvir Jeffrey gritar:

- O quê? Meu Deus, diga alguma coisa! Você disse que eu deveria dizer a verdade!

Lisbon parou e voltou a encará-lo:

- Em pensar que eu pensei na possibilidade de voltar pra você! - e Lisbon gargalhou.

Achou que ia chorar, mas o som ficou preso na sua garganta. Ela balançou a cabeça e mecanicamente entrou na casa.

Na sala de estar, ela encontrou TJ que a encarou. Viu seu rosto perturbado e então viu o mesmo rosto em Jeffrey, que vinha atrás dela.

- Oh não. Ele te contou. – a prima disse.

- Você sabia?

- Desculpe.

Ela caminhou até a sala da lareira e encontrou Christine, já no seu vestido de noiva.

Lisbon sentiu a fúria explodir dentro de si. Christine viu seu olhar, e soube:

- Por favor, não diga ao Ed.

Teresa olhou Christine como se nunca a tivesse visto antes. Os olhos dela estavam selvagens, suplicantes.

- Por favor... – ela pediu novamente.

Quando Teresa achou que fosse a pessoa mais sozinha do mundo, sentiu a mão de Jane em suas costas. Christine o vendo, gritou:

- Não acredito que você contou a ela!

Lisbon se virou para Jane, confusa. Ela só via o rosto dele e a voz de Christine:

- Você disse que não contaria. Por que não esperou até chegarem à Califórnia?

Lisbon correu dali. Apenas um pensamento passava-lhe na cabeça como um mantra: Jane sabia! Jane sabia! Jane sabia!

Jane a seguiu, enquanto Edward se aproximou de Jeffrey, próximos a porta.

- O que houve? – ele perguntou.

- Nada. – respondeu ele.

- Não parece que não houve nada.

Jeffrey puxou o amigo pelo braço:

- Agora tá tudo bem. – e apontou para o copo vazio na mão de Edward. – Vamos tomar mais um.

XxLFNxX

- Lisbon! – Jane correu atrás dela.

Ela não conseguia caminhar rápido com o vestido longo e sapatos novos perfurando o gramado.

- Por favor! Me ouça! – e a alcançou, a segurando pelo braço.

- Por que não me contou? – ela gritou o olhando nos olhos.

- Eu...

- Quando soube?

- Ontem.

- Por que não me contou noite passada?

Jane viu a dor nos olhos cheios de lágrimas dela. Era uma dor por Jeffrey, pelo passado.

- O que você queria que eu dissesse? Que sua irmã dormia com seu noivo? Que todo mundo sabia e ninguém te respeitou o suficiente pra te dizer?

Ela começou a chorar.

- Isso é passado, Lisbon. Aconteceu há oito anos. – ele baixou a voz. – Era como se você soubesse. Como se você soubesse que ele não era pra você.

Lisbon fechou os olhos, tentando engolir as lágrimas.

- Meu Deus, como isso aconteceu?

- Ele não amava você. É como as coisas acontecem quando não se há amor.

- Se eu o amasse nada disso teria acontecido?

- Talvez. – ele respondeu. – Talvez fosse mesmo o que tivesse que acontecer.

Lisbon ficou ali tentando controlar sua respiração, ainda pasma de descrença.

- Ainda não acredito nisso... – ela murmurou.

- Isso é passado, Lisbon. Christine se arrependeu e ela merece ter uma nova chance. Acredito que mereça.

- Como Christine pôde fazer isso? Justo Jeffrey? – ela encarou Jane. – Meu Deus, Jane, ele é o melhor amigo do Ed!

Ele sabia o que se passava na cabeça dela.

- Christine é quem tem que contar, Lisbon.

- Ela não vai contar. Ela é fraca, fútil e egoísta.

- Talvez ela tenha uma irmã para fazê-la fazer isso. ajudá-la a contar.

Ela o olhou nos olhos e o abraçou.

Ao chegarem à casa, Jane e Lisbon se separaram, e ela seguiu até a sala da lareira novamente onde a irmã estava. A encontrou com TJ.

- TJ, me dá licença, por favor? – ela pediu, e TJ, sabendo o que vinha, saiu o mais rápido que pode.

- Agora não, Theris.

- Agora sim, Chris.

- Olha Theris, eu vou contar ao Ed. Eu vou. Mas não agora. Este tipo de coisa tem que ser no momento certo.

Lisbon olhou para a irmã, sorrindo.

- Você está certa. Você deveria realmente encontrar a hora certa para contar ao seu noivo que estava o traindo com o melhor amigo dele, para ele não sentir que o mundo dele está sendo destruído em volta dele, e não há lugar pra ele escapar porque foi enganado para casar com você.

Christine não estava pronta para a intensidade de Teresa, e se virou na direção da porta.

- Não quero falar sobre isso agora.

- É, desapareça. Nós realmente seguimos nossos caminhos de maneiras diferentes, certo? – continuou ela. – Eu nem quero discutir o fato de você ter dormido com meu noivo, porque você sempre foi a princesinha mimada e amoral.

Christine a olhava horrorizada, mas Teresa não parou:

- Mas resolvi deixar isso de lado porque eu realmente acreditava que lá no fundo você me amava e era uma boa pessoa. Eu realmente achava que você merecia alguém como Ed. De alguma maneira, ele fez seu egoísmo parecer algo legal. Quase carinhoso.

Christine a olhava com lágrimas nos olhos.

- E agora eu sei. – Lisbon continuou. – Você não merece nada disso. Você só teve sorte. Não se preocupe Chris, seu casamento será perfeito. Você irá sorrir e irá dizer todas as coisas certas, e irá lidar com Ed quando estiver pronta. Mas agora, neste minuto, eu não vou fingir que está tudo bem.

Ela saiu e bateu a porta, voltando para a sala, encontrando Jane com o pai. Ele andou na sua direção.

- Eu preciso de uns minutos sozinha. Tudo bem? – perguntou e ele apenas assentiu.

Ela caminhou até a varanda em que minutos antes ela ouvia de Jeffrey aquela revelação assustadora. Sempre se puniu por ter cometidos todos os erros possíveis com Jeffrey. Sempre achou que ela não mais merecia a felicidade por ter negado uma tentativa, mesmo que sem futuro. Por isso sempre achou que aquele amor platônico por Jane jamais poderia ser concretizado. Não só pelo passado dele mas por acreditar que ele jamais a olharia com outros olhos. Olhos diferentes com os que ele já a olhava.

Só que aquela teoria havia ido por água abaixo naquele fim de semana em Londres. Jane estava ali, ao seu lado. Apaixonado e cheio de esperanças. Isso significava que a felicidade existia realmente. Que ela mereceu uma segunda chance, e Jane também.

Por que não Jeffrey? Por que não Christine?

E quanto a Edward? Não havia maior vítima nessa história que ele. Por mais que acreditasse que Edward devesse saber, não era ela quem deveria dizer. Era Christine. Ela cometeu erros com ele.

Talvez Christine estivesse certa. Talvez Edward a perdoasse. Talvez o amor por ela apagasse aquilo. Talvez Edward achasse que ela mereceria uma segunda chance também.

- Theris?

Ela ouviu e se virou. Era Joy.

- Oi. – Lisbon disse ao vê-la.

- Como está se sentindo?

- Tudo bem. Nada que uma garrafa de tequila e dois Vicodin não ajudem.

Joy deixou o queixo cair.

- Tô brincando, Joy. – e balançou a cabeça, impressionada que a madrasta não tinha entendido a piada. – Não importa como eu estou. Hoje é o dia da Chris.

- Vocês conversaram?

Lisbon balançou a cabeça, dizendo que sim.

- Eu fui um pouco dura com ela. E agora ela vai se casar.

- Há uma razão porque eu sempre conto a história do Tony Mijão, sabe?

- Acredite em mim, Joy. Isso é muito maior que Tony Mijão.

- Antes de Tony, você e sua irmã eram melhores amigas. Se sua irmã comia espinafre, você comia espinafre...

- Joy, por favor...

- E então, esse garoto apareceu, e foi a primeira vez que você fez qualquer coisa sem ela. – e Joy fez uma pausa. Lisbon a olhava muda. – E Christine não estava só com ciúmes.... ela estava triste e solitária. Ela sentia sua falta.

- Sentia? - Lisbon parecia não acreditar.

- Então ela flertou com Tony, e você se enfureceu e o chutou. Quem fez isso? Vocês duas. Juntas.

Lisbon continuou ali em pé, chocada. Joy levou uma das mãos ao rosto de Teresa e lhe fez um carinho na bochecha.

- Eu queria ter sabido que isso passaria tão rápido...

Lisbon, emocionada, assistiu Joy ir embora com lágrimas nos olhos.

XxLFNxX

Meia hora depois, todos se preparavam dentro da igreja. Jane ficou conversando com Sr. Lisbon nas escadas, após Christine entrar com Joy na sacristia.

Lisbon entrou e viu Christine.

- Você está linda. – Teresa disse com sinceridade. Podia ter dito antes, na sala da lareira, mas seu ódio não deixou.

- É. – ela suspirou. – O dia mais importante da minha vida. – e balançou a cabeça. De repente, ficou séria. – Theris... ouça, eu escolhi você como minha dama de honra por muitas razões: eu te amo, você é minha única irmã e etc. Mas a razão principal que eu escolhi você é porque sei que sempre se sentiu triste por todos esses anos, então eu sabia que não iria me ofuscar. – e fez uma pausa. – Mas estamos aqui, no grande dia. E alguma coisa não esta certa. Talvez seja a conversa que nós tivemos antes, não sei, mas sua tristeza não é importante mais.

Ela parecia sentir um amargo arrependimento.

- Sei que foi algo horrível o que eu fiz. Eu realmente sinto muito. – ela disse, e pegou a mão de Teresa. – Eu sei que você odeia quando consigo tudo o que eu quero. Mas neste minuto, tudo o que eu quero é que você seja feliz.

Lisbon, já atingida pelas palavras de Joy, abraçou a irmã. Ao se soltarem, ela viu que os olhos de Christine estavam molhados.

- Pode chamar Ed pra mim? – ela pediu. E Teresa apenas balançou a cabeça.

XxLFNxX

Matthew Lisbon saiu com os pais do noivo para cumprimentar parentes e deixou Jane encostado à parede ao lado da porta da igreja. Ele assoviava esperando sua amada aparecer, e começou a rir ao ver uma cena inusitada.

Viu, próximos ao estacionamento, Edward correndo atrás de Jeffrey.

Jane balançou a cabeça, já sabendo o motivo. E sabia o que fazer.

Correu até o Bentley do pai de Lisbon, e acelerou na direção do noivo. Ele desacelerou ao alcançá-lo e manteve o ritmo bem devagar ao lado de Edward.

- Oi. – ele disse.

Edward virou a cabeça e olhou para Jane, mas continuou correndo com seu smoking.

- Eu pareço um verdadeiro idiota, não é? – Edward perguntou.

- É, parece.

Ele continuou correndo.

- A única maneira de pegar aquele cara é se ele estiver em desvantagem. – disse Jane e Edward parou de correr, se sentando no meio fio. Jane parou o carro e sentou-se ao lado dele, que tentava recuperar o fôlego.

- Me sinto um idiota. – admitiu Edward. - Estava sentado lá, tomando um scotch me sentindo o cara mais sortudo do mundo. Eu sabia que ela estava vendo alguém quando nós finalmente ficamos juntos. Eu a perdoei porque achei que era só um cara qualquer. Não importava. Por que Jeffrey? – e ele fez uma pausa. – Eu a coloquei num pedestal desde... desde o dia que eu a coloquei lá.

- Christine ama você.

- Vai levar muito tempo pra eu superar isto.

Jane ficou mudo. Parecia tentar encontrar as palavras certas de encorajamento. Finalmente, achou a coisa certa.

- Pense desta maneira: você passará o resto das suas vidas fazendo sexo para fazer as pazes.

Edward parou pra pensar um momento. Então se virou para Jane.

- Você vai ser meu cunhado ou não?

XxLFNxX

- Oi. – Lisbon viu Jane chegar com Edward.

- Oi. – respondeu ele quando o noivo deu um tapa nas suas costas e entrou na igreja.

- Fez um novo amigo?

- Ele parece ser um cara legal.

Eles ouviram uma música ao fundo. Jane pegou o rosto dela com as mãos, e a beijou como se sua vida dependesse daquilo.

- Deveríamos ir. – ele disse.

- Ir onde? – ela riu, com um sorriso nos lábios.

- Como onde? Para o altar. Eu sou o padrinho. – e riu.

Ele a puxou para dentro da igreja. No anexo, encontraram Christine com o pai, e Joy, que dava as últimas instruções.

- Vão vocês. – e apontou para Lisbon e Jane.

Eles caminharam até o altar, diante das mesmas pessoas que, ironicamente, estavam no casamento que Lisbon fugiu. Atrás deles, Christine e Matthew esperavam a sua vez.

Quando chegaram à frente de Edward e do padre, se separaram. Lisbon ficou a direita, e Jane, à esquerda, atrás do noivo. Trocaram um olhar e se viraram para ver a noiva caminhar até o momento mais perfeito de sua vida.

XxLFNxX

Lisbon pegou o microfone, tentando fazer um discurso rápido. Ela olhou todos a sua volta: Joy, seu pai, Cristine, Edward, TJ e Jane. Em suas mãos, encarou um pedaço amassado de papel.

- Eu fiz esse discurso no avião. – ela ouviu risadas. – Era para ser tocante e engraçado.

Ela olhou para Jane. Ele não precisava fazer nada. Ele era só o seu apoio.

- Eu achei que voltaria à Inglaterra e teria uma epifania. Eu veria Chris e a coisa perfeita apareceria na minha cabeça. E eu ficaria apenas no como e por quê eu amo minha irmã. Mas vim pra casa e tudo estava uma bagunça, e tudo o que podia dizer seriam beleza e suas verdades. – e fez uma careta. – Acho que roubei isso da revista de bordo.

Os convidados riram. Lisbon olhou para Joy.

- Como uma mulher maravilhosa disse uma vez sobre Christine: "não é que eu ame mais, é que ela me deixou amá-la."

Lisbon levantou sua taça para um brinde e se virou para Edward e Christine:

- Pode ser a coisa mais assustadora do mundo deixar alguém amar você e saber como amá-los de volta. Cuidem um do outro. Amo vocês dois.

Todos levantaram suas taças e brindaram. Algumas pessoas assoaram narizes, beijaram seus pares. Christine e Teresa seguraram os olhares uma na outra. Próxima a elas, com lágrimas nos olhos, Joy sorriu, ao ver suas "garotinhas".

XxLFNxX

Ao som de "La vie en rose", Jane e Lisbon dançavam no meio do salão. Eles viram Edward tentando manter uma bêbada Christine longe da mesa de presentes.

Encostados ao piano, TJ dava um amasso no seu par. Era Woody, do buraco número sete.

- Grande discurso. – disse Jane. - Eu realmente acho que foi... tocante... e engraçado.

- Obrigada. – ela devolveu, sorrindo.

Ele a apertou mais nos seus braços.

- Não vejo a hora de chegarmos em Sacramento. – ele declarou.

- Por quê?

- Porque estou doente pra começar logo minha vida com você.

Eles sorriram um para o outro enquanto giravam mais rápido no salão.

Ao fundo, Edward puxou um presente meio aberto das mãos de Christine e o colocou de volta na mesa. Ela pulou nas suas costas, e ele, com um sorriso de felicidade, pareceu puxá-la na direção do banheiro.

- Já te disse como você está maravilhosa no seu vestido de madrinha?

- Humm... – ela pareceu pensar. – Não.

- Que erro grotesco! – e a beijou com paixão. – Você está magnífica.

Ela sorriu e ambos ficaram se fitando apaixonados.

- Talvez eu pegue o buquê. – Teresa soltou, de repente.

- Por quê? Com quem você vai casar? – perguntou com um meio sorriso.

- Acho que eu encontro alguém. – ela continuou, o fazendo beijá-la novamente. - Ou eu dê o buquê para Van Pelt.

- Acha que isso pode animar Rigsby? – perguntou.

- Talvez ele se assuste novamente com a idéia dela acabar ficando com outra pessoa.

- Sei que eu me assustei. – confessou Jane.

Pelo canto dos olhos, Lisbon viu seu pai cochichar algo para o pianista no palco, e então puxar Joy para o meio do salão.

- Você estava certa. – disse Jane.

- Estava?

- Sobre segundas chances. – e ele apontou para Matthew e a esposa. - Você é minha Joy.

- Oh! - Lisbon deixou o queixo cair no chão, em choque. Ser comparada com Joy não era bem o que ela queria ser.

Jane gargalhou e a puxou para um beijo.

Lisbon tentou atingi-lo com as mãos, mas Jane a segurou, continuando o beijo até fazê-la desistir. Ela sorriu com os lábios ainda colado nos dele, e Jane se desgrudou dela, ao lembrar algo:

- Vai continuar me enrolando ou finalmente vai me levar pra velejar?

FIM

N/A: Aleluia! O fim finalmente!

N/B: Ebaa!!! Final com gostinho de quero mais. Sim, eu topo uma sequencia. Parabéns Li. Você tem talento e com a ajuda de uma beta, você fica melhor ainda. =D - Love you darling.

Eu agradeço a todos que leram. Mesmo aqueles que só leram porque eu pedi ou aqueles que desistiram logo no capitulo um. Agradeço de coração toda a galera do fanfiction e da comunidade Jisbon do Orkut: Nath, Gina Molly Potter, Penelope Charmosa, Laura, Lu Roque, Anis, Ana Paula, Mayabi Yoruno, Niick b.x.3, Miss_Red, Red Motel, Madame Spooky, Erica Ribeiro, Marquise Merteuil, Nayla, Lis, Felipe, Renata, Teresa, Marcela, Vanessa, Bruna, Ana Paula, Carolina, Mariana, Tati, Natália, e Bia.

OBRIGADA POR TUDO!

You are priceless!

Obrigada Dani pela força, incentivo e por betar! I love you!

Que tal uma sequencia?

Notas:

Brunch – é uma refeição de origem estadunidense que combina o café da manhã (breakfast em inglês) com o almoço (lunch em inglês). É normalmente realizada aos domingos ou feriados, quando toda a família se reúne entre 10 e 14 horas em torno da mesa.

Tiramisú - é uma sobremesa tipicamente italiana que consiste em camadas de pão-de-ló embebidas em café e vinho Marsala, ou conhaque, ou rum e brandy, entremeadas com o cremoso e macio queijo chamado mascarpone, polvilhado com chocolate amargo.

La vie en rose - é uma canção francesa, que se tornou conhecida mundialmente na voz de Édith Piaf, considerada por muitos a maior cantora francesa de todos os tempos. La vie en rose, que em português significa "a vida em cor-de-rosa", virou a canção assinatura de Piaf após ter sido lançada em 1946 e fazer um estrondoso sucesso em todo o mundo. A letra foi escrita por Piaf e a melodia por seu parceiro Louis Gugliemi. Sua versão single em discos já vendeu milhões de cópias por todo o mundo, sendo sempre relançada em diversos discos da artista, como a favorita do público de Piaf.